(Em 3 volumes)
Editora: Ediouro (Rio de Janeiro-RJ)
Ano: 1999
Páginas: 429 pp.

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Eis uma obra em três volumes, dos quais o terceiro é aqui [brevemente] analisado. Trata-se de presumido diálogo do autor com Deus, que estaria falando por locução interior. O teor dos dizeres da Divindade, no caso, é panteísta e monista, exprimindo-se em frases confusas. Deus, o homem e o mundo seriam uma só realidade. Ademais, o autor é relativista, equiparando Jesus a outros mestres.

Em suma, a obra “Conversando com Deus” é um espécimen típico do que não raro acontece: atribui-se a Deus a origem de fenômenos meramente humanos. O autor projetou para fora de si, como se lhe viesse de Deus, o que ele sabia ou discutia a respeito de Deus, do homem e do mundo. O panteísmo está hoje em dia muito em voga por dois motivos principais: (1) influência de crenças orientais sobre a espiritualidade ocidental; (2) propicia uma religiosidade “que não incomoda”, pois, no caso, o homem é a própria divindade – o que permite a cada um fazer seu credo e sua ética próprios.

Aliás, o panteísta não deveria nem poderia rezar, pois ele é supostamente uma parcela da divindade ou a divindade mesma. O fato de que ele reza, atesta sobejamente quanto o homem se sente carente e não-Deus. A necessidade e a prática da oração estão profundamente impregnadas no ser humano, mesmo naqueles que julgar ser uma parte da divindade.

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