Essa carta aberta revela toda a falta de educação, de caridade e de respeito para com uma autoridade eclesiástica, o Bispo da Administração Apostólica. O que não é de se estranhar, pois os membros da Fraternidade S. Pio X não respeitam nem o Santo Padre o Papa (como mostrarei abaixo), quanto mais um bispo. Seu único argumento é o que os padres de Campos fizeram ou disseram antes, como se o Espírito Santo tivesse prometido infalibilidade a alguém além do Romano Pontífice. A posição do Bispo e da Administração Apostólica, que, aliás, é a posição católica, está muito bem explicada na Orientação Pastoral sobre o Magistério Vivo da Igreja, escrita por Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica.

Na realidade, os ataques da Fraternidade são mais uma demonstração de que não têm a comunhão nem a doutrina católica. Quem lê essa carta vai concluir que a Administração Apostólica de Campos não tem nada a ver com a Fraternidade. Graças a Deus, pertencemos a igrejas diferentes.

De fato, a Fraternidade São Pio X e os outros grupos que compartilham de suas doutrinas já não são mais católicos. Porque:

1 – A Fraternidade S. Pio X não é católica porque tem quatro bispos separados do Papa, por quase vinte anos, depois de várias tentativas frustradas de reconciliação por parte da Igreja. A Fraternidade mantém estes bispos fora da comunhão com o Papa e da comunhão com o restante do episcopado católico, o que é contrário ao direito divino,  à ordem divina, que não pode ter exceção. O que se vê claramente na doutrina tradicional da Igreja: Concílio de Trento (Denz. 1768-1770); Bento XIII, Breve Qui sollicitudini; Pio IX, Encíclica Etsi multa; Pio IX, Encíclica Quartus supra, Leão XIII, Enc. Satis cognitum; Pio XII, Enc. Ad Apostolorum principis; Papa João Paulo, Carta Apostólica Ecclesia Dei; II Decreto do Santo Ofício de 9/4/1951 e Código de Direito Canônico cânones 376, 1013 e1382.; Parecer do Pontifício Conselho para a Interpretação dos textos legislativos prot. 5233/96.

2 – A Fraternidade não é católica porque recusa sistematicamente de se submeter ao Romano Pontífice, (pelo espaço de uma geração) quando esse mesmo pontífice já ofereceu várias vezes a oportunidade de se reconciliarem. “Cismáticos são aqueles que se recusam se submeter ao Sumo Pontífice…” (Santo Tomás  II-II q. 39, art. 1. e Código de Direito Canônico, cânon 751). Não adianta dizer que rezam pelo papa, que reconhecem o Papa; as atitudes da Fraternidade desmentem estas afirmações. A doutrina da Igreja e o Código não definem o cismático como alguém que não reconheça o Papa, que não reze pelo Papa; mas alguém que não se submete ao Papa. No que se enquadra totalmente a Fraternidade. A Fraternidade está no cisma, não sou eu quem julga, é a Igreja. Reconhecer o Papa, rezar pelo Papa e não se submeter a ele é ainda mais grave (conf. Pio XII, encíclica Quae in Patriarchatu).

3 – A Fraternidade não é católica porque no coração de seus membros não há lugar para o Papa (não julgo o interior) são seus bispos que o afirmam: “Como herege, Ratzinger ultrapassa de longe os erros protestantes de Lutero” (Dom Richard Williamson entrevista ao jornal Riaverol 12 de janeiro de 2007). “Bento XVI é pior do que Lutero, bem pior” (Dom Tissier de Mallerais, entrevista  The Remnant, 30 de abril de 206). Vocês julgam o Papa pior do que Lutero, discípulo de Hegel, herege,  gnóstico, dúplice, que pertence a uma igreja conciliar em oposição à Igreja católica, que celebra e manda celebrar todos os dias uma missa que chamam de “Ímpia, bastarda”, que realiza os constantes encontros ecumênicos que vocês abominam.

A Fraternidade publicou várias vezes uma irreverente charge idealizada por Dom Lefebvre, e por ele mesmo enviada a João Paulo II. A charge foi a reação da Fraternidade ao Encontro Ecumênico de Assis, em 1986. Ela é intitulada “A impostura de Assis”, “A apostasia …?” Mostra o Papa João Paulo II dizendo à Santíssima Trindade e a Nossa Senhora: “Não, não vocês não podem ser recebidos ( no encontro), porque vocês não são ecumênicos!” Do outro lado, o Papa querendo entrar no Céu: “Eu sou João Paulo II, o Papa ecumênico.” E Jesus responde: “Eu lamento, mas aqui há somente uma religião. Vá procurar noutro lugar.” Então, do meio das labaredas do inferno, o demônio chama o Papa: “Ei! Meu amigo!, os ecumênicos devem vir para cá . Todos os deuses dos pagão são demônios!”.

Recentemente Dom Williamson também se referiu aos últimos papas nestes termos: “Bento XVI, como Paulo VI e João Paulo II, percebe-se que ele crê em duas religiões simultaneamente contraditórias. Ao menos por um milagre, Bento XVI pensará assim até à morte… O mais importante, a meu ver, é que o diabo carrega Pedro, como diz muito bem o adágio…” Imaginem então se no coração de vocês não houvesse lugar para o Papa! Haveria algum lugar pior do que o inferno para vocês colocá-lo?

4 – A Fraternidade não é católica porque recusa sistematicamente a comunhão com os demais católicos submissos ao Papa.

Basta um grupo tradicionalista (Mosteiro do Barroux, Fraternidade S. Pedro, Cristo Rei, etc) se submeter ao Papa para ser execrado pela Fraternidade. Desde que o Papa criou a Administração apostólica, os padres de Campos, com seu bispo, antes Dom Licinio, agora Dom Fernando, foram tratados  como  tendo “defeccionado na fé”, “apostatado”, “caído na traição modernista”. A Fraternidade está sempre alimentando, mesmo em Campos, no seio da própria Administração Apostólica, a insubordinação dos fiéis para com a legítima autoridade constituída pela Igreja. “Cismáticos são aqueles que se recusam a viver em comunhão com os membros da Igreja que estão submissos ao Romano Pontífice (Santo Tomás supra citado e Código de Direito Canônico cânon 751).

Aliás a Fraternidade nega até mesmo a noção de comunhão da Igreja. Falando ao jornal americano “The Remnant” (30/4/2006) a respeito de um texto da Conferência Episcopal Francesa que insistia sobre a necessidade da comunhão com Roma Dom Tissier de Mallerais afirma: “O problema não é a comunhão. Isso é uma idéia estúpida dos bispos depois do Vaticano II, não existe problema de comunhão e sim problema da profissão de fé. A comunhão é nada, é uma invenção do Vaticano II, Comunhão não significa nada para mim, é um slogan da nova Igreja”.  Esta afirmação é herética Comunhão é uma verdade da nossa fé ensinada pela Constituição Dogmática Pastor Aeternus do Concílio Vaticano I (Denz. 3060).

Dom Williamson: “Eu não faço parte nem da Igreja docente conciliar, nem do colégio apostólico conciliar. Em troca, da Igreja docente católica e do colégio apostólico católico eu faço parte. Ao inverso, os bispos diocesanos conciliares formam um bolo envenenado em bloco, mas não em todas as suas partes” (Carta aos amigos e benfeitores 6 de janeiro de 2003)

5 –  A Fraternidade não é católica, porque rejeita o Concílio Vaticano II como um possível conciliábulo Conclusão de um dos simpósios promovidos pela Fraternidade sobre o Concílio: “O Vaticano II aparece como uma ruptura radical com a Tradição católica. Posto que a Tradição está centralizada em Deus, em seu louvor  e em seu serviço não é exagerado considerar que o Concílio lançou as bases de uma nova religião destinada principalmente em exaltar a pessoa humana e em realizar  a unidade do gênero humano.” (Declaração final do Symposium théologique international – Paris 4 e 5 de outubro de 2002)

 SI SI NO NO, revista de teologia da Fraternidade, publicou uma longa série de artigos intitulados “Concílio ou conciliábulo? Reflexões sobre a possível invalidade do Vaticano II”. Esta e todas as outras publicações da Fraternidade imputam ao Concílio vaticano II uma série interminável de erros contra a fé.

Dom Tissier de Mallerais: “Não se pode ler o Vaticano II como uma obra católica. Um dia a Igreja vai suprimir completamente este concílio. Ela não falará mais dele. Ela o esquecerá. Tê-lo-á como uma folha em branco, um nada, uma tabula rasa”.

Ao contrário, o Concílio Vaticano II, embora não tenha definido nenhum dogma, foi um ato da Igreja docente, o Papa com o Colégio Episcopal. Embora tenha sido denominado concilio pastoral, contém ensinamentos doutrinários que devem ser aceitos à luz da Tradição, ou seja no sentido que lhes dá o Magistério vivo da Igreja e não o parecer individual à maneira de livre exame.

6 – A Fraternidade não é católica porque considera a Liturgia da Missa promulgada pelo Papa Paulo VI em 1970 como ilegítima, pecaminosa, ímpia, intrinsecamente má, bastarda, protestantizada. Dispenso-me de citar textos da Fraternidade sobre esse assunto porque fazem parte de todas as suas publicações. Essa posição é incompatível com a indefectibilidade da Igreja. Porque a Missa foi promulgada pelo Papa Paulo VI, esta promulgação é mantida pelos seus 3 sucessores e ela é celebrada por todos os bispos em comunhão com estes Papas. Celebrada e assistida em todas as igrejas, santuários, conventos do mundo do rito Romano. Não existe hoje na Igreja nenhum bispo em comunhão com o Papa, nem mesmo os de outros ritos, que tenha essa posição da Fraternidade sobre a missa. Portanto é uma posição oposta à da Igreja docente.  A Igreja docente só existe com a cabeça. Por isso a posição de que a missa de Paulo VI é ilegítima… é o oposta à posição da Igreja docente, ou seja da Igreja católica enquanto tal.

7 – A Fraternidade não é católica porque rejeita a legislação da Igreja e adotam uma legislação paralela Para a Fraternidade o atual Código de Direito Canônico está “imbuído de ecumenismo e personalismo, peca gravemente contra a finalidade mesma da lei” , e contém “normas mais ou menos contra o direito natural e divino”, está repleto dos “princípios revolucionários do Vaticano II” por isso ela instituiu uma legislação própria chamada “Ordonnances”, à imitação do Direito Canônico católico.

8 – A Fraternidade não é católica porque seus bispos e padres exercem uma jurisdição paralela na Igreja. “Posto que as autoridades romanas atuais estão imbuídas de ecumenismo e modernismo e que o conjunto de suas decisões e as do Novo Código de Direito estão influenciadas por estes falsos princípios, será necessário instituir autoridades de suplência, guardando fielmente os princípios católicos da tradição católica e do direito canônico. É o único meio de permanecer fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo, aos apóstolos e ao depósito da fé transmitidos a seus sucessores legítimos que permaneceram fiéis até ao Vaticano II” (Ordonnances, citando Dom Marcel Lefebvre, p. 8).

Este poder possuem-no “todos os bispos e padres fiéis à tradição para o exercício lícito ou válido dos atos do ministério episcopal e sacerdotal” (p. 6). Assim: “priores e padres responsáveis pelas capelas são  equiparados a curas pessoais, como os capelães militares. Os superiores de distritos, seminários e casas autônomas, bem como o superior geral e seus assistentes, embora, em princípio, eles só possuam jurisdição sobre seus súditos (padres, seminaristas, irmãos, oblatos, familiares), são equiparados a Ordinários pessoais, como os Ordinários militares, em relação aos fiéis dos quais seus padres cuidam da alma. Os bispos da Fraternidade, desprovidos de toda jurisdição territorial, têm todavia jurisdição supletória necessária para poder exercer os poderes anexos à ordem episcopal e certos atos da jurisdição episcopal ordinária” (p. 7).

A Igreja não supre a jurisdição contra a vontade do Supremo Legislador, o Papa.

9 – A Fraternidade não é católica porque instituiu uma Comissão para fazer as vezes das Congregações Romanas e dos tribunais eclesiásticos, inclusive do Supremo Tribunal da Igreja. jurisdição equiparados aos Tribunais Romanos até de terceira instância:

“Quanto ao problema das comissões, fazendo em uma certa medida suplência à defecção das Congregações Romanas dirigidas por prelados imbuídos dos princípios revolucionários do Concílio, parece que deveriam começar de maneira muito modesta, conforme às necessidades que se apresentam e oferecer essa instituição como um serviço para ajudar aos padres no seu ministério e os religiosos para os casos difíceis de resolver ou para as autorizações que exigem um poder episcopal de suplência” (Ordonnaces, citando Dom Lefebvre, p. 8).

“Para as sentenças que pronunciamos em terceira instância, aplicamos por analogia à nossa Comissão canônica os poderes da Sacra Rota Romana, pelas mesmas razões da situação de necessidade, pois, a própria Rota Romana está imbuída dos falsos princípios personalistas” (carta de Dom Tissier de Mallerais, presidente da Comissão Canônica 9/10/1996).

E a 25 de agosto de 1988, numa conferência sobre Direito Canônico em Ecône, Dom Tissier de Mallerais, falando sobre os poderes de seu tribunal, dizia: “É uma jurisdição verdadeira, e não uma abstenção da obrigação de receber um julgamento da Igreja. Conseqüentemente, nós temos o poder e o dever de pronunciar sentenças verdadeiras, que têm potestatem ligandi vel solvendi. Elas, conseqüentemente, são impostas obrigatoriamente aos fiéis que as requerem. A razão próxima para isso é que nós temos de ser capazes de dizer aos fiéis o que eles têm de fazer para salvar suas almas — quod debent servare.   Nossos julgamentos não são, conseqüentemente, apenas opiniões privadas, pois não é possível que estas sejam suficientes quando o bem público está envolvido, como ocorre a cada caso no qual o laço matrimonial é examinado. A fim de dirimir a dúvida, nossos tribunais têm de ter autoridade em foro externo.”

As Congregações romanas são órgãos que falam em nome do Papa, por isso, a Fraternidade está usurpando o poder do Papa.

10 – A Fraternidade não é católica porque teima em realizar casamento sem ter jurisdição para isso, portanto casamentos nulos. O caso de necessidade para o qual apelam pode existir, é previsto pelo Direito, mas a Fraternidade generaliza, principalmente quando seus padres fazem casamentos onde não há nenhum grave incômodo para os noivos terem um bom sacerdote, e até mesmo um padre tradicionalista em comunhão com a Igreja. Portanto estes casamentos assim realizados são nulos de pleno direito.

11 – A Fraternidade não é católica porque põe em dúvida  as canonizações realizadas pelos papas posteriores ao Concílio Vatciano II. « Roma anuncia uma canonização duvidosa» (DICI 59 – 31/7/02).

A revista Sel de la Terre, p. 244,  n. 42, outono de 2002 , para prevenir os leitores contra a canonização de S. José Maria Escrivá, afirma que « Dom Lefebvre, em várias ocasiões, explicou porque pensava que as canonizações feitas por João Paulo II não gozam do privilégio da infalibilidade ». E a revista publica então uma instrução dada por Dom Lefebvre, a 18 de setembro de 1989, na qual ele afirma que os Papas Paulo VI e João Paulo II, têm um conceito evolutivo de verdade e « desprezam sua própria infalibilidade, aquela do papa e da Igreja », « eles não crêem na sua infalibilidade ». « Ele, o papa, não pode conceber uma verdade definitiva ! è por isso que ele faz canonizações : ele vai a um país, procura-se uma freira que tem uma certa perfeição, colocam-na sobre o altar e pronto ! Isso agrada à presidência da República, a todos os cristãos do país… Isso nós não podemos aceitar ; isso não é sério ! ».

Dom Willianson, na Carta aos Benfeitores de 6 de dezembro de 2002, depois de criticar largamente a canonização de S. José Maria, conclui que as canonizações mais ou menos conciliares são falíveis.  Obviamente, diz ele, Padre Pio foi um santo inteiramente tradicional. Porém, não se deveria venerá-lo oficialmente ou em público, para não dar crédito às outras canonizações da nova Igreja.

O « Bulletin des Mais de Saint François de Sales » ( set/out de 2002) estampou em primeira página « Escrivá de Balaguer um santo ? não, um herege ! » E conclui : « O que o Papa João Paulo II fez é um dos mais graves erros de seu pontificado ; Escrivá de Balaguer não é um santo, é um homem que ensina a doutrina maçônica da liberdade, igualdade e fraternidade dentro da Igreja… é um « santo » maçônico ! »

Pela doutrina da Igreja, quem não reconhece a canonização de um santo se exclui da comunhão católica (Ad  tuendam fidem).

12 – A Fraternidade não é católica porque rejeita o Catecismo da Igreja Católica.Desde que foi  publicado o Catecismo vaários artigos e estudos da Fraternidade a ele se referem como um catecismo não católico. Ora, trata-se do Catecismo oficial da Igreja publicado pelo Papa João Paulo II, mediante a Constiuição Apostólica Fidei depositum de 11 de outubro de 1982.

O Pe. Michel Simoulin da Fraternidade, em 1997, publicou o livro “O Catecismo assassinado” e a conclusão do livro é “O Catecismo da Igreja católica é um catecismo não católico”.

“Os conservadores defendem o Catecismo da Igreja Católica a Fraternidade S. Pio X o rechaça porque é uma tentativa de formalizar e propagar as doutrinas do Vaticano II”.

13 – A Fraternidade não é católica porque assume uma atitude de crítica negativa para com  todos os pronunciamentos da Igreja. Exemplo disso foram as suas reações ao Motu Próprio Summorum pontificum de Bento XVI.  “Le Chardonnet”, órgão oficial da Fraternidade na França, artigo do padre François-Marie Chautard: “Uma coisa é certa, as condições doutrinais de uma tal autorização são inaceitáveis”. E noutro parágrafo do mesmo artigo: “Este texto não é para nós. Nós recusamos reconhecer o valor do missal de Paulo VI, da mesma maneira que nós recusamos as restrições impostas a uma missa feita inteiramente livre por São Pio V…Parece-nos que este documento é uma armadilha de Roma para levar os tradicionalistas a entrar na comunhão conciliar. Se nós aceitamos este texto, nós aceitamos o seu espírito e as suas condições…que são inaceitáveis”. Em seguida o artigo afirma que o Motu Próprio representa uma marcha a ré de Roma e compara essa volta ao semi-arianismo, em relação ao arianismo. “Roma, isto é fato, procurou sempre destruir a Tradição”. A distinção feita pelo documento da Santa Sé entre  “forma ordinária e forma extraordinária” do mesmo rito romano, é taxada por ele de dualidade “hegeliana.”: “Hegeliano e, portanto, adepto de uma continuidade na contradição, o Sumo Pontífice ensaia legitimar os dois ritos como se  pudesse colocar em pé de igualdade um rito católico e um rito bastardo”.

Mais abaixo, o padre Chuatard recrimina os  que aceitam as condições impostas pelo Motu Próprio porque: “acabarão por aceitar e louvar a doutrina atual do Magistério”.

No mesmo número de Le Chardonnet, padre Xavier Beauvais diz: “Que o Motu Próprio saído recentemente sobre a missa, não seja uma serpente que acabe por devorar a pomba! A missa ‘protestantizada’ de Paulo VI e a missa católica de São Pio V são totalmente contraditórias. Um tal ‘bi-ritualismo’ apresentado como duas formas diferentes do mesmo rito, uma portadora de células cancerosas e outra sã, propagará no organismo da Igreja os genes de um mal que poderá se tornar incurável”. (conf. Le Chardonnet, outubro de 2007).

14 – A Fraternidade não é católica porque adota a doutrina protestante do livre exame. Para a Fraternidade cabe a cada um julgar por si mesmo se os ensinamentos de um Papa, ou de um Concílio (fora das definições dogmáticas), mesmo tratando-se de ensinamentos declarados como definitivos e devendo ser aceitos, estão ou não em conformidade com a Tradição. E se forem julgados contra a Tradição devem ser rejeitados. Isso eles fazem também com os fatos conexos com a Revelação, como as canonizações dos santos. Da mesma maneira que Lutero inventou o livre exame da Bíblia, a Fraternidade inventou o livre exame da tradição. Sendo que o único intérprete legítimo da Bíblia e da Tradição é o Magistério sempre vivo da Igreja.

15 – A Fraternidade não é católica porque adota a doutrina protestante das duas Romas. “A Fraternidade deve esperar que os romanos voltem à rocha de Pedro” (Dom Williamson, carta aos benfeitores , (1/2/2003). “Depois do Concílio Vaticano II Roma procurou revolucionar a Religião católica, para fazer dela uma religião inteiramente diferente (D. Williamson, em Sel de la terre n. 55, p. 270). “Precisamos obter da Roma de hoje provas de sua ligação com a Roma de ontem” (Dom Fellay carta aos benfeitores 6/1/ 2003). O próprio Dom Lefebvre sempre fazia a distinção entre a Roma católica e a Roma modernista; entre a Igreja católica e a igreja conciliar. Sabe-se que Lutero é quem  chamava a Igreja de “viúva de Cristo” e que havia “um fosso entre a Igreja real e a pretendida por Cristo”. Como Lutero, a Fraternidade se diz estar na Igreja de Cristo e os romanos de hoje, o Papa e todos os que estão em comunhão com ele, estão na igreja modernista, conciliar.

16 – A Fraternidade não é católica porque diz que os sinais visíveis da  Igreja deixaram Roma se encontram na Fraternidade. “Não quero dizer inexista Igreja fora de nós, não se trata disso. Mas nos últimos tempos, foi-nos dito que é necessário que a tradição entre dentro da Igreja visível. Penso que comete-se aí um erro muito grave. Onde está a Igreja visível? A Igreja visível é reconhecida pelos sinais que ela sempre deu de sua visibilidade: ela é uma santa católica apostólica.

Eu vos pergunto: onde estão os verdadeiros sinais da Igreja? Estão eles na Igreja oficial (não se trata de Igreja visível, mas da Igreja oficial) ou conosco, no que representamos, no que somos?

É evidente que somos nós que guardamos a unidade da fé, que desapareceu da Igreja oficial. (…) Onde está a unidade da fé em Roma? Onde está a unidade da fé no mundo? Fomos nós que a guardamos.

A unidade da fé realizada no mundo inteiro é a catolicidade. Ora, esta unidade da fé no mundo inteiro não existe mais, não existe mais catolicidade. Existem tantas igrejas católicas quantos bispos e dioceses. Cada um possui sua maneira de ver, de pensar, de pregar, de passar o catecismo. Não existe mais catolicidade.

A apostolicidade? Eles romperam com o passado. Se eles fizeram algo foi exatamente isso. Eles não desejam mais  o que é anterior ao Concílio Vaticano II. (…)

E ainda, a santidade. Não nos faremos louvores e cumprimentos. Se não quisermos considerar a nós mesmos, consideremos os outros, e consideremos os frutos de nosso apostolado (…)

Tudo isso mostra que somos nós que possuímos os sinais da Igreja visível. Se ainda existe uma visibilidade na Igreja hoje em dia, é graças a vós. Estes sinais não se encontram mais nos outros. Não existe mais neles unidade da fé, ora, é precisamente a fé que é a base de toda a visibilidade da Igreja…É necessário, portanto, que saiamos do meio destes bispos, se não desejamos perder a nossa alma. Mas isso não é suficiente, posto que é em Roma que a heresia se instalou. Se os bispos são heréticos (mesmo sem tomar este termo no sentido e com as conseqüências do direito canônico) não é sem a influência de Roma. Se nós nos distanciamos deste tipo de gente, é com a mesma precaução que se toma para com as pessoas que estão com AIDS. Não queremos nos contaminar. Ora, eles estão com AIDS espiritual, uma doença contagiosa. Se quisermos guardar a saúde, não devemos aproximar-nos deles…É por isso que nós não podemos nos ligar a Roma. (“Guarde a Fé”, publicação da Fraternidade no Rio Grande do Sul, Brasil, Jun/jul 2002).

Dom Williamson, “Era inevitável que Roma reabrisse os contatos com a Fraternidade, obviamente não porque a Fraternidade é a Fraternidade ou por causa dos seus lindos olhos azuis, ou qualquer outro atrativo. Mas porque, pela graça de Deus, e pela medida da cooperação humana com a sua graça, ocorre que a Fraternidade conseguiu guardar o Depósito da Fé; se as próprias autoridades da Igreja de Cristo o perderam, deverão então rondar como mariposas em torno de uma chama. Conseqüentemente se a Fraternidade perdesse o Depósito – o que humanamente falando seria possível – e se Roma continuasse a rejeitar esse mesmo Depósito, então amanhã Roma se encontraria rondando em torno de qualquer outra chama que subseqüentemente Deus acendesse para tomar o lugar da Fraternidade desviada.

…Na medida em que uma organização como a Fraternidade São Pio X se mantém na Verdade, ao passo que Roma não, então, para todos os propósitos católicos, a Fraternidade está no volante e qualquer comportamento, forma, tamanho ou tipo de negociação que permitisse a essa Roma tomar novamente o volante [sem se converter] seria equivalente a uma traição à Verdade… (Carta aos benfeitores, fevereiro de 2001).

“Nós rezamos  para que venha o dia em que Roma dirá não somente que os frutos da Fraternidade são bons, mas mais ainda: “este é o caminho que nós (Roma ) devemos seguir” (Entrevista de Dom Fellay, publicada pelo boletim da Fraternidade “Nouvelles chrétienté”, jun/2002, p. 15).

Dom Tissier de Mallerais,  sobre certas palavras tiradas do novo rito da ordenação dos diáconos e presbíteros: “ Essas palavras foram supressas do novo pontifical da ordenação dos diáconos e padres. Este desapareciemnto é muito significativo, e significa que a nova religião não quer mais exprimir a transmissão de um poder de consagrar o Corpo e o Sangue de Cristo, e de um poder de renovar a paixão do calvário… Esta mudança do rito de ordenação significa uma nova religião…  a grande maioria dos católicos está nesta nova religião, que consiste não somente num novo culto, mas numa nova doutrina” (conf. Sel de la terre n. 42). O bispo omite dizer que nesta grande maioria da nova religião ele está incluindo  os três últimos papas e os bispos com eles em comunhão. Certamente Dom Tissier não pertence à religião destes papas e bispos.

17 – A Fraternidade não é católica porque aderiu à doutrina de uma Igreja docente acéfala. Para a Fraternidade os bispos poderiam formar um magistério independente e até contrário ao do Papa. Segundo a Fraternidade, a Igreja docente está nos bispos que ela julga fiéis à Tradição, mesmo em oposição aos demais bispos e ao Papa. Assim, se um bispo ou alguns bispos não aceitam as doutrinas do Vaticano II, a Missa de Paulo VI, etc. estas doutrinas por isso mesmo não são da  Igreja docente. Dom Williamson: “Eu não faço parte nem da Igreja docente conciliar, nem do colégio apostólico conciliar. Em troca, da Igreja docente católica e do colégio apostólico católico eu faço parte. Ao inverso, os bispos diocesanos conciliares formam um bolo envenenado em bloco, mas não em todas as suas partes” (Carta aos amigos e benfeitores 6 de janeiro de 2003).

18 – A Fraternidade não é católica porque a Igreja o declarou oficialmente:.  Declaração da Congregação para o Clero: “A Fraternidade São Pio X não está em plena comunhão com a Igreja católica, ela está no cisma” ( protocolo n. 8/5/2001, Pontifícia Comissio Ecclesia Dei). Pontifícia Comissão para a Interpretação dos Textos Legislativos: “O movimento lefebvriano deve ser considerado como cismmático por conseqüência da declaração formal da Autoridade Suprema” ( conf. Doc Cath., 1997, n. 2163, pág. 621 à 623).

Conclusão, cada um destes itens que assinalamos já são suficientes para que uma pessoa ou um grupo se afaste da Igreja por heresia ou por cisma. Só que todos estes ítens são do mesmo grupo, a Fraternidade S. Pio X. Então eles se somam e se convergem de maneira ainda muito mais grave e inexorável  para o cisma e a heresia.

Católico até morrer… Longe do Cisma e da Heresia!

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