Tem se tornado uma constante que, todos os anos, aproximando-se a Semana Santa ou o Natal, as grandes datas cristãs, apareça alguma notícia de uma descoberta supostamente científica que refuta os dados históricos da Fé católica.

 

Em 2002, por exempo, o Discovery Channel apresentou o documentário dirigido pelo cineasta israelense-canadense Simcha Jacobovici, sobre a “descoberta da tumula de ‘S. Tiago, Filho de José, irmão de Jesus’”. Depois, a Autoridade de Antiguidades de Israel demonstrou que se tratava de uma moderna falsificação.

 

No próximo dia 18, será exibido no Brasil, outro documentário do mesmo canal, dirigido por Jacobovici, e produzido por James Cameron – diretor de “Titanic” e “O Exterminador do Futuro” –, de uma descoberta que, se fosse verdadeira, destruiria definitivamente o fundamento da Fé: a do túmulo de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua família!

 

O próprio arqueólogo encarregado da investigação dos túmulos há 27 anos, Amos Kloner, já tratou de desacreditar a teoria de Jacobovici e Cameron, como farsa publicitária:

 

http://www.aciprensa.com/noticia.php?n=15893&PHPSESSID=d23ce92f763e99a9d879f4f71c8330ac

 

Veja-se também o artigo do historiador peruano Fernando Valle Rondon:

 

http://www.elcomercioperu.com.pe/EdicionOnline/html/2007-03-04/onEcColumnas0682412.html

 

Deixando agora de lado os argumentos das ciências histórica e arqueológica, apelemos ao mero bom senso: se os apóstolos fossem uns farsantes, que resolveram enganar a posteridade, não teriam enterrado seu Senhor e familiares em tumbas com seus nomes inscritos, ora! Teriam era dado sumiço no corpo de Cristo – como os fariseus suspeitaram que o fariam (cf. Mt 27,62-66) –, e não deixado um atestado de burrice!

 

Além disso – reproduzo aqui um argumento do sítio “corazones.org” –, se Jesus não tivesse ressuscitado, e isso fosse por todos conhecido em Jerusalém, ele seria um impostor sem crédito. Seus familiares e discípulos retornariam a seus povoados de origem, como fazem os peregrinos ao terminar a Páscoa. Não faria sentido continuar em Jerusalém, ainda mais que seriam mal vistos por ali. De modo que não seriam enterrados juntos na cidade santa, em uma sepultura de classe média (veja-se aqui o artigo completo: http://corazones.org/apologetica/tumba_jesus.htm ).

 

A teoria da dupla responsável pelo documentário – que, de certo modo, é a teoria da teologia “liberal” – implica que os apóstolos, ao mesmo tempo tenham sido fraudulentos – os “demitizadores” diriam “idealistas”, criadores de uma Fé “verdadeira”, ainda que independente dos fatos históricos, e até mesmo em contradição com os mesmos –, e não tenham tomado os devidos cuidados para que sua fraude não fosse descoberta. Como se os apóstolos tivessem tramado algo assim (digno dos irmãos metralha): “vamos contar umas coisas que não aconteceram, como se elas tivessem acontecido, ainda que muitos à nossa volta saibam que não aconteceram e possam nos desmentir, ou que os que não sabem que não aconteceram, possam certificar-se de nossa fraude [sobretudo porque os apóstolos, nessa teoria, não esconderam o corpo de Jesus, é importante lembrar]; se não der certo agora, a gente fica torcendo pra ninguém no futuro descobrir; como Jerusalém será destruída, como falou o Mestre – ih, mas o Mestre não ressuscitou… ah, tanto faz… – não vão encontrar a tumba; se encontrarem, nós já teremos sido martirizados e já estaremos no céu – ué, mas Jesus não ressuscitou, logo não tem céu… ah, não tem importância…”. Eu não tenho tanta imaginação assim para continuar…

 

Querer, ao mesmo tempo, que os apóstolos tenham inventado a ressurreição, e que Jesus tenha sido enterrado, junto a familiares, com publicidade, é de um completo non sense. De modo que, ou esses senhores carecem de razoabilidade, ao postularem uma teoria tão absurda, ou, interessados no lucro que essa estória sensacionalista, na esteira do “Código da Vinci”, lhes vai proporcionar, não estão nem aí para coisas como bom senso, seriedade, veracidade…

 

O pior, todavia, como lembra o artigo acima, do sítio “corazones.org”, é que os meios de comunicação – jornais, sítios da Internet, e sobretudo o canal de tv que veiculará o programa –, cuja missão é informar a verdade, sejam cúmplices, a cada  ano, dessas teorias sem verdadeiro respaldo científico, e que ferem até mesmo o mais elementar bom senso, tornando-se, assim, servos do “Pai da mentira”.

 

Cabe a nós que, através de uma Fé em plena harmonia com a razão, professamos a divindade de Nosso Senhor, Sua Encarnação, Morte redentora e Ressurreição gloriosa, denunciar com inteligência a falta de fundamentos racionais dos argumentos utilizados pelos adversários de Nosso Senhor Jesus Cristo, e repudiar veementemente as iniciativas que visam desestabilizar a Fé, boicotando os meios que as promovem.

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