“[Eis uma longa lista de versículos bíblicos que condenam a confecção de imagens:] 1Reis 14:9; 2Crônicas 23:17; 28:2; 33:19; 33:22; 34:3; 34:4; 34:7; 2Reis 11:18; 17:16; 17:41; Daniel 11:8; Deuteronômio 7:5; 7:25; 12:3; Ezequiel 7:20; 8:12; 23:14; 30:13; Isaías 10:10; 21:9; 30:22; 41:29; 42:8; 42:17; 44:9; 45:20; Jeremias 8:19; 10:14; 50:2; 50:38; 51:17; 51:47; 51:52; Juízes 3:19; 3:26; Levítico 26:30; Miqueias 1:7; 5:13; Naum 1:14; Números 33:52; Oseias 11:2; 13:2; Salmos 78:58; 97:7” (Waldir).

Eu gostaria de agradecê-lo por ter me enviado uma boa quantidade de passagens que pregam contra as imagens, ainda mais agora que adquiri um ótimo software bíblico que me permitirá localizar citações escriturísticas com maior rapidez… Porém, eu já tinha conhecimento delas desde a época em que era evangélico.

Assim, como já havia escrito em alguns artigos anteriores, observo que os católicos não adoram imagens, mas apenas as veneram, como a própria Bíblia recomenda. Aproveito, então, para apresentar as passagens bíblicas que recomendam a confecção de imagens sagradas, desde que não venham a substituir o nosso Criador (=Deus), único Ser a quem devemos de fato adorar. Faço isso para que você tenha uma visão completa do conjunto dos “prós e contras”:

  • Êxodo 25,17-22: “Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro batido nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim numa extremidade e outro na outra extremidade; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório. Estarão eles com o rosto voltado um para o outro, o rosto dos querubins estará voltado para o propiciatório. Porás o propiciatório em cima da arca, e dentro dela porás o testemunho que eu te darei”.
  • Êxodo 37,7-9: “Então [Bezalel (que era artista plástico segundo Ex 35,30-32)] fez dois querubins de ouro; de ouro batido os fez nas duas extremidades do propiciatório. Um querubim numa extremidade, e o outro querubim na outra; de uma só peça com o propiciatório fez os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estendiam as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório. Tinham eles as faces voltadas um para o outro, para o propiciatório estavam voltadas as faces dos querubins”.
  • Números 21,8-9: “Disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste. Todo aquele que for mordido, e olhar para ela, viverá. Moisés fez uma serpente de bronze, e a pôs sobre uma haste. Então quando alguém era mordido por alguma serpente, se olhava para a serpente de bronze, vivia”.
  • 1Reis 6,23-29.32: “No Santo dos Santos [Salomão] fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um com dez côvados de altura. Uma asa do primeiro querubim era de cinco côvados, e a outra asa de cinco côvados – dez côvados havia desde a extremidade de uma asa até a extremidade da outra. Assim era também o outro querubim, pois ambos os querubins eram da mesma medida e do mesmo talhe. A altura de cada querubim era de dez côvados. Pôs os querubins na parte mais interior da casa, com as asas estendidas. A asa de um tocava numa parede, e a asa do outro na outra parede, e as suas asas no meio da casa tocavam uma na outra. Cobriu de ouro os querubins. Nas paredes da casa em redor, tanto na parte mais interior como na mais exterior, entalhou querubins, palmeiras e flores abertas. […] Assim fez as duas portas de madeira de oliveira, as quais entalhou de querubins, de palmeiras e de flores abertas, e recobriu os querubins e as palmeiras de ouro batido”.
  • 1Reis 7,25-29.36: “Firmava-se o mar [de bronze] sobre doze bois, três que olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente. O mar apoiava-se sobre eles, e as partes posteriores deles convergiam para dentro. A espessura dele era de quatro dedos, e a borda era como a de um copo, como flor de lírio. Ele levava dois mil batos. Fez também as dez bases de bronze; cada uma tinha quatro côvados de comprimento, quatro de largura e três de altura. Foram feitas do seguinte modo: tinham painéis, que estavam entre molduras, sobre os quais havia leões, bois e querubins; nas molduras de cima e de baixo dos leões e dos bois havia grinaldas pendentes. Nas placas de seus apoios e dos seus painéis lavrou querubins, bois e palmeiras, segundo o espaço de cada uma com grinaldas pendentes”.
  • 1Reis 8,7: “Os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca, e cobriam por cima a arca e os seus varais”.
  • 1Crônicas 28,18b-19: [Davi] “Deu-lhe [a Salomão] também o modelo do carro, a saber, os querubins de ouro que haviam de estender as asas e cobrir a arca da aliança do Senhor. ‘Tudo isso’, disse Davi, ‘foi-me dado por escrito da mão do Senhor, e ele me fe compreender todos os detalhes desta planta”.
  • 2Crônicas 3,7.10-14: “[Salomão] Cobriu de ouro as traves e os umbrais, bem como as paredes e as suas portas, e lavrou querubins nas paredes. […] fez no lugar Santíssimo dois querubins de madeira, e os cobriu de ouro. As asas dos querubins tinham vinte côvados de comprimento. A asa de um deles, de cinco côvados, tocava na parede da casa, e a outra asa, de cinco côvados, tocava na asa do outro querubim. Da mesma forma, a asa do segundo querubim era de cinco côvados, e tocava na parede da casa, e a sua outra asa, igualmente de cinco côvados, estava unida à asa do primeiro querubim. As asas destes querubins se estendiam por vinte côvados. Eles estavam postos em pé, os seus rostos virados para a câmara. Fez o véu de azul, púrpura, carmesim e linho fino, e fez bordar neles querubins”.
  • 2Crônicas 5,8: “Os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca e cobriam a arca e seus varais”.
  • 1Samuel 4,4: “Assim o povo enviou homens a Siló, e trouxeram de lá a arca da aliança do Senhor dos exércitos, que se assenta entre os querubins. E os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da aliança de Deus”.
  • 2Samuel 6,2: “Levantou-se Davi, e partiu com todo o povo que tinha consigo para Baalim de Judá, a fim de levarem de lá para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o Nome, o nome do Senhor dos exércitos, que se assenta entre os querubins”.
  • Ezequiel 41,17-21: “No espaço em cima da porta, e até a câmara interior, por dentro e por fora, e em todas as paredes em redor, por dentro e por fora, havia querubins e palmeiras de entalhe, de maneira que cada palmeira estava entre querubim e querubim, e cada querubim tinha dois rostos, a saber: um rosto de homem olhava para a palmeira de um lado e um rosto de leão para a palmeira do outro. Assim foi feito por toda a casa em redor. Desde o chão até acima da entrada estavam feitos os querubins e as palmeiras, como também pela parede do templo. As ombreiras do templo eram quadradas, e, no tocante à dianteira do santuário, a feição de uma era como a feição da outra”.
  • Hebreus 9,5: “Sobre a arca estavam os querubins da glória que, com a sua sombra, cobriam o propiciatório. Dessas coisas não falaremos agora pormenorizadamente”.

Faço questão de salientar que as citações acima foram retiradas da edição contemporânea da Bíblia protestante de João Ferreira de Almeida (ed. Vida) para que você não venha a dizer que a Bíblia católica foi adulterada…

Fora isso, devo informá-lo de que até o livro da Sabedoria – que os protestantes retiraram das suas Bíblias no séc. XVII – e que apresenta três capítulos inteiros (a saber: 13, 14 e 15), também traz uma passagem favorável às imagens (Sabedoria 16,5-8), explicando muito bem a sua real finalidade:

  • “Mesmo quando lhes sobreveio a terrível fúria das feras e pereciam mordidos por serpentes tortuosas, tua cólera não durou até o fim; para que se advertissem, foram assustados um pouco, mas tinham um sinal de salvação (isto é, a serpente de bronze, cf. Números 21,4-9) para lhes recordar o mandamento da tua Lei, e quem se voltava para ele era salvo, não em virtude do que via, mas graças a ti, o Salvador de todos. Assim, convenceste a nossos inimigos de que és tu quem livra de todo mal” (aqui, faço uso da Bíblia de Jerusalém por ser uma Bíblia traduzida por uma comissão ecumênica de católicos e protestantes).

Portanto, meu caro amigo e irmão, a imagem não é algo que se encerra em si mesma (seria completamente ridículo e absurdo esperar algo de uma imagem por si mesma, como se nela habitasse o Deus vivo, como que um invólucro), mas, muito pelo contrário, ela é apenas um sinal que aponta para o poder de Deus; um sinal tão poderoso, que até mesmo os evangélicos mais radicais as utilizam em suas Bíblias dirigidas ao público infantil e publicações oficiais, como recentemente provei (publicando, inclusive, tais imagens protestantes; imagens essas que se assemelham – e muito! – com as imagens tradicionais que encontramos nos templos católicos) em um artigo chamado “A Bíblia Condena o Uso de Imagens? Deus Permite a Fabricação de Imagens?”.

Sim, a Bíblia condena o mau uso das imagens, quando estas deixam de ser um meio e passam a ser o fim, isto é, quando invertemos o seu papel deixando de adorar a Deus e passando a adorar a criatura. Se isso às vezes acontece, pode estar certo de que não ocorre entre os verdadeiros católicos, aqueles que conhecem a Palavra de Deus e seguem a doutrina da Igreja (aliás, mostre-me qualquer documento católico que ensine a adorar imagens, ou traga-me qualquer gravação legítima de um padre ordenando seu rebanho a adorar uma imagem! É um “desafio” que eu te faço…), mas com aqueles que “se dizem” católicos e que só procuram a Igreja quando estão necessitados, enfrentando dificuldades… são os “católicos de verniz”: aqueles que se acham católicos por terem sido batizados quando crianças, ou por causa de suas famílias serem “tradicionalmente católicas” mas que nunca vão à Missa, nem mesmo leem livros católicos; não possuem conhecimentos doutrinários e rarissimamente leem a Bíblia. São exatamente estes que se deixam levar por versículos como os que você me enviou e “trocam de religião”, pois como nunca conheceram uma “moeda” de grande valor, quando lhe mostram um dos seus lados, aceita-o pelo todo e se esquece que toda moeda possui na verdade dois lados… Aliás, para o bem da verdade, tais pessoas não abandonaram a Igreja Católica por “terem a plena certeza de que a Igreja está errada”, mas porque se acomodoram e acharam mais fácil aderir à uma “nova fé” do que “perder tempo” procurando compreender a fé que diziam professar.

Os versículos que te encaminho completam, assim, aqueles que você me enviou e permitem compreender a doutrina bíblica por inteiro: a Sagrada Escritura condena o mau uso das imagens e não o bom uso, como ensina [e defende] a Igreja Católica e como fizeram os antigos hebreus. Observe-se que seria uma tremenda contradição Deus ter proibido Moisés de confeccionar imagens (em Êxodo 20,4) e, mais adiante (logo à frente, 5 capítulos depois, em Êxodo 25,17-22), ordenar o mesmo Moisés a confeccionar imagens de escultura de dois querubins. Será que Deus tinha se esquecido do que havia proibido antes??

Note-se ainda que essas imagens de escultura bíblica abrangem as mais variadas formas: seres celestes, seres animais, seres vegetais e até memsmo o chamado “mar de bronze”. Volto a dizer: não estaria Deus se contradizendo proibindo e ordenando a confecção de imagens??? E mais: se Deus “habitava no Templo”, não estaria Ele incomodado com todas aquelas imagens de querubins de 20 côvados (cerca de 11 metros!) “protegendo-o”, já que havia proibido a confecção de “imagens de escultura”? Não, não estava incomodado porque, como podemos depreender através de uma leitura imparcial e atenciosa de todos os versículos (prós e contras), Deus apenas proíbe a idolatria, isto é, a total substituição de nosso perfeito Criador por uma vil criatura imperfeita… Este foi o pecado de Adão e Eva (que quiseram ser como o próprio Deus, enganados que foram pela serpente); este foi o pecado do povo eleito, que substituíram o único Deus libertador pela imagem de um deus com a forma de um bezerro (ídolo); e, principalmente, esse foi o real motivo pelo qual até mesmo a serpente de bronze foi destruída posteriormente, pois deixou de ser venerada como um sinal de Deus e passou a ser adorada como o próprio Deus (cf. 2Reis 18,4), ou seja, ela deixou de ser meio e passou a ser fim em si mesma…

Para finalizar, conclamo o caro irmão a não condenar o bom uso das imagens sagradas pela Igreja Católica (pois a Bíblia não oferece subsídios para tal interpretação) só porque você – particularmente – entende que não é correto. Não se esqueça que nada na Bíblia é de particular interpretação (cf. 2Pedro 1,20)… Por isso, não tenha uma visão parcial, pessoal e/ou fundamentalista das Escrituras; pelo contrário, busque conhecê-la de forma sincera e imparcial, lembrando e percebendo que a Bíblia defende a virtude do equilíbrio. Deus não tem nada contra as imagens (tanto é verdade, que ordena fazê-las para a sua Arca e para a parte mais importante do seu Templo: o Santo dos Santos); na verdade, como vimos, o que Ele condena é quando esta deixa de ser uma simples imagem e passa a ser um ídolo, um “deus morto” concorrente com o Deus vivo, substituindo-o completamente.

Que Deus o abençoe abundantemente, caro irmão!

 

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