– Caráter é o que resta ao homem, quando acabam dinheiro, títulos, bens e honrarias. E um caráter bom consiste em viver conforme ordenam suas convicções mais profundas

Não basta ser cristão para ser uma pessoa justa e admirável. Nem mesmo é suficiente ouvir com frequência os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo para que a vida do cristão seja realmente humana. Lembrem que Judas Iscariotes conviveu intimamente 3 anos com o Senhor Jesus: ele estava lá quando o pânico tomou conta dos apóstolos, em meio à tempestade, acalmada por ordem de Nosso Senhor; ele viu Jesus andando sobre as águas e Pedro indo a seu encontro; Judas certamente conhecia o cego filho de Timeu, Bartimeu; ele ajudou a recolher os restos dos pães quando o Senhor revelou ser Ele mesmo mais que comida e bebida, superabundando um alimento improvável e miraculoso da generosidade insuficiente de alguns pães e peixes. Mas havia algo que não estava bem: Judas não vivia aquilo que acreditava. Sua consciência não estava em paz, pois desejava algo que Jesus não prometia. Foi a crise entre o que pregava Nosso Senhor e o que era exigido dos apóstolos que levou Judas à traição: não conseguia (e o mais importante: não queria) viver segundo o que acreditava. Essa é a essência do mau caráter. Um cristão que não conforma sua vida ao que diz acreditar ainda não é suficientemente cristão, ainda não passou pela conversão necessária. O início de uma vida justa e admirável é configuração entre o que se crê e o que se faz: isso é ter bom caráter.

Caráter é o que resta ao homem, quando acabam dinheiro, títulos, bens e honrarias. Quando acabou tudo em que se agarrar, resta a esse homem a certeza que fez o que devia fazer. E um caráter bom consiste em viver conforme ordenam suas convicções mais profundas. Um homem justo, bom, íntegro, um homem de verdade é aquele em que não há (ou há muito pouca) distância entre seus princípios e suas ações práticas. Dos seus lábios e de suas mãos não saem mentiras, pois sua vida é íntegra. Contudo, ainda que a consciência seja a sala onde se encontram Deus e o homem, ela precisa também ser formada. É claro que, se é um direito de viver segundo sua própria consciência, igualmente é um dever de formar responsavelmente a própria consciência, segundo a verdade e não de acordo com caprichos e facilidades. Por isso, também não basta ser bom caráter para ser homem na melhor acepção da palavra.

Se é verdade que não basta ser cristão para ser bom, também é correto que não basta ser coerente para ser homem justo. Afinal, alguém podem tornar-se um assassino e conformar sua vida a esse escolha. A identidade entre seus princípios e sua prática não fazem deste homem um exemplo para a humanidade. Para o homem ser feliz importar ouvir o conselho de Nosso Senhor ao jovem rico: “cumpre os mandamentos”. Mas esses mandamentos não estão longe de cada homem, estão inscritos no próprio coração humano: Ama a Deus absolutamente, Ama teus pais, Não mates, Não roubes…

Se não há cristão perfeito sem a luta sincera por adequar a vida prática aos preceitos de Deus, também não há homem justo que pisoteie ou seja indiferente a verdade, inclusive religiosa. Nesse sentido, apenas o seguimento amoroso e obediente de Nosso Senhor Jesus Cristo, Única Verdade e Único Caminho, podem elevar um caráter bom a alturas impensáveis, até o Céu!

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