Espaço do Leitor Respostas a Leitores (por Leandro Martins de Jesus)

Dúvida sobre Cristianismo, Catolicismo e Protestantismo

– Gostaria de saber se para o Catolicismo os evangélicos são considerados como parte da religião cristã e se Catolicismo e Protestantismo são religiões específicas ou são todos cristãos. Um forte abraço a todos. (Anônimo)

Caro leitor,

Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja conosco!

Agradecemos o contato e a confiança para com o nosso apostolado.

Para a Igreja Católica os evangélicos (protestantes), são considerados cristãos, embora separados da comunhão com a una e única Igreja de Cristo, sendo, entretanto, possível a existência de “elementos de santificação e verdade” em tais comunidades separadas. (cf. CIC § 819)

A Cristandade comporta três ramos históricos: A Igreja Católica (1), que é a Una e Única Igreja, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 16,18), em seguida por volta de 1054, separando-se da Igreja Católica surge a Igreja Católica Ortodoxa, e por fim por volta de 1517 surgem as comunidades eclesiais protestantes, que daí em diante não pararam de se multiplicar desordenadamente em milhares de denominações diferentes.

Apesar da ojeriza que muitos protestantes nutrem em relação à Igreja Católica e seus fiéis, cabe ressaltar a forma amistosa como o Magistério da Igreja Católica os trata:

“Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão com a Igreja católica, por vezes não sem culpa de homens de ambas as partes”. As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (distinguem-se a heresia, a apostasia e o cisma) não acontecem sem os pecados dos homens: “Ubi peccata sunt, ibi multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi discussiones. Ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una. – Onde estão os pecados, aí está a multiplicidade (das crenças), aí o cisma, aí as heresias, aí as controvérsias. Onde, porém, está a virtude, aí está a unidade, aí a comunhão, em força disso, os crentes eram um só coração e uma só alma.” Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas “e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser argüidos de pecado de separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor… Justificados pela fé recebida no Batismo; estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são honrados com o nome de cristãos e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor”. (Catecismo da Igreja Católica § 817-818) [destaque nosso]

Veja também  Ser “do contra”

In caritate Christi,
Leandro.

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NOTA:

(1) “Esta é a única Igreja de Cristo que, no Símbolo, confessamos una, santa, católica e apostólica.” Esses quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si, indicam traços essenciais da Igreja e de sua missão. A Igreja não os tem de si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, dá a sua Igreja o ser una, santa, católica e apostólica, e é também ele que a convida a realizar cada uma dessas qualidades. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades de sua fonte divina. Mas as manifestações históricas delas constituem sinais que falam também com clareza à razão humana. “A Igreja – lembra o Concílio Vaticano I -, em razão de sua santidade, de sua unidade católica, de sua constância invicta, é ela mesma um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova irrefutável de sua missão divina.” (Catecismo da Igreja Católica § 811-812)


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