Caro Sr. Carlos Nabeto,
Escrevo sobre um artigo seu da Santíssima Trindade.
Gostaria primeiramente de parabenizá-lo pela criação do Veritatis Splendor. Sou assíduo leitor atualmente e me tornei verdadeiro católico com a leitura dos seus artigos. Inclusive, vi sua entrevista no programa do Prof. Felipe Aquino. Foi muito boa.
Seu artigo de ontem “Leitor pede artigo sobre a divindade de Cristo” (https://www.veritatis.com.br/article/4078) faz referências as passagens bíblicas abaixo:
Gen. 1,26; 3,22; 11,7; Prov. 8,22-31; Sal. 33,6; 107,20; Eclo. 24,1-9; Sab. 1,7; 7,22-23; 18,14-15; Is. 6,8; 9,7; 55,10-11; 59,21; 63,10-11; Ne. 9,30; Mat. 3,16; 28,18-19; Luc. 1,30-35; Jo. 14,16.26; 15,26; 16,13-15; At. 2,32-33; 7,55; 10,37-38; Rom. 8,14-17; 11,36; 1Cor. 12,4; 2Cor. 13,13; Gál. 4,4-6; Ef. 1,3-14; 2,18.22; 4,4-6; 1Tes. 1,3-5; Tit. 3,4-6; Heb. 2,3-4; 1Ped. 1,1-2.
Este assunto muito me interessa, porque estive discutindo com um espírita e um cético sobre o dogma da SS Trindade, e inclusive comprei os livros de S. Basilio e do Frei Kloppenburg (os quais indico). No entanto, fui verificar suas referencias e parece que estão equivocadas, principalmente as primeiras daquela lista.
Depois, o senhor mencionou as referências patrísticas abaixo:
Didaqué 7,1-3; Clemente de Roma (1ª Ep. Corint. 46,6; 58,2); Inácio de Antioquia (Ep. Ef. 7,2; 9,1; Ep. Magn. 13,1-2); Policarpo de Esmirna (Mart.S.Polic. 14,1-3); Justino de Roma (Apol. 1,13,1.3-6; 1,61); Atenágoras de Atenas (Súpl.Crist. 10); Teófilo de Antioquia (Autol. 1,2,14); Ireneu de Lião (Contr.Her. 1,10,1; 3,9,3.10; 4,20,4; 4,32,3; Demonstr.Ens.Apost. 7); Clemente de Alexandria (Paed. 1,6); Tertuliano de Cartago (Contr.Prax. 2,3; 3,1-2.6; 8,7; 27,10-11.13; Do Bat. 6,1-2; Dos Princ. 1,3,7); Orígenes de Alexandria (Da Or. 33; Contr.Cels. 3,41).
Acho que um leigo comum, como eu, dificilmente teria acesso a essas obras. Imagino que o Sr. é muito ocupado, mas seria possível um dia trascrever algumas dessas passagens patrísticas (e as bíblicas também)? Isso porque esses meus contendores, baseados em muitos sitios espiritas, sempre atacam a Igreja alegando que o dogma da SS Trindade foi imposição de Constantino e que não há base na tradição nem na bíblia. Querem com isso dizer que a Igreja se desvirtuou em algum momento e que o espiritismo veio resgatar o verdadeiro cristianismo (a velha teoria do resgate).
A proposito, gostei muito da transcrição do trecho do 5º Discurso Teológico de São Gregório de Nanzianzo. É Nanzianzo ou Nanzianzeno?
Agradeço a atenção,
Em Jesus e Maria, (Rudini)

Prezado Rudini,

Pax Christi!

Em primeiro lugar gostaria de agradecer pelos imerecidos elogios dirigidos a mim e à minha obra junto ao Apostolado Veritatis Splendor. Tenho tentado dar o meu melhor possível nesta obra, muito embora minhas dificuldades de tempo atrapalhem em demasia o meu desejo de dedicar-me em tempo integral para esse serviço…

Bom, abordando agora suas questões, afirmo que as passagens bíblicas citadas em meu artigo estão corretas segundo a bimilenar interpretação da Igreja:

a) Quanto a 1ª Pessoa da Ssma. Trindade (Pai) no AT

– Gen. 1,26; 3,22; 11,7 – Deus faz referência a Si mesmo no plural: “Façamos…”, “Se o homem já é como um de NÓS…”, “Desçamos, confundamos…”. Nestas passagens os Santos Padres viram insinuada a riqueza interior de Deus, isto é, a Trindade. Aliás, um dos nomes próprios de Deus no AT, “Elohim” encontra-se na forma plural…

b) Quanto a 2ª Pessoa da Ssma. Trindade (Filho) no AT

– Prov. 8,22-31 – Trata-se da célebre passagem da “Sabedoria personificada”, que o NT retoma e aplica ao próprio Cristo (Mt 11,19, Lc 11,49, 1Cor 1,24-30 etc.) e que João atribui ao Verbo (Jo 6,35), o qual é explicitamente chamado de Deus (Jo 1,1). Neste sentido seguem ainda Eclo. 24,1-9 e Sab. 7,22-23.

– Sal. 33,6; 107,20; Sab 18,14-15; Is. 9,7; 55,10-11 – Referências ao “Dabar” (=Palavra) de Deus, de forma poeticamente personificada.

c) Quanto a 3ª Pessoa da Ssma. Trindade (Espírito Santo) no AT

– Sab. 1,7; Is. 59,21; 63,10-11; Ne. 9,30 – Referências ao Espírito do Senhor, também de forma poeticamente personificada.

Portanto, ainda que o AT não ateste explicitamente o dogma da Santíssima Trindade, preanuncia-o implicitamente, abrindo caminho para o NT, representadas pelas passagens a seguir, extremamente claras quanto à Ssma. Trindade:

– Mat. 3,16 – O Pai celeste proclama a dignidade de seu Filho e sobre ele desce o Espírito Santo na forma de uma pomba.

– 28,18-19 – O batismo cristão deve ser conferido em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (=fórmula trinitária).

– Luc. 1,30-35 – Maria concebe o Filho em seu ventre pelo Espírito Santo, sendo “coberta pela sombra do Altíssimo” (=Pai).

– Jo. 14,16.26; 15,26; 16,13-15 – o Filho roga ao Pai para que Este envie outro Paráclito (ou seja, o Espírito Santo, cf. At. 2).

– At. 2,32-33 – o Pai fez o Filho ressuscitar e este enviou o Espírito Santo à Igreja, tal como prometera.

– At. 7,55 – Durante seu martírio, S. Estêvão, cheio do Espírito Santo, olha para o céu e vê a glória de Deus; e ao lado direito de Deus encontra-se o Filho.

At 10,37-38 – Pedro afirma categoricamente que Deus (Pai) ungiu Jesus (Filho) com o Espírito Santo.

– Rom. 8,14-17 – Somos também filhos de Deus Pai (como o Filho) quando somos conduzidos pelo Espírito [Santo] de Deus e clamamos: “Abba, Pai”.

– Rom. 11,36 – Fórmula de inspiração nitidamente trinitária: “d’Ele, por Ele e para Ele”

– 1Cor. 12,4 – Discurso trinitário: diversidade de graças, mas um só Espírito; diversidade de ministério, mas um só Senhor (=Filho); diversidade de operações, mas um só Deus (=Pai).

– 2Cor. 13,13 – Fórmula de despedida trinitária: A graça do Filho, a caridade do Pai e a comunicação do Espírito Santo.

– Gál. 4,4-6 – O Pai enviou o Filho, feito da mulher, e Ele nos remiu para que fôssemos adotados como filhos; e como somos agora filhos do Pai, recebemos o Espírito Santo em nossos corações e clamamos: “Abba, Pai”.

– Ef. 1,3-14; 2,18.22; 4,4-6; 1Tes. 1,3-5; Tit. 3,4-6 – Longos e interessantes trechos trinitários, (os dois primeiros ecoando Rom. 8,14-17 e Gál. 4,4-6).

– Heb. 2,3-4: a salvação foi anunciada pelo Filho, tendo o Pai operado sinais, milagres e maravilhas, distribuindo o Espírito Santo os seus dons aos fiéis.

– 1Ped. 1,1-2 – Fórmula introdutória trinitária: “segundo a presciência de Deus Pai, para a santificação do Espírito [Santo], para prestarem obediência a Jesus Cristo (=o Filho)”.

Como bem escreveu d. Estêvão Bettencourt, “a plena revelação da Ssma. Trindade ocorre no NT, não porém de maneira sistemática, mas em linguagem vivencial, econômica [isto é, segundo a dispensação da graça de Deus através da História], que a Teologia aprofundou e sistematizou posteriormente”, quando precisou conciliar o inegável monoteismo com a afirmação de que o Verbo é Deus (Jo. 1,1) e o Espírito Santo é equiparado ao Pai e o Filho na fórmula batismal (Mt. 28,19). Com efeito, a formulação definitiva se deu no Concílio Ecumênico de Constantinopla I, em 381.

Para tanto, os seguintes Padres e escritores da Igreja Primitiva ofereceram formidável contribuição teológica para a Igreja, muito antes do referido Concílio:

Didaqué:

– “No que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não houver água corrente, batizai em outra água; se não puder batizar em água fria, fazei com água quente. Na falta de uma ou outra, derramai três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (7,1-3).

Clemente de Roma:

– “Um Deus, um Cristo, um Espírito de graça” (1ª Carta aos Coríntios 46,6).

– “Como Deus vive, assim vive o Senhor e o Espírito Santo” (1ª Carta aos Coríntios 58,2).

Inácio de Antioquia:

– “Vós sois as pedras do templo do Pai, elevado para o alto pelo guindaste de Jesus Cristo, que é a sua cruz, com o Espírito Santo como corda” (Epístola aos Efésios 9,1).

– “Procurai manter-vos firmes nos ensinamentos do Senhor e dos apóstolos, para que prospere tudo o que fizerdes na carne e no espírito, na fé e no amor, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, unidos ao vosso digníssimo bispo e à preciosa coroa espiritual formada pelos vossos presbíteros e diáconos segundo Deus. Sejam submissos ao bispo e também uns aos outros, assim como Jesus Cristo se submeteu, na carne, ao Pai, e os apóstolos se submeteram a Cristo, ao Pai e ao Espírito, a fim de que haja união, tanto física como espiritual” (Epístola aos Magnésios 13,1-2).

Policarpo de Esmirna:

– “Eu te louvo, Deus da Verdade, te bendigo, te glorifico por teu Filho Jesus Cristo, nosso eterno e Sumo Sacerdote no céu; por Ele, com Ele e o Espírito Santo, glória seja dada a ti, agora e nos séculos futuros! Amém” (Martírio de Policarpo 14,1-3).

Justino de Roma:

– “Que não somos ateus, quem estiver em são juízo não o dirá, pois cultuamos o Criador deste universo, do qual dizemos, conforme nos ensinaram, que não tem necessidade de sangue, libações ou incenso (…) Em seguida, demonstramos que, com razão, honramos também Jesus Cristo, que foi nosso Mestre nessas coisas e para isso nasceu, o mesmo que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, procurador na Judéia no tempo de Tibério César. Aprendemos que ele é o Filho do próprio Deus verdadeiro, e o colocamos em segundo lugar, assim como o Espírito profético, que pomos no terceiro. De fato, tacham-nos de loucos, dizendo que damos o segundo lugar a um homem crucificado, depois do Deus imutável, aquele que existe desde sempre e criou o universo. É que ignoram o mistério que existe nisso e, por isso, vos exortamos que presteis atenção quando o expomos” (Apologia 1,13,1.3-6).

– “Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos” (Apologia 1,61).

Atenágoras de Atenas:

– “De fato, reconhecemos também um Filho de Deus. E que ninguém considere ridículo que, para mim, Deus tenha um Filho. Com efeito, nós não pensamos sobre Deus, e também Pai, e sobre seu Filho como fantasiavam vossos poetas, mostrando-nos deuses que não são em nada melhores do que os homens, mas que o Filho de Deus é o Verbo do Pai em idéia e operação, pois conforme a ele e por seu intermédio tudo foi feito, sendo o Pai e o Filho um só. Estando o Filho no Pai e o Pai no Filho por unidade e poder do Espírito, o Filho de Deus é inteligência e Verbo do Pai. Se, por causa da eminência de vossa inteligência, vos ocorre perguntar o que quer dizer ‘Filho’, eu o direi livremente: o Filho é o primeiro broto do Pai, não como feito, pois desde o princípio Deus, que é inteligência eterna, tinha o Verbo em si mesmo; sendo eternamente racional, mas como procedendo de Deus, quando todas as coisas materiais eram natureza informe e terra inerte e estavam misturadas as coisas mais pesadas com as mais leves, para ser sobre elas idéia e operação” (Súplica pelos Cristãos, 10).

– “Como não se admiraria alguém de ouvir chamar ateus aos que admitem um Deus Pai, um Deus Filho e o Espírito Santo, ensinando que o seu poder é único e que sua distinção é apenas distinção de ordens?” (Súplica pelos Cristãos 10).

Teófilo de Antioquia:

– “Igualmente os três dias que precedem a criação dos luzeiros são símbolo da Trindade: de Deus [=Pai], de seu Verbo [=Filho] e de sua Sabedoria [=Espírito Santo]” (A Autólico 1,2,14).

Ireneu de Lião:

– “Com efeito, a Igreja espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra recebeu dos apóstolos e seus discípulos a fé em um só Deus, Pai onipotente, que fez o céu e a terra, o mar e tudo quanto nele existe; em um só Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nossa salvação; e no Espírito Santo que, pelos profetas, anunciou a economia de Deus” (Contra as Heresias 1,10,1).

– “Já temos mostrado que o Verbo, isto é, o Filho esteve sempre com o Pai. Mas também a Sabedoria, o Espírito estava igualmente junto dele antes de toda a criação” (Contra as Heresias 4,20,4).

– “O Pai aprova e decide; o Filho executa e modela; o Espírito fomenta e acrescenta; e o homem avança pouco a pouco até chegar à perfeição” (Contra as Heresias 4,32,3).

– “O Espírito nos mostra o Verbo (…), que por sua vez nos conduz e nos leva ao Pai” (Demonstração do Ensino Apostólico 7).

Clemente de Alexandria:

– “Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo; um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar. Há também uma única virgem que se tornou Mãe e me agrada chamá-la de Igreja” (Paed. 1,6).

Tertuliano de Cartago:

– “[Praxéas] acredita que só se pode crer em um único Deus se se identificar a Ele o Pai, o Filho e o Espírito Santo (…) Que seja guardado o mistério da economia que dispõe a unidade em Trindade, manifestando os três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo! Três – digo eu – não pela natureza, mas pela condição; não pela substância, mas por seu caráter próprio; não pelo poder, mas por sua manifestação. Eles são, pois, de uma única substância, de uma única natureza, de um poder único, porque existe um único Deus e é em virtude dele que essas condições, esses caracteres e essas manifestações são atribuídas ao nome do Pai e do Filho e dop Espírito Santo” (Contra Praxéas 2,3).

– “Como a mesma regra de fé nos faz passar do politeísmo do mundo pagão ao único e verdadeiro Deus, todos os simples, para não dizer os ineptos e os ignorantes, que constituem sempre a maioria entre os fiéis, consideram que a regra de fé nos faz passar do politeísmo do século ao Deus vivo e verdadeiro, e não compreendem que necessitam crer sem dúvidas no Deus único, mas com a sua economia (=de se revelar em Três Pessoas). Eles se espantam, crendo que a economia introduza o número, que a Trindade ameace a unidade, enquanto, ao contrário, a unidade, fazendo sair de si mesma a Trindade não é anulada por ela, mas organizada. Eles continuam repetindo que nós pregamos dois ou três deuses e que eles adoram o Deus único, como se não constituísse uma heresia o monoteísmo irracionalmente restrito e não fosse uma verdade a Trindade racionalmente difundida (…) Nós afirmamos uma monarquia – dizem – porque eles se exprimem assim, mesmo aqueles que falam latim; e repetem esta palavra com tanta força, que se creria que compreendem a monarquia tão bem quanto a enunciam (…) Pelo simples fato de se referir a uma única pessoa, a monarquia não obriga aquele que a possui a não ter também um filho ou a não gerar um filho ou a não exercer o seu império monárquico por meio daqueles que desejar (…) Deves pensar que se tem o fim da monarquia somente quando se sobrepõe uma outra dominação, dotada de condições próprias e de natureza própria, inimiga portanto, e quando se introduz outra divindade contra o Criador ou mais divindades (…) Nada é tirado da matriz da qual extrai suas propriedades. Assim, a Trindade, através de uma série de degraus cruzados e interligados, descende do Pai e não se opõe à monarquia, mas protege a natureza da economia” (Contra Praxéas 3,1-2.6; 8,7).

– “Para tornar confiante a nossa esperança, basta o número dos Nomes divinos (…) porque sob o Tríplice Nome se fundamenta a afirmação da fé e a garantia da salvação” (Do Batismo 6,1-2).

– “De nada na Trindade se deve dizer que é maior ou menor, uma vez que a fonte única da divindade mantém todas as coisas por sua Palavra ou razão, e que ela santifica pelo Espírito (sopro) de sua boca tudo o que merece santificação (…) Mas existe também, além dessa ação, uma ação própria de Deus Pai, aquela pela qual ele concedeu o ser a todos, segundo sua natureza específica; existe também um ministério próprio do Senhor Jesus Cristo, a respeito daqueles aos quais ele confere, segundo sua natureza específica, a razão; por esse meio, além de ser, ele lhes concedeu o ser em conformidade com o bem. Por fim, existe também a graça do Espírito Santo, concedida aos que são dignos dela; é administrada por Cristo e operada pelo Pai, segundo o mérito dos que dela se tornam capazes. O apóstolo Paulo mostra isso claramente, explicando que a ação da Trindade é única e idêntica, quando diz: ‘Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos’ (1Cor 12,4-6). Esta frase indica muito claramente que não há nenhuma diferença na Trindade; mas o que é dom do Espírito Santo é administrado pelo Filho e operado por Deus Pai” (Dos Princípios 1,3,7).

Orígenes de Alexandria:

– “Ao Pai universal por Jesus Cristo no Espírito Santo” (Da Oração 33).

Evidentemente, os Padres e escritores posteriores ao Concílio de Constantinopla I passam a explicitar o Mistério da Ssma. Trindade de modo muito mais nítido. Famosa, por exemplo, é a obra “De Trinitate” (=Da Trindade) de Santo Agostinho (publicada recentemente pela ed. Paulus em sua série “Patrística”), em que o Doutor de Hipona discorre ricamente sobre o tema ao longo de 15 livros! A leitura desta obra é altamente recomendada!!!

Com relação a outras obras patrísticas, você pode encontrar diversas delas na íntegra (inclusive em português), aqui mesmo no Veritatis Splendor, na Central de Obras do Cristianismo Primitivo ( http://www.nabeto.ihshost.com/cocp ) e na New Advent Supersite (http://www.newadvent.org).

Espero, com esta resposta, ter correspondido às suas expectativas ao dirigir-me seu email.

[]s,
Que Deus te abençoe abundantemente!

* * *

Prezado Nabeto,
Fico muito agradecido por seu email.
Uma resposta completa e muito satisfatória.
De fato, eu lhe devo desculpas por achar que o Sr havia se equivocado no texto das referencias. Suas referencias são bem mais profundas do que eu havia imaginado. São sutilezas que nem me passaram pela cabeça. Imaginei que o Sr quisesse fazer referencia ao “Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn.1,2) ao invés de (Gn.1,26).
Fica como sugestão adicionar um texto ao VS com essas citações, informando datas, para mostrar como são anteriores ao concílio de Nicéia. Se não for possível, pediria permissão para colocar em minha página pessoal. Meu interesse é refutar os artigos abaixo, que me foram enviados pelos meus oponentes, baseados em um livro de um tal José Reis Chaves:
– http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=2445&cat=Teses_Monologos&vinda=S
– http://www.espirito.com.br/portal/artigos/jose-chaves/cristianismo-e-espiritismo.html
– http://www.geocities.com/jeffersonhpbr/espiritismo-cristao.html
Muito obrigado (Rudini)

Prezado Rudini,

Pax!

Agradeço novamente por seu contato.

Sinta-se livre para publicar os textos em sua página.

Com relação às datas das obras, prefiro apontar o ano da morte dos Padres e escritores eclesiásticos (com exceção da Didaqué, cujo autor é desconhecido), pois assim é muito mais simples já que suas respectivas obras acabam sendo ainda anteriores!

Note aqui que TODOS os testemunhos que citei na minha resposta são praticamente 90 anos mais antigos que a própria chegada de Constantino ao poder, em 313 (século IV)!!! Com efeito, NENHUMA dessas obras poderiam ter sofrido a “influência pagã” de Constantino e seus sucessores, como muitos detratores da Igreja gostam de afirmar por aí gratuitamente… Assim:

SÉCULO I
– Didaqué: cerca do ano 90 d.C.

SÉCULO II
– Clemente de Roma: ano 101
– Inácio de Antioquia: ano 107
– Justino de Roma: ano 151
– Policarpo de Esmirna: ano 156
– Atenágoras de Atenas: ano 177
– Teófilo de Antioquia: ano 181

SÉCULO III
– Ireneu de Lião: ano 202
– Tertuliano de Cartago: ano 210
– Clemente de Alexandria: ano 215
– Orígenes de Alexandria: ano 220

Aproveito também a oportunidade para responder algo que ficou faltando no meu email anterior e que só agora percebi: como escrever o nome de um ilustre cristão primitivo – Gregório de Nanzianzo ou Gregório Nanzianzeno?

Respondo que AMBAS as formas de nomeá-lo estão corretas porque seguem o costume da época indicando claramente em que cidade o mesmo exercicia o seu ofício eclesiástico (isto é, a cidade de Nanzianzo), distinguindo-o de outros “Gregórios” ilustres (ex.: Gregório de Roma). Por isso não é incomum encontrar referências a personagens históricos duas formas, como por exemplo:

– Clemente de Roma ou Clemente Romano
– Clemente de Alexandria ou Clemente Alexandrino
– Agostinho de Hipona ou Agostinho Hiponense
– etc.

Observo, porém, que a forma mais comum encontrada é a primeira, ou seja, em que é fornecido o nome do personagem seguido do nome próprio da sua cidade de origem (ex: Inácio de Antioquia; Cipriano de Cartago; Orígenes de Alexandria); mas também não é raro encontrar-se referência ao nome do personagem e sua procedência (às vezes até mais facilmente, como p.ex.: João Damasceno, que na verdade significa João de Damasco; ou como no próprio caso de Gregório Nanzianzeno).

[]s,
Fique com Deus!

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