Espaço do Leitor

Dúvidas sobre pecado mortal na lei natural

[Leitor NÃO autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: X.
Cidade/UF: sp
Religião: Católica

Mensagem
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A questão é simples: o Catecismo diz que “os princípios da lei moral de Deus estão inscritos na consciência de todo ser humano”.

Também explica que um pecado mortal pode não ser mortal quando não sabemos que ele assim o é. Entretanto, como alegar que não sabíamos que a ação “x” era contrária à vontade de Deus se na nossa consciência estão inscritos os princípios da lei moral de Deus – conforme explica o Catecismo?

O raciocínio sugeriria que por temos os princípios inscritos na nossa mente, então sabemos intuitivamente quando o que fazemos é pecado ou não. Entendido assim, então não podemos alegar ignorância ao cometermos um pecado mortal e temos a “culpa mortal” por este pecado.

Este raciocínio está certo?

Olá caríssimo leitor, agradecemos pelo contato e pela confiança em nosso apostolado.

Vossa questão é simples e a resposta também. A regra para sabermos se existe ou não a consumação de um pecado mortal, é ter sempre em mente a presença das três condições necessárias para se rejeitar totalmente a graça santificante: a matéria, a liberdade e a consciência. A matéria do ato precisará ser grave (como a matéria sexual, por exemplo), o ato precisará também ser cometido com plena liberdade (sem quaisquer vícios de consentimento, como medo etc) e precisará ser feito com total consciência (não bastando a mera intuição, mas sabendo plenamente a gravidade do que se faz).

Apesar da Igreja afirmar com toda a propriedade que os princípios da lei moral estão inscritos na consciência de todo ser humano como vestígios do Criador em sua criatura, ela não pode julgar baseada nesta constatação que ninguém poderá alegar ignorância ao cometer um pecado mortal, pois sabe que nem todo ser humano vive em sintônia com os ditâmes de sua consciência, e que ainda muitas vezes vive-se com uma consciência sufocada e deformada por uma série de razões, justas ou injustas, de ordem individual ou coletiva etc.

Sendo assim, todo o ser humano tem a capacidade de cultivar as quatro virtudes cardeais que lhe ajudam a atingir o fim supremo de suas vidas e a viver corretamente (a prudência, a justiça, a forteza e a temperança), mas a sua culpa existirá de acordo e na proporção de sua clareza intelectiva acerca do discernimento entre o bem e o mal:

O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir” (São Lucas 12, 47-48).

Invocamos a presença de Nossa Senhora Rainha da Paz ao fim deste contato, enquanto fazemos votos de termos sido úteis a vossa alma.


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