“O Evangelho do Batismo do Jesus constitui o centro do ‘próprio’ da Festa (…) Os Padres da Igreja já viam neste acontecimento um grande significado teológico-salvífico. Este significado consiste, primeiramente, na revelação da filiação divina de Jesus mediante a voz ‘descida do céu’: ‘Este é o meu Filho amado, em quem Me comprazo’ (Mateus 3,17); o outro significado consiste na descida do Espírito Santo sobre Jesus, em forma de pomba. A teologia patrística via aí a verdadeira unção e a investidura de Jesus como Messias, antes do início de sua vida pública. Jesus, aceitando o batismo de João, exprimia também sua solidariedade para com a humanidade carregada de culpas, e conferia à água o poder de perdoar os pecados.

A leitura neotestamentária (Atos 10,34-38) refere-se expressamente à unção e à investidura de Jesus como Messias, nas palavras ditas por Pedro: ‘Sabeis o que se passou em toda a Judeia a começar pela Galileia depois do batismo pregado por João: como Deus ungiu com o Espírito Santo e com poder a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos aqueles que haviam caído no poder do diabo’.

A leitura veterotestamentária é tirada do cântico do Servo de Deus (Isaías 42,1-4.6-7) e, segundo a interpretação tradicional, contém igualmente referências à unção e à investidura de Jesus como Messias: ‘Eis o Meu Servo, que Eu amparo; Meu eleito, ao qual dou toda a Minha afeição. Coloquei sobre Ele o meu Espírito e Ele levará o direito às nações… Eu Te constituí Restaurador de um povo, Luz das nações’ (…).

Com a Festa do Batismo do Senhor encerra-se o Ciclo Festivo do Natal; começa então o Tempo Comum, contando-se a semana imediata já como a 1ª das 33/34 semanas do Ciclo Anual” (ADAM, Adolf. “O Ano Litúrgico”. São Paulo: Paulinas, 1ª ed., 1982, pp.147-148).

Facebook Comments

Livros recomendados

Os Males da AusênciaDo outro lado do rio, entre as árvoresA senhoria