Documentos da Igreja

Evangelii nuntiandi – parte ii (final)

VI. OS OBREIROS DA EVANGELIZAÇÃO

A Igreja toda missionária

59. Se há homens que proclamam no mundo o Evangelho da salvação, fazem-no por ordem, em nome e com a graça de Cristo Salvador. “E como podem pregar, se não forem enviados? (81)escrevia aquele que foi, sem dúvida alguma, um dos maiores evangelizadores. Ninguém, pois, pode fazer isso se não for enviado.

Mas, então quem é que tem a missão de evangelizar? O Concílio Ecumênico Vaticano II respondeu claramente a esta pergunta: “Por mandato divino, incumbe à Igreja o dever de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura”, (82) E noutro texto o mesmo Concílio diz ainda: “Toda a Igreja é missionária, a obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus”.(83)

Já recordamos esta ligação íntima entre a Igreja e a evangelização. Quando a Igreja anuncia o reino de Deus e o edifica, insere-se a si própria no âmago do mundo, como sinal e instrumento desse reino que já é e que já vem. O mesmo Concílio referiu com justeza, as palavras bem significativas de Santo Agostinho, sobre a ação missionária dos doze: “pregaram a palavra da verdade e geraram as Igrejas”.(84)

Um ato eclesial

60. O fato de a Igreja ser enviada e mandada para a evangelização do mundo, é uma observação que deveria despertar em nós uma dupla convicção.

A primeira é a seguinte: evangelizar não é para quem quer que seja um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial. Assim, quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um ato de Igreja e o seu gesto está certamente conexo, por relações institucionais, como também por vínculos invisíveis e por raízes recônditas da ordem da graça, à atividade evangelizadora de toda a Igreja. Isto pressupõe, porém, que ele age, não por uma missão pessoal

que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma.

Donde, a segunda convicção: se cada um evangeliza em nome da Igreja, o que ela mesma faz em virtude de um mandato do Senhor, nenhum evangelizador é o senhor absoluto da sua ação evangelizadora, dotado de um poder discricionário para realizar segundo critérios e perspectivas individualistas tal obra, mas em comunhão com a Igreja e com os seus Pastores.

A Igreja é ela toda inteiramente evangelizadora, como frisamos acima. Ora isso quer dizer que, para com o conjunto do mundo e para com cada parcela do mundo onde ela se encontra, a Igreja se sente responsável pela missão de difundir o Evangelho.

Na perspectiva da Igreja universal

61. Chegados a este ponto da nossa reflexão, queremos deter-nos um pouco, convosco, Irmãos e Filhos, sobre uma questão particularmente importante nos nossos dias.

Nas suas celebrações litúrgicas, no seu testemunho diante dos juízes e dos carrascos e nos seus escritos apologéticos, os primeiros cristãos exprimiam de boa mente a sua fé profunda na Igreja e designavam-na como espalhada por todo o universo. E que eles tinham a consciência plena de fazer parte de uma grande comunidade que nem o espaço nem o tempo poderiam delimitar: “Desde o justo Abel até o último dos eleitos”,(85) “até as extremidades da terra”,(86) “até ao fim do mundo”.(87)

Foi assim que o Senhor quis a sua Igreja: universal, uma grande árvore de modo que as aves do céu venham abrigar-se sob os seus ramos,(88)  rede que recolhe toda a espécie de peixes (89) ou que Pedro retira cheia com cento e cinqüenta e três grandes peixes,(90) rebanho que um só pastor apascenta; (91) Igreja universal, sem limites nem fronteiras, a não ser, infelizmente, as do coração e do espírito do homem pecador.

Perspectiva da Igreja particular

62. Entretanto, esta Igreja universal encarna-se de fato nas Igrejas particulares; e estas são constituídas por tal ou tal porção da humanidade em concreto, que fala uma determinada linguagem e é tributária de uma certa herança cultural, de uma visão do mundo, de um passado histórico e, enfim, de um substrato humano específïco. A abertura para as riquezas da Igreja particular corresponde a uma sensibilidade especial do homem contemporâneo.

Guardemo-nos bem, no entanto, de conceber a Igreja universal como sendo o somatório, ou, se se preferir dizê-lo, a federação mais ou menos anômala de Igrejas particulares essencialmente diversas. No pensamento do Senhor é a Igreja, universal por vocação e por missão, que, ao lançar as suas raízes na variedade dos terrenos culturais, sociais e humanos, se reveste em cada parte do mundo de aspectos e de expressões exteriores diversas.

Assim, toda a Igreja particular que se separasse voluntariamente da Igreja universal perderia a sua referência ao desígnio de Deus e empobrecer-se-ia na sua dimensão eclesial. Mas, por outro lado, uma Igreja “toto urbe diffusa” (espalhada por todo o mundo) tornar-se-ia uma abstração se ela não tomasse corpo e vida precisamente através das Igrejas particulares. Só uma atenção constante aos dois polos da Igreja nos permitirá aperceber-nos da riqueza desta relação entre Igreja universal e Igrejas particulares.

Adaptação e fidelidade da linguagem

63. As Igrejas particulares profundamente amalgamadas não apenas com as pessoas, como também com as aspirações, as riquezas e as limitações, as maneiras de orar, de amar, de encarar a vida e o mundo, que caracterizam este ou aquele aglomerado humano, tem o papel de assimilar o essencial da mensagem evangélica, de a transpor, sem a mínima traição à sua verdade essencial, para a linguagem que esses homens compreendam e, em seguida, de a anunciar nessa mesma linguagem.

Uma tal transposição há de ser feita com o discernimento, a seriedade, o respeito e a competência que a matéria exige, no campo das expressões litúrgicas, (92) como de igual modo no que se refere à catequese, à formulação teológica, às estruturas eclesiais secundárias e aos ministérios.

E aqui linguagem deve ser entendida menos sob o aspecto semântico ou literário do que sob aquele aspecto que se pode chamar antropológico e cultural.

O problema é sem dúvida delicado. A evangelização perderia algo da sua força e da sua eficácia se ela porventura não tomasse em consideração o povo concreto a que ela se dirige, não utilizasse a sua língua, os seus sinais e símbolos; depois, não responderia também aos problemas que esse povo apresenta, nem atingiria a sua vida real. De outro lado, a evangelização correria o risco de perder a sua alma e de se esvaecer se fosse despojada ou fosse desnaturada quanto ao seu conteúdo, sob o pretexto de a traduzir melhor; o mesmo sucederia, se ao querer adaptar uma realidade universal a um espaço localizado, se sacrificasse essa realidade ou se destruísse a unidade, sem a qual já não subsiste a universalidade. Ora, sendo assim, só uma Igreja que conserva a consciência da sua universalidade e demonstra de fato ser universal, pode ter uma mensagem capaz de ser entendida por todos, passando por cima de demarcações regionais.

Uma legítima atenção para com as Igrejas particulares não pode senão vir a enriquecer a Igreja. Tal atenção, aliás, é indispensável e urgente. Ela corresponde às aspirações mais profundas dos povos e das comunidades humanas, a descobrirem cada vez mais a sua fisionomia própria.

Abertura para a Igreja universal

64. Esse enriquecimento, porém, exige que as Igrejas particulares mantenham a sua abertura profunda para a Igreja universal. É bem que seja realçado, de resto, que os cristãos mais simples, mais fiéis ao Evangelho e mais abertos ao verdadeiro sentido da Igreja, são aqueles que têm uma sensibilidade absolutamente espontânea em relação a esta dimensão universal; eles sentem, instintiva e vigorosamente, a necessidade dela; reconhecem-se nela com facilidade, vibram com ela e sofrem no mais íntimo do seu ser quando, em nome de teorias que eles não compreendem, se vêem constrangidos numa Igreja desprovida dessa universalidade, Igreja regionalista e sem horizontes.

Conforme a história demonstra, aliás, sempre que tal ou tal Igreja particular, algumas vezes com as melhores intenções e baseando-se em argumentos teológicos, sociológicos, políticos ou pastorais, ou mesmo no desejo de uma certa liberdade de movimentos ou de ação, se desligou da Igreja universal e do seu centro vivo e visível, essa Igreja só muito dificilmente escapou, se é que escapou, a dois perigos igualmente graves: o perigo, de um lado, do isolacionismo estiolante, e depois, em breve tempo, da desagregação, com cada uma das suas células a separar-se dela, como ela própria se separou do núcleo central; e de outro lado, o perigo de perder a sua liberdade, uma vez que, desligada do centro e das outras Igrejas que lhe comunicavam vigor e energia, ela se veio a encontrar sozinha, à mercê das mais variadas forças de escravização e de exploração.

Quanto mais uma Igreja particular estiver ligada, por vínculos sólidos de comunhão, à Igreja universal, na caridade e na lealdade, na abertura para o magistério de Pedro, na unidade da “lex orandi” (norma da oração), que é também a “lex credendi” (norma para crer), e no cuidado pela unidade com todas as demais Igrejas que compãem a universalidade, tanto mais essa Igreja estará em condições de traduzir o tesouro da fé na legítima variedade das expressões da profissão de fé, da oração e do culto, da vida e do comportamento cristão e do influxo irradiante do povo em que a mesma fé se acha inserida. E, a par disto, mais ela será verdadeiramente evangelizadora, ou seja, capaz de ir beber no patrimônio universal para fazer com que dele aproveite esse seu povo; e, depois, capaz de comungar com a Igreja universal a experiência e a vida desse mesmo povo, para benefício de todos.

Inalterável conteúdo da fé

65. Neste sentido, precisamente, houvemos por bem dizer uma palavra clara e repassada de afeto paterno, na altura do encerramento das sessões do Sínodo, insistindo sobre a função do sucessor de São Pedro como princípio visível, vivo e dinâmico da unidade entre as Igrejas e, por conseguinte, da universalidade da única Igreja. (93) Insistíamos também na mesma ocasião na grave responsabilidade que sobre nós incumbe, mas que nós compartilhamos com os nossos Irmãos no Episcopado, de manter inalterável o conteúdo da fé católica que o Senhor confiou aos Apóstolos: traduzido em todas as linguagens, este conteúdo nunca há de sofrer amputações ou ser mutilado; mas sim, revestido pelos símbolos próprios de cada povo, explicitado com as expressões teológicas que têm em conta os meios culturais, sociais e até mesmo raciais diversos, ele deve permanecer o conteúdo da fé católica tal como o magistério eclesial o recebeu e o transmite.

Tarefas diversificadas

66. Toda a Igreja, portanto, é chamada para evangelizar; no seu grêmio, porém, existem diferentes tarefas evangelizadoras que hão de ser desempenhadas. Tal diversidade de serviços na unidade da mesma missão é que constitui a riqueza e a beleza da evangelização. Passamos a recordar, em breves palavras, essas tarefas.

Queremos, antes de mais nada, assinalar nas páginas do Evangelho o encarecimento com que o Senhor confia aos apóstolos a função de anunciar a Palavra. Ele próprio os escolheu, (94) formou-os durante os diversos anos de familiaridade, (95) constituiu-os (96) e deu-lhes o mandato(97) para serem testemunhas e mestres autorizados da mensagem da salvação. E os doze, por seu turno, enviaram os seus sucessores que continuam a pregar a Boa Nova, atendo-se à linha apostólica.

O sucessor de Pedro

67. O sucessor de Pedro é assim, pela vontade de Cristo, encarregado do ministério preeminente de ensinar a verdade revelada. O Novo Testamento apresenta-nos por várias vezes Pedro “cheio do Espírito Santo” a tomar a palavra em nome de todos.(98) É precisamente por isso que São Leão Magno fala dele como sendo aquele que mereceu ter o primado do apostolado.(99) É por isso, ainda, que a voz da Igreja nos mostra o Papa “no vértice – in apice, in specula – do apostolado”.(100) O Concílio Ecumênico Vaticano II houve por bem reaf’irmar isso mesmo, quando declarou que “o mandamento de Cristo de pregar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc.16,15) impende primária e imediatamente aos Bispos, com Pedro e sob Pedro”.(101)

O poder pleno, supremo e universal (102) que Cristo confia ao seu Vigário para o governo pastoral da sua Igreja, acha-se especialmente, portanto, na atividade de pregar e de mandar pregar a Boa Nova da salvação, que o Papa exerce.

Bispos e sacerdotes

68. Unidos ao sucessor de Pedro, os Bispos, sucessores dos apóstolos, recebem pela virtude da ordenação episcopal, a autoridade para ensinar na Igreja a verdade revelada. Eles são os mestres da fé.

Aos Bispos são associados no ministério da evangelização, como responsáveis por um título especial, aqueles que, por força da ordenação sacerdotal, agem em nome de Cristo, (103) dado que são, enquanto educadores do povo de Deus na fé, pregadores, ao mesmo tempo que ministros da eucaristia e dos outros sacramentos.

Todos nós, portanto, enquanto Pastores, somos convidados a tomar consciência, mais do que qualquer outro membro da Igreja, deste dever. Aquilo que constitui a singularidade do nosso serviço sacerdotal, aquilo que dá unidade profunda às mil e uma tarefas que nos solicitam ao longo do dia e da nossa vida, aquilo, enfim, que confere às nossas atividades uma nota específica, é essa finalidade presente em todo o nosso agir: “anunciar o Evangelho de Deus”.(104)

Está nisto um traço bem vincado da nossa identidade, que dúvida alguma jamais haveria de fazer desvanecer, que nunca objeção alguma deveria eclipsar. Como Pastores, nós fomos escolhidos pela misericórdia do supremo Pastor, (105) apesar da nossa insuficiência, para proclamar com autoridade a Palavra de Deus, para reunir o povo de Deus que andava disperso, para alimentar este mesmo povo com os sinais da ação de Cristo que são os sacramentos, para o encaminhar para a via da salvação, para o manter naquela unidade de que nós somos, em diferentes planos, instrumentos ativos e vivos, para animar constantemente esta comunidade congregada em torno de Cristo na linha da sua vocação mais íntima. E sempre que nós, na medida das nossas limitações, perfazemos tudo isto, é uma obra de evangelização aquilo que nós de fato realizamos. Nós, como Pastor da Igreja universal, os nossos Irmãos Bispos à frente das suas Igrejas particulares e os sacerdotes e diáconos unidos aos seus próprios Bispos, de quem são os colaboradores, por uma comunhão que tem a sua origem no sacramento da ordem e na caridade da Igreja.

Religiosos

69. Os religiosos, por sua vez, têm na sua vida consagrada um meio privilegiado de evangelização eficaz. Pelo mais profundo do seu ser, eles situam-se de fato no dinamismo da Igreja, sequiosa doAbsoluto de Deus e chamada à santidade. É dessa santidade que dão testemunho. Eles encarnam a Igreja desejosa de se entregar ao radicalismo das bem-aventuranças. Eles são, enfim, pela sua mesma vida, sinal de uma total disponibilidade para Deus, para a Igreja e para os irmãos. E em tudo isto, portanto, têm os religiosos uma importância especial no quadro de testemunho que, conforme frisamos em precedência, é primordial na evangelização.

Este seu testemunho silencioso, de pobreza e de despojamento, de pureza e de transparência, de entrega para a obediência, pode tornar-se, ao mesmo tempo que uma interpelação para o mundo e para a própria Igreja, uma pregação eloqüente, capaz de tocar o coração mesmo dos não-cristãos de boa vontade, sensíveis a certos valores.

Com uma tal perspectiva, fácil se torna adivinhar o papel desempenhado na evangelização pelos religiosos e pelas religiosas consagrados à oração, ao silêncio, à penitência e o sacrifício. Outros religiosos, em grande número, dedicam-se diretamente ao anúncio de Cristo. A sua ação missionária dependerá, evidentemente, da hierarquia e deve ser coordenada com a pastoral que a mesma hierarquia deseja pôr em prática. Mas, quem é que não avalia a imensa quota-parte com que eles têm contribuído e continuam a contribuir para a evangelização? Graças à sua consagração religiosa, eles são por excelência voluntários e livres para deixar tudo e ir anunciar o Evangelho até as extremidades da terra. Eles são empreendedores, e o seu apostolado é muitas vezes marcado por uma originalidade e por uma feição própria, que lhes granjeiam forçosamente admiração. Depois, eles são generosos: encontram-se com freqüência nos postos de vanguarda da missão e a arrostar com os maiores perigos para a sua saúde e para a sua própria vida. Sim, verdadeiramente a Igreja deve-lhes muito!

Leigos

70. Os leigos, a quem a sua vocação específica coloca no meio do mundo e à frente de tarefas as mais variadas na ordem temporal, devem também eles, através disso mesmo, atuar uma singular forma de evangelização.

A sua primeira e imediata tarefa não é a instituição e o desenvolvimento da comunidade eclesial, esse é o papel específico dos Pastores, mas sim, o pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes, nas coisas do mundo. O campo próprio da sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos “mass media” e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento. Quanto mais leigos houver impregnados do Evangelho, responsáveis em relação a tais realidades e comprometidos claramente nas mesmas, competentes para as promover e conscientes de que é necessário fazer desabrochar a sua capacidade cristã muitas vezes escondida e asfixiada, tanto mais essas realidades, sem nada perder ou sacrificar do próprio coeficiente humano, mas patenteando uma dimensão transcendente para o além, não raro desconhecida, se virão a encontrar ao serviço da edificação do reino de Deus e, por conseguinte, da salvação em Jesus Cristo.

Família

71. No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de pôr em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação sancionada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II: “Igreja doméstica”.(106) Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia.

No seio de uma família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma família evangelizam e são evangelizados. Os pais, não somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E uma família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que ela se insere. Mesmo as famílias surgidas de um matrimônio misto têm o dever de anunciar Cristo à prole, na plenitude das implicações do comum batismo; além disso, incumbe-lhes a tarefa que não é fácil, de se tornarem artífices da unidade.

Jovens

72. As circunstâncias de momento convidam-nos a prestar uma atenção muito especial aos jovens. O seu aumento numérico e a sua crescente presença na sociedade e os problemas que os assediam devem despertar em todos o cuidado de lhes apresentar, com zelo e inteligência, o ideal evangélico, a fim de eles o conhecerem e viverem. Mas, por outro lado, é necessário que os jovens, bem formados na fé e na oração, se tornem cada vez mais os apóstolos da juventude. A Igreja põe grandes esperanças na sua generosa contribuição nesse sentido; e nós próprios, em muitas ocasiões, temos manifestado a plena confiança que nutrimos em relação aos mesmos jovens.

Ministérios diversificados

73. Assim, a presença ativa dos leigos nas realidades temporais assume toda a sua importância. No entanto, é preciso não descurar ou não deixar no esquecimento outra dimensão: os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios Pastores ao serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, pelo exercício dos ministérios muito diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor houver por bem depositar neles.

Não é sem experimentar intimamente uma grande alegria que nós vemos uma legião de Pastores, religiosos e leigos, apaixonados pela sua missão evangelizadora, a procurarem moldes mais adaptados para anunciar eficazmente o Evangelho; e encorajamos a abertura que, nesta linha e com esta preocupação, a Igreja demonstra ter alcançado nos dias de hoje. Abertura para a reflexão, em primeiro lugar; e depois, abertura para ministérios eclesiais susceptíveis de rejuvenescer e de reforçar o seu próprio dinamismo evangelizador.

É certo que, ao lado dos ministérios ordenados, graças aos quais alguns fiéis são colocados na ordem dos Pastores e passam a consagrar-se de uma maneira particular ao serviço da comunidade, a Igreja reconhece também o lugar de ministérios não-ordenados, e que são aptos para assegurar um especial serviço da mesma Igreja.

Um relance sobre as origens da Igreja é muito elucidativo e fará com que se beneficie de uma antiga experiência nesta matéria dos ministérios, experiência que se apresenta válida, dado que ela permitiu à Igreja consolidar-se, crescer e expandir-se. O atender assim às fontes, deve ser completado ainda pela atenção às necessidades atuais da humanidade e da mesma Igreja. O ir beber nestas fontes sempre inspiradoras, e o nada sacrificar destes valores, mas saber adaptar-se às exigências e às necessidades atuais, constituem a base sobre que há de assentar a busca sapiente e o colocar na devida luz os ministérios de que a Igreja precisa e que bom número dos seus membros hão de ter a peito abraçar para uma maior vitalidade da comunidade eclesial.

Tais ministérios virão a ter um verdadeiro valor pastoral na medida em que se estabelecerem com um respeito absoluto da unidade e aproveitando-se da orientação dos Pastores, que são precisamente os responsáveis e os artífices da mesma unidade da Igreja.

Tais ministérios, novos na aparência mas muito ligados a experiências vividas pela Igreja ao longo da sua existência, por exemplo, os de catequistas, de animadores da oração e do canto, de cristãos devotados ao serviço da Palavra de Deus ou à assistência aos irmãos em necessidade, ou ainda os de chefes de pequenas comunidades, de responsáveis por movimentos apostólicos, ou outros responsáveis, sáo preciosos para a implantação, para a vida e para o crescimento da Igreja e para a sua capacidade de irradiar a própria mensagem à sua volta e para aqueles que estão distantes. Nós somos devedores também da nossa estima particular a todos os leigos que aceitam consagrar uma parte do seu tempo, das suas energias e às vezes mesmo a sua vida toda, ao serviço das missões.

Para todos os obreiros da evangelização é necessária uma preparação séria; e é necessária de modo muito particular para aqueles que se dedicam ao ministério da Palavra. Animados pela convicção, incessantemente aprofundada, da nobreza e da riqueza da Palavra de Deus, aqueles que têm a missão de a transmitir devem dedicar a maior atenção à dignidade, à precisão e à adaptação da sua linguagem. Todos sabem que a arte de falar se reveste hoje em dia de uma grandíssima importância. E como poderiam então os pregadores e os catequistas descurá-la?

Nós auspiciamos vivamente que, em todas as Igrejas particulares, os Bispos velem pela formação adequada de todos os ministros da Palavra. Essa preparação séria fará aumentar neles a indispensável segurança, como também o entusiasmo para anunciar nos dias de hoje Jesus Cristo.

 

VII. O ESPÍRITO DA EVANGELIZAÇÃO 

Apelo instante

74. Não quereríamos concluir este colóquio com os nossos Irmãos e Filhos muito amados, sem um instante apelo, ainda, quanto às disposições interiores que hão de animar os obreiros da evangelização.

Em nome do próprio Senhor Jesus Cristo, em nome dos apóstolos Pedro e Paulo, nós exortamos todos aqueles que, graças aos carismas do Espírito Santo e ao mandato da Igreja, são verdadeiros evangelizadores, a demonstrarem-se dignos da própria vocação, a exercitarem-na sem reticências nascidas de dúvidas ou do medo e a não descurarem as condições que hão de tornar essa evangelização, não apenas possível, mas também ativa e frutuosa. Passamos a apontar, entre muitas outras, as condições que reputamos fundamentais e que queremos pôr em realce.

Sob a inspiração do Espírito Santo

75. Nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito Santo. Sobre Jesus de Nazaré, esse Espírito desceu no momento do batismo, ao mesmo tempo que a voz do Pai, “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”,(107) manifestava de maneira sensível a eleição e a missão do mesmo Jesus.

Depois, foi “conduzido pelo Espírito” que ele viveu no deserto o combate decisivo e superou a última prova antes de começar essa sua missão. (108) Foi “com a potência do Espírito”,(109) ainda, que Jesus voltou para a Galiléia e inaugurou a sua pregação, aplicando a si próprio a passagem de Isaías, “o Espírito do Senhor está sobre mim”. “Cumpriu-se hoje, acrescentou ele, esta passagem da Escritura”.(110) E aos discípulos que estava prestes a enviar, disse soprando ao mesmo tempo sobre eles: “Recebei o Espírito Santo”.(111)

Realmente, não foi senão depois da vinda do Espírito Santo, no dia do Pentecostes, que os apóstolos partiram para todas as partes do mundo afim de começarem a grande obra da evangelização da Igreja; e Pedro explica o acontecimento como sendo a realização da profecia de Joel: “Eu efundirei o meu Espírito”,(112) E o mesmo Pedro é cheio do Espírito Santo para falar ao povo acerca de Jesus Filho de Deus.(113) Mais tarde, Paulo, também ele, é cheio do Espírito Santo(114) antes de se entregar ao seu ministério apostólico, e do mesmo modo Estêvão, quando foi escolhido para a diaconia e algum tempo depois para o testemunho do martírio.(115) Espírito que impele Pedro, Paulo, ou os doze a falarem inspira-lhes as palavras que eles devem proferir e desce também “sobre todos os que ouviam a sua palavra”.(116)

Repleta do “conforto do Espírito Santo”, a Igreja “ia crescendo”.(117) Ele é a alma desta mesma Igreja. E ele que faz com que os fiéis possam entender os ensinamentos de Jesus e o seu mistério. Ele é aquele que, hoje ainda, como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar, ao mesmo tempo que predispõe a alma daqueles que escutam afim de a tornar aberta e acolhedora para a Boa Nova e para o reino anunciado.

As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas, ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele. De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.

Nós vivemos na Igreja um momento privilegiado do Espírito. Procura-se por toda a parte conhecê-lo melhor, tal como a Escritura o revela. De bom grado as pessoas se colocam sob a sua moção.

Fazem-se assembléias em torno dele. Aspira-se, enfim, a deixar-se conduzir por ele. É um fato que o Espírito de Deus tem um lugar eminente em toda a vida da Igreja; mas, é na missão evangelizadora da mesma Igreja que ele mais age. Não foi por puro acaso que a grande balada para a evangelização sucedeu na manhã do Pentecostes, sob a inspiração do Espírito. Pode-se dizer que o Espírito Santo é o agente principal da evangelização: é ele, efetivamente que impele para anunciar o Evangelho, como é ele que nos mais íntimo das consciências leva a aceitar a Palavra da salvação.(118) Mas pode-se dizer igualmente que ele é o termo da evangelização: de fato, somente ele suscita a nova criação, a humanidade nova que a evangelização há de ter como objetivo, com a unidade na variedade que a mesma evangelização intenta promover na comunidade cristã. Através dele, do Espírito Santo, o Evangelho penetra no coração do mundo, porque é ele que faz discernir os sinais dos tempos, os sinais de Deus, que a evangelização descobre e valoriza no interior da história.

O Sínodo dos Bispos de 1974, que insistiu muito no lugar do Espírito Santo na evangelização, exprimiu também o voto de que Pastores e teólogos, e nós acrescentaremos ainda os fiéis marcados com o selo do Espírito pelo batismo, estudem melhor a natureza e os modos da ação do Espírito Santo na evangelização, em nossos dias. Fazemos nosso também este voto, ao mesmo tempo que exortamos os evangelizadores, sejam eles quem forem, a pedir sem cessar ao Espírito Santo fé e fervor, bem como a deixarem-se prudentemente guiar por ele, qual inspirador decisivo dos seus planos, das suas iniciativas e da sua atividade evangelizadora.

Testemunhas autênticas

76. Consideramos agora, brevemente, a própria pessoa dos evangelizadores.

Ouve-se repetir, com freqüência hoje em dia, que este nosso século tem sede de autenticidade. A propósito dos jovens, sobretudo, afirma-se que eles têm horror ao fictício, aquilo que é falso e que procuram, acima de tudo, a verdade e a transparência.

Estes “sinais dos tempos” deveriam encontrar-nos vigilantes. Tacitamente ou com grandes brados, sempre porém com grande vigor, eles fazem-nos a pergunta: Acreditais verdadeiramente naquilo que anunciais? Viveis aquilo em que acreditais? Pregais vós verdadeiramente aquilo que viveis?

Mais do que nunca, portanto, o testemunho da vida tornou-se uma condição essencial para a eficácia profunda da pregação. Sob este ângulo, somos, até certo ponto, responsáveis pelo avanço do Evangelho que nós proclamamos.

O que é feito da Igreja passados dez anos após o final do Concílio?, perguntávamos nós, não princípio desta meditação. Acha-se ela radicada no meio do mundo e, não obstante livre e independente para interpelar o mesmo mundo? Testemunha ela solidariedade para com os homens e, ao mesmo tempo, o absoluto de Deus? É ela hoje mais ardorosa quanto à contemplação e à adoração, e mais zelosa quanto à ação missionária, caritativa e libertadora? Acha-se ela cada vez mais aplicada nos esforços por procurar a recomposição da unidade plena entre os cristãos, que torna mais eficaz o testemunho comum, afim de que o mundo creia? (119) Todos somos responsáveis das respostas que se possam dar a estas interrogações.

Exortamos, pois, os nossos Irmãos no episcopado, constituídos pelo Espírito Santo para governar a Igreja;(120) exortamos os sacerdotes e diáconos, colaboradores dos Bispos no congregar o povo de Deus e na animação espiritual das comunidades locais; exortamos os religiosos, testemunhas de uma Igreja chamada à santidade e, por isso mesmo, convidados eles próprios para uma vida que testemunhe as bem-aventuranças evangélicas; exortamos os leigos, e com estes, as famílias cristãs, os jovens e os adultos, todos os que exercem uma profissão, os dirigentes, sem esquecer os pobres, quantas vezes ricos de fé e de esperança, enfim, todos os leigos conscientes do seu papel evangelizador ao serviço da sua Igreja ou no meio da sociedade e do mundo; e a todos nós diremos: É preciso que o nosso zelo evangelizador brote de uma verdadeira santidade de vida, alimentada pela oração e sobretudo pelo amor à eucaristia, e que, conforme o Concílio no-lo sugere, a pregação, por sua vez, leve o pregador a crescer em santidade.(121)

O mundo que, apesar dos inumeráveis sinais de rejeição de Deus, paradoxalmente, o procura entretanto por caminhos insuspeitados e que dele sente bem dolorosamente a necessidade, o mundo reclama evangelizadores que lhe falem de um Deus que eles conheçam e lhes seja familiar como se eles vissem o invisível.(122) O mundo reclama e espera de nós simplicidade de vida, espírito de oração, caridade para com todos, especialmente para com os pequeninos e os pobres, obediência e humildade, desapego de nós mesmos e renúncia. Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer vã e infecunda.

Artífices da unidade

77. A força da evangelização virá a encontrar-se muito diminuída se aqueles que anunciam o Evangelho estiverem divididos entre si, por toda a espécie de rupturas. Não residirá nisso uma das grandes adversidades da evangelização nos dias de hoje? Na realidade, se o Evangelho que nós apregoamos se apresenta vulnerado por querelas doutrinais, polarizações ideológicas, ou condenaçães recíprocas entre cristãos, ao capricho das suas maneiras de ver diferentes acerca de Cristo e acerca da Igreja e mesmo por causa das suas concepções diversas da sociedade e das instituições humanas, como não haveriam aqueles a quem a nossa pregação se dirige vir a encontrar-se perturbados, desorientados, se não escandalizados?

O testamento espiritual do Senhor diz-nos que a unidade entre os fiéis que o seguem, não somente é a prova de que nós somos seus, mas também a prova de que ele foi enviado pelo Pai, critério de credibilidade dos mesmos cristãos e do próprio Cristo.

Como evangelizadores, nós devemos apresentar aos fiéis de Cristo, não já a imagem de homens divididos e separados por litígios que nada edificam, mas sim a imagem de pessoas amadurecidas na fé, capazes de se encontrar para além de tensões que se verifiquem, graças à procura comum, sincera e desinteressada da verdade. Sim, a sorte da evangelização anda sem dúvida ligada ao testemunho de unidade dado pela Igreja. Nisto há de ser vista uma fonte de responsabilidade, como também de reconforto.

Quanto a este ponto, nós quereríamos insistir sobre o sinal da unidade entre todos os cristãos, como via e instrumento da evangelização. A divisão dos cristãos entre si é um estado de fato grave, que chega a afetar a própria obra de Cristo. O Concílio Ecumênico Vaticano II afirma com justeza e com firmeza que ela “prejudica a santíssima causa de pregar o Evangelho a toda a criatura e fecha a muitos o acesso à fé”.(123) por isso mesmo, ao proclamar o Ano Santo consideramos necessário recordar a todos os fiéis do mundo católico que “a reconciliação de todos os homens com Deus, nosso Pai, pressupõe o estabelecimento da comunhão plena entre aqueles que já reconheceram e acolheram, pela fé, Jesus Cristo como o Senhor da misericórdia, que liberta todos os homens e os une no Espírito de amor e de verdade”.(124)

É com um grande sentimento de esperança que nós vemos os esforços que estão a ser envidados no mundo cristão para tal recomposição da plena unidade querida por Cristo. E São Paulo assegura-nos que “a esperança não desilude”.(125)

Assim, ao mesmo tempo que continuamos a trabalhar a fim de obter do Senhor a plena unidade, queremos que se intensifique a oração nesse mesmo sentido. Ademais fazemos nosso o voto dos Padres da terceira Assembléia Geral do Sínodo dos Bipos, isto é, que se colabore com maior empenho com os irmãos cristãos com os quais não estamos ainda unidos por uma comunhão perfeita, baseando-se sobre o fundamento do batismo e sobre o patrimônio de fé que é de todos, para dar daqui por diante mais amplo testemunho comum de Cristo diante do mundo. A isso nos impele a mandamento do Cristo, exige-o a obra de pregar e de dar testemunho do Evangelho.

Servidores da verdade

78. O Evangelho de que nos foi confiado o encargo é também palavra da verdade. Uma verdade que torna livres(126) e que é a única coisa que dá a paz do coração, é aquilo que as pessoas vêm procurar quando nós lhes anunciamos a Boa Nova. Uerdade sobre Deus, verdade sobre o homem e sobre o seu misterioso destino e verdade sobre o mundo. Dificil verdade que nós procuramos na Palavra de Deus e da qual nós somos, insistimos ainda, não os árbitros nem os proprietários, mas os depositários, os arautos e os servidores.

Espera-se de todo o evangelizador que ele tenha o culto da verdade, tanto mais que a verdade que ele aprofunda e comunica, outra coisa não é senão a verdade revelada; e, por isso mesmo, mais do que qualquer outra, parcela daquela verdade primária que é o próprio Deus. O pregador do Evangelho terá de ser, portanto, alguém que, mesmo à custa da renúncia pessoal e do sofrimento, procura sempre a verdade que há de transmitir aos outros. Ele jamais poderá trair ou dissimular a verdade, nem com a preocupação de agradar aos homens, de arrebatar ou de chocar, nem por originalidade ou desejo de dar nas vistas. Ele não há de evitar a verdade e não há de deixar que ela se obscureça pela preguiça de a procurar, por comodidade ou por medo; não negligenciará nunca o estudo da verdade. Mas há de servi-la generosamente, sem a escravizar.

Enquanto Pastores do povo fiel, o nosso serviço pastoral obriga-nos a preservar, defender e comunicar a verdade, sem olhar a sacrifícios. Tantos e tantos Pastores eminentes e santos nos deixaram o exemplo, em muitos casos heróico, deste amor à verdade. E o Deus da verdade espera de nós precisamente que sejamos os defensores vigilantes e pregadores devotados dessa mesma verdade.

Quer sejais doutores, teólogos, exegetas ou historiadores, a obra da evangelização precisa de todos vós, do vosso labor infatigável de pesquisa e também da vossa atenção e delicadeza na transmissão da verdade, da qual os vossos estudos vos aproximam, mas que permanece sempre maior do que o coração do homem, porque é a mesma verdade de Deus.

Pais e mestres, a vossa tarefa, que os múltiplos conflitos atuais não tornam fácil, é a de ajudar os vossos filhos e os vossos discípulos na descoberta da verdade, incluindo a verdade religiosa e espiritual.

Animados pelo amor

79. A obra da evangelização pressupõe no evangelizador um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele evangeliza. Aquele modelo de evangelizador que é o apóstolo Paulo escrevia aos tessalonicenses estas palavras que são para todos nós um programa: “Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor que vos tínhamos”,(127) E de que gênero é essa afeição? Muito maior do que aquela que pode ter um pedagogo, é a afeição de um pai, e mais ainda, a de uma mãe.(128) É uma afeição assim, que o Senhor espera de cada pregador do Evangelho e de cada edificador da Igreja.

Será um sinal de amor a preocupação de comunicar a verdade e de introduzir na unidade. Será igualmente um sinal de amor devotar-se sem reservas e sem subterfúgios ao anúncio de Jesus Cristo.

E acrescentamos ainda mais alguns outros sinais deste amor. O primeiro é o respeito pela situação religiosa e espiritual das pessoas a quem se evangeliza: respeito pelo seu ritmo que não se tem o direito de forçar para além da justa medida; e respeito pela sua consciência e pelas suas convicções. Elas hão de ser tratadas sem dureza.

Um outro sinal deste amor é a preocupação por não ferir outrem, sobretudo se esse outrem é débil na sua fé,(129) com afirmações que podem ser claras para os iniciados, mas para os simples fiéis podem tornar-se fonte de perturbação e de escândalo, como se fosse uma ferida na alma.

Será também um sinal de amor o esforço para transmitir aos cristãos, não dúvidas ou incertezas nascidas de uma erudição mal assimilada, mas certezas sólidas, porque ancoradas na Palavra de Deus. Sim, os fiéis precisam dessas certezas para a sua vida cristã, eles têm mesmo direito a elas, na medida em que são filhos de Deus, que se abandonam inteiramente nos seus braços, às exigências do amor.

Com o fervor dos santos

80. Um outro nosso apelo, aqui neste ponto, inspira-se no fervor que se pode observar sempre na vida dos grandes pregadores e evangelizadores, que se consagraram ao apostolado. Entre estes, apraz-nos realçar, particularmente, aqueles que, no decorrer deste Ano Santo, nós tivemos a dita de propor à veneração dos fiéis. Eles souberam superar muitos obstáculos que se opunham à evangelização.

De tais obstáculos, que são também dos nossos tempos, limitar-nos-emos a assinalar a falta de fervor, tanto mais grave por isso mesmo que provém de dentro, do interior de quem a experimenta. Essa falta de fervor manifesta-se no cansaço e na desilusão, no acomodamento e no desinteresse e, sobretudo, na falta de alegria e de esperança em numerosos evangelizadores. E assim, nós exortamos todos aqueles que, por qualquer título e em alguma escala, têm a tarefa de evangelizar, a alimentarem sempre o fervor espiritual.(130)

Este fervor exige, antes de mais nada, que nós saibamos banir os álibis que pretendessem opor-se à evangelização. Os mais insidiosos são certamente aqueles para os quais se presume encontrar um apoio neste ou naquele ensinamento do Concílio.

É assim que se ouve dizer, demasiado freqüentemente, sob diversas formas: impor uma verdade, ainda que seja a verdade do Evangelho, impor um caminho, ainda que seja o da salvação, não pode ser senão uma violência à liberdade religiosa. De resto, acrescenta-se ainda: Para que anunciar o Evangelho, uma vez que toda a gente é salva pela retidão do coração? E sabe-se bem, além disso, que o mundo e a história estáo cheios de sementes da Palavra. Não será, pois, uma ilusão o pretender levar o Evangelho aonde ele já se encontra, nestas sementes que o próprio Senhor aí lançou?

Quem quer que se dê ao trabalho de aprofundar, nos mesmos documentos conciliares, os problemas em base aos quais esses álibis são formulados, de maneira demasiado superficial, encontrará uma visão totalmente diversa da realidade.

É claro que seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará, e isso, sem pressões coercitivas, sem persuações desonestas e sem aliciá-la com estímulos menos retos,(131) longe de ser um atentado à liberdade religiosa, é uma homenagem a essa liberdade, à qual é proporcionado o escolher uma via que mesmo os não-crentes reputam nobre e exaltante. Será então um crime contra a liberdade de outrem o proclamar com alegria uma Boa Nova que se recebeu primeiro, pela misericórdia do Senhor? (132) Ou por que, então, só a mentira e o erro, a degradação e a pornografia, teriam o direito de serem propostos e com insistência, infelizmente, pela propaganda destrutiva dos “mass media”, pela tolerância das legislações e pelo acanhamento dos bons e pelo atrevimento dos maus? Esta maneira respeitosa de propor Cristo e o seu reino, mais do que um direito, é um dever do evangelizador. E é também um direito dos homens seus irmãos o receber dele o anúncio da Boa Nova da salvação. Esta salvação, Deus pode realizá-la em quem ele quer por vias extraordinárias que somente ele conhece.(133) E entretanto, se o seu Filho veio, foi precisamente para nos revelar, pela sua palavra e pela sua vida, os caminhos ordinários da salvação. E ele ordenou-nos transmitir aos outros essa revelação, com a sua própria autoridade.

Sendo assim, não deixaria de ter a sua utilidade que cada cristão e cada evangelizador aprofundasse na oração este pensamento: os homens poderão salvar-se por outras vias, graças à misericórdia de Deus, se nós não lhes anunciarmos o Evangelho; mas nós, poder-nos-emos salvar se, por negligência, por medo ou por vergonha, aquilo que São Paulo chamava exatamente “envergonhar-se do Evangelho”,(134) ou por se seguirem idéias falsas, nos omitirmos de o anunciar? Isso seria, com efeito, trair o apelo de Deus que, pela voz dos ministros do Evangelho, quer fazer germinar a semente; e dependerá de nós que essa semente venha a tornar-se uma árvore e a produzir todo o seu fruto.

Conservemos o fervor do espírito, portanto; conservemos a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! Que isto constitua para nós, como para João Batista, para Pedro e para Paulo, para os outros apóstolos e para uma multidão de admiráveis evangelizadores no decurso da história da Igreja, um impulso interior que ninguém nem nada possam extinguir. Que isto constitua, ainda, a grande alegria das nossas vidas consagradas. E que o mundo do nosso tempo que procura, ora na angústia, ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo, e são aqueles que aceitaram arriscar a sua própria vida para que o reino seja anunciado e a Igreja seja implantada no meio do mundo.

 

CONCLUSÃO

Palavra programática do Ano Santo

81. Este, Irmãos e Filhos, é o brado que nos brota do íntimo do coração, como que um eco da voz dos nossos Irmãos reunidos para a terceira Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos. Nele vai a palavra programática que nós quisemos dar-vos, no final de um Ano Santo que nos permitiu aperceber-nos, mais do que nunca, das necessidades e dos apelos de uma multidão de irmãos, cristãos e não cristãos, que esperam da Igreja a Palavra da salvação,

Que a luz do Ano Santo que se acendeu nas Igrejas particulares e em Roma para milhões de consciências reconciliadas com Deus, possa continuar a irradiar o Jubileu, através de um programa, de ação pastoral, de que a evangelização é o aspecto fundamental, para estes anos que assinalam a vigília dum novo século e a vigília também do terceiro milênio do cristianismo!

Maria, estrela da evangelização

82. É este o voto que nós temos a alegria de colocar nas vossas mãos e no coração da Santíssima Virgem Maria, a Imaculada, neste dia que lhe é dedicado de maneira especial, e no décimo aniversário do encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano II. Na manhã do Pentecostes, ela presidiu na prece ao iniciar-se da evangelização, sob a ação do Espírito Santo: que seja ela a estrela da evangelização sempre renovada, que a Igreja, obediente ao mandato do Senhor, deve promover e realizar, sobretudo nestes tempos difíceis mas cheios de esperança!

Em nome de Cristo, nós vos abençoamos, a vós, às vossas comunidades, às vossas famílias e a todos aqueles que vos são queridos, com aquelas palavras que São Paulo dirigia aos filipenses: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, e sempre em todas as minhas súplicas oro por todos vós com alegria, pela vossa participação no Evangelho… porque vos tenho no meu coração, a todos vós que, … na defesa e afirmação do evangelho da fé, comigo vos tornastes participantes da graça.

Deus me é testemunha de que eu vos amo a todos, com a ternura de Cristo Jesus”.(135)

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, do ano de 1975, décimo terceiro do nosso pontificado.

 

PAULUS PP. VI


NOTAS

1. Cf. Lc 22,32

2. 2Cor 11,28.

3. Conc. Ecum. Vaticano II , Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n,1: AAS 58 (1966) p. 947.

4. Cf. Ef 4,24; 2,15; Cl 3,10, Gl 3,27, Rm 13,14; 2Cor 5,17.

5. 2Cor 5, 20.

6. Cf. Paulo PP. VI, Discurso por ocasião do encerramento da III Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos (26 de outubro de 1974); AAS 66 (1974), pp. 634-635, 637.

7. Paulo PP. VI, Discurso ao Sacro Colégio dos Cardeais (22 de junho de 1973): AAS 65 (1973), p. 383.

8. 2Cor 11,28.

9. 1Tm 5,17

10. 2Tm 2,15.

11. Cf. 1Cor 2,5.

12. Lc 4,43.

13. Ibidem

14. Lc 4,18; cf. Is 61,1.

15. Cf. Mc 1,1, Rm 1,1-3.

16. Cf. Mt 6,33.

17. Cf. Mt 5,3-12

18. Cf. Mt 5-7.

19. Cf. Mt 10.

20. Cf. Mt 13.

21. Cf. Mt 18.

22. Cf. Mt 24,25.

23. Cf. Mt 24,36; At 1,7;1Ts 5,1-2.

24. Cf. Mt 11,12; Lc 16,16.

25. Cf: Mt 4,17.

26. Mc 1,27.

27. Lc 4, 22,

28.  Jo 7,46.

29. Lc 4,43.

30. Jo 11,52,

31. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Revelação Divina, Dei Verbum, n. 4: AAS 58 (1966), pp. 818-819.

32. 1Pd 2,9.

33. Cf. At 2,11.

34. Lc 4,43.

35. lCor 9,16.

36. Cf. Declaração dos Padres Sinodais, n. 4: L’Osservatore Romano, ed. 27 de outubro de 1974, p. 6.

37. Mt 28,19.

38. At 2,41.47.

39. Cf Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n. 8: AAS 57 (1965), p. 11; Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n. 5: AAS 58 (1966), pp. 951-952.

40. Cf. At 2,42-46; 4,32-35; 5,12-16. 

41. Cf.1Pd 2,9, At 2,11.

42. Cf. Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, nn. 5,11-12; AAS 58 (1966), pp. 951-952, 959-961.

43. Cf. 2Cor 4,5; S. Agostinho, Sermo XLVI, de Pastoribus: C.C.L., XLI, 529530.

44. Lc 10,16; cf. S. Cipriano, De unitate Ecclesiae 14; PL 4, 527; S. Agostinho, Enarrat. 88, Sermo, 2,14: PL 37,1140; S. João Crisóstomo, Hom. de capto Eutropio, 6: PG 52, 402.

45. Ef 5,25.

46. Ap 21,5; 2Cor 5,17; Gl 6,15.

47. Rm 6,4.

48. Cf. Ef 4,23-24; Cl 3,9-10.

49.Cf. Rm 1,16; 1Cor 1,18; 2,4.

50. Cf. n. 53: AAS 58: (1966), p.1075.

51. Cf. Tertuliano, Apologeticum, 39: C.C.L., I, pp. 150-153; Minúcio Félix, Octavius, 9, 31: C.S.L.P., Torino 1963, pp.11-13, 47-48.

52. 1Pd 3,15.

53. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, nn.1,9,48: AAS 59 (1965), pp. 5,12-14, 53-54; Const. Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo, Gaudium et Spes, nn. 42,45: AAS 58 (1966), pp.1060-1061,1065-1066; Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, nn,1,5: AAS 58 (1966), pp. 947, 951-952.

54. Cf. Rm 1,16; 1Cor 1,18.

55. Cf At 17, 22-23.

56. 1Jo 3,1; cf. Rm 8, 14-17.

57. Cf. Ef 2,8; Rm 1, 16. Cf. Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração para salvaguardar de alguns erros recentes a fé nos mistérios da Encarnação e da Santíssima Trindade (de 21 de fevereiro de 1972): ASS 64 (1972), pp. 237-241.

58. Cf. 1Jo 3,2; Rm 8, 29; Fl 3,20-21. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, nn. 48-51: AAS 57 (1965), pp. 53-58.

59. Cf. Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração acerca da doutrina católica sobre a Igreja para a defender de alguns erros hodiernos (de 24 de junho de 1973): AAS 65 (1973), pp. 396-408.

60. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo, Gaudium et Spes, nn. 47-52: AAS 58 (1966), pp. 1067-1074 Paulo PP VI, Enc. Humanae Vitae: AAS 60 (1968), pp. 481-503.

61. Paulo PP VI, Discurso na abertura da terceira Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos (em 27 de setembro de 1974): AAS 66 (1374), p. 562.

62. Paulo PP VI, Discurso na abertura da terceira Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos (em 27 de setembro de 1974): AAS 66 (1974), p, 562.

63. Paulo PP. VI, Discurso aos Agricultores (“Campesinos”) da Colômbia (em 23 de agosto de 1968): AAS 60 (1968), p. 623.

64. Paulo PP. VI, Discurso no “Dia do Desenvolvimento”, em Bogotá (em 23 de agosto de 1968): AAS 60 (1968), p. 627; cf. S. Agostinho, Epistola 229, 2: PL 33,1020.

65. Paulo PP. VI, Discurso por ocasião do encerramento da terceira Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos (26 de outubro de 1974): AAS 66 (1974), p. 637.

66. Paulo PP VI, Discurso na Audiência geral de 15 de outubro de 1975; cf. L’Osservatore Romano de 17 de outubro de 1995, p.1,

67. Paulo PP VI, Discurso aos Membros do “Consilium de Laicis” (em 2 de outubro de1974):  AAS 66 (1974), p. 568. 

68. Cf. 1Pd 3,1.

69. Rm 10,14.17. 

70. Cf. 1Cor 2,1-5.

71. Rm 10,17.

72. Cf Mt 10,27; Lc 12,3.

73. Mc 16,15.

74. Cf. S. Justino,1 Apologia, 46,1-4;11 Apologia, 7 (8) 1-4;13,3-4; Florilegium Patristicum 11, Bonn 1911, pp. 81, 125, 129, 133; Clemente de Alexandria, Stromata I,19, 91-94; S. Ch. 30, pp.117-118;119-120; Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n. 11: AAS 58 (1966), p. 960; cf. Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n. 17: AAS 57 (1965), p. 21.

75. Eusébio de Cesaréia, Praeparatio evangelica,1,1; PG 21, 28- cf. II Conc. Ecum. do Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n.16; AAS 57 (1965), p. 20.

76. Cf. Ef 3,8.

77. Cf. Henri de Lubac, Le drame de l’humanisme athée, Ed. Spes, Paris 1945.

78. Cf. Const. Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo, Gaudium et Spes, n. 59: AAS 58 (1966), p.1080.

79. 1Tm 2,4,

80. Mt 9,36;15,32.

81. Rm 10,15.

82. Decl. sobre a Liberdade Religiosa, Dignitatis Humanae, n. 13: AAS 58 (1966), p. 939; Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n. 5: AAS 5 (1965), pp, 9-8; Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n.1: AAS 58 (1966), p. 947.

83. Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n. 35: AAS 58 (1966), p. 983.

84. S. Agostinho, Enarrat. in Ps 44, 23: C.C.L. XXXVIII, p. 510; cf. Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n.1: AAS 58 (1966), p. 947.

85. S. Gregório Magno, Hom. in Evang. 19,1: PL 96,1154.

86. At 1,8; cf. Didakè, 9,1: Funk, Patres Apostolici,1,22.

87. Mt 28,20.

88. Cf. Mt 13,32.

89. Cf. Mt 13,47.

90. Cf. Jo 21,11.

91. Cf. Jo 10,1-16.

92. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum, Concilium, nn. 37-38: AAS 56 (1964), p.110. E cf. também os Livros Litúrgicos e os outros Documentos emanados pela Santa Sé para a atuação da reforma litúrgica desejada pelo mesmo Concílio.

93. Paulo PP. VI, Discurso por ocasião do encerramento da terceira Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos (em 26 de outubro de 1974): AAS 66 (1974), p. 636.

94. Cf. Jo 15,16; Mc 3,13-19; Lc 6,13-16.

95. Cf. At 1,21-22.

96. Cf. Mc 3,14.

97. Cf. Mc 3,14-15; Lc 9,2.

98. At 4,8; cf. 2,14; 3,12.

99. S. Leão Magno, Sermo 69,3; Sermo 70,1-3; Sermo 94,3; Sermo 95,2: S. Ch. 200, pp. 50-52; 58-66; 258-260; 268.

100. Cf. I Conc. Ecum. de Lião, Const. Ad apostolicae dignitatis: Conciliorum Ecumenicorum Decreta, Ed. Istituto per le Scienze Religiose, Bolonha 1973, p. 278; Conc. Ecum. de Viena, Const. Ad providam Christi, ed. cit., p. 343; V Conc. Ecum. de Latrão, Const. In apostolici culminis, ed. cit., p. 608; Const. Postquam ad universalis, ed. cit., p. 609; Const. Supernae dispositionis, ed. cit., p. 614; Const. Divina disponente clementia, ed. cit., p. 638.

101. Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n. 38: AAS 58 (1966), p. 985.

102. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n. 22: AAS 57 (1965), p. 26.

103. Cf.  Conc. Ecum, Vaticano II, Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, nn. 10,37: AAS 57 (1965), pp. 14, 43; Decr, sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n, 39: AAS 58 (1966), p. 986; Decr. sobre o ministério e vida dos Sacerdotes, Presbyterorum Ordinis, nn. 2,12,13: AAS 58 (1966), pp. 992,1010,1011.

104. Cf. 1Ts 2,9

105. Cf. 1Pd 5,4,

106. Const. Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n.11; AAS 57 (1965), p. 16; Decr. sobre o Apostolado dos Leigos, Apostolicam Actuositatem, n. 11: AAS 58 (1966) p. 848; S. João Crisóstomo, In Genesim Serm. VI, 2, VII, 2: PG 54, 607-608.

107. Mt 3,17.

108. Mt 4,1.

109. Lc 4,14.

110. Lc 4,18; cf. Is 61,1.

111. Jo 20,22.

112. At 2,17.

113. Cf. At 4,8.

114.Cf. At 9,17.

115. Cf. At 6,5; 7,55.

116. At 10,44.

117. Cf. At 9,31.

118. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n. 4: AAS 58 (1966), pp. 950-951.

119. Jo 17,21.

120. Cf. At 20,28.

121. Cf. Decr. sobre o ministério e vida dos Sacerdotes, Presbyterorum Ordinis, n.13: AAS 58 (1966), p.1011.

122. Cf. Hb 11,27.

123. Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n, 6: AAS 58 (1966), pp. 954-955; cf. Decr. sobre o Ecumenismo, Unitatis Redintegratio, n. 1: AAS 57 (1965), pp. 90-91.

124. Bula Apostolorum Limina, VII: AAS 66 (1974) p. 305. 

125. Rm 5,5.

126. Cf. Jo 8,32.

127. 1Ts 2,8, cf. Fl 1,8.

128. Cf.1Ts 2,7.11; lCor 4,15; Gl 4,19.

129. Cf. 1Cor 8,9-13; Rm 14,15.

130. Cf. Rm 12,11.

131. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Decl. sobre a Liberdade Religiosa, Dignitatis Humanae, n. 4: AAS 58 (1966), p. 933.

132. Cf. Ibidem, nn, 9-14:1. c., pp, 935-940.

133. Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. sobre a Atividade Missionária da Igreja, Ad Gentes, n. 7: AAS 58 (1966), p. 955.

134. Cf. Rm 1,16.

135. Fl 1,3-4.7-8.

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