Em síntese: A escritora Mary Schultze atribui ao Cardeal Agnelo Rossi uma trama para assassinar o pastor batista Aníbal Pereira dos Reis, baseando-se em documentos que ela mesma talvez não saiba serem falsos. O artigo abaixo apresenta a verdade dos fatos, reconhecida pela própria imprensa batista. Com efeito, o “Jornal Batista” atesta que no caso houve falsificação de documentos, devida ao infeliz pastor Aníbal Pereira dos Reis, que Deus já chamou a Si.

*  *  *

A Sra. Mary Schultze, “pesquisadora de Religião”, escreve no arti-go “O Dogma da Infalibilidade”, da “Folha Universal”, jornal da Igreja Universal do Reino de Deus, quanto segue:

«Nos dias 12/11/71 e 02/05/79, bem depois do Concilio Vaticano II no qual a ?Santa Madre? teria mudado o seu modo de agir, aconteceu o seguinte: o cardeal Agnelo Rossi, como prefeito dessa entidade católica romana, enviou ao cardeal Evaristo Arns, no Brasil, duas cartas sugerin-do o assassinato do ex-padre Dr. Aníbal Pereira Reis, então pastor batista e autor de muitos livros sobre a Igreja de Roma, cartas essas que aparecem nas últimas páginas de alguns livros do ex-padre Aníbal, que já está na glória.

Isso mostra que Roma é sempre a mesma e, quando tiver oportuni-dade, através do ecumenismo, de se tornar novamente a ?Igreja domi-nante?, fará muito pior a todos os que não ?rezam pelo seu catecismo?!»

Esta notícia, deturpadora dos fatos, exige esclarecimentos. Antes do mais, é de notar que o Cardeal Agnelo Rossi, ex-arcebispo de São Paulo, nunca foi Prefeito dessa “entidade católica romana” que é a Con-gregação para a Doutrina da Fé (mencionada anteriormente por Mary Schultze), mas, sim, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos. Dito isto, compete declarar quem foi o pastor Aníbal Pereira dos Reis.

Pastor Aníbal Pereira dos Reis: quem foi?
 

É desagradável tecer considerações desfavoráveis a determinada pessoa. Nem é da praxe de PR fazê-lo. Todavia o caso presente exige que se diga ao menos algo do que concerne ao pastor Aníbal.

Trata-se de um ex-padre que se fez batista em 1965 e se tornou violento adversário da Igreja Católica, combatendo-a através de escritos e pregações.

Não comentamos o fato de que o pastor Aníbal tenha agredido aquela Igreja em que renasceu pelo S. Batismo, estudou e foi ordenado ministro de Jesus Cristo… Há, porém, modos diversos de se opor a al-guém ou a alguma instituição. Com efeito, existe a polêmica digna, cien-tífica, que, por vezes, pode honrar a quem a conduz. Mas também existe a polêmica que, obcecada pela paixão, não recusa a falsificação, a men-tira, a calúnia, a sátira e as injúrias. Ora tal é o modo como o pastor Aníbal se voltou contra a sua Santa Igreja; foi profundamente passional e obsessivo, de tal modo que forjou documento falso (que ainda ousou defender como legítimo, depois de comprovada a sua falsidade); além disto, usou linguagem da mais incisiva agressividade.

Tenha-se em vista, com efeito, a pseudo-carta publicada pelo «Jor-nal Batista» de 19 a 23 de janeiro de 1972 a pedido do pastor Aníbal: seria uma missiva dirigida pelo Cardeal D. Agnelo Rossi, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos em Roma, ao Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo; nesse texto, aquele prela-do admoesta o arcebispo de São Paulo a que se acautele contra a ação “missionária” do pastor Aníbal Pereira dos Reis; este seria “um dos sa-cerdotes mais cultos do Brasil”, dotado de “enorme capacidade de tra-balho”. Diz mais o texto dessa pseudo-carta:

“Os seus livros, além de suas pregações, vêm causando enormes dificuldades para os nossos planos aí no Brasil… Se nós o perdemos, o que foi enorme prejuízo, agora é necessário barrar-lhe a impetuosida-de… O padre Aníbal é o sacerdote que atualmente mais causa preocupa-ções a Paulo VI. Mande-me sempre notícias, bem como recortes interes-santes de jornais e revistas.”

Essa pretensa carta, em última análise, constitui uma «louvação» à pessoa do pastor Aníbal dos Reis e uma recomendação publicitária e comercial dos livros do mesmo; o pastor quis fazer sua promoção própria e angariar novos lucros para si, além de desfigurar a S. Igreja Católica. Aliás, o Sr. Aníbal não perdia ocasião de fazer elogios e publicidade de suas obras em capas de livros, rodapés, cantos de página dos escritos que ele pudesse atingir. Como se vê, em janeiro 1972 chegou mesmo a forjar um documento ameaçador, de linguagem vulgar, atribuindo-o a uma figura eminente da Igreja Católica, ou seja, ao Cardeal Rossi.

E como se prova que forjou?

O Cardeal D. Agnelo Rossi, em Roma, sabedor da fraude, escre-veu para «O Jornal Batista» um artigo acompanhado de missiva datada de 05/2/1972, em que denunciava a falsidade do dito documento e pedia fosse essa denúncia publicada com o mesmo destaque e no mesmo lo-cal de «O Jornal Batista»», conforme a ética profissional.

Eis o teor do artigo de D. Agnelo Rossi, conforme foi publicado pelo «O Jornal Batista» de 5 de março de 1972, p. 1:
 

GROSSEIRA FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO DA CÚRIA ROMANA
 

“Afortunadamente lembrou-se alguém de me enviar o exemplar de ?O Jornal Batista? (19 a 23 de janeiro de 1972, ano LXXII, nº4), que colo-ca em destaque na primeira página sob o título ?A hierarquia católica quer liquidar o ex-padre Aníbal?? um documento da S. Congregação de Propa-ganda Fide, com minha assinatura. Teria eu enviado uma carta a Dom Paulo Evaristo Arns em 12 de novembro de 1971, em que, além de des-cabidos elogios ao padre Aníbal Pereira dos Reis, hoje pregador batista, reconheceria nele ?o herege mais em evidência no Brasil? e, depois de ter auscultado as preocupações do S. Padre sobre o caso, teria sugerido à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que ?se estudem me-didas adequadas?… ?para desmoralizar? Aníbal e ?barrar-lhe a impetuosi-dade?. Comentando a sibilina carta, ?O Jornal Batista? pontifica: ?Roma é sempre a mesma´.

Evidentemente caí das nuvens… simplesmente porque a carta é apócrifa e o documento é grosseiramente falsificado. Espero, portanto, que, de acordo com a ética profissional jornalística, ?O Jornal Batista?, com o mesmo destaque, reproduza a devida retratação, se não quiser ser cúmplice de crime contra a verdade e a justiça.

Poderia dissertar longamente sobre o assunto: procurarei entre-tanto ser breve na justificação da minha assertiva, sem descer a comen-tário sobre a indigna manobra e suas desabonadoras conseqüências.

É apócrifa a carta. A Dom Paulo, meu sucessor, escrevo geralmen-te à mão (parece-me mais familiar e minha letra é legível), mas sempre com algum calor, que traduz meu afeto e apreço a ele e à Arquidiocese de São Paulo. Naquele 12 de novembro, aliás, estava muito ocupado com o Sínodo e, se quisesse tratar de um assunto para a CNBB, tinha aqui em Roma, em pessoa, o seu Presidente Dom Aloísio Lorscheider, meu íntimo amigo, e outros prelados brasileiros, delegados ao Sínodo. Com referência à CNBB, esclareço que não sou seu embaixador aqui em Roma nem Dom Paulo é meu porta-voz junto à CNBB. Interesso-me naturalmente pela sorte da Igreja no Brasil, mas nem substituo, nem ori-ento a CNBB, nem sou o porta-voz do Papa para o Brasil, pois não de hoje existem canais competentes para tanto. Como prelado brasileiro, desejando sugerir algo à CNBB, é óbvio, recorro ao seu Presidente ou ao seu Secretário Geral. E, afinal, devo confessar que, se Aníbal Pereira dos Reis não estivesse agora ligado a esta infeliz e deprimente manobra, talvez, se me lembrasse dele, seria apenas para rezar por ele.

Afirmei que a falsificação do documento é grosseira. Forjaram um papel oficial, que nunca poderia existir em nossa Congregação. Pois o escudo é do Papa Paulo VI e não da nossa Congregação. O título é anacrônico, de antes do Vaticano II. O documento publicado não é protocolado, o que é absolutamente necessário para indicar sua autenti-cidade e validade. Não observa a praxe da Cúria quanto ao modo de indicar o destinatário e quanto à conclusão. Reproduz uma assinatura minha, anterior ao meu cardinalato e à minha indicação como Prefeito da S. Congregação para a Evangelização dos Povos. Fotografou-se uma minha anterior assinatura (sic: + Agnelo Rossi), quando hoje, nos docu-mentos oficiais, assino, graças à universalidade de minha missão na Igreja, sem a cruz, antecedendo meu nome, com estes dizeres: Agnelo Card. Rossi, Pref. Colocaram a tal assinatura abaixo de uma carta que, pelo estilo e conteúdo, nunca poderia escrever. Infeliz manobra!

Porque nada se constrói de bom sobre a falsidade e a mentira… e porque ainda creio que a direção de ?O Jornal Batista? tenha sido ludibri-ada em boa fé, quanto ao documento, ouso esperar o conseqüente e nobilitante gesto de retratação de um jornal que se preza ser órgão oficial da Convenção Batista Brasileira.

Cardeal Agnelo Rossi
Roma, 5-2-1971″

A carta que acompanhava tal artigo, era a seguinte:

SACRA CONGREGATIO

PRO GENTIUM EVANGELIZATIONE                                                                 Roma, 7-2-72

SEU DE PROPAGANDA FIDE

“A ?O Jornal Batista´

Tendo ?O Jornal Batista? publicado, em destaque, na primeira pági-na, um documento falso de nossa Congregação, com assinatura minha, retirada de qualquer outro documento antes de minha elevação ao cardinalato, espero que, de acordo com a ética jornalística , publique, com o mesmo destaque e no mesmo local, a retratação anexa.

Não lhe faço pedido oficial, formalizado pela S. Congregação para a Evangelização dos Povos ou endereçado ao Ministério da Justiça do Brasil, mas confio na lisura e na seriedade de ?O Jornal Batista?. Atenciosamente

Agnelo Card. Rossi”

Em poucas palavras, eis o que estes documentos querem dizer: alguém (o próprio pastor Aníbal dos Reis) tomou o cabeçalho de uma antiga folha de papel de carta da Congregação para a Propagação da Fé (que em 1972 já se chamava “Congregação para a Evangelização dos Povos”); esse cabeçalho terá sido tirado de um documento qualquer da Congregação emanado antes de 1972 e encontrado pelo pastor Aníbal. À guisa de armas, colocou, ao lado da rubrica, as armas de Paulo VI (que não figuram em papel das Congregações Romanas); colocou todo esse cabeçalho em folha de papel-carta comum; aí bateu à máquina a pretensa missiva do Cardeal Rossi ao Cardeal Arns e no fim colocou uma assina-tura (encontrada em seus arquivos) de D. Agnelo Rossi quando era arce-bispo de Ribeirão Preto (+Agnelo Rossi, e não Agnelo Card. Rossi); pediu ao tabelião o reconhecimento dessa firma, reconhecimento que foi dado, pois D. Agnelo Rossi realmente assinava  +Agnelo Rossi quando estava em Ribeirão Preto, mas nunca assinaria +Agnelo Rossi quando Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.

Ao ver a denúncia, o pastor Aníbal Pereira dos Reis insistiu em defender a genuinidade da carta que forjara. Essa apologia saiu publicada no «O Jornal Batista» de 19 de março de 1972; finalmente apareceu tam-bém um libelo do pastor Aníbal Pereira dos Reis intitulado «O Cardeal Agnelo Rossi desmascara o ecumenismo», contendo todo o documentário respectivo. Quem leia essas páginas de defesa, verifica que absoluta-mente nada dizem de válido; contornam o problema; ofuscam o leitor incauto, mas deixam ficar a evidência da fraude que o pastor Aníbal quis legitimar.

Diante de tais fatos, de que a imprensa batista mesma se tornou o porta-voz, pergunta-se: pode-se dizer que a mentira, a falsidade e a frau-de são os instrumentos de autêntico ministro do Evangelho? Quem re-corre a tais meios, ainda está procurando difundir realmente o Reino de Cristo ou está servindo a si mesmo, visando à sua autopromoção e des-carregando azedumes pessoais sobre o grande público? O Evangelho ensina a verdade e a caridade; quem deseja ser arauto do mesmo, há de se distinguir pelo culto destes dois grandes valores cristãos.

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