Livros Bíblicos

Dicionário bíblico – letra c

CAIFÁS
Exerceu a função de Sumo Sacerdote durante a atividade de João Batista (Lucas 3,2) e o processo contra Jesus (Mateus 26,3 Mateus 26,57 João 11,49 João 18,24-28), entre 18 e 36 d.C.. Era o genro de Anás (18,13).

CAIM
Ver "Abel".

CÁLICE
Ver "Eucaristia".

CALVÁRIO
Ver "Gólgota".

CAMINHO
Além do seu sentido normal, o termo é usado em sentido metafórico como vida do homem, sua conduta e seus hábitos. Indica também o modo de agir de Deus para com o homem ("os caminhos de Deus"), ou as normas que ele traçou para o agir humano, isto é, os mandamentos. No Novo Testamento a doutrina cristã é chamada "caminho" (Atos 9,2 Atos 16,17 Atos 19,23 Atos 22,4 Atos 24,14).

CANÁ
Cidade da Galiléia onde teve lugar o casamento ao qual foram convidados Jesus e os apóstolos (João 2,2) e onde foi curado o filho do oficial da corte (4,46). Era a terra natal de Natanael (21,2). Nas bodas de Caná, Cristo se manifesta como o Esposo da Igreja, no terceiro dia após seu batismo (João 2,1-11 Mateus 22,1-14 João 3,29-30). A intercessão de Maria mostra a sua participação no milagre, mas também a independência de Cristo (João 2,3-5 Marcos 3,20-35 Lucas 11,27-28 Lucas 2,49).
A Hora de Jesus é a sua glorificação. Oséias milagres são a antecipação desta glória. São sete os milagres, "sinais", manifestadores de diversos aspectos do Cristo joanino (João 2,1-11 João 4,46-50 João 5,1-15 João 6,1-15 João 6,16-21 João 9,1-41 João 11,33-44).
Jesus, a nova videira, muda em vinho a água das purificações rituais, pois é o seu sangue e a sua palavra o que purifica os homens (João 15,1-8 Mateus 26,26-29 Isaías 5,1-4 Isaías 24,8-11 Marcos 7,3-4 1João 1,7 Apocalipse 1,5 Apocalipse 7,14 Apocalipse 22,14).

CANANEU
Habitante de Canaã, terra prometida por Deus e conquistada pelos israelitas, situada entre o vale do rio Jordão e a costa do Mediterrâneo. No Novo Testamento o termo aparece como nome de um partido político, chamado também dos zelotes. O apóstolo Simão era membro deste partido (Marcos 10,4-11).

CÂNON
Lista dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento inspirados por Deus e, conseqüentemente, normativos para a fé e vida moral dos fiéis. O cânon dos livros inspirados formou-se definitivamente já na era apostólica. Mas houve dúvidas sobre determinados livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento,sobretudo entre o II e o IV séculos, devido à proliferação de livros apócrifos. Tais livros são chamados deuterocanônicos, porque foram reconhecidos como canônicos pela Igreja universal num segundo momento. Oséias deuterocanônicos do Novo Testamento são: Hebreus, 2Pedro, Judas, Tiago, 2-3João e Apocalipse; os do Antigo Testamento são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e 1-2Macabeus. Estes últimos não constam nas Bíblias editadas pelas Igrejas protestantes, que os consideram apócrifos. A Igreja Católica pronunciou-se definitivamente sobre o cânon no Concílio de Trento (1546).

CANÔNICO
Em sentido ativo, diz-se da Sagrada Escritura, enquanto é critério de verdade, norma de fé e de costumes. Em sentido passivo é o livro que está incluído no cânon ou lista oficial dos livros reconhecidos pela Igreja como inspirados. Distinguem-se livros protocanônicos sobre cuja inspiração houve desde o início consenso em toda a Igreja, e livros deuterocanônicos, de cuja inspiração em determinadas igrejas locais duvidou-se durante algum tempo. Ver "Cânon".

CARIDADE
Não deve ser confundida com o simples dar esmolas. No Antigo Testamento a caridade ao próximo se restringia sobretudo ao povo israelita (cf. Levítico 19,18 Eclesiástico 12,1-17). Ver "Amor"e "Eucaristia".

CARISMA
Termo grego que significa um dom gratuito. É um dom especial do Espírito, dado ao cristão para o bem comum do próximo e a edificação da Igreja (Romanos 12,8 1Coríntios 12,4-10 Efésios 4,11-13). Paulo fala longamente na 1Coríntios 12-15 dos carismas, cuja importância foi muito grande para a difusão do cristianismo. Menciona, entre outros, os dons da sabedoria, da cura, dos milagres, da pregação e do ensino. O mais importante de todos é a caridade.

CARMELO
Nome de uma cidade ao sul de Judá (Josué 15,55 1Samuel 25,7 1Samuel 25,40). Nome também de uma serra de 20 km de comprimento, entre o mar Mediterrâneo e a planície de Jezrael (1Reis 18,42-46). Ali residiam as primeiras comunidades de profetas sob a direção de Elias e Eliseu (1Reis 18 2Reis 2).

CARNE-ESPÍRITO
A antropologia bíblica não conhece a dicotomia grega: corpo-alma. O homem é visto como uma unidade vivente. O termo "carne"é usado simbolicamente para indicar muitas vezes a transitoriedade e a fraqueza do ser humano, mortal e pecador (Gênese 3,3 Jeremias 17,15 Jó 10,4 Mateus 26,40s; 2Coríntios 12,7-10 Isaías 40,3-8 João 17,2). O próprio Verbo de Deus assumiu esta carne frágil e mortal (João 1,14 1Timóteo 3,16).
Enquanto indica o ser humano na sua fragilidade, "carne"pode estar em oposição ao espírito (Isaías 31,3 Salmo 56,5 2Crônicas 32,8). Neste último sentido, nas epístolas de Paulo "carne"significa o homem natural, sem a graça, na sua fraqueza e tendência ao mal (Romanos 9,6-13 Gálatas 6,12-15 Filipenses 3,2-5 Efésios 2,11-13 Romanos 8,12-15), em contraste com o espírito, força que recebe o homem purificado pelo batismo (Romanos 7,14-25 Romanos 13,11-14 Efésios 2,1-6 Colossenses 2,13-23). O cristão é aquele que não vive mais na "carne"mas no "espírito" (Romanos 8,9). Por isso o cristão deve crucificar a carne com suas concupiscências (Romanos 8,5-13 Gálatas 5,22-25 Colossenses 1,24-29).
O espírito, alento vital, sopro ou vento, indica a ação de Deus no ser humano (Gênese 2,7 Gênese 6,17 Gênese 7,22 Romanos 8,14-16 1Coríntios 2,10-13 Gálatas 5,13-25 Gálatas 6,8-10), opõe-se à carne, em sentido mais religioso que físico.

CASTIDADE
Ver "Virgindade".

CATIVEIRO
Houve dois cativeiros ou exílios na história do povo eleito. Em 722 a.C.foi deportada para a Assíria a população do reino do Norte, invadido e destruído pelos assírios (2Reis 17). Em 587 a.C.foi deportada para a Babilônia boa parte da população do reino do Sul, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém (2Reis 25). Durante o cativeiro da Babilônia os exilados foram confortados pelas palavras do profeta Ezequiel e de um profeta anônimo (Isaías 40-55). Eles reavivaram as esperanças de um retorno à pátria, o que aconteceu com o edito de Ciro (538 a.C.), o rei dos persas, que conquistou a Babilônia (Esdras 1,1-4). A dura provação do exílio contribuiu para uma profunda revisão das crenças e renovação espiritual de Israel. O cativeiro da Babilônia é o símbolo do homem decaído e libertado pela graça de Jesus Cristo (Hebreus 2,14s).

CELIBATO
É o estado de uma pessoa que se mantém solteira, aconselhado por Cristo em vista do Reino de Deus (Marcos 10,28-30 Lucas 18,26-30 Mateus 19,27-29 Mateus 22,30) e pelo Apóstolo (1Coríntios 7,1 1Coríntios 7,7 1Coríntios 7,32-35 1Coríntios 7,38-40); é possível viver neste estado com a graça de Deus: Mateus 19,26 Romanos 8,11 Romanos 8,13 1Coríntios 10,13 2Coríntios 12,7-9).

CÉSAR
Nome do famoso general, conquistador da Gália. Mais tarde tornou-se o título usado pelos imperadores romanos (Mateus 22,17-21 Atos 25,2-12).

CESARÉIA
Duas são as cidades com este nome na Palestina:
1. Cesaréia Marítima, construída por Herodes o Grande em homenagem a César Augusto. Tornou-se a residência dos procuradores romanos; ali morava também Cornélio (Atos 10,1) e o diácono Filipe (Atos 21,8).
2. Cesaréia de Filipe, construída por Herodes Filipe nas cabeceiras do rio Jordão. Perto desta cidade Pedro confessou que Jesus era o Messias esperado e Jesus prometeu fazer dele o chefe da futura Igreja (Mateus 16,13-20).

CÉU
O céu pode ser tomado em sentido cosmológico: os antigos o imaginavam como firmamento sólido (Isaías 40,22 Isaías 44,24), apoiado sobre colunas (Jó 26,11). No firmamento há eclusas e por cima estão as águas do Oceano primitivo (Gênese 7,11 Salmo 148,4-6).
O céu em sentido teológico é a morada de Deus, cujo trono está acima do firmamento (Isaías 66,1 Êxodo 24,10s; Salmo 104,3). Mas Deus não está circunscrito à sua morada. Ele está presente em toda a parte (1Reis 8,27). Por isso "céu"é a vida divina repartida com os eleitos na eternidade. Esta realidade religiosa é expressa com imagens: nova Jerusalém, novo templo, Sião reconstruída, montanha santa, etc. (Isaías 4,2-6 Isaías 25,6-9 Isaías 60 Zacarias 2,14 Ezequiel 37,26-28 Salmo 48,2-4).
No Novo Testamento céu substitui o próprio nome de Deus (Mateus 5,16-20 Mateus 6,9 cf. 1Macabeus 3,18 e nota).
Nos céus está Cristo, nossa esperança (Efésios 1,18-22 Colossenses 3,1-4 João 14,1-3). Por isso o céu é nossa herança (Filipenses 3,17-21 Colossenses 1,5 Colossenses 1,12 1Pedro 1,4 Lucas 10,20 Mateus 25,31-46). Quando a recebermos, viveremos de Deus (1João 3,2 2Coríntios 5,4-8 Apocalipse 5,6-12 Apocalipse 7,2-12 Apocalipse 14,1-3 Apocalipse 21). Ver "Retribuição".

CIRCUNCISÃO
Operação cirúrgica para remover o prepúcio, pele que cobre a glande do membro viril. A prática de caráter mágico de iniciação ao matrimônio, conhecida por muitos povos antigos, existe ainda hoje em tribos primitivas da África, América e Austrália. Oséias israelitas aprenderam a circuncisão dos egípcios. O uso da circuncisão não é simples prática higiênica (como a operação de fimose), mas um rito de puberdade que marca o início da idade viril. Em Israel a circuncisão se fazia já no oitavo dia do nascimento (Lucas 1,59 Lucas 2,21); a partir do exílio, foi considerada um sinal da aliança (Gênese 17,3-14), um rito de inserção no povo eleito (Êxodo 4,24-26 1Macabeus 1,15).
Oséias profetas mostram ser mais importante do que a marca da carne a "circuncisão do coração" (Deuteronômio 10,16 Deuteronômio 30,6 Jeremias 4,4 Jeremias 9,25), que consiste na remoção dos obstáculos postos pelo homem em sua relação com Deus (Romanos 2,29 Romanos 4,3 Romanos 4,9 Romanos 4,22 Colossenses 2,11).

CIÚME
Em sentido humano, é o zelo do homem pelos seus direitos conjugais (Provérbios 27,4), que pode submeter a esposa ao processo do ordálio (cf. Números 5,11-31). Pode significar também inveja ou rivalidade (11,26-29; Salmo 37,1). Em sentido religioso o termo indica o zelo pela causa de Deus (Números 25) e, sobretudo, o amor apaixonado, exigente e exclusivista de Deus. Deus não admite concorrentes ao lado dele (Êxodo 20,5); propõe uma aliança exclusiva com seu povo (34,12-16), exigindo amor total e exclusivo (Deuteronômio 6,5 Deuteronômio 6,13-15). Deus defende com ciúme a honra de seu santo nome (Ezequiel 36) e com zelo defende o seu povo (Isaías 9,6 Isaías 63,15).

CLÁUDIO
Nome do imperador romano (41-54 d.C.) que sucedeu a seu primo Calígula. O profeta Ágabo anunciou uma fome que devia vir para o mundo inteiro sob seu governo (Atos 11,28). No ano 49 d.C. Cláudio decretou a expulsão dos judeus de Roma, entre os quais estavam Áqüila e Priscila (18,2).

CLÉOFAS
Esposo da Maria que estava aos pés da cruz com a mãe de Jesus (João 19,25). Ele teria sido irmão de José, esposo de Maria, Mãe de Jesus; isto é, tio de Jesus. É distinto do outro Cléofas, um dos discípulos de Emaús (Lucas 24,8).

COBRADOR DE IMPOSTOS
Ver "Publicano".

CÓDICE
Inicialmente os livros eram escritos à mão, em rolos, isto é, em, tiras de papiro ou de pergaminho. Aos poucos surgiu uma nova técnica de fazer livros: as folhas avulsas de um documento escrito eram dobradas, colocadas uma sobre a outra e costuradas, dando origem ao "códice". Quatro folhas, cada uma dobrada ao meio, davam um caderno de oito folhas ou dezesseis páginas. Tal técnica, já conhecida no séc. II a.C., tornou-se comum nos manuscritos cristãos. São famosos os códices gregos da Bíblia, conhecidos pelos nomes Vaticano, Alexandrino e Sinaítico. Ver "Manuscrito".

COMÉRCIO
Profissão perigosa porque leva facilmente à apropriação indébita dos frutos do trabalho alheio (Ezequiel 26-28 Eclesiástico 26,29 Eclesiástico 27,1 Apocalipse 18,15). Oséias abusos são denunciados e condenados (Deuteronômio 23,19 Provérbios 11,26 Provérbios 20,10 Provérbios 20,23 Ezequiel 18,18 Amós 2,6s; Amós 5,11s; Amós 8,5s). Como proceder: Levítico 19,35s; Levítico 25,14 Deuteronômio 23,13-16 Provérbios 11,1 1Coríntios 7,30).

COMUNHÃO
Ver "Eucaristia", "Participação".

CONFESSAR
Significa professar a fé em Cristo (Romanos 10,9 Filipenses 2,11), louvar a Deus pelas suas maravilhas (Lucas 1,46-54 Lucas 1,68-79 Mateus 11,25-27), ou reconhecer os próprios pecados (Levítico 5,5 Números 5,7 1João 1,9).
Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as pessoas confessavam-se pecadoras (Levítico 4 Levítico 23,26-32 Mateus 3,6 Marcos 1,4-5 Lucas 3,3-14). Cristo, com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mateus 9,13 Mateus 11,19 1Timóteo 1,5). Oséias evangelistas contam-nos algumas destas confissões (Lucas 5,8 Lucas 7,36-50 Lucas 19,1-10 João 4,5-42 Lucas 15,11-32 Lucas 18,9-14). Oséias apóstolos falam da confissão dos pecados (1João 1,9-10 Atos 19,18 João 20,23 Mateus 18,18 Tiago 5,16).

CONFIRMAÇÃO
João Batista anunciava um batismo no Espírito e no fogo (Lucas 3,16). O evangelista João fala dum renascimento da água e do Espírito (João 3,5 cf. 1João 2,20 1João 2,27). O próprio Jesus anunciou um outro "Paráclito" (João 14,16 João 14,26 João 15,26 João 16,7-15 Atos 1,4-8).
No Pentecostes a ligação Espírito-fogo é evidente, bem como o tema da reunião frente à dispersão babilônica (Atos 2,1-13 Atos 4,31-33 Gênese 11,1-9).
Para os primeiros cristãos Batismo e Espírito estavam unidos (Atos 8,14-17 Atos 19,1-7 Atos 10,44-47 Atos 9,17-18). Batizados e confirmados recebemos em nós o "selo", a assinatura do Espírito Santo, como os hebreus a recebiam na carne pela circuncisão (Romanos 4,11 Ezequiel 9,4-7 Apocalipse 9,4 Filipenses 3,3 2Coríntios 1,14-22 Efésios 1,13-14 Efésios 4,30 1João 2,20-27).

CONSAGRAR
Retirar um objeto ou uma pessoa do uso profano, para transferi-los de modo permanente ao domínio de Deus (Êxodo 13,1 Êxodo 30,29). Ver "Anátema".

CONSCIÊNCIA
Esta realidade, sobretudo no Antigo Testamento,existe sob o nome de coração e rins. Estes últimos englobam o mundo passional do inconsciente. Deus é aquele que penetra e julga os rins e o coração (Salmo 7,9-13 Salmo 16,7-9 Salmo 139 Jeremias 11,19-20 Jeremias 12,1-3 Jeremias 17,9-11 1Reis 8,37-40 1João 3,19-21 1Samuel 16,6-11 Jó 27,1-7). Afasta os corações endurecidos (Isaías 6,9-10 Atos 7,51-54 João 12,37-43).
A consciência arrependida é um coração despedaçado (Joel 2,12-17 Salmo 51,18-19 2Crônicas 6,36-39 2Crônicas 15,11-14). É preciso circuncidar o coração, evitando o formalismo (Jeremias 4,1-4 Jeremias 9,24-25 Deuteronômio 10,15-17 Romanos 2,25-29).
Deus dá um coração novo, isto é, uma nova consciência (Jeremias 31,31-34 Jeremias 32,37-41 Ezequiel 11,17-21 Ezequiel 36,23-28). Daqui a expressão "amar a Deus com todo o coração" (Deuteronômio 6,4-6 Deuteronômio 10,12-13 Deuteronômio 13,4-5 Deuteronômio 30,1-6 Mateus 22,34-37). Assim a moral do Novo Testamento é uma moral interior, do "coração puro" (Salmo 64,10-11 Mateus 5,8 Mateus 5,28 Mateus 6,1-6 1Pedro 1,21-23 Hebreus 9,13-14 Hebreus 10,19-23 1Coríntios 4,3-5 2Coríntios 1,12-14 Romanos 2,12-16 Romanos 13,5 Romanos 14,10-23).

CONVERSÃO
É a mudança moral, pela qual o homem renuncia à sua conduta anterior, volta-se para Deus e cumpre a sua vontade. Na pregação dos profetas conversão é abandonar o serviço dos ídolos, que leva a descuidar do serviço de Deus e da observância de seus preceitos (Jeremias 7 cf. 1Tessalonicenses 1,9). Esta conversão, porém, não é obra humana, mas fruto da intervenção de Deus na vida moral do homem (Jeremias 24,7 Jeremias 31,31-34 Ezequiel 11,18-21 Oséias 14,2-10).
Tanto João Batista como Jesus começaram sua pregação exortando à conversão, em vista da proximidade do Reino de Deus (Mateus 3,2 Mateus 4,17 Marcos 1,15). Depois de Pentecostes os apóstolos convidam seus ouvintes à conversão para serem batizados (Atos 2,38 Atos 20,21). Ver "Confissão" e "Penitência".

CORAÇÃO
Além de órgão humano ou animal, o coração é visto como sede do homem interior (1Pedro 3,4), conhecido por Deus (1Samuel 16,7). É a sede da vida intelectiva, dos pensamentos (Daniel 2,30), da fé e da dúvida (Marcos 11,23 Romanos 10,8s), enfim dos sentimentos e das paixões em geral (Deuteronômio 15,10 Deuteronômio 20,3 Deuteronômio 28,47 Romanos 1,24). O coração é ainda a sede da vontade, da vida moral e religiosa (Lucas 21,14 2Coríntios 9,7 Gálatas 4,6). Por isso o coração representa o homem todo (Joel 2,13). Ver "endurecimento do coração" em Êxodo 7,3 e nota.

CORDEIRO DE DEUS
Ver "Cristo".

CORPO MÍSTICO
A Santa Ceia inspirou Paulo a fazer da expressão " Corpo de Cristo"o centro e a característica da caridade (1Coríntios 11,17-34 1Coríntios 10,16-17). Era um lugar comum tomar o corpo humano como tipo de solidariedade (1Coríntios 12,14 1Coríntios 12,18 1Coríntios 12,25 1Coríntios 12,27 Romanos 12,4-8 Colossenses 3,15). É o fundamento da castidade cristã (1Coríntios 6,13-17).
O Corpo místico é identificado com a Igreja, a reunião dos crentes; Cristo é a cabeça desta reunião. O Espírito Santo, a alma (Efésios 1,22-23 Colossenses 1,18-19 Colossenses 1,24 Colossenses 2,18-19 Efésios 4,15-16).

CORREÇÃO FRATERNA
Se teu irmão se porta mal, repreende-o (Lucas 17,3), mas antes olha para ti mesmo (Mateus 7,1-5) e faze-o sempre com bondade (Eclesiástico 19,17 Mateus 18,15-17 Lucas 23,40 1Coríntios 4,14 Gálatas 2,11 Gálatas 6,1 1Tessalonicenses 5,14 1Timóteo 5,1-2 Tiago 5,19-20). Devemos aceitar a correção com humildade (Salmo 141,5 Provérbios 12,1 Eclesiástico 21,6 Mateus 18,15-17).

CRIAÇÃO
O tema constitui uma das noções básicas da fé de Israel. A Bíblia projeta na contemplação da criação a experiência da Aliança e da sua vivência religiosa. Assim, o autor inspirado conforme seja um narrador ou um poeta, um sábio, um sacerdote, um cantor, admirará na criação ora a onipotência divina, ora a sua sabedoria, ora o seu governo real, ora a sua manifestação.
A mais antiga narração da criação é do séc. X a.C.. Numa linguagem popular, atribui a Deus a criação do ser humano e pretende responder a vários "porquês": da vida a dois, do trabalho, da dor (Gênese 2,4-25). Um poeta admira a onipotência de Deus na criação (Jó 38,1-40,5 Jó 26,5-14 Salmo 89,10-13). Louva a Deus com entusiasmo pela grandeza de seu poder criador (Salmo 8 Salmo 19,3-7 Salmo 104), pois ele criou todas as coisas do nada (cf. 2Macabeus 7,28 e nota). Louva a Deus pela sabedoria da criação (Isaías 40,12-17 Provérbios 8,22-35 Eclesiástico 43,33 Salmo 19,1-3).
Deus é o criador do mundo (Jeremias 27,5 Jeremias 31,35) e da história (Isaías 22,11 Isaías 37,26). Na literatura pós-exílica as afirmações sobre o poder criador de Deus são mais freqüentes. Ele cria o universo pela sua palavra (Salmo 33,6-9 Salmo 148,5 Isaías 40-55) e renova a criação, realizando a salvação prometida (Isaías 41,20 Isaías 45,8 Isaías 48,7) e transformando o coração do homem arrependido (Salmo 51).
No Novo Testamento sabemos que tudo foi criado em Cristo e por Cristo (1Coríntios 8,6 Colossenses 1,16 Hebreus 1,2), e que a sua obra redentora é uma nova criação (Romanos 8,18-22 1Coríntios 15,45-48 2Coríntios 5,17 Efésios 4,24 Tiago 1,18 2Pedro 3,13 Apocalipse 21,1-5 cf. Isaías 65,17-18).

CRISMA
Ver "Confirmação".

CRISTÃO
O nome vem de Cristo, o Ungido. Deve ter sido dado pelos magistrados romanos aos seguidores de Jesus Cristo. Esta denominação foi dada aos discípulos de Jesus pela primeira vez em Antioquia da Síria (Atos 11,26 cf. Atos 26,28 1Pedro 4,16).

CRISTO
O termo de origem grega significa "ungido"e traduz o termo hebraico "messias". Oséias sumos sacerdotes (Levítico 4,3-16 Levítico 6,15) e os reis de Israel (1Samuel 12,3-5 1Samuel 24,7 1Samuel 24,11) eram chamados "ungidos". Oséias discípulos de Jesus deram-lhe o nome de "Cristo" (Ungido), reconhecendo-o como o messias prometido (João 1,41 João 4,25 Mateus 16,16).
Em alguns textos Jesus é diretamente chamado "Deus" devido ao monoteísmo hebraico (João 1,1 João 20,28). Cristo exprime sua divindade com a expressão "Eu sou" (João 8,24 João 8,28 João 8,58 João 13,19 cf. Êxodo 3,14 Isaías 43,10-13).
É o Filho de Deus: O povo de Israel (Êxodo 4,22 Oséias 11,1 Isaías 1,2 Isaías 30,1 Jeremias 3,22 Isaías 63,16); o rei e certos chefes (2Samuel 7,14 Salmo 2,7); os anjos e os justos (Cântico dos Cânticos 5,1-5 Cântico dos Cânticos 2,13-18 Jó 1,6) são chamados também filhos de Deus. Jesus recebe este título no batismo (Marcos 1,11) e na fidelidade à sua missão (Marcos 9,7 Marcos 15,39).
Cristo é a fonte de água viva (1Coríntios 10,1-11 João 2,1-11 Apocalipse 21,6 João 19,34-37 João 7,37-39 Apocalipse 22,1-2) e a Luz dos povos (Lucas 1,78s; João 1,4-13 João 8,12 João 9,1s; João 12,46-47 Atos 13,46-47 Atos 26,22s; 1Tessalonicenses 5,2-7 Apocalipse 21,22-27 Apocalipse 22,16 cf. Isaías 9,1-6 Isaías 42,6-9 Isaías 60,1-9).
Cristo é o "Senhor" (Kyrios), título que proclama a divina soberania de Jesus (1Coríntios 8,5-6 Atos 10,36 Romanos 10,2 Romanos 14,7-10 Filipenses 2,10-11 João 20,24-28 João 21,7 João 21,15-17). Por isso o temor de Javé (Senhor, nesta Bíblia) passa a ser temor do "Senhor" (Atos 9,31 2Coríntios 5,11 Efésios 5,21). A "glória"de Javé transforma-se na glória do "Senhor" (João 1,14 João 2,11 1Coríntios 2,8 2Timóteo 4,18 1Timóteo 3,16 Filipenses 2,9-11). O dia de Javé -anunciado pelos profetas -passa a ser o "Dia do Senhor" (Atos 2,20 Atos 17,3 1Coríntios 1,8 Filipenses 1,6-10).
Cristo é o bom Pastor (1Samuel 16,10-16 1Samuel 17,33-37 Ezequiel 34 Mateus 25,31-33 Apocalipse 12,5 Apocalipse 19,15 1Pedro 5,4 João 10,1-18 Lucas 15,1-7); o juiz misericordioso (Lucas 7,37 Lucas 9,10 Lucas 19,5 João 8,3 João 10,11) e justo (Mateus 24,30s; João 5,22 Atos 10,42 Atos 17,31 Romanos 2,16).
É a imagem visível do Deus invisível, o novo Adão, a divina Sabedoria (Cântico dos Cânticos 7,6); é a imagem da "glória" ou resplendor de Deus (2Coríntios 4,1-6 Colossenses 1,15); batizados em Cristo, também somos suas imagens (2Coríntios 3,18 Colossenses 3,1-11 Romanos 8,29 1Coríntios 15,49).
Cristo é o Servo do Senhor (Lucas 22,20 Lucas 22,37 João 13,1-15 Atos 8,30-35 1Pedro 2,21-25 cf. Isaías 52,13-53,12); manso como um cordeiro, sofre pelos pecados do seu povo (cf. João 1,29 João 1,36 1Pedro 1,19 Apocalipse 5,6 Apocalipse 8,12).
É o Salvador do mundo (Isaías 62,11 Zacarias 9,9 Atos 5,31 Filipenses 3,20 Lucas 19,10 1João 4,10), a luz do mundo (Mateus 4,16 Lucas 2,30-32 João 8,12 1João 1,5). É aquele que nos remiu do erro e da ignorância (Lucas 1,79 João 1,9 João 3,19 João 8,12 João 12,46), do pecado e conseqüências (João 8,51 Romanos 3,24s; Romanos 4,25 Romanos 5,6-9 Colossenses 1,14 1Pedro 1,18s; 1Pedro 2,24 1João 1,7 Apocalipse 1,5 Apocalipse 5,9). Ver "Palavra".

CRUZ
Instrumento romano de tortura, reservado para escravos e criminosos. Para os judeus o supliciado na cruz era considerado maldito (Deuteronômio 21,23 Gálatas 3,13). Mas, depois que Jesus foi supliciado na cruz, esta se tornou o símbolo religioso do seguimento humilde e abnegado de Cristo. Seguir a Jesus e tomar a própria cruz são elementos inseparáveis da vida cristã (Mateus 10,38 Mateus 16,24 Lucas 9,23 Lucas 9,57-62 Gálatas 5,24).
Tomar a própria cruz se concretiza no martírio e na ascese (Filipenses 3,17-18 Gálatas 5,24 Apocalipse 11,8 Mateus 23,34 Gálatas 2,19-20 João 3,14-15). Escândalo para os judeus (Gálatas 5,1) e loucura para os pagãos (1Coríntios 1,18-23), a cruz é um resumo de todo o Evangelho (Gálatas 6,12-14). Por meio dela nos veio a redenção (Atos 5,30s; Gálatas 3,13). Carregando a própria cruz, o homem participa dessa redenção (Efésios 2,14-16 Colossenses 1,20 Colossenses 2,14), pois crucificado com Cristo pelo batismo obtém a vida pela fé (Gálatas 2,19 Romanos 6,6).

CULTO
O Novo Testamento representa um esforço de espiritualização do culto. Em vez do Templo de pedra, Cristo e os cristãos são templos de Deus (João 2,13-22 João 4,23-24 Marcos 14,58 Marcos 15,29-30 1Coríntios 6,19 Apocalipse 21,22 1Coríntios 3,16 2Coríntios 6,16.
Quanto ao culto das imagens, ver "Cristo, imagem visível do Deus invisível."Depois de Cristo é o homem, a imagem de Deus (Gênese 1,26-27 1Coríntios 11,7).
Espiritualizar o culto é centrá-lo na caridade e na verdade (Mateus 9,13 Lucas 11,41-42 Tiago 1,26-27 Romanos 12,1-13 Filipenses 2,17 Filipenses 4,18).
A princípio, os cristãos observavam o sábado, como também subiam ao Templo (Atos 2,46 Atos 3,1 Atos 5,20-25). Mas depressa se impôs o Domingo, dia da Ressurreição (Atos 20,7 1Coríntios 16,2 Marcos 16,1 Mateus 28,1 Lucas 24,1 João 20,1 Colossenses 2,16 Apocalipse 1,10). Por isso, não devemos manter as festas da Antiga Aliança (Colossenses 2,16 Colossenses 2,20 Gálatas 4,3 Gálatas 4,10).
A liturgia cristã toma elementos sinagogais: leituras, cantos e hinos (Colossenses 3,16 Efésios 5,14-19 1Timóteo 3,16 Apocalipse 4,8 Apocalipse 15,3-4). Mas a "fração do pão"toma o lugar central (Atos 20,7 Atos 20,11 1Coríntios 10,16 1Coríntios 11,20 1Coríntios 11,25).
Além da "fração do pão"ou eucaristia, aparece o batismo por imersão, proclamação da Ressurreição (Efésios 2,15 Efésios 5,26 Tito 3,5-7 Romanos 6,3-8 Romanos 8,11 1Coríntios 12,13). Ligado com a Ressurreição, está o rito da remissão dos pecados (Mateus 18,18 João 20,22-23 Lucas 24,47 Tiago 5,16).
Era também freqüente o gesto sagrado da imposição das mãos (1Timóteo 4,14 Mateus 19,15 2Timóteo 1,6 Atos 6,6 Atos 8,17s; Atos 13,3). Ver "Sábado".


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