Ortodoxo: Se Maria nasceu sem pecados , por que foi purificada ?

Católico: Jesus foi batizado e não tinha pecado (Mt 3 : 13 – 17). Maria cumpriu a Lei judáica ; não significando que tenha conhecido o pecado. Lev 12:1 -8  fala em ritual de purificação , não em purificação do pecado. Era uma exigência de toda mulher que recentemente dera a luz , e,também, para consagrar Jesus a Deus. Cristo disse que o processo natural não era pecaminoso. Jesus falou da pureza moral e não da pureza que nasce meramente de um cerimonial. (Mc 7:1-23; cf. Mt 15:1-20). Por essa razão , Pedro falou que todos os alimentos eram limpos. (Ats 10:9-16).

Ortodoxo: Os pais de Maria também deveriam ser imaculados para que fosse possível a vinda ao mundo da Virgem Maria. Maria necessitou de um Salvador como todos nós!

Católico:  Maria nasceu sem o pecado original , por uma intervenção divina especial , e recebeu a graça de viver imune ao pecado pessoal , porque receberia o Filho de Deus em seu ventre. Maria, por ser a mãe do Deus Filho e noiva do Espírito Santo, não poderia ter conhecido nenhum pecado .Ela foi dita cheia de graça pelo Anjo Anunciador. A mulher que esmaga a serpente e que não poderia ter conhecido jamais nenhuma influência do Maligno ;foi concedida a graça da imaculada conceição , e do não conhecimento do pecado ,  pelo Cristo , à Virgem Maria.

Ortodoxo:  Adão e Eva também deveriam ter sido preservados do pecado .

Católico: Eles foram criados santos e puros com liberdade para escolher , e usaram mal o livre-arbítrio. Adão e Eva necessitavam de um Salvador e aguardavam a redenção do Cristo , como , de resto , toda a humanidade. Por Adão , entrou o pecado no mundo , por Jesus Cristo entrou a santidade como afirmou Paulo.

Ortodoxo: Maria não teve o pecado original como todos nós não temos esse pecado ; herdou , sim , a mortalidade e teve pecados pessoais. Se a Virgem Maria morreu , como pode ter nascido sem o pecado original?

Católico: Se não tivéssemos herdado o pecado original  , não ficaríamos privados da visão beatifica celeste. A doutrina católica não fecha questão sobre o fato de Maria ter morrido ou dormido. Maria pode ter morrido ou ter sido transladada. O Cristo também não tinha pecado e morreu.

Ortodoxo: Não há provas de que Maria tenha sido virgem perpétua.

Católico: Maria foi Virgem antes , durante e depois do parto.O milagre envolveu todo o processo. Jesus não teve irmãos.Os ‘irmãos de Jesus’ como falados na Bíblia eram primos do Cristo. São José foi guardião da Virgem por toda a sua vida. A patrística considerava Maria , virgem perpétua ,e  , também ,  imaculada conceição.

Ortodoxo: Somente o Cristo é sem pecado. Jesus foi concebido sem pecado , sua mãe , contudo , conheceu o pecado e foi purificada no ato da concepção. 

Católico: Os anjos são sem pecado. Adão e Eva eram sem pecado antes da queda. Os santos no Céu são sem pecado. A Mãe do Deus Filho , Esposa do Espírito Santo , também foi sem pecados. Maria é a nova Eva . A Eva de antes da Queda. O Cristo que tira o pecado e faz a graça inundar a terra , não poderia ter nascido em carne pecadora ou que tenha conhecido o pecado. 

Purificação de Maria

Comentário Pe Cleodon Amaral de Lima sobre o Evangelho de Lucas ? (Lc 2,22-40)  

” (…) Depois do parto, várias cerimônias eram realizadas: circuncisão, purificação da mãe, consagração da criança no Templo e o resgate do primogênito. Todas essas celebrações estavam previstas na Lei de Moisés. Na circuncisão, a criança recebia o nome, dado pelo pai. No caso de Jesus, o seu nome foi dado pelo Anjo Gabriel (cf. Lc 1,31).

A judia, depois do parto, devia passar por um ritual de purificação, pois acabava entrando em contato com a água seminal e o sangue vertidos por ocasião do parto.

O v. 22 fala que se cumpriu os dias da purificação, ou seja, chegou a hora de se purificar, segundo a Lei de Moisés. Depois disto, Maria e José foram para Jerusalém, a fim de apresentar a oferenda pela purificação, no Templo, e apresentar o Menino. Temos aqui dois rituais diferentes: o da purificação de Maria e o da apresentação do Menino.

O v. 23 mostra que Jesus ? o primogênito ? foi apresentado a Deus, quer dizer, consagrado (cf. Ex 13,2.12). Jesus foi consagrado a Deus como todos os primogênitos da época eram. Neste sentido, ele participou da vida humana, no seu mais profundo sentido. Dizemos que se solidarizou com natureza humana. Viveu e sofreu tudo o que vivemos e sofremos.

O v. 24 fala que Maria e José foram oferecer um par de rolinhas ou dois pombinhos. Segundo a Lei de Moisés, este sacrifício era para a purificação da mulher depois do parto. A Lei dizia que deveria oferecer um cordeiro e um pombinho ou uma rolinha (cf. Lv 12,6). Se fosse pobre, deveria oferecer um par de pombinhos ou de rolinhas (cf. Lv 12,8).

Depois da consagração, era preciso que a criança consagrada fosse resgatada. Este resgate acontecia mediante uma oferenda (cf. Nm 18,15-16). O resgate deveria ser pago: o menino deveria ser resgatado com 1 mês de idade e para seu resgate, os pais deveriam pagar 5 siclos de prata, conforme o preço do siclo do santuário, na ocasião. O curioso é que nem Lucas e nenhum dos outros evangelistas citam o resgate de Jesus. Isto significa que Jesus foi consagrado a Deus e permaneceu consagrado até a morte de cruz. Não foi resgatado conforme a Lei. Era como se pertencesse somente a Deus e a família não tivesse mais direitos sobre a criança (…) ” 

Comentário do Pe Carlos sobre a purificação de Maria.

” (…) No momento da consagração, durante a celebração Eucarística, o sacerdote deixa a “esfera” do comum para entrar na esfera do Sagrado; esta passagem é simbolizada pelo ato de lavar as mãos que indica o reconhecimento, por parte do sacerdote, que está entrando, como Moisés no Sinai, “numa terra santa”. Quando uma mulher dava à luz uma criança, voltava ao Templo para reconhecer que tinha sido envolvida por um mistério maior do que ela: a vida. Reconhecia que este mistério não lhe pertencia, e era agradecida por ter sido considerada digna de “tocar” o sangue e sentir em si mesma o poder da vida que está somente em Jahvé. Maria mais do que todas as mulheres sabia o que significava a Vida com a qual tinha sido envolvida, não era a maneira comum de ser considerada digna como tantas outras jovens da sua terra, era algo bem maior. Não poderia não voltar ao Templo para declarar o que sentia! O rito da apresentação se coloca, a diferença do primeiro, como sinal da consagração de Israel e tem origens na saída do Egito, quando os filhos dos hebreus saíram ilesos da morte que afligiu o Egito. Daquele dia em diante entregar a Deus o próprio filho significaria, para um piedoso hebreu, recordar que sem a ação de Deus Israel não existiria, que a vida tem sentido como restituir a Deus o que lhe pertence. “

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