Já dizia minha mãe que a ideia de que belas são as mulheres esqueléticas é invenção de uns estilistas que, por não gostarem de mulheres, querem que elas sofram e que os homens não olhem para elas. Não sei o quando há de verdade nesta noção, ainda que ela seja no mínimo engenhosa. É contudo verdade inegável que há já algumas décadas o modelo de beleza feminino proposto pela indústria da moda parece indicar mais uma tuberculose galopante que o vigor de uma mulher saudável.

As belas curvas femininas são tidas por feias, como se a mulher ideal fosse desenhada com um esquadro, não com um compasso. Os quadris e seios que indicam a maturidade sexual são preteridos em favor de um modelo de beleza que mais lembra uma menininha de 7 anos de idade com quase dois metros de altura.

Marilyn Monroe, hoje em dia, seria chamada de gorda e trocada por um aspargo ambulante, para tristeza dos que, como eu, apreciam mulheres com aparência feminina.

Isso agora veio a ser piorado, com o surgimento de uma moda em maquiagem que mais lembra hematomas que saúde: olhos fundos e escuros, como em um hematoma recente, ou com o contorno amarelado, como os de alguém que apanhou há alguns dias.

Além, assim, de fazer com que as moças pareçam doentes ou prisioneiras em dieta de fome, querem os criadores de moda que elas pareçam vítimas de violência física. Ora, a fragilidade excessiva indicada pela aparência doentia de modelos esqueléticas já é triste; a mulher forte, a mulher audaz, a mulher decidida não tem vergonha de ter formas femininas. Não quer parecer um graveto. Aliás, a primeira modelo esquelética tinha exatamente este apelido: Twiggy, “gravetinho” em inglês.

São as mulheres que mantêm a sociedade em funcionamento, que impedem uma queda ainda mais rápida na barbárie. Para isso, elas são fortes, são capazes. Se negar a força feminina e apresentar como modelo de beleza uma condição doentia já é um desserviço não só às mulheres, mas à sociedade, pior ainda é criar o costume de achar que bonita é a mulher com cara de que apanhou. É fazer da vitimização da mulher um ideal estético, avançando ainda mais na negação da força feminina. Quem propõe essas coisas realmente odeia as mulheres, e as quer doentias e surradas. Quem as ama não pode concordar com isso; quem as ama quer vê-las fortes, não parecendo pacientes do Pronto Socorro.

Se a busca de uma magreza excessiva já leva algumas pobres moças à anorexia, espero que a moda em maquiagem não as leve a pedir socos aos brutamontes de plantão.

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