Consta que um dos primeiros desenhos animados dos criadores da série South Park mostrava um duelo entre Jesus e o Papai Noel para saber quem era a principal personalidade do Natal. Nunca vi esse desenho para saber se ele é apenas engraçado ou também blasfemo, ou para saber quem venceu a disputa. Já no mundo real, precisamos admitir: Papai Noel está vencendo por larga margem. E cada vez mais cedo. Ainda no fim de outubro, visitei um shopping em Curitiba, onde moro. O lugar já está entulhado de papais noéis, pingüins, árvore de Natal e outras decorações afins. E, obviamente, nenhum presépio.

Desgostoso com o que eu vi, e depois de ler em algum lugar na internet (juro que não lembro onde) sobre uma campanha que lançaram não sei em que país pra incentivar os cristãos a botar seus presépios pra agir, julguei que era hora de os cristãos iniciarem uma mobilização pela volta dos presépios. Ela funciona em várias frentes.

No âmbito doméstico – os cristãos podem fazer o óbvio: exibir presépios. Nas nossas casas, isso é garantido; e no local de trabalho, se as circunstâncias permitirem, coloquemos lá nossos presépios também. Tradicionalmente se montam presépios no dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau; mas sinceramente não acho que devemos esperar até lá para isso – se o comércio já começou a sua decoração de Natal, não podemos esperar muito para o contra-ataque…

No âmbito comercial é que a luta se torna um pouco mais difícil. O que podemos fazer?

* primeiro, escrever ou telefonar para lojistas ou administrações de shopping perguntando por que não existem presépios na decoração de Natal. Eu imagino que a resposta mais óbvia será “para não ofender os não-cristãos”. Bom, nesse caso respondemos que, ao excluir o presépio da decoração, estão ofendendo os cristãos – que são a maioria da população brasileira (e, portanto, de consumidores). Além do mais, se existe Natal, é só por causa daquela cena retratada no presépio.

* segundo, partir para o confronto: se depois dos apelos para que a loja ou shopping adicione presépios na sua decoração de Natal (claro, colocar um presepinho escondido num canto, entre duzentos homens de vermelho não vale), não surtir efeito, partimos pro boicote, avisando nossos amigos católicos sobre a recusa daquele estabelecimento em colocar presépios na sua decoração.

Alguns podem considerar que boicotar estabelecimentos comerciais é uma atitude muito dura. Mas infelizmente a única linguagem que muitos comerciantes entendem é a do dinheiro. Em época de Natal, o que lojas e shoppings mais querem é vender. Para isso precisam de clientes, ou seja, precisam de nós. A mobilização de católicos já conseguiu cancelar exposições blasfemas – por que não poderíamos nos mobilizar para que o Natal volte a ser a festa do Menino Jesus? Afinal, se vamos comprar presentes para nossos familiares e amigos (e não há nada de errado nisso), por que não darmos preferência aos estabelecimentos que, na sua decoração, mostrarem o verdadeiro significado do Natal? Não importa a religião do dono do shopping ou da loja; importa é o efeito que a exposição do presépio terá sobre todos os que passarem por ali, para lembrá-los de que o Natal é a festa do Menino Jesus, e não do Papai Noel.

Basta que usemos o bom senso. Não precisamos pedir que escondam todos os Papais Noéis, ou que haja um presépio em cada corredor do shopping. Soube que em um dos maiores shoppings de Salvador existe um presépio grande na principal decoração de Natal. A meu ver, já é um ótimo começo.

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