Ilustres e nobres ministros do STF,

No próximo dia 05 de março vossas excelências irão se declarar sobre um assunto de enorme importância para o futuro deste país, talvez para todo o mundo: se a vida humana no seu primeiro momento tem caráter inviolável intrínseco não podendo portanto ser material de pesquisa científica, ou não, se pode ser violado a partir de suas possíveis utilidades. Ora, é de pleno conhecimento do mundo científico que para se obter Células-Tronco de Embriões Humanos (CTEH), primeiro é preciso destruir o próprio embrião. Este embrião que contém parte do código genético do pai e parte do código da mãe, torna-se uma mensagem genética completamente nova, única, irrepetível que nunca existiu e nem nunca mais existirá na história.

Vossas senhorias sabem por bem que não existe um momento mágico do desenvolvimento do embrião a partir do qual existiria um ser humano e antes do qual não existiria senão uma nada, como alguns defendem para legitimar suas pesquisas. Isso quer dizer que referências de fase de crescimento, como jovem ou adulto, não questionam a existência do ser. Podemos afirmar sem inseguranças que o zigoto e o ser adulto estão ligados invariavelmente pela mesma vida. São uma mesma pessoa desde sempre, como todos nós já fomos uma única célula por trinta minutos um dia.

A existência de células-tronco também em cordões umbilicais e células adultas que não põem em cheque uma vida humana são o sinal eloquênte de que há caminho científico a ser percorrido sem necessidade de destruição humana. Essas pesquisas tem gerado ótimos resultado ao redor do mundo (com mais de 70 casos de sucesso contra 0 nas pesquisas com embriões) e mostrado que neste terreno ainda existe muito a explorar, além de impedir os incovenientes de uma rejeição celular (aspecto negativo importante dentro dos CTEH) e de respeitar toda a vida humana, e não apenas uma parte, como deseja os interesses financeiros da cultura da morte.

Portanto não é nada menos do que a questão da própria vida humana a que agora paira sobre vossas dignas mãos, senhores ministros.

Peço confiantemente que votem contra a pesquisa de embriões humanos, fortalecendo ainda mais o nosso ordenamento jurídico já tão bem construído para defender a vida humana desde sua aurora até o seu poente. Só assim poderemos proteger nossa soberana nação contra a negra possibilidade de entrarmos “em uma nova forma de escravidão, com o espectro da criação de embriões humanos para a pesquisa e interesses dos mais ricos“, como nos diz a própria revista A Science (18 jun 2004 vol.304, 1742, Diane Schaub).

Cordialmente,

No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem é a vida. E se essa mensagem é uma mensagem humana, essa vida é uma vida humana“. J. Lejeune, Discurso de recepción como Doctor honoris causa por la Universidad de Navarra.

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