Bíblia - Tradição - Magistério

Evangélicos fraudam charge do veritatis

Recentemente, navegando pela Net descobri um site evangélico (http://www.cpr.org.br/banquinho.htm) fiquei estupefato pela forma degradante e desrespeitosa que os evangélicos fizeram com uma charge minha postada no http://blog.veritatis.com.br/. Abaixo vou refutar as alegações do site Desafio às Seitas e logo após desmascarar a fraude protestante.

O texto do site protestante está em preto e minhas respostas em azul.

—————————————————————————————————————

A charge abaixo foi retirada do site Veritatis Splendor, um site de apologia católico, e demonstra exatamente a importância que eles dão à Palavra de Deus.  

Bom, pelo menos aqui foram honestos. Sim, fui eu que inicialmente fiz a charge e a publiquei. Agora vamos ver se eles estão certos no que eles falam sobre como os católicos “dão valor à Bíblia”.

Viram como eles vêem a Bíblia?

Para eles – os católicos – só ela não é suficiente para sustentar, precisando, no caso, de ajuda.

Para eles a Palavra de Deus não completa, não encerra em si toda a verdade, não alimenta por si só.

Como diz o ditado popular: "Uma imagem vale mais do que mil palavras".

Nada disso. A Igreja católica tem a Bíblia em mais alta estima que o protestantismo. A verdade está muito além da visão nublada que este escritor (pr. Neto Curvina, um batista que já debateu com o pessoal do Veritatis) quer impingir.

A desconchava alegação só parece verdadeira para quem não tem o mínimo de conhecimento da Palavra de Deus e da História cristã, quiçá da Igreja católica, a qual muitos pastores denigrem e fazem uma caricatura dela tal que os membros acham que o que eles falam é verdade dela. Vamos lá.

Para começar, vamos com o Catecismo:

"É tão grande o poder e a eficácia encerrados na Palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo e vigor para a Igreja, e, para seus filhos, firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte da vida espiritual". "É preciso que o acesso à Sagrada Escritura seja amplamente aberto aos fiéis. Que o estudo das Sagradas Páginas seja, portanto, como que a alma da Sagrada Teologia. Da mesma palavra da Sagrada Escritura também se nutre salutarmente e santamente floresce o ministério da palavra, a saber, a pregação pastoral, a catequese e toda a instrução cristã, na qual deve ocupar lugar de destaque a homilia litúrgica".

A Igreja "exorta com veemência e de modo peculiar todos os fiéis cristãos… a que, pela freqüente leitura das divinas Escrituras, aprendam "a eminente ciência de Jesus Cristo”(Fl 3,8). "Com efeito, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo".(CIC 131-133)

Eu não acho que algo possa ser mais claro que isto. A Igreja está pedindo que os católicos "leiam suas Bíblias”. Você pode ter ouvido que os católicos não puderam ler a Bíblia nos séculos mais antigos. Isso é um assunto muito complicado que muitos pastores evangélicos transformaram em um slogan simplista contra os católicos. Na época em que os camponeses eram analfabetos, os católicos camponeses dependiam do clero para ler, nas histórias das Escrituras, como descritas visualmente nos vitrais e estátuas.

Agora, os católicos minimizam a Bíblia e a colocam abaixo da Tradição ou Magistério? De forma alguma. Antes que qualquer denominação protestante surgisse na face da Terra a Igreja era a que mais publicava e distribuía a Bíblia. Tanto é que a primeira Bíblia impressa foi a de Gutemberg, que era católico e a Bíblia era a Vulgata.

Para eles – os católicos – só ela não é suficiente para sustentar, precisando, no caso, de ajuda”

Joel Peters explica:

Não é questão de que a Bíblia é insuficiente. Leiamos IITm.3,17: “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e ‘perfeitamente habilitado para toda boa obra’”. Como vimos, este versículo só significa que o homem do Deus é provido completamente com a Escritura; não é uma garantia que ele automaticamente sabe como interpretá-la corretamente . Este versículo no máximo só menciona a suficiência material da Escritura, uma posição que é defendida por alguns pensadores católicos atualmente.

“Suficiência material” significar que a Bíblia de algum modo contém todas as verdades que são necessárias para o fiel saber; em outras palavras, os "materiais" estariam todos presente ou pelo menos implícitos. A “suficiência formal”, por outro lado, significa que a Bíblia não só conteria todas as verdades que são necessárias, mas que também apresentaria essas verdades de um modo perfeitamente claro e compreensível. Em outras palavras, estas verdades estariam em uma forma do utilizável, e por conseguinte, não haveria nenhuma necessidade da Sagrada Tradição para clarificá-las, completá-las ou que houvesse uma autoridade pedagógica infalível para interpretá-las corretamente.

Devido a Igreja Católica afirmar que a Bíblia não é suficiente por si mesma, naturalmente ensina que esta necessita de um intérprete. São duas as razões pelas quais a Igreja ensina tal coisa: primeiro, porque Cristo estabeleceu uma Igreja viva para ensinar com Sua autoridade. Ele simplesmente não deu uma Bíblia aos seus discípulos, completa e encadernada, e lhes disse para ir e fazer cópias para a multidão, para distribuir, e deixar que cada um interprete-a do seu jeito. Segundo, a própria Bíblia afirma que precisa de um intérprete.( https://www.veritatis.com.br/article/1952)

E só para lembrar alguns trechos da Palavra Santa e Irrefutável de Deus:

"Não se aparte da tua boca o Livro desta Lei; medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo o que nele está escrito. Então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido." (Josué 1:8)

O que vale é o que está escrito. E só.

O que Curvina quer dizer com isso? Que a Palavra de Deus é só o que está escrito? Os judeus não tinham só a palavra escrita como Palavra de Deus, mas também tem o Talmud, a palavra oral. Há muitos ensinos e doutrinas não escritos e mencionados pelos escritores bíblicos. Veja IITs. 2,15: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”. A palavra, que Paulo disse aqui, NÃO está registrada na Bíblia e mesmo assim ele disse que é de autoridade. Por que os protestantes vão por este caviloso pensamento de que SÓ a palavra escrita é de autoridade? De onde tiraram esta idéia? Não da Bíblia, mas do homem Lutero.

"Escondi a tua Palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti." (Salmos 119:11)

Por que ele não diz "escondi a tua palavra e a tua tradição" ?

Estes versículos ensinam claramente que a Palavra de Deus escrita é verdadeira e que é autorizada. Mas como eu disse antes, isto é algo no que ambos os lados concordam. A Bíblia é absolutamente indispensável para viver a vida cristã. Mas isso não é igual a dizer que é, em e por si mesma, formalmente suficiente, e estes versículos não ensinam que é.

"Respondeu Jesus: Está escrito: nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus." (Mateus 4:4)

O homem vive da Palavra, não da tradição.

"Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus." (Mateus 22:29)

Em nenhum lugar da Bíblia diz que toda revelação está resumida na palavra escrita. Isto é fruto do literalismo fundamentalista. No contexto, este versículo está falando sobre o ensino das Escrituras sobre a ressurreição do AT. O NT ainda não havia sido escrito.Não era necessário Jesus ter invocado a Tradição oral judaica aqui porque este ensino em particular Ele estava se referindo a parte escrita.

A Torá (os primeiros cinco livros da Bíblia) não se resumia só à parte escrita. Os judeus nunca foram adeptos do Sola Scriptura. Havia o Talmude, a Tradição oral. Qualquer judeu ortodoxo poderá lhe dizer isso. Somente os fundamentalistas evangélicos não entendem isso.

Note este debate com os saduceus em Mt. 22,23-33 sobre a ressurreição do corpo. Os saduceus só aceitavam como inspirados o Pentateuco (os primeiros cinco livros do Velho Testamento), e não acreditavam na ressurreição do corpo. 

Ao refutá-los, Cristo citou só do Pentateuco (Ex. 3,6), não porque ele não reconhecia outros livros do Velho Testamento que explicitamente mencionam a ressurreição do corpo (como Daniel 12,2.13), mas porque os saduceus não aceitavam estes outros livros. Apelar para uma autoridade que eles não aceitavam teria sido inútil, assim Jesus provou sua doutrina se referindo a uns livros que os saduceus aceitavam

 Este versículo não diz nada contra a Tradição. Aliás, se fosse levar ao pé-da-letra, contradiz IITs. 2,15, onde Paulo coloca as tradições (e elas não eram escritas) ao mesmo pé da palavra escrita.

Ele deveria ter dito: "errais, não conhecendo a tradição"?

"Examinai as Escrituras, por que pensais ter nelas a vida eterna. São estas mesmas Escrituras que testificam de mim" (João 5:39)

Quem testifica de Jesus é a Palavra, não a tradição.

Em nenhum momento a Bíblia fala contra a Tradição (exceto a os homens, como a dos fariseus). É uma falácia colocar tudo no mesmo saco e dizer que a palavra “tradição” é uma palavra má na Bíblia. Isto é uma simplificação inadequada, Sr. Curvina.

"Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (João 17:17)

Ué, por que não está escrito 'santifica-os na tua tradição'?

Porque extrair versículos do contexto, interpretar mal e ao pé-da-letra é trabalho de fundamentalistas, não dos escritores bíblicos. Onde o Sr. Curvina está vendo aí que a Palavra de Deus é só a escrita?

Jesus aprovou sim a Tradição Oral, que esses fundamentalistas negam. Leiamos Mt. 23,2-3:

Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus.Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.

O termo grego para ‘cadeira’ é kayedra, e no latim deu a frase “para falar ex cathedra”, i.e., “da cadeira”, como um mestre autorizado. Os escritores rabínicos falam do sucessor de um rabino como sentado em sua cadeira; assim nós, sobre a “cadeira” de um professor , que vem da palavra cathedra. Nosso Senhor quer dizer, então, que os escribas e fariseus em algum sentido são sucessores de Moisés, mestres da lei como ele foi.

Da mesma forma posso rebater ao nosso amigo evangélico: “ué, por que não está escrito: ‘fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos escreveram’?”

Em Troki (Polônia, 1927) eles visitaram o templo dos caraítas, uma seita judaica que viveu na região no séc. XIV que rejeitava a tradição rabínica e interpretava as Escrituras literalmente… esta seita judaica é equivalente do Protestantismo.   (Sabedoria e Inocência, Uma Vida de G K Chesterton, Joseph Pearce, Hodder & Stoughton, 1996, p34)

Vejamos mais um dado interessante da Wikipedia:

Desde a época do Segundo Templo existiam seitas do Judaísmo que defendiam a autoridade única e exclusiva da Torá escrita, em oposição aos que seguiam também as tradições posteriores conhecidas como a Torá oral. Entre as seitas que seguiam unicamente a Torá escrita estavam os tzadokim (saduceus) e os betusianos. Esses opunham-se aos perushim (Fariseus) que defendiam ter D-us lhes revelado com junto a Torá escrita uma Torá oral, que era passada de geração em geração pelos estudiosos, mestres e profetas. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cara%C3%ADsmo . Grifo nosso)

Assim, os protestantes nada mais são do que caraítas modernos, que rejeitam outra fonte da Palavra de Deus que não seja a escrita. E isso, lógico, é errôneo e refutável bíblica e historicamente.

"Ora, irmãos, apliquei estas coisas figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós, para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra o outro" (I Coríntios 4:6)

Não ir além DO QUE ESTÁ ESCRITO. Será que esse pessoal não sabe ler?

Sim, e muito bem. O problema está no seu entender. Este versículo é um dos mais usados pelos fundamentalistas e um dos mais distorcidos. Este versículo, de forma alguma, está falando de todas as Escrituras. O contexto imediato mostra que Paulo estava falando

"Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça" (II Timóteo 3:16)

Não está escrito que toda 'tradição' é divinamente inspirada…

Este é de longe o mais usado pelos evangélicos contra a Tradição. Mas não é o que querem. Falar é tradição oral. De fato, até mesmo numa carta Paulo menciona seus próprios escritos que não são Escritura, 1 Cor. 5,9:  

“Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros”

Ele recorre a uma instrução anterior em uma carta que nunca foi feita escritura. Assim, a Escritura não é a única coisa ele usa autoritariamente para ensinar os coríntios. 

Não são usados somente escritos não-bíblicos por Paulo, mas também sua própria instrução oral por escrito que nunca foi posta, 1 Cor. 11, 2 e 34:  

“De fato, eu vos louvo porque, em tudo, vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei.

“Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco.”

Pois é, eu poderia também dizer, Sr. Curvina, que só porque Paulo não colocou estas instruções por escrito, não são inspiradas? Vê a ilógica deste raciocínio?

"Eu advirto a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhe acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro." (Apocalipse 22:18)

Deste livro. Do Apocalipse. Os evangélicos usam muito mal este texto e mesmo os mórmons sabem disso. Mas os católicos não adicionam nada a Bíblia. Os protestantes é que tiraram.

E é isso.

Sabe por que os católicos precisam se apegar a outros fundamentos além da Palavra?

Por que na Bíblia não tem: Adoração a imagens, terço, rosário, missa de sétimo dia, purgatório, adoração à Maria, infalibilidade papal, Pedro como papa, batismo de crianças, Roma como sede da igreja de Cristo, dia de finados, procissões, celibato, confissão auricular, padim ciço, aparecida, visões de fátima, Quevedo, e por aí vai…

 

O horror fundamentalista aparece aí na sua forma mais comum. Na Bíblia, para começar, não aparece nem sequer a palavra “Bíblia” nem uma lista dos livros que a deveriam formar e como assim o Sr. Curvina sabe que livros devem estar ali? Que argumento circular!

Se a Bíblia somente é TODA Palavra de Deus, então porque os judeus, o povo de Deus, também aceita a Tradição Oral como fiel à Palavra escrita? Em nenhum lugar da Bíblia se afirma que só a escrita é a Palavra de Deus, mas TODA PALAVRA (não fala “toda palavra escrita”).

A Bíblia não fala de avião, televisão, computador e mesmo assim eles existem. É uma loucura imaginar que só algo que está na Bíblia deve existir. A Bíblia é o manancial para nossa salvação, mas não é TODA Palavra de Deus porque esta também está na Palavra Oral. A Bíblia não fala de Trindade, união hipostática, teologia e termos complexos de filosofia mas os princípios estão ali para a Igreja desenvolver e explicar. Este é o trabalho da Tradição.

Quanto aos exemplos dados, analisemos alguns. Para começar, a Igreja católica NÃO ensina adoração a Maria. Acho que são os evangélicos que a adoram, pois eles criaram este termo. Infalibilidade papal. Quantos evangélicos desconhecem ou não sabem nada sobre este termo que não significa que o Papa não pode errar em tudo, exceto em pronúncias oficiais de fé e moral (ex cathedra)? “Padim ciço, Fátima, etc” É ridícula esta afirmação de Curvina. No mínimo, demonstra tanta falta de análise quanto preconceito cego da fé católica. A Bíblia mesmo não fala de Lutero e seus comparsas e mesmo assim os protestantes a seguem. Se fosse por este “raciocínio” eu deveria ler Lutero e Sr. Curvina na Bíblia para crer que eles falam a verdade.

No final desta página falaciosa, o tal Humberto Fontes colocou (se foi ele que alterou não sei) uma versão totalmente adulterada da charge original que fiz e que foi postada no Veritatis, ainda por cima dizendo que NÓS é que alteramos uma charge original feita (supostamente) por protestantes. Daí dá pra se ver a “honestidade” de Humberto Fontes e outros.

Além disso, eu escrevi por e-mail pedindo-lhe satisfações e ele, “educadamente”, respondeu:

“Desculpe, mas não tenho tempo para dialogar com pessoas que não têm a Palavra de Deus (a Bíblia) como única regra de fé e prática.

Pessoas que colocam a tradição de pecadores humanos (os “papas”e “padres”) em pé de igualdade com a Palavra de Deus.

Pessoas que colocam Maria (um ser humano de natureza pecadora, como qualquer outro ser humano), em pé de igualdade com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (e, às vezes, até em grau superior de importância), divinizando-a, formando um “quarteto celeste”.

Pessoas que seguem dogmas humanos, rituais, tradições, heresias, etc.

Pessoas que não têm Jesus Cristo como Único Advogado, Mediador, Intercessor entre Deus e os homens, apelando para seres humanos mortos (por mais santos que tenham sido).

Portanto, seria pura perda de tempo “dialogarmos”.

Não espere respostas minhas, pois você é nervosinho demais, ok?

Daí vemos o quanto de infelicidade de raciocínio existe em pessoas que se deixam levar mais pela emoção do que pela razão, além de usarem de hipocrisia.

Facebook Comments

Livros recomendados

As Cartas de São Paulo aos Gálatas e aos Efésios – Cadernos de estudo bíblicoCatecismo anticomunistaSócrates Encontra Marx

About the author

Veritatis Splendor

Leave a Comment

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.