Histórico o encontro entre o Papa Bento XVI e Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Sociedade Sacerdotal São Pio X (SSPX), um dos quatro Bispos sagrados em 1988 por Marcel Lefevbre, sem autorização de Roma, o que motivou a excomunhão dos que participaram no ato litúrgico. A imprensa, contudo, como de costume, proferiu, em suas matérias sobre o assunto, alguns erros grotescos.

O principal deles é a afirmação, constante em várias notícias, de que o grupo de Fellay seria um defensor das "Missas em latim" ou um opositor das "Missas em vernáculo".

Na verdade, o problema é bem outro. As Missas no rito romano nunca deixaram de ser em latim. Apenas houve a autorização, desde Paulo VI, para a celebração em vernáculo. O latim, entretanto, não foi abolido. Basta prestar atenção às Missas do Papa e mesmo de algumas organizações e veremos que são celebradas seguidamente no idioma latino.

O que a SSPX de Dom Fellay defende, portanto, não é a "Missa em latim", que não deixou de ser celebrada, como vimos, mas a "Missa tridentina", segundo o Missal de 1962. O objeto do protesto é a reforma do rito da Missa, pois! Em 1969, houve a apresentação do Novus Ordo Missae, alterando o calendário litúrgico romano, suprimindo certas cerimônias, mudando outras e até acrescentando algumas, prevendo a possibilidade do uso completo do vernáculo e da posição versus populum (sem obrigar, frise-se). É essa mudança que Lefevbre e seus seguidores contestam, não o idioma. Claro, a Missa "antiga" é em latim, mas a "nova" também é…

Basta ver que a SSPX contraria a Missa "nova" ainda que dita em latim! Comparam a nova forma do rito romano com a antiga (chamada "tridentina", "tradicional" ou "de São Pio V"), ambos no oficial latim, e concluem que a antiga é melhor e, em casos mais extremos, atribuem à Missa de Paulo VI o epíteto de "facilitadora de heresias" ou modernista. Esse o motivo da separação do grupo de Fellay.

Superado esse problema – que encontra raízes na má compreensão do Magistério, da Tradição e de certas noções de eclesiologia, solucionado, então, por um exato entendimento acerca do que realmente representou o Vaticano II e a crise que lhe seguiu, o que supõe que a SSPX, ainda que prefira a Missa Tridentina e obtenha indulto para a continuar celebrando, aceite a licitude da nova e deixe de combatê-la -, os chamados lefevbrianos voltarão à plena comunhão com Roma. Quiçá juntem-se ao crescente exército dos que defendem a ortodoxia católica contra um mundo devastado pelo relativismo religioso.

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