Ao contrário do que muitos afirmam, a Igreja não “aconselha” o uso da tabela; ela tolera que com motivos graves (perigo de vida para a mãe e de transmissão de doença para o filho são os exemplos dados) seja verificados e usados propositadamente os dias inférteis para relações conjugais.

Contudo ela não aconselha de modo algum que isso seja feito; isto é apenas tolerado quando há motivos graves para fazê-lo, e não deixa de constituir pecado, como aliás qualquer relação sexual feita apenas por prazer e sem a intenção ao menos virtual de conceber.

Qualquer tipo de contracepção (entendida como maneira de ter atividade sexual sem intenção procriativa), seja ela por abstinência periódica ou por barreira, hormônios, etc., é condenada pela Igreja. A abstinência períódica porém é tolerada quando há razões graves para isso, mas não é nunca aconselhada nem seu uso é permitido sem razões realmente graves.

Isso não quer dizer, evidentemente, que o casal deve ter relações sexuais todos os dias, mas que verificar os dias inférteis para ter relações apenas neste dia com o intuito de evitar a concepção é pecaminoso e tolerado apenas quando há razões graves para tal.

A sociedade paganizada em que vivemos, por outro lado, quer evitar que nasçam crianças. Existem até os que comparam o ser humano a uma praga, a um câncer espalhado pela terra. 🙁

E assim esta sociedade procura tornar difícil, se não impossível, que os casais façam aquilo que é o objetivo primeiro do casamento e que, aliás, eles juraram fazer ao casar: aceitar e criar todos os filhos que Deus mandar. Ou vc acha que este juramento é só para ficar bonito na tela do vídeo, entre um efeito de computador e outro?

Assim é necessário mais uma vez – como aliás é a prática da Fé Cristã – ser considerado louco pelo mundo e apegar-se à Verdade e ao que Deus quer de nós.

Um dos problemas maiores da loucura de nossa sociedade é justamente querer negar a Lei Natural. As mulheres são praticamente forçadas a abandonar o cuidado dos filhos, os pais são praticamente forçados a “terceirizar” a educação (escola, curso disso e daquilo, etc), a própria educação para o trabalho é considerada criminosa (acabam de proibir a contratação de aprendizes, garantindo que os jovens cheguem à idade adulta achando que o mundo lhes deve garantir a subssistência sem trabalho…), supérfluos são considerados indispensáveis (iogurtes que “valem bifinhos”, toddinhos e gosminhas achocolatadas, etc.)…

Mais uma vez, devemos apegar-nos à sabedoria de Deus, e não à sabedoria do homem. Os seus argumentos são, se levados ao paroxismo, na verdade uma apologia do modelo escandinavo que provoca a maior taxa de suicídio infantil na face da terra: é mais importante encher a criança de toddinhos que de irmãos. Ora, isso é contrário à lei de Deus, é uma ruptura do juramento feito no matrimônio e uma negação do próprio matrimônio.

O problema não é a relação matrimonial ser “natural” ou não, é ser contraceptivo ou não. O que a Igreja proíbe é a intenção contraceptiva, é o sexo fechado à reprodução, não a “inaturalidade”do instrumento.

A Moral não muda nem pode mudar, e Deus sempre ensinou que é pecaminosa a contracepção (não a “inaturalidade” de alguns métodos), e a Igreja sempre reiterou o que Deus nos ensinou.

Que a contracepção é pecaminosa é parte do Depósito da Fé, e somos alertados quanto a isso na Sagrada Escritura e pelos Padres e Doutores da Igreja. Em Tob 6, 16-17; 6,22 e 8,9 encontramos este ensinamento, assim como em 1Cor 7,a-7. Sto. Agostinho, escrevendo aos Maniqueus, relacionou entre as práticas mais condenáveis desta seita abominável a abstenção sexual durante o período de fertilidade da mulher:

“Pois ainda que não proíbam a relação sexual, vocês, como o disse o Apóstolo há muito tempo, proíbem o matrimônio no seu sentido mais próprio, ainda que esta seja a única boa desculpa para esta relação. Indubitavelmente vocês irão exclamar contra isso, e nos reprovarão dizendo que têm a perfeita castidade na mais alta estima e aprovação, mas não proíbem o matrimônio.

Depois que o disserem com grande ruído e calor, perguntarei quietamente: não são vocês que costumavam aconselhar a observar o máximo possível o momento em que uma mulher, depois de sua purificação, tem mais chances de conceber e a abster-se de coabitação neste período para que uma alma não se prenda na carne [ou seja, para que não haja concepção]? Isto mostra que vocês aprovam ter uma esposa, mas não para a procriação de crianças, mas para a gratificaçào da paixão. No matrimônio, como a lei matrimonial declara, homem e mulher se unem para a procriação de filhos… Onde há uma esposa deve haver matrimônio. Mas não há matrimônio se a maternidade não está em vista; logo, tampouco há uma esposa.”

Em nossa sociedade, quando as crianças, a exemplo dos maniqueus, sao vistas como uma abominação, um “erro”, um “fardo”, é importante lembrar o verdadeiro ensinamento da Igreja: não é a contracepção artificial que é condenável, mas a contracepção, ponto. Os filhos são uma bênção para os pais, são “as flechas com que o arqueiro abastece sua aljava”, diz a Escritura.

Apenas circunstâncias realmente muito graves (e o desejo de ter mais dinheiro à disposição, de comprar um carro ou casa maior, a preguiça de cuidar das crianças, o desejo da mulher seguir carreira profissional… nada disso é um motivo grave!) podem tornar justificável a abstenção no seio do matrimônio.

“O marido dê à mulher o que lhe deve; e da mesma maneira também a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre seu corpo, mas sim seu marido. Não vos defraudeis [ou seja, não se abstenham de relações sexuais] um ao outro, senão de comum acordo, durante algum tempo, ***para vos aplicardes à oração*** [não para evitar filhos!!!]; e de novo torneis a coabitar”… (1Cor 7,1-5)

O chamado “método billings” pode ser tão pecaminoso quanto a pílula anticoncepcional, se usado com o intuito de evitar filhos sem deixar de entregar-se à luxúria e sem um motivo realmente sério (risco de vida para a mulher, por exemplo, ou tratamentos médicos que certamente fariam imenso mal à criança…).

Além disso, eu nunca vi, jamais em minha vida, alguém se arrepender de ter tido um filho, seja ele o primeiro ou o décimo…

E na nossa sociedade a única garantia de não nos encontrarmos comendo perna de barata na clínica Santa Genoveva quando envelhecermos é termos filhos e educá-los na Fé. Ou vc acredita em plano de aposentadoria quando a gente não sabe nem se amanhã a moeda vai ser a mesma no país?! 😉

Aliás a definição que Freud deu para a diferença entre sexo “saudável’ e pervertido é justamente que quando não se visa a reprodução é perversão…

A nossa sociedade enlouqueceu ao longo deste século sem Deus, deste século que viu o comunismo, o nazismo, o ateísmo de estado e a competição elevada a princípio de organização da sociedade.

Nunca, em nenhum momento da história cristã, foi sequer cogitado que o sexo sem desejo de procriação não fosse pecaminoso. Seitas heréticas pregaram isso, e é a elas que a Sagrada Escritura se refere ao dizer que há os que proíbem o matrimônio (posto que o objetivo do matrimônio é ter filhos e criá-los, não simplesmente ter companhia na frente da TV).

Até mesmo Freud, em sua época ainda não cogitava (ele que pensou tanta bobagem!) em que o sexo indissociado da reprodução, fechado à geracão de vida – por tabelinha, pílula ou camisinha, tanto faz; o problema é, como em todo ato pecaminoso, a intenção – pudesse não ser pervertido.

Na medida em que haja relações sexuais (o que é diferente de simplesmente morar juntos, dividir um apartamento, etc) é necessário, ensina a Igreja e juramos no matrimônio, acolher e criar todos os filhos que Deus nos mande.

Isto já foi definido infalivelmente pelo Magistério da Igreja. Cabe a nós perceber que a sabedoria de Deus é loucura para os homens e a “sabedoria” dos homens é loucura diante de Deus, e aceitarmos o que a Igreja ensina.

Os dados demográficos mais recentes mostram aliás o quanto esta “sabedoria” humana está errada: em muitos países da Europa o número de pessoas aposentadas está alcançando o número de pessoas trabalhando, devido justamente ao egoísmo dos que se negaram a ter filhos.

Sexo não é brinquedo. Do mesmo modo como não podemos comer e vomitar logo em seguida para podermos comer mais, não podemos ter relações sexuais negando-nos à sua consequência e objetivo natural: a reprodução.

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