“Por conseguinte, também eu, ao preparar-me para o serviço que é próprio do Sucessor de Pedro, desejo afirmar com vigor a vontade decidida de prosseguir no compromisso de actuação do Concílio Vaticano II, no seguimento dos meus Predecessores e em fiel continuidade com a bimilenária tradição da Igreja” (Primeira mensagem de Sua Santidade Bento XVI no final da Concelebração Eucarística com os Cardeais Eleitores na Capela Sistina, Quarta-feira, 20 de Abril de 2005).

A pergunta que dá título ao presente artigo, embora seja em si mesma absurda (pois é absurdo que um Papa seja contra um Concílio da Igreja!), faz-se necessária por causa daqueles que insistem em afirmar que o Concílio Vaticano II foi um “mal” que se abateu sobre a Igreja de Cristo, e por isso deve ser não só rechaçado, mas também “anulado”.

Bento XVI tem sido celebrado por muitos dos que rejeitam o Vaticano II como o Papa que irá “restaurar” a Igreja dos “estragos” causados pelo Concílio (e não apenas por interpretações errôneas dos seus documentos), o que é não só curioso, mas também patético, uma vez que Bento XVI, em total coerência com o teólogo Joseph Ratzinger (leia mais), tem dado fartas e cabais demonstrações da sua aprovação ao Vaticano II e do seu compromisso com esse Concílio.

Ninguém pode negar que o catolicismo passa por um momento difícil, podemos dizer por uma crise, ou ainda por uma provação. Redução no número de fiéis (pelo menos em algumas regiões do mundo, como América Latina e Europa), excessos e desvios litúrgicos, desrespeito à moral católica por parte dos próprios fiéis, avanço do subjetivismo e de uma espiritualidade excessivamente emotiva e até piegas, recrudescimento da teologia da libertação aliada ao progressismo e ao relativismo teológico, esses são alguns dos sinais da provação por que passa a Igreja. Não obstante, tal provação não pode, de forma alguma, ser atribuída ao Concílio Vaticano II em si, mas sim às interpretações equivocadas que dele foram e têm sido feitas. Nesse sentido, os católicos que realmente queiram ser fiéis à Igreja, ao Magistério e ao Papa e que estejam dispostos a trabalhar em prol do Corpo de Cristo devem compreender, de uma vez por todas, que a nossa luta não pode ser contra o Concílio Vaticano II, e sim contra as interpretações erradas que dele foram, têm sido e venham a ser feitas. Para isso é fundamental conhecermos os documentos do Concílio (e não apenas comentários críticos deles), mas principalmente colocarmo-nos em sintonia, ou melhor, em obediência aos Papas responsáveis pelo Concílio (João XXIII e Paulo VI) e por sua implementação (João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI) e ao Magistério ordinário da Igreja. Só assim estaremos realmente prestando um serviço à Igreja. Do contrário, ou seja, quem quer que insista na rejeição ao Vaticano II e prefira seguir interpretações pessoais do Concílio estará prestando um desserviço à Igreja de Cristo, por mais sincero e bem-intencionado que seja. Pois essa obstinação em rechaçar o Vaticano II tem um efeito deletério não só entre os que são católicos, mas também entre os que não são, na medida em que alimenta a desconfiança no Magistério e a descrença na infalível assistência do Espírito Santo à Igreja. Pois o que pensar da inerrância da Igreja se o Magistério “errou” por ocasião do Vaticano II e se os Papas eleitos após o Concílio têm “insistido” nesse “erro” (na medida em que têm apoiado incondicionalmente o Vaticano II)?

Nossa oração é no sentido de que o Espírito Santo atue profundamente nos corações e nas mentes daqueles que têm se colocado contra o Concílio Vaticano II (e que têm feito isso freqüentemente com mais ardor do que têm lutado contra os verdadeiros inimigos da fé, como o secularismo, o relativismo, o marxismo etc.). Que essas pessoas enfim percebam o mal que têm causado às almas (ainda que com as melhores intenções), semeando a discórdia, a desobediência, a insubordinação, a desconfiança, o subjetivismo, o personalismo e outros malefícios. Que sejamos todos fiéis e obedientes ao Magistério e ao Papa (e não ao que nos parece ser o correto). E que Deus nos livre de ser “neoprotestantes” dentro da Igreja!

Leiamos, agora, um pouco do que o Papa Bento XVI tem dito a respeito do Concílio Vaticano II. E sigamos-lhe o exemplo!

Obs.1: os trechos abaixo foram transcritos apenas de documentos publicados no site do Vaticano em português, o que significa que em vários outros documentos ainda não traduzidos para o português pode haver mais declarações do Papa favoráveis ao Vaticano II.

Obs.2: as simples referências ao Vaticano II, nos discursos, homilias e mensagens do Papa Bento XVI, são inúmeras, por isso preferimos transcrever apenas aquelas em que o Papa manifesta expressamente o seu apoio e/ou o seu compromisso com relação ao referido Concílio.

Obs.3: em nossa pesquisa, não encontramos nenhuma referência crítica, no sentido de desaprovação, de Bento XVI em relação ao Vaticano II, muito menos qualquer indício de que o Papa possa vir a “anular” o Concílio. Se tais referências ou indícios existem, pedimos aos leitores que no-los enviem.

Obs.4: colocamos em negrito os trechos que nos parecem merecer atenção especial.

“Tenho às minha frente, em particular, o testemunho do Papa João Paulo II. Ele deixa uma Igreja mais corajosa, mais livre, mais jovem. Uma Igreja que, segundo o seu ensinamento e exemplo, olha com serenidade para o passado e não tem medo do futuro. Com o Grande Jubileu foi introduzida no novo milénio levando nas mãos o Evangelho, aplicado ao mundo actual através da autorizada repetida leitura do Concílio Vaticano II. Justamente o Papa João Paulo II indicou o Concílio como “bússula” com a qual orientar-se no vasto oceano do terceiro milénio (cf, Carta apost. Novo millennio ineunte, 57-58). Também no seu Testamento espiritual ele anotava: “Estou convencido que ainda será concedido às novas gerações haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos concedeu” (17.III.2000).

Por conseguinte, também eu, ao preparar-me para o serviço que é próprio do Sucessor de Pedro, desejo afirmar com vigor a vontade decidida de prosseguir no compromisso de actuação do Concílio Vaticano II, no seguimento dos meus Predecessores e em fiel continuidade com a bimilenária tradição da Igreja. Celebrar-se-á precisamente este ano o 40º aniversário da conclusão da Assembleia conciliar (8 de Dezembro de 1965). Com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam actualidade; ao contrário, os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da actual sociedade globalizada.” (Primeira mensagem de Sua Santidade Bento XVI no final da Concelebração Eucarística com os Cardeais Eleitores na Capela Sistina, Quarta-feira, 20 de Abril de 2005)

“Agora o meu pensamento volta ao dia 8 de Dezembro de 1965, quando o servo de Deus Paulo VI concluiu solenemente o Concílio Ecuménico Vaticano II, o maior evento eclesial do século XX, iniciado três anos antes pelo beato João XXIII. Entre a alegria de numerosos fiéis na Praça de São Pedro, Paulo VI confiou a concretização dos documentos conciliares à Virgem Maria, invocando-a com o delicado título de Mãe da Igreja. Ao presidir esta manhã a uma solene Celebração eucarística na Basílica Vaticana, eu quis dar graças a Deus pelo dom do Concílio Vaticano II. Quis também louvar Maria Santíssima por ter acompanhado estes quarenta anos de vida eclesial ricos de tantos acontecimentos. De modo especial, Maria vigiou com solicitude materna sobre o pontificado dos meus venerados Predecessores, cada um deles, com grande sabedoria pastoral, guiou a barca de Pedro na rota da verdadeira renovação conciliar, trabalhando incessantemente para a fiel interpretação e concretização do Concílio Vaticano II.” (Angelus, 8 de Dezembro de 2005 Solenidade da Imaculada Conceição)

“Queridos irmãos e irmãs, ao convidar-vos a retomar a leitura destes documentos, exorto-vos a rezar juntamente comigo à Virgem Maria, para que ajude todos os crentes em Cristo a manter sempre vivo o espírito do Concílio Vaticano II, a fim de contribuir para instaurar no mundo aquela fraternidade universal que responde à vontade de Deus sobre o homem, criado à imagem de Deus.” (Angelus, Domingo, 30 de Outubro de 2005)

“Queridos Irmãos Bispos italianos, durante os trabalhos da vossa Assembleia recordareis de modo especial o quadragésimo aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II. Uno-me de todo o coração a vós nesta comemoração, na expectativa da celebração, a que eu mesmo presidirei no próximo dia 8 de Dezembro, do dom extraordinário que a Igreja e a humanidade receberam através do Concílio.” (Mensagem do Papa Bento XVI aos Bispos italianos reunidos em Assis para a 55ª Assembléia Geral)

“Quarenta anos depois do Concílio podemos realçar que o positivo é muito maior e mais vivo do que não podia parecer na agitação por volta do ano de 1968. Hoje vemos que a boa semente, mesmo desenvolvendo-se lentamente, cresce todavia, e cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio.” (Discurso do Papa Bento XVI aos Cardeais, Arcebispos e Prelados da Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal, Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2005)

“Eis então onde se situa a missão de uma revista de cultura como a Civiltà Cattolica: participar no debate cultural contemporâneo, quer para propor, de maneira séria e ao mesmo tempo divulgadora, as verdades da fé cristã de modo claro e ao mesmo tempo fiel ao Magistério da Igreja, quer para defender sem espírito polémico a verdade, por vezes deformada com acusações sem fundamento à comunidade eclesial. Gostaria de indicar o Concílio Vaticano II como farol no caminho que a Civiltà Cattolica está chamada a percorrer. As riquezas doutrinais e pastorais que ele contém e, sobretudo, a inspiração de fundo ainda não foram assimiladas plenamente pela comunidade cristã, mesmo se transcorreram 40 anos depois da sua conclusão.” (Discurso do Papa Bento WVI aos escritores e colaboradores da revista “Civiltà Cattolica” Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2006)

“A comunhão eclesial, que se funda na própria pessoa de Jesus Cristo, exige também a fidelidade à doutrina da Igreja, sobretudo mediante uma justa interpretação do Concílio Vaticano II, isto é, como já tive a ocasião de dizer, “numa hermenêutica da reforma, da renovação na continuidade do único sujeito Igreja, que o Senhor nos doou” (Discurso à Cúria romana, 22 de Dezembro de 2005). Com efeito, se lermos e recebermos o Concílio desta forma, “ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação, sempre necessária, da Igreja” (ibid.)” (Discurso do Papa Bento XVI ao primeiro grupo de Bispos do Canadá-Quebeque por ocasião da visita “Ad Limina Apostolorum”, Quinta-feira, 11 de Maio de 2006)

“João Paulo II, filósofo e teólogo, grande pastor da Igreja, deixou uma riqueza de escritos e de gestos que expressam o seu desejo de difundir o Evangelho de Cristo no mundo, usando os métodos indicados pelo Concílio Vaticano II e de traçar as linhas de desenvolvimento da vida da Igreja no novo milénio. Estes dons preciosos não podem ser esquecidos. Hoje confio a vós, queridos membros e amigos da Fundação João Paulo II, a tarefa de aprofundar e manifestar às futuras gerações a riqueza da sua mensagem.” (Discurso do Papa Bento XVI aos membros da Fundação João Paulo II, Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006)

“O Concílio [Vaticano II] realmente alcança o nosso povo. Não aqueles fragmentos do publicismo, que transmitiram uma imagem errada do Concílio. Mas a verdadeira realidade espiritual do Concílio. E deste modo devemos sempre e de novo, com o Concílio e no espírito do Concílio, interiorizando a sua visão, aprender a Palavra de Deus. Fazendo isto, podemos também comunicar com o nosso povo e assim realmente realizar um trabalho pastoral e espiritual.” (Encontro de Bento XVI com os párocos e o clero da Diocese de Roma no início da Quaresma, Sala das Bênçãos, Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007)

“Também eu vivi os tempos do Concílio, estando na Basílica de São Pedro com grande entusiasmo e vendo como se abrem novas portas e parecia realmente o novo Pentecostes, onde a Igreja podia de novo convencer a humanidade, depois do afastamento do mundo da Igreja nos séculos XIX e XX, parecia que se voltavam a encontrar Igreja e mundo e que voltassem a nascer um mundo cristão e uma Igreja do mundo e verdadeiramente aberta ao mundo. Esperámos tanto, mas as coisas na realidade revelaram-se mais difíceis. Contudo permanece a grande herança do Concílio, que abriu um novo caminho, é sempre uma magna charta do caminho da Igreja, muito essencial e fundamental. Mas por que aconteceu assim? Primeiro gostaria de começar talvez com uma observação histórica. Os tempos de um pós-Concílio são quase sempre muito difíceis. Depois do grande Concílio de Niceia que é realmente o fundamento da nossa fé, de facto nós confessamos a fé formulada em Niceia não surgiu uma situação de reconciliação e de unidade como tinha esperado Constantino, promotor desse grande Concílio, mas uma situação realmente caótica de litígios de todos contra todos. São Basílio no seu livro sobre o Espírito Santo compara a situação da Igreja depois do Concílio de Niceia com uma batalha naval de noite, onde ninguém pode conhecer o outro, mas todos estão contra todos. Era realmente uma situação de caos total: São Basílio descreve assim com tons fortes o drama do pós-Concílio, do pós-Niceia. Cinquenta anos mais tarde, para o I Concílio de Constantinopla, o imperador convida São Gregório Nazianzeno a participar no Concílio e São Gregório Nazianzeno responde: Não, não venho, porque eu conheço estas coisas, sei que de todos os Concílios nascem apenas confusão e batalha, portanto não venho. E não foi. Portanto, não é agora, em retrospectiva, uma surpresa tão grande como era no primeiro momento para todos nós digerir o Concílio, esta grande mensagem. Inseri-lo na vida da Igreja, recebê-lo, de modo que se torne vida da Igreja, assimilá-lo nas diversas realidades da Igreja, é um sofrimento, e só no sofrimento se realiza também o crescimento. Crescer é sempre também sofrer, porque é sair de um estado e passar para outro. E no concreto do pós-Concílio devemos constatar que existem duas grandes suspensões históricas. No pós-Concílio, a suspensão de 1968, o início ou a explosão ousaria dizer da grande crise cultural do Ocidente. Tinha terminado a geração do pós-guerra, uma geração que depois de todas as destruições e vendo o horror da guerra, do combater-se e verificando o drama destas grandes ideologias tinham realmente levado as pessoas à voragem da guerra, tinham redescoberto as raízes cristãs da Europa e começado a reconstruir a Europa com estas grandes inspirações. Mas tendo terminado esta geração viram-se também todas as falências, as lacunas desta reconstrução, a grande miséria do mundo e começa assim, explode, a crise da cultura ocidental que pretende mudar radicalmente. Diz: não criámos, em dois mil anos de cristianismo, o mundo melhor. Devemos recomeçar de zero de modo absolutamente novo; o marxismo parece a receita científica para criar finalmente um mundo novo. E neste digamos grave, grande confronto entre a nova, sadia modernidade querida pelo Concílio e a crise da modernidade, tudo se torna difícil como depois do primeiro Concílio de Niceia. Uma parte tinha a opinião de que esta revolução identificava esta nova revolução cultural marxista com a vontade do Concílio; dizia: este é o Concílio. No papel os textos ainda são um pouco antiquados, mas por detrás das palavras escritas está este espírito, esta é a vontade do Concílio, assim devemos fazer. E por outro lado, naturalmente, a reacção: destruir assim a Igreja. A reacção digamos absoluta contra o Concílio, o anti-Concílio e digamos a tímida, humilde busca de realizar o verdadeiro espírito do Concílio. E como diz um provérbio “Se uma árvore cai faz um grande ruído, se cresce uma selva nada se ouve porque se desenvolve um processo sem barulho” e portanto durante estes grandes ruídos do progressismo errado, do anti-Concílio cresce muito silenciosamente, com tantos sofrimentos e também com tantas perdas na construção de uma nova época cultural, o caminho da Igreja. E depois a segunda suspensão em 1989. A queda dos regimes comunistas, mas a resposta não foi o regresso à fé, como se podia talvez esperar, não foi a redescoberta de que a Igreja com o Concílio autêntico tinha dado a resposta. Ao contrário, a resposta foi o cepticismo total, a chamada pós-modernidade. Nada é verdadeiro, cada um deve ver como viver, afirma-se um materialismo, um cepticismo pseudo-racionalista cego que termina na droga, termina em todos estes problemas que conhecemos e de novo fecha os caminhos à fé, porque é tão simples, tão evidente. Não, não há nada de verdadeiro. A verdade é intolerante, não podemos ir por este caminho. Eis: nestes contextos de duas rupturas culturais, a primeira, a revolução cultural de 1968, a segunda, a queda, poderíamos dizer, no niilismo depois de 1989, a Igreja com humildade, entre as paixões do mundo e a glória do Senhor, empreende o seu caminho. Neste caminho devemos crescer com paciência e agora devemos aprender de modo novo o que significa renunciar ao triunfalismo. O Concílio tinha dito que renunciar ao triunfalismo e tinha pensado no barroco, em todas estas grandes culturas da Igreja. Foi dito: comecemos de maneira moderna, nova. Mas tinha crescido outro triunfalismo, o de pensar: agora nós fazemos as coisas, nós encontramos o caminho e encontramos nele o mundo novo. Mas a humildade da Cruz, do Crucifixo exclui precisamente também este triunfalismo, devemos renunciar ao triunfalismo segundo o qual agora nasce realmente a grande Igreja do futuro. A Igreja de Cristo é sempre humilde e precisamente assim é grande e jubilosa. Parece-me muito importante o facto de agora podermos ver com olhos abertos o que também cresceu de positivo no pós-Concílio: na renovação da liturgia, nos Sínodos, Sínodos romanos, Sínodos universais, Sínodos diocesanos, nas estruturas paroquiais, na colaboração, na nova responsabilidade dos leigos, na grande co-responsabilidade intercultural e inter-continental, numa nova experiência da catolicidade da Igreja, da unanimidade que cresce em humildade e contudo é a verdadeira esperança do mundo. E assim devemos, parece-me, redescobrir a grande herança do Concílio que não é um espírito reconstruído por detrás de textos, mas são precisamente os grandes textos conciliares relidos agora com as experiências que fizemos e que deram fruto em tantos movimentos, tantas novas comunidades religiosas. Fui ao Brasil sabendo como se expandem as seitas e como a Igreja parece um pouco esclerotizada; mas quando cheguei vi que quase todos os dias no Brasil nasce uma nova comunidade religiosa, nasce um novo movimento, não crescem só seitas. Cresce a Igreja com novas realidades cheias de vitalidade, não a ponto de encher as estatísticas esta é uma esperança falsa, a estatística não é a nossa divindade mas crescem nos ânimos e geram a alegria da fé, geram a presença do Evangelho, geram assim também verdadeiro desenvolvimento do mundo e da sociedade. Portanto parece-me que devemos combinar a grande humildade do Crucificado, de uma Igreja que é sempre humilde e sempre contrastada pelas grandes potências económicas, militares, etc., mas devemos aprender juntos com esta humildade também o verdadeiro triunfalismo da catolicidade que cresce em todos os séculos. Cresce também hoje a presença do Crucificado ressuscitado, que tem e conserva as suas feridas; é ferido, mas precisamente assim renova o mundo, dá o seu sopro que renova também a Igreja apesar de toda a nossa pobreza. E diria, neste conjunto de humildade da Cruz e de alegria do Senhor ressuscitado, que no Concílio nos deu uma grande indicação de caminho, podemos ir em frente jubilosamente e cheios de esperança.” (Encontro do Papa Bento XVI com o clero das Dioceses de Belluno-Feltre e Treviso, Igreja Santa Justina Mártir Auronzo di Cadore, 24 de Julho de 2007)

“Em particular a Congregação para a Doutrina da Fé publicou no ano passado dois Documentos importantes, que ofereceram alguns esclarecimentos doutrinais sobre aspectos fundamentais da doutrina sobre a Igreja e sobre a Evangelização. São esclarecimentos necessários para o desenvolvimento correcto do diálogo ecuménico e do diálogo com as religiões e culturas do mundo. O primeiro Documento tem o título “Respostas a questões relativas a alguns aspectos sobre a doutrina da Igreja” e repropõe também nas formulações e na linguagem os ensinamentos do Concílio Vaticano II, em plena continuidade com a doutrina da Tradição católica.” (Discurso do Papa Bento XVI à Congregação para a Doutrina da Fé reunida em Sessão Plenária, Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008)

“Estou convicto, colocando-me no seguimento dos ensinamentos do Concílio Vaticano II e dos meus venerados Predecessores João XXIII, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, que a humanidade contemporânea tem necessidade desta mensagem essencial, encarnada em Jesus Cristo: Deus é amor.” (Visita Pastoral do Santo Padre a Vigevano e Pavia – Homilia do Papa Bento XVI na celebração das vésperas na Basílica de «San Pietro in Ciel D’Oro» de Pavia, Domingo, 22 de Abril de 2007)

Viva o Papa!

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