Às vezes, tanto nos campos como nas grandes cidades, é possível assistir a um espetáculo curioso: a “explosão dos formigueiros”, quando sob certas condições climáticas do pós-inverno, se produz o aumento da atividade das colônias de formigas e, com isto, ocorre a multiplicação dos formigueiros enquanto há terra em volta.

Algo semelhante acontece no Ocidente desde meados do século XIX: assistimos a uma fenomenal multiplicação de religiões em conseqüência da atomização da experiência religiosa em centenas, milhares de “pequenos formigueiros” – como se dá [na natureza] em toda primavera – que são submetidos a diversas alternativas de expansão.

Para continuar com a analogia, temos que falar de duas “primaveras” ou “explosões”. Uma primeira conjunção de situações se registrou durante a primeira metade do século passado nos Estados Unidos, denominada de “o grande despertar religioso”, conseqüencia direta do pietismo luterano que, como um incêndio, se expandiu para outros movimentos religiosos, sobretudo para aqueles mais anárquicos e indisciplinados, dando rapidamente origem a uma multiplicidade de pregadores que percorreram aquele país propondo uma religiosidade fortemente subjetiva, centralizada na busca obcessiva de uma santidade pessoal perfeita, obtida mediante uma moral puritana, ampliada pelo temor à iminente chegada do fim dos tempos.

Durante um período de mais de 70 anos, a partir do século XIX, foram surgindo milhares de grupos distintos e dispersos. E é nestes grupos, em sua confusa inter-relação e evolução, que se originam as seitas de doutrina e origem cristãs que conhecemos hoje: pentecostais, evangélicos, Assembléias de Deus, testemunhas de Jeová, mórmons, Ciência Cristã etc. Algumas delas não podem ser consideradas cristãs – como os testemunhas de Jeová e os mórmons – mas, de qualquer forma, todas elas têm como tronco central de suas doutrinas as igrejas da Reforma do século XVI e se inserem confortavelmente em um contexto cristão.

Pode-se dizer que esses grupos são o produto final da desagregação religiosa que o princípio do subjetivismo religioso – expressado pela doutrina protestante do livre exame – deixava implícito.

Nossa “segunda primavera” deve ser situada em redor dos anos de 1970, após a Segunda Guerra [Mundial], quando a utopia do progresso começava a desmoronar, juntamente com o fracasso do ideal cientificista que queria ser “onipotente” enquanto que, na filosofia, o racionalismo havia cedido lugar para um crescente agnosticismo, que estudava mais os limites da razão do que a razão em si mesma.

Neste clima de decepção e insegurança, mais ainda dento de uma situação de crescente hedonismo, começam a chegar dos Estados Unidos, em boa parte resultante de sua crescente intervenção na Ásia, uma série de ingredientes de origem oriental (hinduísmo, yoga, zen-budismo, técnicas de controle mental etc.) que, misturados com elementos autóctones como o espiritismo, o pragmatisto e as técnicas de marketing, permitirão o aparecimento de uma grande quantidade de grupos orientalistas cuja expansão, todavia, [seria e ainda] é imprevisível.

É nesta segunda explosão que surgem a Missão da Luz Divina do guru Mahará Ji, o Hare Krishna, os Filhos de Deus, a Cientologia, a Nova Era etc. São grupos sicréticos, que embora se utilizem de certos elementos do cristianismo, não são cristãos nem em sua origem, nem em seu tronco doutrinário; são grupos neo-pagãos, ou seja, caracterizados pela recuperação de uma religiosidade pagã pré-cristã.

Esses grupos se encontram em pleno processo de expansão e consolidação, muitos deles ainda não superaram a primeira etapa do processo de gestação descrito por [Cesar] Vidal Manzanares (nascimento – consolidação – transformação).

Durante os últimos anos, se tem registrado o acréscimo de novos elementos a esse cocktail neo-pagão, provenientes do paganismo europeu pré-cristão, os grupos ocultistas e esotéricos, a ufologia, as medicinas alternativas e o islamismo, gerando uma multiplicidade de novos grupos e associações que não necessariamente se apresentam como religiosos.

– Porém, não há o que temer, pois estamos ingressando na Era de Aquário: era de harmonia e concórdia, era da síntese. É de se esperar que no início do terceiro milênio, quando a Frota da Aliança Intergalática concretizar a nossa incorporação na Federação dos Mundos Livres, esta multiplicidade se sintetize em unidade, que os milhares de formigueiros que atualmente atacam a consciência e a integridade de nossa cultura se reúnam em um único e grande formigueiro: o da Nova Consciência Planetária!

Não há o que temermos?

Que Deus nos livre!

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