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Escritor protestante reconhece acusações infundadas e substitui seu livro

– Mensagem do Pastor Ralph Woodrow acerca do seu livro “Babilônia: a Religião dos Mistérios” –

Babilônia a Religião dos Mistérios

Durante vários anos, o meu livro “Babilônia: a Religião dos Mistérios” foi muito popular, gozando de enorme circulação e sendo traduzido para diversas línguas. Até hoje não cessam de chegar pedidos de compra e questionamentos acerca desse livro. Apesar da sua popularidade, deixei de editá-lo há alguns anos e, agora, ofereço em seu lugar o livro “Conexão Babilônia?”

Em razão das informações distorcidas que persistem na Internet e em outros lugares acerca desta minha decisão, o objetivo deste artigo é deixar registrada a verdade.

Conforme certo boato, “os católicos” me pressionaram tanto que eu tive um ataque cardíaco e quase morri. Em conseqüencia, eu teria me “retratado” e escrito o outro livro. Não existe nenhuma verdade nisto!

Um outro boato é que os meus motivos foram financeiros: seria meu desejo tornar-me popular e ganhar mais dinheiro. No entanto, “Babilônia: a Religião dos Mistérios” foi extremamente popular e proporcionou mais renda para o meu ministério do que todos os outros livros e ofertas juntos! Com efeito, temos experimentado muitos prejuízos financeiros por causa desta decisão de parar de editar o livro.

Algumas cartas que recebi têm sido bastante calorosas, louvando a minha honestidade e integridade, manifestando apreço pelos esclarecimentos fornecidos pelo livro substituto “Conexão Babilônia?”. Outras cartas, porém, de espírito medíocre, dizem que sou “idiota”, “escória”, “distorcedor da verdade”, um “grande covarde”, um “traidor de Cristo”, que sigo “um falso deus” e que sou um “jesuíta disfarçado”. Alguém chegou mesmo a dizer: “Espero que você morra logo. Eu quero que você morra!”.

Essas cartas demonstram como algumas pessoas podem se tornar tão fanáticas em relação a um conjunto de erros – ou o que elas julgam ser erros – desagüando, assim, em erros ainda maiores: julgam com ódio e desonestidade.

Meu livro original continha algumas informações valiosas, mas também continha certos ensinamentos que tinham se tornado populares em um livro editado vários anos antes, “As Duas Babilônias”, de Alexander Hislop. Este livro alega que a religião da antiga Babilônia, sob a liderança do Nimrod e sua esposa, recebeu mais tarde disfarces de sonoridade cristã, transformando-se na Igreja Católica Romana. Com efeito, existiriam duas “Babilônias”: uma antiga e outra moderna. Prova disso era apresentada citando inúmeras semelhanças com o Paganismo. O problema com este método é o seguinte: em muitos casos não há qualquer conexão.

Vamos supor que em 10 de maio um homem foi assassinado em Seattle e existissem diversas razões para se acreditar que uma determinada pessoa o cometera, pois possuía motivo para isso. Ela era fisicamente forte. Ela possuía uma faca. Ela tinha antecedentes criminais. Ela era conhecida por seu temperamento violento e ter ameaçado a vítima no passado. Todas estas coisas apontam esta pessoa como a assassina, com exceção de uma coisa: em 10 de maio ela não se encontrava em Seattle, mas  na Flórida!

O mesmo se dá com essas alegações que falam das origens pagãs. O que pode parecer uma conexão, após uma investigação mais aprofundada, se verifica que não existe qualquer ligação!

Pelo uso deste método poder-se-ia fazer com que praticamente qualquer coisa [tivesse origem pagã], até mesmo os “arcos dourados” da [rede de lanchonetes] McDonald’s! Com efeito, a Enciclopédia Americana (verbete “Arco”) afirma que o emprego dos arcos já era conhecido na Babilônia em 2.020 a.C.. Ora, sabendo-se que a Babilônia foi chamada de “a cidade dourada” (cf. Isaías 14,4), poder-se-ia ter alguma dúvida quanto a origem dos arcos dourados [da McDonald’s]? Eram bobagens como estas os tipos de provas que eram apresentadas sobre as origens pagãs [do Catolicismo].

É, aliás, com este método, que os ateus há muito procuram desacreditar a Bíblia e o Cristianismo por inteiro, não apenas a Igreja Católica Romana.

Por este método, seria possível a qualquer um condenar as denominações protestantes e evangélicas – como a Assembléia de Deus, Batista, Igreja de Cristo, Luterana, Metodista, Nazareno, etc – em coisas básicas como a oração; o hábito de se ajoelhar para orar deveria ser rejeitado porque os pagãos se ajoelhavam para orar aos seu deuses. O batismo em águas também teria que ser rejeitado porque inúmeros ritos pagãos envolviam água; etc.

Por este método, a própria BÍBLIA poderia ser rejeitada como pagã. Isto porque todas as seguintes práticas ou crenças mencionadas na Bíblia eram também conhecidas entre os pagãos: elevação das mãos durante a adoração, hábito de tirar os sapatos quando se pisasse em solo sagrado, existência de montanha sagrada, existência de local sagrado em um templo, oferecimento de sacrifícios perfeitos, arca sagrada, existência de uma cidade de refúgio, fazer brotar água de uma rocha, possuir leis escritas sobre pedras, aparição de fogo sobre a cabeça de uma pessoa, existência de cavalos de fogo, oferecimento dos primeiros frutos, dízimos, etc.

Por este método, o próprio SENHOR poderia ser pagão. A mulher chamada Mistério Babilônia tinha uma taça na sua mão; o Senhor tem uma taça em sua mão (Salmo 75,8). Os reis pagãos sentavam em tronos e usavam coroas; o Senhor se senta em um trono e usa coroa (Apocalipse 1,4; 14,14). Pagãos adoravam o sol; o Senhor é o “Sol da Justiça” (Malaquias 4,2). Os deuses pagãos foram assimilados a estrelas; o Senhor é chamado de “a estrela brilhante da manhã” (Apocalipse 22,16). Os deuses pagãos tinham templos dedicados a eles; o Senhor também tem um Templo (Apocalipse 7,15). Os deuses pagãos foram retratados com asas; o Senhor é retratado com asas (Salmo 91,4).

Eis aqui um exemplo de algumas afirmações INFUNDADAS que são feitas acerca da religião da antiga Babilônia:

  • Os babilônios se confessavam e confessavam os pecados aos sacerdotes, os quais vestiam roupas clericais da cor preta.
  • O rei deles, Nimrod, nasceu em 25 de dezembro; faziam decorações em árvores de natal e comungavam hóstias em sua honra, como deus-Sol.
  • Os adoradores do sol acorriam semanalmente aos seus templos – no domingo – para cultuar o deus-Sol.
  • A esposa de Nimrod, Semíramis, tinha o título de Rainha Virgem do Céu e era mãe de Tammuz.
  • Tammuz foi morto por um javali quando tinha 40 anos. Logo, os 40 dias da Quaresma vieram para homenagear a sua morte.
  • Os babilônios lamentavam por ele em uma “Quinta-Feira Santa” e adoravam a cruz (a letra inicial de Tammuz).

É impressionante como ensinamentos infundados como esses circulam e se tornam críveis. Qualquer pessoa pode ir a qualquer biblioteca e consultar qualquer livro sobre a história antiga da Babilônia: nenhuma destas coisas poderá ser encontrada. Essas afirmações não possuem fundamento histórico; ao contrário, são baseadas em um monte de peças de quebra-cabeças sobre mitologia juntadas arbitrariamente.

Hislop, por exemplo, ensinou que figuras mitológicas como Adonis, Apolo, Baco, Cupido, Dagon, Hércules, Jano, Marte, Mitra, Moloque, Órion, Osíris, Plutão, Saturno, Vulcano, Zoroastro e muitos outros eram, todos eles, Nimrod! Ele inventou a sua própria “história” de Nimrod! E ele fez a mesma coisa com a esposa Nimrod. Assim, de acordo com a sua teoria, Nimrod era um negro de grande estatura, feio e deformado. Sua esposa, Semíramis – também conhecida como Páscoa -, afirma, era uma das mais belas mulheres brancas, com cabelos loiros e olhos azuis, uma decaída, inventora do canto soprano, a originante do celibato sacerdotal, a primeira para quem foi oferecida a missa incruenta! Isto não é história fática; classifica-se melhor na categoria dos tablóides sensacionalistas.

O mesmo se dá com o que diz respeito aos objetos, como – por exemplo – que as hóstias eram símbolos do deus-Sol. Porém, deixa de referir que isto se aproxima também do próprio maná dado por Deus (Êxodo 16,14)! Algumas pessoas estão prontas para condenar todos os pilares e monumentos históricos como pagãos, mas deixam de considerar que o próprio Senhor apareceu como um pilar de fogo e que em frente do seu Templo existiam dois grandes pilares (Êxodo 13,21-22; 2Crônicas 3,17).

Porque a Babilônia tinha uma torre (Gênese 11,4), alguns supõem que este é motivo pelo qual existem igrejas com torres ou campanários: estariam copiando a Babilônia! Um repórter de um jornal de Columbus, Ohio, escreveu-me a esse respeito. Nessa cidade e em muitos outros lugares esta afirmação tem sido feita. Permitam-me dizer claramente: nenhuma igreja jamais incluiu um campanário ou torre em seu edifício de culto para copiar a torre de Babel! Por que desacreditar milhares de cristãos nascidos de novo, promovendo idéias que não têm qualquer conexão? Se uma torre em si é pagã, Deus seria pagão, pois David o descreveu como “minha grande torre” (2Samuel 22,3; cf. Provérbios 18,10).

Nenhum cristão que coloca um adesivo com o símbolo de um peixe no parachoque traseiro do seu carro jamais o faz para homenagear o deus-peixe Dagon. Nenhuma congregação coloca uma cruz em uma igreja com a finalidade de homenagear Tammuz. Nenhum cristão jamais participou da vigília da Páscoa para cultuar Baal. Nenhum cristão jamais adorou uma árvore de Natal como um ídolo. Alegar que “todas essas coisas tiveram início na Babilônia” não é apenas um argumento divisionista e infrutífero, mas também falso.

A preocupação de não querer nada que seja pagão em nossas vidas pode ser comparado a um navio cruzando um vasto oceano. Esta preocupação leva-nos na direção correta; mas para melhor compreendermos o que é e o que não é pagão, uma correção do curso será necessária na nossa viagem. Essa correção não se dá com um voltar atrás, mas com um seguir “a brilhante luz, que brilha mais e mais até o dia perfeito” (Provérbios 4,18).

Isto foi o que procurei fazer no meu livro “Conexão Babilônia?” [que substituiu o meu livro anterior “Babilônia: a Religião dos Mistérios”].


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