ARTIGO 7º – SE OS PECADORES SÃO REGIDOS PELA DIVINA PROVIDÊNCIA.

Respondo dizendo que a divina providência se estende aos homens de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que eles próprios são provistos; de outro modo, na medida em que eles próprios são providentes.

Falhado, pois, ao proverem, ou observando a retidão ao fazê-lo, por isto são ditos bons ou maus. Pelo fato de que são provistos por Deus, a eles são oferecidos bens ou males. E na medida em que eles de modo diverso se acham ao proverem, de modos também diversos são provistos por Deus.

Se, pois, observam a reta ordem ao proverem, a divina providência neles observa uma ordem condizente com a dignidade humana, de modo que nada lhes aconteça que não se lhes converta em bem, e que tudo o que lhes provenha os promova ao bem, segundo o que está escrito na Epístola aos Romanos: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8,28).

Se, porém, ao proverem, não observam a ordem que é condizente com a criatura racional, provendo, em vez disso, segundo o modo dos animais brutos, a divina providência os ordenará segundo a ordem que compete aos animais brutos, isto é, de tal maneira que as coisas que neles são boas ou más não se ordenem para o bem deles próprios, mas para o bem dos outros, segundo o que diz o salmista: “O homem, estando em honra, não compreendeu; foi comparado aos ignorantes jumentos, e tornou-se semelhante a eles” (Salmo 48,13).

De tudo isto é evidente que a divina providência governa os bons de um modo mais alto do que os maus. Os maus, de fato, segundo que se retiram de uma determinada ordem da providência, não fazendo a vontade de Deus, caem sob uma outra ordem, sendo feito deles a divina vontade. Os bons, porém, quanto a ambas estas coisas estão sob a reta ordem da providência.

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