Debates

Debate sobre o batismo infantil, pecado original e salvação

Tal debate, acerca do batismo infantil, pecado original e salvação, se deu em um fórum de debates na internet, com mais de um protestante. Reuni a maioria dos textos postados em forma de um debate contínuo, para melhor entendimento. Minhas palavras estarão em azul, os questionamentos protestantes estarão em preto. Citações de outras postagens que não estão presentes estarão na cor verde

Rondinelly, é difícil argumentar dessa forma, há uma viagem tão grande, tente argumentar mostrando na bíblia de forma clara onde está escrito que devemos batizar as crianças.

Se fosse algo de suma importância por que Jesus não nos ensinou isso?

Mostre um só exemplo de uma criança que foi batizada e aí o assunto se encerra sem mais delongas.

Você parece muito certo a respeito da ausência de provas bíblicas, o famoso uso do recurso do silêncio, que diz que se algo não está escrito expressamente Bíblia, é porque não existe, ou não é verdade. Acho que você deveria saber que, antes de tudo, a ausência de qualquer prova não é uma prova de ausência. Isso é básico, aprenda isso. Você me pede um versículo que mostre, de forma clara, onde está escrito que devemos batizar as crianças. Depois da minha resposta, queria, então, fazer outra pergunta para você, mas vamos adiante.

Não é apenas um versículo que fundamenta a necessidade do batismo de infantes. Como já escrevi aqui, e até agora ninguém me respondeu, se aos infantes é negado o batismo, pois já estão salvos, como dizem vocês, como é que estão salvos, se a salvação ocorre somente pela fé, e as crianças, ao menos até uma idade pré-adolescente, não possuem uma fé, digamos, firmemente fundamentada? Acaso a salvação para os protestantes é somente pela fé, exceto para as crianças? Pois bem, essa pedra no sapato da soteriologia protestante vai ficar aqui.

Nos tempos antigos é sabido que as famílias eram constituídas de uma ou várias outras crianças. Não existia “controle de natalidade” ou políticas de “um filho só”, ou algo do tipo. Geralmente as famílias da época tinham crianças em casa, e por crianças entendemos desde 1 segundo de vida até por volta dos 12 anos (pediatras que o digam). A história contada em Atos dos Apóstolos sobre o batismo do carcereiro de Paulo e Silas, e sobre o batismo dele e de toda a sua família, Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família. (At 16,33) não é irrelevante para o assunto. Se acaso fosse proibido o batismo de crianças, não seria este um momento de extrema importância para se relevar o fato de que famílias inteiras podem ser batizadas, exceto as crianças? Posto que tal doutrina seria errada (heresia) e induziria a quem lesse tal fato ao erro? O entendimento claro a respeito dessa passagem é que se fosse de fato proibido batizar crianças o escritor sagrado sem dúvida traria nas linhas do livro sagrado, de forma expressa. Não o fez, sabemos que as famílias eram grandes e dificilmente não tinham filhos, pois filhos eram considerados graça de Deus, e a esterilidade uma chaga, uma punição pelos pecados. Como você mesmo disse, se o batismo de crianças não é certo, Jesus não deveria ensinar isso? Junto com ele, Pedro, Paulo, João, e não era assim que os cristãos da igreja primitiva deveriam entender? Você, em resposta, poderia me perguntar como saber se aquela família específica, a do carcereiro, tinha crianças em casa. Ao que respondo que, diante de toda evidência histórica e do estudo da organização social da palestina da época, é muito mais provável que de fato existiam crianças naquela família do que não existiam crianças naquela família. Se formos seguir esse raciocínio, e tomarmos apenas esse versículo, podemos concluir que o batismo infantil provavelmente ocorreu, e o contrário podemos afirmar também, a negação do batismo às crianças daquela família provavelmente não ocorreu. As doutrinas são baseadas em probabilidades? Não, por isso esse fato não estabelece sozinho a doutrina do batismo infantil, mas é um fato importante para verificar que o batismo infantil provavelmente ocorreu, o que favorece o “pedobatismo” em detrimento do credobatismo.

Não é somente esse, mas outros versos bíblicos nos mostram que não é proibido o batismo infantil, e nem assim entenderam os primeiros cristãos. Diante disso, sem apelar para o argumento do silêncio, me aponte um só versículo bíblico onde é dito que não se devem batizar crianças, e, por favor, mostre uma só citação de um padre da Igreja Cristã Primitiva que aponte que a doutrina de batizar crianças é um erro.

Nas respostas anteriores você deixou claro o seguinte:

1 – A salvação ocorre antes do batismo.

2 – A salvação ocorre somente pela fé, exceção feita às crianças.

PERGUNTA 8 – Vale lembrar, ainda, a questão que falei acima. Tomando-se em conta a Sola Fide, às crianças não é exigida a fé para a salvação?

RESOSTA: Com certeza não. Elas nasceram na Família do Altíssimo. Tem o sangue do Segundo Adão. O Messias Salvador. Recebeu o Seu Maravilhoso Nome.

3 – Loucos não precisam de fé para serem salvos. Atento para o detalhe que autismo não é loucura.

Está escrito que nem os loucos errarão o caminho

4 – Você concorda que na Bíblia não existem passagens que proíbam o batismo de crianças.

Não temos testos Bíblicos que nos ensinam o não Batismo de crianças, como também não temos textos que incentivam a essa prática.

5 – Filhos de crentes já estão salvos. Filhos de não-crentes permanecem “debaixo do pecado do primeiro Adão e por conseqüência nasce separado da vida do Altíssimo”. Conclui-se, portanto, que os filhos de crentes são imaculados, segundo a sua teoria.

Os filhos dos salvos nascem santos, pois pertencem a Familha do Altíssimo, receberam o Seu Maravilhoso Nome e estão cobertos pelo Maravilhoso Sangue do Ungido.

6 – Para ser salvo basta conhecer quem é o filho do Altíssimo.

PERGUNTA 20 – Como saber se os pais são “salvos”?

RESOSTA: Pergunte a eles quem eles conhecem como o Filho do Altíssimo e quem é Ele pra eles. Mediante a resposta a essa pergunta tu terás resposta.

7 – A salvação é hereditária.

A santificação é hereditária, o ensinamento Bíblico é que se cremos nossa casa será salva.

8 – Quando Jesus diz “nascer da água” devemos entender “ter fé”.

Nascer da Água é depositar fé e viver segundo a Palavra

9 – Só existem dois tipos de pessoas no mundo: quem já está salvo, e quem não está salvo.

Por que o Mundo Inteiro está entregue ao Maligno. Hoje somente existem dois tipos de pessoas.

– OS SALVOS – Os que se tornaram filhos do Altíssimo quando creram Nas Boas Novas de Salvação e foram Salvos

– OS NÃO SALVOS – Todos ser humano descendente do primeiro Adão. Romanos 5:12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.

10 – O pecado original não existe.

PERGUNTA 13 – Para você, o pecado original não existe?

RESOSTA: Com certeza nos salvos não existe mais. Foi completamente vencido no madeiro, através do sangue precioso do meu Mestre e Salvador.

Vejo o quanto são interessantes as conclusões que você chegou, para tentar justificar que não se devem batizar crianças. A mim me parece que um ponto crucial da sua conclusão passa exatamente pela interpretação do versículo de 1 Cor 7,14.

“Pois o marido não cristão é santificado pela esposa, e a esposa não cristã é santificada pelo marido. Se não fosse assim, os vossos filhos seriam impuros, quando na realidade, são santos”.

Parece que você entendeu que “santificados” significa “salvos”, não é mesmo? O entendimento desse texto, assim como de todo o seguimento das palavras de Paulo, é que ele se refere ao casamento cristão, ao que deve ser feito em relação ao casamento com não-cristãos. Paulo não aborda aqui o tema da salvação, mas da consagração do marido ou da esposa, e dos filhos, diante de um casamento que deve ser encarado com uma postura cristã de fé e moral. O que se diz aqui com referência a “santificação” não faz relação a “salvação” no sentido de salvação eterna, mas sim no sentido de “consagração de vida”, “conversão”, o agir por meio do evangelho cristão. Leia como Paulo diz no versículo 16: Tu, mulher, talvez salves teu marido; tu, homem, talvez salves tua mulher. Ora, quem salva não é o marido à mulher ou a mulher ao marido, mas Cristo a todos. Vê-se que o sentido das palavras “santificação” neste contexto não quer dizer salvação, mas forma santa de comportamento e costumes. O cônjuge não-cristão deveria agir de um modo cristão, e assim os filhos, nascidos e crescidos em uma família regidos pela moral cristã, também estariam “santificados”. Aqui não diz nada sobre a necessidade do marido, da esposa ou do filho se converterem em cristãos. O casal poderia se formar, e tanto o marido, ou a mulher, ou os filhos permanecerem nas mesmas crenças, não necessariamente o cristianismo. Acaso os não-cristãos da mesma forma estariam salvos, mesmo não tendo a necessidade de se fazerem cristãos? Paulo, além de tudo, afirma que sobre esse assunto não está passando nenhuma doutrina vinda de Cristo, mas é na verdade uma recomendação dele próprio: Aos outros digo eu, não o Senhor (v.12). Porque Paulo aconselha tal coisa? Ele mesmo responde, quando diz que O Senhor nos chamou para viver em paz. (v.15b). Para haver paz no matrimônio, o marido consagra a esposa, e vice-versa, assim como aos filhos, e haverá paz na família. Mas, se o não cristão quiser separar-se, separe-se: neste caso, nem o irmão nem a irmã estão vinculados. Cristo disse Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade (Jo 17,19). É evidente que Cristo não está dizendo “Salvo-me por eles para que sejam salvos na verdade”. Vês, caro amigo, como filhos de pais cristãos (ou o marido ou a mulher) não estão, por esse motivo, salvos?

Outro ponto crucial para a sua interpretação, e de todo um segmento protestante credobatista, é a interpretação de Marcos 16,16:

Quem crer e for batizado se salvará; quem não crer se condenará.

Segundo a doutrina protestante que rejeita o batismo de crianças, o faz porque o batismo é apenas uma ordenança. Que uma determinada pessoa deve dar evidência de ter a salvação por meio da fé antes de receber o batismo. Dessa forma interpretam Mc 16,16 como a necessidade de primeiro crer e depois ser batizado. Mas uma ação não deve expressamente se seguir à outra. Não está escrito Quem crer e então (ou logo após) for batizado, se salvará. Esse mandamento não alega uma temporalidade de ações, mas sim de importância. A fé é mais importante que o batismo na salvação. Seguindo a sua linha de raciocínio, a ordem em Marcos 16,16 seria primeiro fé, então batismo com água, então salvação; uma ordem que creio que você não aceita.

Sobre a conclusão 2, em que você afirma “com certeza” que a salvação pela fé está restrita aos adultos, pois às crianças não é exigida a fé para serem salvas, isto cria muitas dúvidas. Primeiro, onde está esta afirmação escrita na Bíblia? Paulo diz que a justificação ocorre pela fé (obs: e não somente pela fé) (Rm 3,28), mas onde ele exclui as crianças? Acaso um dos pilares da doutrina protestante, a Sola Fide, não é uma doutrina universal? Atinge apenas os adultos? Onde a Bíblia ao menos menciona tal conclusão? A verdade é que os protestantes devem fazer essa exclusão porque a conseqüência seria a imediata condenação de todas as crianças ao inferno, por isso às crianças o protestantismo exclui a necessidade da fé para a salvação, ficando esta a cabo de outras conclusões, que variam de credo para credo. Luteranos crêem no pecado original e no batismo infantil, reformados crêem no determinismo, batistas crêem numa salvação automática das crianças. Enfim, “há tantas doutrinas quanto cabeças”, afirmou certa vez Lutero. Se às crianças o protestantismo exclui a necessidade da fé para a salvação, porque negam a nós esta mesma exclusão quando dizemos que, apesar de não possuir fé, uma criança pode ser batizada? Há tantas doutrinas quanto incoerências.

O pecado original é uma realidade, e aplicada a todos os homens, uma verdade de fé Bíblica e crida por todos os cristãos. Apenas as inovações recentes da revolta a jogaram na fornalha do erro.

A Igreja Católica ensina que a doutrina do pecado original é essencial:

“A doutrina do pecado original é, por assim dizer, “o reverso” da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos graças a Cristo. A Igreja, que tem o senso de Cristo, sabe perfeitamente que não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo.” (§389)

“A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais (Conc. Trento, DS 1513; PioXII, HG, DS 3897; Paulo VI, 11/07/1966). (§390)

“O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador (Gn 3,1-11) e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem. Todo pecado, daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.” (§397)

“Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente “divinizado” por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis “ser como Deus” (Gn 3,5), mas “sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus” (S. Máximo Confessor, Ambiguorum liber). (§398)

“A Escritura mostra as conseqüências dramáticas desta primeira desobediência. Adão e Eva perdem de imediato a graça da santidade original (Rm 3,23). Têm medo deste Deus (Gn 3,9-10), do qual fizeram uma falsa imagem, a de um Deus enciumado de suas prerrogativas (Gn 3,5).(§399)

“Afirmamos, portanto, com o Concílio de Trento, que o pecado original é transmitido com a natureza humana, ‘não por imitação, mas por propagação’, e que ele é, portanto, ‘próprio de cada um’ ” (SPF 16). (§419)

A mancha do pecado original atinge as crianças, que não implica em culpa pessoal, mas por “imitação”. Possuem tal mácula sem sua consciência. Porque exigir consciência para lavar essa culpa pelo batismo? Jesus disse em João 3,5: Eu te asseguro que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus. Você interpretou que a “água” significa “depositar fé e viver segundo a Palavra”. Na sua explicação, você discorreu longamente sobre o versículo 3, e não o 5. Sem dúvida, se alguém não nascer de novo, não verá o reino de Deus. Mas a “água” do v. 5 não é a fé, é água mesmo, a água do batismo. Água que purifica.

Homens, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para limpá-la com o banho de água e com a palavra, e consagrá-la. (Ef 5,25-26).

Mas, quando apareceu a bondade do nosso Deus e Salvador e seu amor pelo homem, não por méritos que tivéssemos adquirido, mas tão somente por sua misericórdia, nos salvou com o banho do novo nascimento e a renovação pelo Espírito Santo(Tt 3,4-5).

Veja bem, água não é a fé, água significa batismo! Não há como negar isso, apenas diante de um malabarismo que busca negar o óbvio. O batismo é componente importante na salvação do homem. Mais: Levanta-te. Recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome (At 22,16). Este mandamento é universal, não é restrito a adultos. Estes versículos tornam clara a necessária conexão entre o batismo e a salvação, uma conexão que é explicitamente mencionada por Pedro, que diz, esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo (1Pd 3,21).

Pintura de batismo de infante

A respeito da conclusão 3, queria te pedir que citasse onde a Bíblia diz que “nem os loucos errarão o caminho”. Como pode uma doutrina que deveria servir para a salvação de todos os homens, como a sola fide, ser atribuída a pessoas que, pode condições adversas, não interagem com o mundo externo? É certo que existem graus de autismo, e que sem dúvida alguns podem desenvolver uma fé. Mas e os demais? Seria então uma doutrina excludente? Se do batismo infantil estão excluídos estes seres humanos, o que lhes resta para a salvação? Quem são os loucos? Acaso Maomé é louco, por negar a Santíssima Trindade e criar uma religião nova? Ele “não vai errar o caminho”? Qual deverá ser o conceito de loucura para que tais loucos sejam loucos o suficiente para não errarem o caminho?

A respeito da conclusão 4 e 5 vejamos. Você concorda que na Bíblia não existem passagens que proíbam o batismo de crianças. E nem existem passagens que a autorizem. Então, podemos concluir que se fosse “antibíblico” batizar as crianças, então seria também “antibíblico” deixá-las sem batismo, pois em nenhuma parte da Bíblia é proibido o batismo das crianças. Tampouco encontramos na Bíblia alguma referência à “idade da razão” ou à “idade de consentimento”, a que muitas tradições protestantes aderem quando batizam adolescentes. Dessa forma estamos conversados? Eu para um lado e você para o outro? Pelo livre-exame da Bíblia, princípio protestante que aposto que você alega ser seu direito, poderíamos então, discordar em doutrinas e seguir achando que o cristianismo tem “uma só fé”? Não, meu caro, A verdade é somente uma. Assim temos que às crianças não se deve negar o batismo, pois é figura na nova aliança da circuncisão da antiga: “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Colossenses 2,11-12)., é a forma da apagar o pecado original no homem, é assim que deseja o Senhor, que não evitemos que as crianças o alcancem: …deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham (Mt 19,14)., foi assim que entenderam os cristãos da igreja primitiva:

Orígenes, “de acordo com o costume da Igreja, o batismo é conferido às crianças” [Homilia a Leviticus 8:3:11, (244 d.C.}]

Santo Agostinho: “O costume da madre Igreja de batizar crianças certamente não deve ser zombado…nem que esta tradição seja algo que não dos apóstolos” (Interpretação Literal do Gênesis 10:23:39 (408 d.C.).

Ninguém na Igreja antiga recebeu e percebeu o batismo infantil como uma inovação, como um erro. Ao contrário, aceitam-na como doutrina passada pelos próprios apóstolos. Não há registro nenhum de cristão ou não cristão que ateste alguma revolta, algum tratado, qualquer tipo de contraste entre a doutrina adotada pela igreja e a “verdadeira doutrina do Evangelho”, como fazem os hereges. Aponte um só escrito que afirme que o batismo infantil era contrário à prática vigente na época.

Quando você diz, na conclusão 5, que “Os filhos dos salvos nascem santos, pois pertencem a Familha do Altíssimo, receberam o Seu Maravilhoso Nome e estão cobertos pelo Maravilhoso Sangue do Ungido”, somente uma coisa se tira dessa afirmação: Quem já nasce ungido pelo sangue de Cristo, santificado pelos pais, e pertence à família de Deus, está na luz, não está nas trevas, portanto, não está sob o domínio do mal. É portanto, imaculado? Como esse ser poderá vir a pecar um dia, se já nasceu ungido, pertencente à família de Deus (salvo?), e sobre ele então o demônio não tem soberania? Se não é o demônio o autor do pecado, por não estar de posse desse ser que já está salvo, ungido, quem é o autor do pecado que esse ser virá a praticar para porventura “perder” essa salvação? Quem é o autor do pecado nesse ser: o demônio, que não tem influência sobre ele, pois desde o nascimento, e por hereditariedade (conclusão 7), já pertence ao reino de Deus; ele próprio, sobre influência de ninguém a não ser ele mesmo, ou Deus? Qual a verdade acerca da concupiscência da carne?

Quanto ao que você disse acerca de quem são os salvos, “Pergunte a eles quem eles conhecem como o Filho do Altíssimo e quem é Ele pra eles.”. Então os salvos são aqueles que conhecem Jesus e creem que Ele é o Filho de Deus. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. (Tg 2,19). No outro lado do lago, na terra dos gadarenos, dois possessos de demônios saíram de um cemitério e vieram-lhe ao encontro. Eram tão furiosos que pessoa alguma ousava passar por ali. Eis que se puseram a gritar: Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo? (Mt 8,28-29). Os demônios estão salvos?

Diante de tudo isso, devo dizer que tamanha confusão doutrinal ocorre quando se usa o livre-exame para se aferir doutrinas. As verdades antes cridas por todos, inclusive pelos primeiros reformadores, não conseguiram resistir ao tempo moderno, onde o humanismo criou asas e soprou o vento do individualismo nas mentes dos protestantes que perceberam que, se Lutero revogou a Igreja Católica, porque não revogar Lutero se dele não concordo? A autoridade deixa de estar na Igreja para estar no indivíduo.

Se uma pessoa que ouviu e creu na Palavra de Boas novas vier a morrer sem ter sido batizada, ela será salva ou não?

Respondo da mesma forma que a Igreja:

Catecismo da Igreja Católica

1258 – Desde sempre, a Igreja mantém a firme convicção de que as pessoas que morrem em razão da fé, sem terem recebido o Batismo, são batizadas pela sua morte por e com Cristo. Este Batismo de sangue, como o desejo do Batismo, acarreta os frutos do Batismo, sem ser sacramento.

1259 – Para os catecúmenos que morrem antes de seu Batismo, seu desejo explícito de recebê-lo, juntamente com o arrependimento dos seus pecados e com a caridade, garante-lhes a salvação que não puderam receber pelo sacramento.

Supondo que eu viaje até a uma tribo indígena no interior do Amazonas, nessa Tribo nunca tenha sido pregada a Mensagem de Boas Novas. Que valor terá seu eu chegando a essa Tribo de inicio Batizar todos seus integrantes. Este batismo será suficiente para salvar todos estes índios?

Aos adultos não, às crianças sim, contanto que elas sejam catequizadas e sigam a religião cristã, e não a religião dos seus ancestrais. Em resumo, é isso que estamos debatendo por aqui. Até porque nenhuma igreja cristã faz isso de costume. Ninguém chega batizando sem dizer nada, sem correr o risco de virar a próxima refeição dessa tribo de índios.

Pergunta: um produto de aborto está em quê condição por não receber o batismo? Na mesma condição de um recém nascido que faleceu poucos dias de vida, também sem receber o batismo?

A Igreja Católica afirma que:

1261 – Quanto às crianças mortas sem Batismo, a Igreja só pode confiá-las à misericórdia de Deus, como faz no rito das exéquias por elas. Com efeito, a grande misericórdia de Deus, que quer a salvação de todos os homens, e a ternura de Jesus para com as crianças, o levaram a dizer: “Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais” (Mc 10,14), nos permitem esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo. Eis por que é tão premente o apelo da Igreja de não impedir as crianças de virem a Cristo pelo dom do santo Batismo .


Livros recomendados

Suma Contra os Gentios100 Mensagens para a AlmaA Guerra dos Cristeros

About the author

Veritatis Splendor