Data: 15/10/2006

“Posso classificar como erro mortal e como legislação trágica e desumana a lei do abôrto aprovado nos Estados Unidos. Quero advertir os espanhois que não caiam nos mesmos erros.”

Fui Diretor da maior Clínica do mundo especializada em abortos. Fui membro fundador da N.A.R.L., (National Associaton for Repel of Abortion Laws), uma associação nacional a favor do abôrto. Éramos um grupo que pretendia unicamente conseguir uma lei que permitisse abôrto na América do Norte. Exercíamos pressão sobre os membros do Congresso e Câmaras Legislativas dos 48 Estados para conseguir leis que anulasses as antigas leis antiabortistas,

É importante que caíam na conta que fui um dos fundadores da Organização mais importante que “vendia” o abôrto ao povo norte-americano. Faziam também parte mais dois outros membros: Lawrence Lader e uma senhora pertecente a um movimento feminista.

Propaganda abortiva

Em 1968, quando organizávamos o movimento, calcula-se que nem sequer 1% do povo norte-americano era partidário do abôrto livre; ou seja, que 99% era contrário. O nosso orçamento era de 7500 dólares anuais, enquanto que em 1982 é de quase 1 milhão de dólares.

Vou explicar-lhes como organizamos o projeto para convencer 199 milhões de pessoas, num país de 200 milhões de habitantes, para que aceitassem o abôrto. As táticas que vou expôr são seguras. São as mesmas que se empregaram nos demais países e as que se utilizam na Espanha.

Como base serviram-nos duas grandes mentiras: a falsificação de estatísticas e entrevistas que dizíamos ter feito., e a escolha de uma vítima a quem pudéssemos atribuir o mal de que nos Estados Unidos não aprovado o abôrto. Essa vítima foi Igreja Católica, ou, melhor dito a sua Hierarquia, Bispos e Cardeai8s.

Quando mais tarde os pró-abortistas usavam os mesmos “slogans” e argumentos que eu tinha posto a circular no ano de 1968, dava-me vontade de rir, porque eu tinha sido um dos inventores e sabia muito bem que eram mentiras.

As estatísticas

Falsificar as Estatísticas é uma tática importante. Dizíamos nos em 1968 que nos Estados Unidos se praticava por um ano um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos muito bem que não ultrapassavam os mil; não nos servia. Para chamar a atenção multiplicamo-la.

Repetíamos também constantemente que as mortes das mães por abôrtos clandestinos se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que não eram mais de duzentas. Mas “duzentas” eram cifra pequena demais para a propaganda.

Esta tática do engano e da grande mentira, muitas vezes repetida, acaba por dar resultado; aceita-se como verdade.

Lançamo-nos à conquistas dos meios de Comunicação Social, dos grupos Universitários, sobretudo feministas. Elas escutavam tudo o que dizíamos, incluídas as mentiras, e logo as divulgavam pelos meios de Comunicação Social, base da propaganda.

É importantíssimo que se preocupem com os meios de Comunicação Social, porque as idéias filtram-se na sociedade conforme se propuserem os fatos. Se na Espanha estes meios estão dispostos a não dizer a verdade, encontram-se os senhores na mesma situação que nós criamos nos Estados Unidos nos anos de 1968 e 69, quando propagávamos através desses meios todas as mentiras que acabo de mencionar.

Outra tática eram as nossas próprias invenções. Dizíamos por exemplo, que tínhamos feito um inquérito e que 25% da população era partidária do abôrto.

Três meses mais tarde dizíamos que eram 50%, e assim sucessivamente. As pessoas acreditavam. Como desejavam andar com a moda, fazer parte da maioria e que não as chamasses retógradas, enfileiravam com os “avançados” .

Mais tarde, organizamos inquéritos verdadeiros e pudemos comprovar que, pouco a pouco, os resultados iam-se parecendo com o que tínhamos inventado.

Temos que ser muito cautelosos nos inquéritos sobre o tema do abôrto. Costumam ser inventados, mas têm o valor de convencer até os Magistrados e Legisladores. Eles, como qualquer outra pessoa, leêm a imprensa, ouve a rádio, etc., e sempre lhes fica dentro alguma coisa.

A Igreja Católica – Vítima

Uma das táticas mais eficazes que utilizávamos naquela época foi a que chamávamos “etiqueta católica”. Isto é importante para os senhores, porque o vosso país é maioritariamente católico.

Em 1976 a guerra do vietnam não era popular. A Igreja Católica nos Estados Unidos apoiava-a. Escolhemos então como vítima a Igreja Católica. Tratamos então de relacioná-la com os outros movimentos reacionários, inclusivamente com o movimento antiabortista. È claro que não era verdade, mas com este engano púnhamos contra a Igreja Católica todos os jovens e as Igrejas protestantes que sempre a tinham olhado com receio. Conseguimos inocular a idéia de que a Igreja Católica era a culpada de que não se aprovasse a lei do abôrto.

Como era importante não criar antagonismos entre os próprios americanos de crença diferentes, isolamos a Hierarquia Católica (Bispos e Cardeais) como “maus”. Esta tática foi tão eficaz que ainda hoje se emprega noutros países.

Eram acusados de estar enfeitiçados pelos Bispos os Católicos que rejeitavam o abôrto. Eram considerados modernos, progressistas, liberais, mais clarividentes os que o aceitavam (posso garantir-lhes que o problema do abôrto não é um problema de tipo confessional. Eu não pertenço a nenhuma religião e apesar disso estou a falar contra o abôrto).

Atualmente, nos Estados Unidos a direção do Movimento antiabortista alastrou, da Igreja Católica para as Igrejas Protestantes. Também se lhe opõem outras Igr4ejas, tais como a Ortodoxa Oriental, a “Igreja de Cristo” , os Baptistas americanos, as Igrejas Luteranas metodistas de África, todo o Islão, o Judeismo Ortodoxo, os Mormões, as “Assembléias de Deus” e os Presbiterianos.

Outra tática por nós empregada foi acusar de se meterem em política e de ser anticonstitucional os Sacerdotes tomaram parte nos debates públicos contra o abôrto. Ainda que é evidente a falácia doa argumento, o povo acreditou facilmente.

Diretor de Clínica

A partir de 1971 dirigi a Clínica abortiva maior do mundo. É o centro de Saúde Sexual (CRANCH.) situado a leste de Nova Iorque. Tinha 10 salas de operações e 35 médicos às minhas ordens. Realizávamos 120 aborto diários mesmo aos domingos. Só não trabalhávamos no dia de Natal.

Quando tomei conta da Clínica tudo estava sujo e nas piores condições sanitárias. Os médicos não lavavam as mãos de um para outro abôrto. Alguns abôrtos faziam-nos as enfermeiras diplomadas ou simples auxiliares. Consegui modificar tudo aquilo e transformar a Clínica em modelo do seu gênero. Como chefe de departamento, tenho a confessar que foram praticados as minhas ordens 60.000 abôrtos. Eu pessoalmente fiz uns 5.000.

Remorso do crime

Recordo que numa festa que demos, algumas esposas dos médicos contaram que os seus maridos sofriam de pesadelos durante a noite e que gritavam falando de sangue e de corpos trucidados de crianças. Outros bebiam em excesso e alguns drogavam-se. Houve até alguns que tiveram de acudir ao psiquiatra. Muitas enfermeiras tornaram-se alcoólicas, e outras deixaram a clínica a chorar. Para mim foi uma experiência sem precedentes.

Sem setembro de 1972 apresentei a minha demissão porque já tinha conseguido o meu objetivo, que era por em funcionamento a Clínica. Confesso sinceramente que não deixei a Clínica por ser contra o abôrto, mas porque tinha outros compromissos a satisfazer.

Nomeado Diretor do Serviço de Obstetrícia do Hospital de S.Lucas em Nova Iorque, comecei a criar o departamento de Fitologia. Estudando o feto no interior do útero materno pude comprovar que é um ser humano com todas as suas características, e que se lhe devem conceder todos os privilégios e direitos de que desfruta qualquer cidadão na Sociedade ocidental.

Talvez alguém pense que antes destes estudos devia saber, por que era médico e além disso ginecólogo, que o ser concebido é um ser humano. Sabia-o na verdade mas não o tinha, eu próprio, comprovado científicamente.

Os novos sistemas de investigação permitiram-me conhecer com maior exatidão os eu caráter humano e fazem-nos também considerai-lo não como um simples bocado de carne. Com as técnicas modernas atuais conseguem-se tratar no interior do útero muitas doenças. Podem-se até realizar cerca de 50 internações cirúrgicas. Estes argumentos científicos são os que mudaram o meu modo de pensar. Se o ser concebido é um paciente, que pode ser tratado medicamente, então é uma pessoa. Se é uma pessoa tem direito à vida e que nós a procuremos conservar.

Falsas razões a favor do aborto

Queria agora fazer um breve comentário à proposta de lei sobre o aborto feita em Espanha. É a mesma que está em vigor no Canadá, quer dizer: em caso de violação, de subnormalidade e por saúde da mãe.

A violação é, sem dúvida uma situação muito dolorosa. Felizmente poucas violações são seguidas de gravidez. Mesmo neste caso a violação, que é um caso terrível de violência, não pode ser seguida de outra violência não menos terrível, como é a destruição de um ser vivo. Trata-se de apagar uma violência horrível com outra também horrível. Não parecer lógico. É simplesmente absurdo, e na realidade o que faz é aumentar o trauma da mulher ao destruir uma vida inocente. Essa vida tem valor por si própria, ainda que seja criada em circunstâncias espantosas, circunstância s que nunca poderão justitificar a destruição de tal vida. Posso garantir-lhes que muitos dos que estamos aqui não fomos concebidos em circunstâncias ideais, talvez sem amor ou sem calor humano. Mas isso não nos muda absolutamente nada, nem nos estigmatiza. Portanto, recorrer ao abôrto em caso de violação é ilógica e inumano.

A saúde da mãe. Sempre sustentei que defenderia o abôrto se a saúde física da mulher estivesse em perigo imediato de morte no caso de continuar a gravidez. Mas hoje, com os avanços da Medicina, tal caso praticamente não existe. Portanto tal argumento é enganoso, simplesmente porque não é certo.

Finalmente vou considerar o caso das deformações do feto. É um tema muito delicado, porque significa que aspiramos a que a sociedade seja formada por pessoas físicamente perfeitas. Sem receio de me equivocar, posso garantir-lhes que nesta sala não há uma única pessoa que seja físicamente perfeita. Aceita a princípio é perigosíssimo porque levaria a um holocausto como o que realizou Hitler.

Posso assegurar-lhes que até as crianças mongólicas são amadas. Na Nova Zelãndia almoçamos um dia a minha mulher e eu com Sir William Liley, que é o fetólogo mais importante do mundo. Contou-nos que tinha tido quatro filhos, que já eram de maior de idade. O casal, ao ficar sozinho, adotou um menino mongólico. Dizia-me que este filho adotivo lhes tinha proporcionado mais satisfação que qualquer dos outros quatro filhos.

Crime generalizado

Se esta lei for aprovada em Espanha, abusar-se-á e será utilizada por justificar o abôrto em todos os casos. Foi o que aconteceu no Canadá. Os médicos simplesmente, põem um selo nos pedidos de abôrto e toda a gente se ri, deles e da lei.

Julgo que quando se permite o abôrto, se permite um ato de violência mortal, um ato deliberado de destruição, e, portanto, um crime.

É preciso despertar a nossa inteligência e dar uma solução menos fraternista aos problemas que sempre teve e terá a humanidade. Se a Espanha seguir o caminho sangrento do abôrto, os Três Cavalos do Apocalipse (que são a delinqüência violenta, a droga e a eutanásia), não hão-de tardar em segui-lo, como está sucedendo na América.

Termino como cientista.

Não creio, sei que a vida começa no momento da concepção e deve ser inviolável.

Apesar de não professar nenhuma religião, penso que existe uma Divindade que nos manda por fim a este triste, inexplicável e vergonhoso crime contra a humanidade.

Se não sairmos vitoriosos e deixamo de consagrar a nossa completa dedicação a esta causa importante, a história nunca nos perdoará.

Perguntas

1. O ser concebido é um ser vivo ?

– Sim, porque tem as suas características – nasce, vive, cresce, reproduz-se e morre.

2. É ser humano o que se origina pela união das células germinais de um homem e uma mulher ?

– É fato inegável: não pode ser outra coisa. Da fecundação de um óvulo por um espermatozóide não pode resultar nem uma planta nem um elefante. É um novo ser humano como os seus pais.

3. É um ser com individualidade própria que se diferencia do pai e da mão que o geraram?

– Sim, é sem dúvida um ser único e irrepetível.

4. Quanto tempo demora a formação dos órgãos e seu funcionamento?

– Na décima semana da concepção todos os órgãos estão formados e a funcionar. A partir da décima semana aumentam apenas de tamanho e vão-se aperfeiçoando até alcançar, depois a puberdade, o pleno desenvolvimento.

5. Quando se forma o sistema nervoso e quando se pode detectar a sua atividade elétrica ?

– O tecido nervoso é um dos primeiros a formar-se. Com os meios modernos de exploração podem detectar-se as variações elétricas (eletroencefalograma) ao atingir as seis semanas da concepção. Os cientistas, porém, afirmam que se há-de poder detectar antes, quando dispusermos de meios de exploração mais sofisticados.

6. Quando se forma o sangue na criança concebida ?

– Aos 17 dias estão formados os glóbulos vermelhos e brancos e começam a ser impulsionados por um coração primitivo. Quando atingir 6 semanas já se lhe pode fazer um eletrocardiograma.

7. Percebe o feto as sensações ?

– Efetivamente percebe-as. Os ruídos aborrecidos inquietam-no e os suaves tranquilizam-no. Experiências no interior do útero demostram que o contato com um instrumento estranho determina um movimento de fuga.

8. Tem vida afetiva ?

– Inquieta-se quando a mão está nervosa; dorme quando a mão descansa. Quando se aborrece chupa o dedo ou dá cambalhotas (comprovado por fotografia e ecografia).

9. Será capaz de distinguir uma substância agradável de uma outra que não o seja?

– Se é capaz ! Quando se coloca no interior do útero uma substância açucarada, engole-a, e quando é desagradável recusa-a.

10. Todas estas descobertas da ciência que demonstram não haver dúvidas de que todo o ser concebido é um ser humano desde o momento da concepção, são reconhecidos pela sociedade ?

– Infelizmente não. Uma coisa é a realidade dos fatos que a Genética e a Biologia demonstra – me outra os direitos que a sociedade queira reconhecer.

11. Não será uma injustiça e um contra-senso ?

– Mais do que uma injustiça é uma marginalização e um abuso contra um ser débil e inocente que não se pode defender.

 

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