Caríssimos Irmãos,

Hoje daremos continuidade ao nosso estudo catequético da Sagrada Escritura. Mais uma vez, renovamos o convite para que todos tragam suas Bíblias, a fim de acompanhar as citações.

O segundo livro do Pentateuco chama-se Êxodo (Ex), nome que em grego significa “saída”. A mensagem essencial contida no livro pode ser resumida como segue:

Deus elegeu seu povo e fez-lhe uma promessa. Tal eleição e promessa são garantidas pela aliança. Comprometendo-se pelas promessas que faz, Deus exige, como única contrapartida, a fidelidade de seu povo. As condições desta fidelidade, estabelecidas pelo próprio Deus, estão na lei que Deus revelou ao seu povo na montanha sagrada, escrevendo-as com o “seu Dedo” (Ex 31,18), e que regula a conduta do povo eleito conforme a Sua vontade. Este, porém, mesmo após ter sido liberto e conduzido por Deus, é-lhe infiel, fazendo para si ídolos e murmurando, a cada dificuldade: “O Senhor está, ou não está, no meio de nós?” (Ex 17,7).

O Gênesis termina com a ida de Jacó com seus filhos para o Egito, onde José era administrador. Com a morte de José (Gn 50) e a subida ao trono de um novo Faraó, que, preocupado com o crescimento da população hebreia (Ex 1,7), passou a oprimi-la com trabalhos forçados e controle de natalidade, o povo clama a Deus, que intervém, levantando, do meio do povo, Moisés, o libertador.

O Êxodo se inicia com a opressão dos israelitas no Egito (Ex 1), narra o nascimento e vocação de Moisés (Ex 2-4), a saída do Egito mediante as dez pragas e a celebração da Páscoa (Ex 7, 8-29,11;13, 17-21), apresenta a aliança e a doação da lei (Ex 19, 1-40,38) e segue até a construção do santuário junto ao monte Sinai, ou seja, até o primeiro dia do segundo ano após a saída do Egito (Ex 40, 2.17).

Ao contrário do Gênesis, que se utiliza de uma linguagem predominantemente simbólica, a narrativa do Êxodo se preocupa em mencionar fatos históricos, que, confrontados com o estudo de documentos arqueológicos, permite aos historiadores situar a saída do povo de Israel do Egito, com grande probabilidade, no período de 1.290 – 1.224 aC, inserido no reinado do faraó Ramsés II, ou no reinado imediatamente posterior. Entretanto, devido à importância do fato para o povo, e a sua incorporação na tradição oral, algumas partes do relato têm um colorido heroico-mítico, como se vê na famosa passagem do Mar Vermelho.

No Êxodo podemos encontrar temas importantes e recorrentes na mensagem bíblica: A lei mantém a aliança e prepara o cumprimento das promessas, numa pedagogia que conduz a Cristo, em quem estas promessas se realizam. O Êxodo é o esboço de nossa redenção.

A figura humana de destaque no livro do Êxodo é Moisés, libertador, portador dos mandamentos e mediador entre Deus e o povo, conduzindo-o rumo à liberdade da Terra Prometida, enquanto ensina os israelitas a viverem na obediência e na confiança em Deus, durante a sua longa permanência no deserto.

Ademais, Moisés é um intercessor capaz de um amor que chega até ao dom total de si mesmo. Reza pelo Faraó quando Deus, com as pragas, procurava converter o coração dos Egípcios (cf. Êx 8–10); intercede pelo povo quando este é infiel (Ex 32, 7-14), e principalmente, vê Deus e fala com Ele «face a face, como alguém que fala com o próprio amigo» (cf. Êx 24, 9-17; 33, 7-23; 34, 1-10.28-35). Quando roga pelo povo, depois da destruição do bezerro de ouro, é possível enxergar nele a prefiguração de Cristo,: «Rogo-te que lhes perdoes agora este pecado! Senão, apaga-me do livro que escreveste» (v. 32), pois toma sobre si os pecados do povo e oferece a si próprio: “apaga-me”.[1]

Por fim, outros pontos de relevo são: a instituição da Páscoa judaica, que prepara a Páscoa cristã e que, a princípio, era uma festa anual de pastores nômades, de origem pré-israelita, para o bem dos rebanhos, em que as primícias eram apresentadas à divindade, e que, posteriormente, tornou-se memorial da saída do Egito (12,11b-14.42), ganhando uma significação inteiramente nova, exprimindo a salvação trazida ao povo por Deus; e o maná, alimento que Deus providencia para o seu povo no deserto (Ex 16,15) e que mais tarde é reconhecido como a figura da Eucaristia, alimento espiritual da Igreja durante o seu êxodo terrestre (Jo 6,26-58).

No próximo Domingo finalizaremos o estudo do Pentateuco, com o exame do Levítico, Números e Deuteronômio.

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NOTAS: [1] SS. Bento XVI, Audiência Geral, 1-VI-2011. * Fontes: Catecismo da Igreja Católica; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB.

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