Família - Sociedade

Castidade e Homossexualismo

Diálogo com Deus Pai – Visão de Santa Catarina sobre a impureza

 

“(…) esses infelizes, não somente não refreiam tal tendência, mas fazem algo de muito pior e caem no vício contra a natureza. São cegos e estúpidos, cuja inteligência obnubilada não percebe a baixeza em que vivem. Desagrada-me este último pecado, pois sou a pureza eterna. Ele me é tão abominável, que somente por sua causa fiz desaparecer cinco cidades (cf. Sb 10,6). Minha justiça não mais consegue suportá-lo. Esse pecado, aliás, não desagrada somente a mim. É insuportável aos próprios demônios, que são tidos como patrões por aqueles infelizes ministros. Os demônios não toleram esse pecado. Não porque desejam a virtude; por sua origem angélica, recusam-se a ver tão hediondo vício. Eles atiram as flechas envenenadas de concupiscência, mas voltam-se no momento em que o pecado é cometido”. (Santa Catarina de Sena, O Diálogo, 2a ed., Paulinas, 1984).

 

“Abraão replicou: “Que o Senhor não se irrite se falo ainda uma última vez”! Que será se lá forem achados dez”? E Deus respondeu: “Não a destruirei por causa desses dez.”” (Gn 18,32 “A Intercessão de Abraão por Sodoma”)

 

“Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação”. (Lv 18,22)

“Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa”. (Lv 20,13)

“A mulher não se vestirá de homem, nem o homem se vestirá de mulher: aquele que o fizer será abominável diante do Senhor, seu Deus”. (Dt 22,5)

“Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”. (I Cor 6,9-10)

As condenações da Santa Igreja de Deus a esta prática são claras e graves. Pelas palavras de Deus Nosso Senhor a Santa Catarina de Sena, percebemos que o caráter antinatural do pecado do homossexualidade é de tal elevação que os próprios demônios, devido a sua natureza angélica, não suportam essa prática.

No Velho Testamento, as condenações admitiam a pena de morte e no Novo Testamento, a Igreja Católica, nas palavras de São Paulo aos Coríntios, nega a possibilidade de um sodomita se salvar. Claro que quando a Igreja se refere à Salvação dos homossexuais, ela ensina o caso abstrato, geral; no caso específico, ninguém pode dizer que este ou aquele foi condenado ao inferno, a não ser claro a Santa Igreja, enquanto instituição e somente quando canoniza uma pessoa que teve comprovada vida de prática da virtude em seu grau de heroísmo e muito extraordinariamente ela trata dos casos específicos de condenações.

Com a infelicidade de vivermos num mundo que se entrega a apostasia, a sodomia tem sido um pecado cada vez mais corrente com a anuência dos meios de informações e dos poderes do Estado.

Chega-se a acusar a Igreja de Cristo e seus fiéis católicos com adjetivos preconceituosos e até procura-se criminalizar, no Direito Positivo, qualquer referência antagônica ao homossexualismo. Inúmeras são as ofensas de grupos pró-homossexualismo dirigidas ao clero, mas de que mesmo estes são acusados?

Seria de preconceituosos? Caso sim, como ficam as inúmeras injúrias dirigidas aos mesmos? E como fica a liberdade de expressão, máxima apregoada pelo mundo moderno? A Igreja não pode fazer uso dela? É nítida a contradição no discurso.

Todavia, perguntar não ofende: que termo ou expressão injuriosa a Santa Madre Igreja dirige, ou dirigiu em sua doutrina ex-cathedra ou mesmo em pronunciamentos ordinários, à pessoa daqueles que, sofrendo de um apetite desordenado, antes de procurar a santa religião e combater essa concupiscência se entregam sem mesmo lutar pela virtude, por nítido constrangimento da sociedade que o discrimina quando procura ser casto?

Ora a resposta é nenhuma. A Santa Igreja nunca diminuiu a dignidade de ser humano de qualquer que seja a pessoa. Nas palavras do grande Papa São Pio X vemos um dos nortes do combate ao pecado: “Ame o pecador, odeie o pecado”.

Assim como o homem e a mulher heterossexuais que sofrem da tendência desordenada à promiscuidade, à fornicação ou ao adultério devem dispor dos meios deixados pela Santa Madre Igreja para combater a prática destes pecados, também o homem ou a mulher que padecem da tendência desordenada á prática homossexual devem o mesmo fazer.

Na primeira epístola aos coríntios, capítulo 6, de 9-10, São Paulo assevera que os efeminados não herdarão o Reino de Deus; mas, também condena os impuros, os idólatras, os adúlteros, os devassos, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os difamadores e os assaltantes.

Mas o ladrão é aquele que rouba ou sofre a tentação demoníaca para roubar? O que dizer do adúltero? Será ele aquele que sofre para não pecar contra o sacramento do matrimônio? Ou que consuma dolosamente a traição a seu cônjuge?

“Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?” (São Tiago 4,1)

São Tiago doutrina que as lutas vêm das paixões que combatem dentro de nosso próprio corpo. Por conseguinte, ensina Nosso Senhor Jesus Cristo a autorenúncia.

“Em seguida, dirigiu-se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”. (Evangelho segundo São Lucas 9,23)

“Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Evangelho segundo São Marcos 8,34)

Com a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva, o gênero humano perdeu a Graça Santificante necessário para não pecar. Por este motivo São Paulo diversas vezes enuncia:

“Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram..”. (Rm 5,12)

“Esta é a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo, para todos os fiéis (pois não há distinção; com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo” (Rm 3,22-24)

“Não há nenhum justo, não há sequer um”. (Rm 3,10)

Contra essa tendência pecaminosa, seja de qualquer espécie (sodomia, idolatria, adultério, fornicação…), todo o homem deve lutar. Nossa condição de ser humano não é diminuída devido a este ou aquele pecado, mas, o pecado, seja qual for, coloca à risco o bem maior do homem, sua vida eterna.

Para exemplificar tomemos as seguintes palavras de São Paulo:

“Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (I Cor 6,18-19)

A Igreja ensina, nesta passagem de São Paulo, que a fornicação é um pecado, uma ofensa ao Espírito Santo, porque nosso corpo é habitado por Ele, porque nosso corpo só é nosso no sentido próprio de posse, mas que de direito nosso corpo pertence a Deus de quem nós recebemos este organismo.

Questionando-se, da mesma forma que no parágrafo acima: Aquele que luta contra a tendência à promiscuidade, conseguindo levar um vida de virtude heróica, estará ele ofendendo o Templo do Espírito Santo (seu corpo)? O mesmo se indaga do tentado ao adultério, ao roubo, à fraude, á qualquer tipo de dolo, inclusive daqueles que sofrem da paixão desordenada para relações por pessoas do mesmo sexo.

Se todos nós estamos privados da Glória de Deus, como conseqüência do pecado de nossos pais, Adão e Eva, é preciso, portanto, admitir que a tendência ao pecado, as paixões desordenadas está presente no ser humano desde sua concepção. Cabe à nossa inteligência, que fora concedida por Deus, buscar os métodos ensinados pela Santa Igreja para bem suceder na luta contra o pecado, guerra que, na afirmação de São Tiago, é oriunda das paixões que combatem nossos membros (São Tiago 4,1).

Disto se depreende a necessidade dos sacramentos, principalmente da Penitência e da Sagrada Comunhão; da oração do Santo Terço, da Missa e das devoções aos Santos.

“Dirás a toda a assembléia de Israel o seguinte: “sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”?. (Lv 19,2)

“Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor, vosso Deus”. (Lv 20,7)

“Sede santos, porque eu sou santo”. (I Pd 1,16)

O convite à santidade é feito por Deus, Nosso Senhor, ao povo de Israel; e São Pedro, o primeiro líder da Igreja de Cristo, repete esse convite a toda humanidade.

Em suma, o ensinamento da Igreja de Cristo, a Santa Igreja Católica, se dirige a todos os seres humanos, por que Deus não faz distinção de pessoas, mas que pratiquem a Justiça e a Virtude (At 10,34-35).

O convite à Santidade é feito a todos, inclusive ao homossexual ou a quem tem a tendência a este comportamento. O Catecismo da Santa Igreja de Cristo, pela pena de S. S. Papa João Paulo II, recentemente falecido, menciona graves reprimendas à sodomia, mas distingue este pecado da pessoa do pecador, assim como o faz em relação a qualquer erro: “Ame o pecador, odeie o pecado” (Sua Santidade, o Bem-aventurado Papa São Pio X). Veja a seguir um fragmento deste Catecismo:

CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE

 A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais inatas. Não são eles que escolhem sua condição homossexual; para a maioria, pois, esta constitui uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus na sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa da sua condição.

As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”. (IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, Catecismo da Igreja Católica. Ed. Vozes, edição de bolso, Petrópolis-RJ, 1993, p. 610. O grifo é nosso).

Portanto, assim como o pecado da sodomia é hediondo; condenável também é qualquer atentado contra a condição de ser humano àquele que possui esse comportamento. Não raro, é noticiada a existência de grupos que atacam com violência ilícita a pessoa, mas se esquecem da caridade católica com o homossexual.

Procura-se hoje o escândalo e a blasfêmia de conciliar os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo com a prática homossexual. Fala-se inclusive da existência de seitas protestantes que acolhem este pecado, o que é totalmente diferente de acolher o pecador.

Esta é mais uma das conseqüências das heresias luteranas “Sola Scriptura” e “Livre interpretação das Sagradas Escrituras”, porque consoante a estes princípios, o fiel pode negar que a Bíblia condene a sodomia, afinal, o heresiarca Martinho Lutero asseverou que todos podem interpretá-la à luz do “Espírito Santo”, como se existissem milhares de espíritos santos.

Ao que padece gravemente da tentação à sodomia, assim como a todos os que sofrem da tentação de qualquer outro pecado, fazemos o convite a dizer não a essa mídia pecaminosa e hipócrita que praticamente quer obrigá-lo a praticar o erro, cegando-o para a vida de castidade. A unanimidade é burra, dizia Nelson Rodrigues; assim como os milhões de católicos que abraçaram a doutrina da Igreja de Cristo, lute contra a correnteza viciada do mundo, porque o Príncipe deste, o Demônio, ruge como um leão buscando a quem corromper (I Pd 5,8). A solução contra o pecado da impureza é o desejo da castidade, seja no casamento, que reiteramos ser entre homem e mulher, e na vida de solteiro celibatário, mesmo não abraçando o sacerdócio.

A caridade católica manda respeitar e mostrar a essas pessoas que Nosso Senhor Jesus Cristo, por intercessão de sua Igreja, faz o convite à santidade. Deboches, piadas e discriminação, mostram apenas o egoísmo daqueles que se preocupam apenas com o próprio brio ofendido por tal pecado, e não enxerga bem maior de todo o ser humano: a Salvação das Almas, sua e de seu semelhante.

São Tomás de Aquino, Padroeiro da Castidade, rogai por nós.

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