[Leitor autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: Luis Henrique
Cidade/UF: São Paulo/SP
Religião: Católica

Mensagem

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Prezados amigos do Veritatis,

A Paz.

Como sempre recorro a vocês.

Um colega protestante propôs uma teoria que, segundo ele, aprendeu em uma escola dominical que Adão não foi o primeiro homem a ser criado por Deus baseado nos textos de Gênesis 1,27- e depois novamente em Gênesis 2,7-. Ele me disse que Deus criou homens e depois criou Adão e Eva e os colocou no jardim do Éden.

Vocês poderiam esclarecer isto?

Muito obrigado.

Caríssimo Luiz Henrique,

Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja conosco!

Agradecemos seu contato, e a confiança que o faz sempre recorrer a nosso apostolado. Reze por nós.

A tese que seu “colega protestante” propõe acerca da criação do homem está errada. Não há evidencias bíblicas para afirmar que “outros homens” foram criados antes de Adão e Eva. Poderíamos perguntar a seu “colega”, qual a fundamentação dessa idéia? Possivelmente trata-se de uma leitura fundamentalista da Escritura, onde ele entende que o relato de Gen 1,27 e 2,7 são duas “criações distintas” de homens. Não é. Trata-se da única criação do homem, sob dois aspectos.

O livro do Gênese, segundo a Tradição da Igreja, foi escrito por Moisés, e este reúne tradições hebraicas, que à luz da exegese bíblica, nos ajudam a compreender o relato da criação do homem.  O relato bíblico: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher”. (Gn 1,27) É da fonte Sacerdotal (P) (1), remonta ao tempo do exílio da Babilônia (586 – 538 a. C.) Este relato – que não é um tratado científico –, procura salientar a existência de um único Deus criador, demonstrando a importância do homem e da mulher no projeto de Deus, feitos “à imagem e semelhança de Deus”.

O segundo relato: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente.” (Gn 2,7). É da fonte Javista (J) (2)  remonta ao tempo do Rei Salomão (século X a.C.), “usou a imagem do Deus oleiro, que fez o homem da argila, porque o oleiro era uma figura muito comum naquele tempo” (3), dessa forma, o escritor sagrado demonstra que o homem é criado, moldado por Deus.

A palavra hebraica Adam (Adão), significa homem, não é simplesmente um nome próprio, mas designa o homem. “Quando o autor Sagrado diz que Deus fez Adam, ele quer dizer que Deus fez o homem, o ser humano” (4). O nome Eva, significa “mãe dos viventes” (cf. Gn 3,20). “Seria falso dizer que Adão e Eva não existiram, ou que são apenas fábula da Igreja. São tão reais como a humanidade é real.” (5)

A carta de São Paulo aos Coríntios demonstra claramente a existência de Adão, o primeiro homem: “Como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gn 2,7); o segundo Adão é espírito vivificante. (I Cor 15,45[destaque nosso]

Também na Carta de São Paulo a Timóteo temos claramente: “Pois o primeiro a ser criado foi Adão, depois Eva. (I Tim 2,13) [destaque nosso]

Portanto, existiu um primeiro homem criado por Deus, e este foi Adão.

“O primeiro homem não só foi criado bom, mas também foi constituído em uma amizade com seu Criador e em tal harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava que só serão superadas pela glória da nova criação em Cristo. Interpretando de maneira autêntica o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, a Igreja ensina que nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos em um estado “de santidade e de justiça original”. Esta graça da santidade original era uma participação da vida divina.” (CIC § 374-75) [destaque nosso]      

Esperando ter sanado a sua dúvida me despeço,

In caritate Christi,

Leandro.


Notas

(1) A fonte Sacerdotal é representada pela letra P, em virtude da palavra alemã Priester = Sacerdote.
(2) A fonte Javista é representada pela letra J, em virtude da palavra hebraica Yahweh = Javé (em português).
(3) Cf. AQUINO, Felipe. Escola da Fé II: A Sagrada Escritura. Lorena-SP: Cléofas, 2000,p.70.
(4) Ibid.
(5) Ibid.

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