– “Dada a incidência de distócias (partos difíceis) nas gestações sucessivas de uma mesma mulher, depois de quantas estará indicada a salpingectomia (ligação ou mesmo extirpação da trompa)?” (N.F. – Rio de Janeiro).

Em caso nenhum, nem mesmo após repetidos perigos no parto, será lícito extrair ou ligar as trompas que em si não estejam doentes. Tal operação equivaleria a mutilar a natureza e fazer que as funções sexuais fiquem destituídas da sua finalidade primária (procriação da prole) para a qual o Criador as instituiu. Por conseguinte, a paciente que sofra de distócias, procurará desvencilhar-se das consequências destas por outro meio que não a mutilação de um órgão em si sadio.

Caso, porém, as trompas estejam diretamente afetadas por moléstia ou defeito, não há dúvida de que é permitido extraí-las, se este é realmente o único meio indicado para salvaguardar a vida da paciente. O médico deverá julgar em consciência as indicações e contraindicações cirúrgicas e clinicas de cada caso. Extirpando as trompas doentes (cancerosas, por exemplo), ele estará eliminando o foco direto e certo de um perigo mortal para a paciente, ao passo que, eliminando as trompas sadias, estará realizando antes de tudo uma operação esterilizadora, não absolutamente necessária à conservação da vida da mulher (operação em si ilícita: cf. artigos “A moral cristã aprova o ‘aborto terapêutico’?” e “É lícito o aborto no caso de gravidez tubária?”).

É isto que modifica a moralidade das duas operações.

  • Fonte: Revista Pergunte e Responderemos nº 4 – abr/1958
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