Espaço do Leitor

Duvidas sobre dogmas de fé

Olá, moro em Poços de Caldas-MG , Diocese de Guaxupe. Aqui está havendo um curso de teologia para leigos. Este curso é ministrado com livros editados pela própria Diocese, mas algumas coisas ensinadas me deixaram perplexo, como por exemplo: “Deus não é o Todo Poderoso”, “Jesus não era Deus”, “não existe corpo e alma, somente o ser completo”, “não existe ressurreição da carne”, “Jesus não ressuscitou com o mesmo corpo colocado no túmulo”, “Demônios não existem”, “quem morre já passa para a vida eterna com um corpo glorioso”, etc. O que vcs podem me dizer a respeito disto? Dizem que esta é a nova doutrina da Igreja que deve ser ensinada aos poucos, mas vai totalmente contra o catecismo; como? O catecismo não é o resumo da fé católica?

Bruno

Caríssimo Bruno, salve Maria.

Parece que estou vendo um amigo meu: padece ele do mesmo problema, mas com alguns [tristes] acréscimos.

Sua filha estuda num colégio católico, mas o que ensinam em religião não é católico. Mais se assemelha à sua mitigação modernosa e, em muitos casos, a antítese católica, isto é, o pan-espiritualismo telúrico.

Falou-me que o material didático é o pior possível: nunca se fala de Deus; quando e menciona Jesus equiparam-No a Buda; dizem que a natureza é nossa mãe e outras atrocidades do gênero.

Está ele tentando resolver a situação com o diretor fazendo-o ver os erros crassos que lá são “ensinados”- o mais correto seria “desaprendidos”. Ainda essa semana, falou-me, irá ter com ele uma entrevista para, mais uma vez, tentar convence-lo da grave situação em que a instituição chafurda.

Também ele está fazendo um curso para conseguir um diploma, visto que só lhe escutam se for balizado por títulos acadêmicos, e não pelo conteúdo verdadeiro que profere. Lá no curso grassa a forma virulenta de modernismo deformado e deformante de mentes e corações: as “re-interpretações”, as “neo-hermenêuticas”, a “nova teologia”, os “pontos de vista atuais” e toda aquela lenga-lenga de desprezo pelo passado, pela recusa em acatar as conquistas perenes do espírito, pelo ataque sorrateiro ao Magistério, substituindo-os pela atualização louca de tudo em flagrante contradição com a Tradição Bi-Milenar da Igreja.

Está, o meu dileto amigo, tentando encontrar-se com o coordenador da instituição, mas enfrenta recorrente e sutil boicote: pedem mil-e-uma provas, gravações, apontamentos, descrições pormenorizadas o que dificulta deveras a apuração do fato que poderia ser simples e direto, sem desgastes; mas pedem mais do que seria necessário.

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Estou rezando por ele para que o desfecho seja breve e feliz.

Disse-me que muitas almas lá do curso já estão aderindo ao modo hodierno de ver as coisas, tal qual “filhos do tempo presente” ? fideístas de uma fé irracional, saturados de ideologias, hostis a razão, timoratos de índole e todo o cabedal caracterológico daqueles que abraçam sofregamente as “novidades teológicas” que pululam nesses dias de aturdimento.

Digníssimo e indignadíssimo Bruno, o que posso lhe recomendar é o mesmo que indiquei para esse meu amigo: municie-se de todas as provas e vá falar com o coordenador deste curso. Caso não dê resultados, faça o mesmo com a hierarquia a qual o curso está subordinado; posteriormente, caso não dê efeitos satisfatórios, procure a hierarquia de sua região: junte todo o material e vá falar com cada um, respeitando os trâmites legais e disciplinares, expondo o problema com determinação, mas com profundo e sincero zelo.

Reze muito à Nossa Senhora que lhe ilumine e proteja, e que inspire aos superiores eclesiásticos o fervor da verdadeira fé.

Fique com o bom Deus.

Nos corações de Jesus, Maria e José;

MMLP

Post Scriptum: O que ensinam como sendo a “nova doutrina da igreja”, nada mais é do que mentiras camufladas para enganar os fiéis incautos.

Quer saber se algo é válido? Confronte com o que a Igreja sempre falou sobre o assunto abordado: se é algo diferente, “estranho”, modificado ou “atualizado”, pode ter certeza que são inverdades modernistas.

O Catecismo (TERCEIRO CATECISMO DE S. PIO X) é o modo de aprendermos as verdades de nossa fé. É uma espécie de “resumo” do conteúdo de nossa fé que nos abastece, de modo tal que podemos progredir na fé sã e santa sem tropeços, sem vacilações, sem vícios.

Há um Catecismo com edição lançada pela Aliança Missionária Eucarística Mariana, Catecismo para os Párocos e fiéis, baseada na edição de 1950, com notas, introdução e índices completos. Mais de 1.000 páginas. Capa dura. O livro mestre de todos os catecismos, referência da Doutrina Católica.

Este Catecismo Romano foi redigido após o Concílio de Trento e publicado por ordem do Papa São Pio V em 1566. Inicialmente destinado aos sacerdotes, é imprescindível para todos os que queiram aprofundar os conhecimentos da doutrina cristã.

Escrito numa linguagem precisa, para atender as demandas doutrinais de uma época marcada pela Reforma Protestante, constitui um texto de referência que enriquece e ilumina o conhecimento dos elementos fundamentais da Fé.

Esta primeira tradução brasileira do texto original foi produzida com critério de responsabilidade, procurando conciliar as exigências da língua vernácula com a agudeza do pensamento e o fulgor literário do texto latino.

Contém a Práxis Concionatória, um sumário catequístico, um índice esquemático, um índice analítico-remissivo, tudo para facilitar o seu uso, estudo e compreensão.

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Estamos trabalhando na editoração eletrônica do Primeiro, do Segundo e do Catecismo Ilustrado. Aguarde para breve muitas novidades!

Breve histórico do Catecismo Tradicional

Com o Concílio de Trento ( 1545-1563) iniciou-se um verdadeiro movimento catequético no mundo católico. O elemento norteador passou a ser o texto escrito. Os catecismos ocuparam o centro de processo de educação da fé. Com perguntas e respostas, esses manuais de doutrina católica foram postos nas mãos das crianças, dos jovens e dos adultos. O que define o ato catequético era o conteúdo doutrinário verdadeiro e a vivência profunda das verdades de fé inteligidas. E o catecismo passa a ser a norma para o católico que articula a dignidade da fé com a razão natural, posto que dada por Deus como marca distintiva do homem na hierarquia da Criação. A fé sobrenatural “catalisa” a razão natural. Deus verte, graciosa e misericordiosamente, a fé no vaso da razão. Não que a razão esgote os Mistérios, mas é ela que auxilia a fé docilmente para que vibre em notas sublimes de amor e sabedoria.

No Brasil ocorreu um movimento semelhante. Com a Proclamação da República (1889), o Estado separou-se oficialmente da Igreja Católica. O projeto para a elaboração de um catecismo unificado movimentou o episcopado brasileiro naquele período. Todos os esforços foram sendo empregados para que o ensino das verdades da fé fosse o mesmo em todo solo brasileiro. Era um novo momento na história da catequese. Com isso, o ensino do catecismo passou a ser orientado e organizado de uma forma oficial e unificada.

Em 1905 estavam prontos os três Catecismos da doutrina cristã, por ordem de São Pio X. As lições e os temas eram apresentados em formas de perguntas e respostas, como num diálogo. Assim, o Primeiro Catecismo, mais elementar, continha 164 perguntas. O Segundo Catecismo apresentava conteúdo intermediário, com 578 perguntas. O Terceiro Catecismo continha quase todos os elementos doutrinários com 1.308 perguntas. O ponto fundamental era assegurar o ensino das verdades da fé católica, através da memorização, da repetição e da intelecção correta dos diversos conteúdos e da conformação da alma do fiel a esses mesmos conteúdos, posto que, se a Doutrina é santa e sã, é meio de santificação e remédio para as almas.

Os catecismos da doutrina cristã tinham uma linguagem que facilitava o processo de iniciação e educação da fé. A linguagem utilizada nesses manuais era bastante elevada, já que o objeto (as verdades de fé) são gotas de misericórdia que caem do Céu. Isso tornava a assimilação e a interpretação dos conteúdos catalisada. Como se sabe, o entendimento e a interpretação são fatores importantes para o processo do conhecimento. Além disso, as crianças e os jovens, particularmente, através de seus pais, eram exortados à abordar seriamente este trabalho educacional, criando “laços de amor”, utilizando a Doutrina como meio, tanto de fé, quanto de estudos. É necessário considerar que, naquele período, o índice de pessoas não escolarizadas era muito grande.

Era necessário formar um grupo cristão coeso. Longe da possibilidade da dúvida, pois vivia-se um período conturbado ? como hodiernamente. Com isso, as futuras lideranças estariam preparadas para divulgar a fé cristã. Outros tempos, outras medidas, as mesmas causas.
Um novo período começa a amanhecer na história da humanidade, neste início de século. Sombras e luzes invadem nosso horizonte. Uma “retomada da reflexão” inscreve-se atualmente. Diante deste pano de fundo, devemos retomar nossa pastoral catequética.

Preservar a memória e promover arranjos que articulem o presente e o futuro. Obras de muitas mãos…

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Estejamos com a mente e o coração aptos para enfrentar esse novo-velho desafio: perseveram na fé e dar testemunho com amor e sabedoria da fé depositada e confiada a nós.

 

*Ao leitor: Clique em Catecismo Romano e veja algumas informações sobre esta obra também conhecida como Catecismo de São Pio V, por ter sido redigido por ordem de S. S. Papa São Pio V após o Concílio de Trento. Veja como adquiri-lo.


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