Editora: Nova Era (Rio de Janeiro-RJ)
Ano: 2002
Páginas: 475 pp.

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Este livro pretende restaurar uma concepção judaica – professada pelo apócrifo livro de Enoque – segundo a qual o mal começou no mundo quando anjos perversos se encarnaram e tiveram contato sexual com mulheres, nascendo daí “nefilim” ou gigantes. Esses anjos maus, ditos “Vigilantes” ensinaram à humanidade artes mágicas e perversas.

Ora, tal tese, que a autora do livro julga endossada por Jesus Cristo, é descabida, pois a encarnação de anjos é um postulado gratuito e pouco condizente com a Sabedoria Divina. As semelhanças apontadas entre o livro de Enoque e os Evangelhos são vagas e não convencem.

Em suma, o livro em foco é mais uma expressão da investigação dos apócrifos como se fossem arautos de um Cristianismo renovado e supreendente, quando na verdade vêm a ser o testemunho do modo de pensar (por vezes, fantasioso e simplório) dos antigos judeus e cristãos.

Para o fiel católico, a origem do mal está no pecado dos primeiros pais. Estes foram elevados ao estado de justiça original, mas nele não perseveraram em razão de sua soberba; quiseram ser como Deus, árbitros do bem e do mal. Disseram “não” a Deus, o que os despojou da riqueza da graça e os tornou sujeitos à morte violenta e seus precursores. A humanidade sofre as conseqüências desta culpa, já que há solidariedade entre as gerações. Todavia, logo após a culpa e sua punição, é prometido o Salvador (Gên. 3,15), o que envolve a própria realidade do pecado e de suas conseqüências num plano de amor e misericórdia de Deus para com a criatura.

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