Espaço do Leitor

Falando sobre masturbação

Olha, sei que masturbação é pecado de matéria grave que pode ser atenuado conforme alguns fatores.

Apesar disso, às vezes não resisto, e começo o ato, mesmo que sempre procure não finalizá-lo, sei que peco do mesmo jeito.

Entretanto, me causa pavor pensar que isso me condena ao inferno, que toda minha vida, todo o tempo em que eu procurei seguir a vontade de Deus com sinceridade, as orações que fiz, as missas que fui, tudo isso simplesmente não vale mais nada a partir do momento em que pratico este ato – que só será reparado em uma confissão. Mas até lá eu estou morto! Minha alma está morta e condenada! Para sempre. Certo? E seu eu estiver indo me confessar e morrer atropelado, sei lá…?

Eu sei que parece que estou me justificando, mas na verdade quero entender por que isso é justo, e se é assim mesmo. Por que um único momento em que a carne me vence simplesmente anula o que veio antes? Não que fosse tão bom, mas eu sempre tive sinceridade em tentar ser bom (seguir a vontade de Deus).

Eu não acho que faço isso 100% por livre e espontânea vontade, embora eu tenha livre-arbítrio, eu bem sei, mas recebendo estímulos da TV,  da Internet, da rua (mulheres com pouca roupa e decotes), minha carne às vezes me venceu. Chego a pensar que se eu não vivesse em um mundo com TV e Internet esse meu pecado seria quase nulo – não ouso dizer que seria nulo – porque pelo menos os estímulos estaríam MUITO reduzidos.

Não peço ajuda de dica para sair disso, eu sei como devo fazer: oração e comungar.

Quero é entender se minha alma está completamente condenada neste momento, mesmo que eu esteja profundamente arrependido e envergonhado das vezes em que não resisti.

Aqui vai uma pergunta, com este pecado eu posso comungar?

Se não, mesmo depois de confessá-lo, eu sei que a chance de voltar a pecar dessa maneira no futuro são prováveis, então pergunto: devo confessar no dia seguinte a cada vez que cometer este pecado?

Cada vez que cometê-lo devo me ausentar da comunhão?

Desde já, quero dizer que pretendo confessar (como já fiz outras vezes), mas da última vez, depois que eu perguntei sobre isso o padre me disse “tu é jovem, está com os hormônios com tudo, não precisa confessar TODA A VEZ que cometer”.

Eu não disse nada, mas acredito que ele estava errado. Enfim, desculpe-me se pareci um pouco confuso, mas talvez seja porque tenho várias dúvidas a respeito disso.

No aguardo da resposta,

Obrigado.

Olá caríssimo sr. Leitor. Para nós do Veritatis Splendor é sempre uma alegria poder servir as almas de boa vontade e de puras disposições interiores como a vossa. Nos encomendamos as vossas orações ao Todo Poderoso.

Gostaria de louvar vossa docilidade e pureza de intenção para romper com o pecado, vossa humildade em reconhecer-se necessitado da misericórdia de Deus e vossa disposição interior para alcançar a santidade. Vossa preocupação com o estado de vossa alma é a maior indicação de amizade sincera com Deus e de que caminha nos trilhos da salvação. Não se desespere da salvação caríssimo, pois isto é diminuir a Deus e a Sua misericórdia que é infinita e capaz de perdoar qualquer coisa: “…as nossas faltas não devem nunca desanimar-nos,…a dor de as termos cometido deve ser sempre acompanhada de uma invencível confiança na bondade divina…nossos pecados e imperfeições, longe de diminuírem essa confiança, são um dos seus elementos mais fecundos” [1]. Com efeito, nós, os pecadores, com nossos pecados, é que atraímos o salvador para nos curar! Nossas misérias é que atraem a misericórdia de Deus. Confiança: “Confessai ao Senhor porque é bom, porque a sua misericórdia permanece para sempre” (Sl. 135).

O que nos condena ao inferno é a ausência da graça santificante em nossas almas, dada gratuitamente aos batizados que aceitam o senhorio de Jesus Cristo em suas vidas mediante o derramamento do Espírito Santo. É esta graça, este estado de vida interior pautado pelo próprio Espírito de Cristo que nos garante a amizade de Deus. Só a perdemos quando renegamos consciente e deliberadamente a Deus e O ofendemos dando-nos maior amor do que o devido a Ele, autor e criador de nossas vidas. A condenação acontece portanto na prática do pecado mortal obstinado, isto é, sem arrependimento e desesperado. Neste sentido exorta São Pedro: “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados“ (At. 2,3).

Por isso, a partir de uma verdadeira contrição dos pecados e das disposições para não as mais cometer, o arrependimento sincero já inicia a anulação da nossa condenação que só irá no entanto se revogar plenamente mediante o sacramento da confissão: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos“ (Jo. 20,23). Não se preocupe portanto se alguma circunstância externa grave o impedir de chegar até um confessionário (como o atropelamento citado) se já estiver decidido a fazê-lo, pois o Senhor que é três vezes Santo e Justo saberá de vossas disposições interiores e o perdoará, pois tivestes a reta intenção de se confessar. Sossegue a alma.

Outro detalhe: a confissão não repara nossos pecados, mas confere o pleno perdão deles, nos devolvendo a amizade de Deus. As penas temporais devidas por cada pecado cometido serão apenas reparados aqui na Terra mediante nossas penitências e pelas obras indulgênciadas, ou no purgatório: “Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo“ (Lc. 12,59).

Esta afirmação de Cristo nos abre uma perspectiva muito animadora pois mostra-nos que um julgamento justo nos aguarda, e o Senhor que conhece nossos pensamentos, nosso interior e intenções, fraquezas e limitações, irá com critérios muito mais elevados do que os humanos determinar nossa vida futura a partir da medida do amor que tivemos para com Ele: “Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa“ (Mt. 10,42).

Por isso se após cometer tal ato, se arrepender sinceramente, receberá do Senhor a graça da justificação pelo méritos de sua paixão e a recompensa devida por cada boa obra pratica nesta vida por Amor de Deus. Essa é a promessa de enorme esperança de Cristo para nós: mesmo um simples copo de água ofertada por amor não ficará sem uma justa recompensa. Pois bem caro leitor, se existe o arrependimento e a busca do retorno ao estado de graça, vossas práticas justas terão sim muito valor no momento do vosso acerto de contas final.

Quanto a questão da liberdade com a qual pratica a masturbação, sim, isso é questionável e de fato existem níveis de tal dominação deste vício em que a liberdade nem sequer existe mais. Digo em casos graves e mais raros que precisam de cuidados psicológicos profissionais, que não acredito que seja o seu. Ainda neste sentido diz-nos o novo Catecismo da Igreja Católica: “Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral, dever-se-á levar em conta a imaturidade afetiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia ou outros fatores psíquicos ou sociais que minoram ou deixam mesmo extremamente atenuada a culpabilidade moral” (n. 2352). Lembremo-nos contudo, que mesmo que exista baixa culpabilidade moral, ninguém está isento de confessar tal pecado ao sacerdote para se aproximar da eucaristia, e muito menos de considerar as marcas e efeitos nocivos que este pecado pode deixar na alma daquele que o comete.

Por isso cito aqui uma breve palavra da psicologia, que pode ser de grande utilidade para demonstrar os danos da masturbação à formação da personalidade humana, e para aqueles que desejam vencer esse mal comportamento:

“A masturbação é sempre, e especialmente no adulto, uma manifestação de pouca maturidade no desenvolvimento da personalidade, já que resulta de não se ter alcançado um nível de adequado autocontrole.

“Psicologicamente, degrada quem a pratica, rebaixa-lhe a conduta. E, além disso, contraria de certo modo a dignidade do homem. Por isso é tão frequente que se faça acompanhar de sentimentos de culpa e vergonha, mesmo em pessoas que não têm crenças religiosas ou que as têm vaga e difusa.

“A longo prazo, se não se corrige, torna a pessoa mais introvertida, egoísta, sempre às voltas com os seus problemas e incapaz de estabelecer relações de entrega e doação de sí mesma com os outros” [2].

Este último ponto é severamente mais grave durante o exercício do matrimônio, pois existem muitas ocasiões reais de observação da continência sexual forçadas pelos ritmos próprios da mulher, por questões de doenças, gravidez, que costuma afastar da intimidade sexual o casal por vários meses seguidos, etc. Aqueles que vivem ainda como solteiros, devem ponderar seriamente essas implicações que fazem parte da doação conjugal para que não pratiquem a masturbação no casamento ofendendo além de Deus, a própria esposa.

O sr. dispensa dicas para se livrar desta prática que tanto lhe causa vergonha, mas mesmo assim daremos algumas. O sr. cita a oração e a comunhão, e o faz bem, pois ambas são de fato fundamentais para o crescimento ascético de qualquer pessoa. Mas não pare por aí. Veja que mesmo Jesus Cristo, homem e Deus, praticou durante 40 dias um jejum impressionante. Se Ele, perfeito homem e Deus verdadeiro se mortificou para vencer as tentações, quem somos nós para também não o fazermos?

As nossas quedas em termos de pureza acontecem especialmente porque somos fracos no domínio de nós mesmos. Para o corpo obedecer o espírito e se manter em serviço, é preciso aprender a dominá-lo como nos dizia São Paulo: “Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros“ (I Cor. 9, 27). Por isso a Igreja tanto aconselha as práticas das mortificações corporais, de modo que nosso corpo vá se acostumando a se renegar nas pequenas coisas para quando chegar um momento de tentação estejamos fortes o bastante para dizer um não a sugestão do pecado.

A sociedade do bem estar nos transformou em vítimas de nós mesmos, em reféns de nossos caprichos. Devemos ir na contra-corrente. Exemplos? Comece adicionando algum tipo de comida que não goste em vossa dieta diária, ou deixando de comer/beber alguma coisa que gostas durante algum tempo, ou fazendo práticas ordinárias que lhe desagradam como arrumar a cama ou a casa com muito amor, para citar alguns exemplos práticos, e pouco a pouco estará mais apto e acostumado a domar suas paixões e a mantê-las debaixo de vossa razão. Só quando formos senhores de nós mesmos seremos capazes de vencer as tentações da pureza. Isso também faz parte da vigilância que o Senhos nos pede: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca“ (Mt. 26, 41).

Também excluir a presença da Puríssima e Castíssima Virgem Maria de vossa vida diária é  um prato cheio para cair repetidamente neste pecado. Não deixe de a invocar todos os dias e, ainda mais (isso é importantíssimo) de clamar a sua presença poderosa que esmaga a cabeça da serpente, no momento preciso da tentação. Reze uma ave maria durante a sugestão do pecado, clame a sua mediação a Cristo, e vencerás, certamente. Já ví várias pessoas vencerem a masturbação justamente rezando várias ave-marias no momento em que usualmente caiam na masturbação, além de colocarem estampas desta Santa Senhora ao alcance da vista para não se darem por vencidos.

Resumindo: ficando evidente os perigos da masturbação à pessoa humana, faz-se extremamente necessário combater esse mal comportamento na sua raíz. Podemos para tanto utilizarmos de meios humanos e espirituais. Os principais meios humanos seriam:

– evitar uma vida anti-social, isolada;
– ter um bom círculo de amizades;
– fazer uso de exercícios físicos;
– evitar o ócio frequente;
– não dar oportunidades para leituras, filmes, revistas e olhares sensuais;
– fortalecer o auto-controle com pequenos exercícios de sacrifício diário, com a renúncia regular de algum prazer, como por exemplo, os gastronômicos, como doces e refrigerantes etc. Assim, pouco a pouco a personalidade vai se fortalecendo e se torna mais fácil negar o desejo do corpo de um prazer sexual fora de sua natureza.

E os principais meios espirituais seriam:

– a aproximação dos sacramentos da confissão e da eucaristia;
– a oração frequente de jaculatórias, especialmente em momentos de tentação, que lance o olhar para uma realidade de esperança, como por exemplo: “Doce coração de Maria sede meu amor. Doce coração de Maria sede minha salvação”;
– ter um diretor espiritual douto e idôneo;
– criar uma devoção especial a Nossa Senhora, mãe da pureza, suplicando sua intercessão diariamente com o oferecimento de três orações da ave-maria, por exemplo;
– ter em mente que só com o auxílio da graça podemos vencer tal problema, não desanimar jamais com possíveis retrocessos, mas antes fomentar a virtude da humildade.

Vale enfatizar o conselho pastoral de André Léonard, bispo de Namur na Bélgica: “se a masturbação consiste em centrar-se em sí mesmo, ele poderá desembaraçar-se desse vício desenvolvendo na sua vida todas as atitudes que o façam sair de sí mesmo e o abram para Deus, para o mundo, para os outros e para os seus deveres” [3].

A verdade é que se vivemos num mundo muito estimulante para o pecado, também vivemos num mundo aonde Deus não falta com sua graça proporcional para vencermos cada uma das tentações que estão por aí. Aliás, que bela ocasião de comprovarmos a virtude! Que precioso tempo para provarmos nosso amor, pois quanto maior a prova, maior o sabor da vitória e do heroísmo!

É temeroso pensar que deveríamos viver num outro período e tempo para sermos mais santos, pois estamos precisamente nessas atuais circunstâncias também pela vontade do Senhor. Com efeito, nunca existiu e jamais existirá tempo ou lugar mais favorável para vivermos e nos salvarmos do que este que o Senhor nos concedeu. Veja o caso do primeiros cristãos que viviam num mundo de enorme paganismo e talvez muito mais rebaixado moralmente do que agora, mas que ainda assim e talvez até precisamente por isso, souberam dar suas vidas de uma maneira jamais vista na história da humanidade. Pois aonde abundou o pecado, superabundou a graça. Talvez num mundo sem tantos estímulos eróticos pecaria menos, mas também teria menos ocasião de praticar a virtude até o martírio. Pense nisso. Quanto maior a luta, maior a coroa.

Quanto a questão da necessidade da confissão após as quedas da masturbação, precisamos nos lembrar de que a masturbação é sim um pecado grave, e será tanto mais grave conforme a liberdade do ato e a consciência plena do que se comete. É grave porque a matéria sexual diz respeito a fonte da vida humana e sua expressão máxima de entrega e de amor. É portanto sacratíssima. Sobre esta importância e responsabilidade capital acerca da sexualidade humana, São Paulo nos esclarece com propriedade, e coloca todos os “pingos nos is”: “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem […],orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gál. 5). Quer dizer, a sexualidade humana deve sempre ser velada e protegida para que se cumpram nela suas duas finalidades próprias, que são as unitiva (amor conjugal) e procriativa (abertura a vida). Qualquer fuga neste sentido acarreta sérios perigos morais. Por isso dispensar a confissão todas as vezes em que se comete é se colocar em perigo para a alma. O melhor é sempre se confessar por vias das dúvidas e interromper a comunhão temporariamente, já que é difícil avaliar justamente nossa culpabilidade em cada ato de pecado em matéria grave.

Gostaria de encerrar com as belas palavras pastorais de São Josémaria Escrivá, o fundador do Opus Dei, que divinamente inspirado e fundamentado também por uma belíssima sabedoria humana, nos motiva e nos alenta a viver a virtude da castidade, guardiã do nosso amor, com um entusiasmo sem igual:

Contra a vida limpa, a pureza santa, levanta-se uma grande dificuldade a que todos estamos expostos: o perigo do aburguesamento, na vida espiritual ou na vida profissional; o perigo – também para os chamados por Deus ao matrimônio – de nos sentirmos solteirões, egoístas, pessoas sem amor. – Tens de lutar na raiz contra esse risco, sem concessões de nenhum gênero. (Forja, 89)

Com o espírito de Deus, a castidade não se torna um peso aborrecido e humilhante. É uma afirmação jubilosa: o querer, o domínio de si, o vencimento próprio, não é a carne que o dá nem procede do instinto; procede da vontade, sobretudo se está unida à Vontade do Senhor. Para sermos castos – e não somente continentes ou honestos -, temos de submeter as paixões à razão, mas por um motivo alto, por um impulso de Amor.

Comparo esta virtude a umas asas que nos permitem propagar os preceitos, a doutrina de Deus, por todos os ambientes da terra, sem temor a ficarmos enlameados. As asas – mesmo as dessas aves majestosas que sobem mais alto que as nuvens – pesam, e muito. Mas, se faltassem, não haveria vôo. Gravai-o na vossa cabeça, decididos a não ceder se notais a mordida da tentação, que se insinua apresentando a pureza como um fardo insuportável. Ânimo! Para o alto! Até o sol, à caça do Amor.

(…) Acabo de vos apontar que, para isso, me serve de ajuda recorrer à Humanidade Santíssima de Nosso Senhor, a essa maravilha inefável de um Deus que se humilha até se fazer homem e que não se sente degradado por ter tomado carne como a nossa, com todas as suas limitações e fraquezas, à exceção do pecado. E isso porque nos ama loucamente! Ele não se rebaixa com o seu aniquilamento; pelo contrário, o que faz é elevar-nos, deificar-nos no corpo e na alma. Responder que sim ao seu Amor, com um carinho claro, ardente e ordenado – isso é a virtude da castidade. (Amigos de Deus, nn. 177-178)

Pedimos desculpas pela demora excessiva na resposta, mas somos apenas homens simples com obrigações com família e trabalho que muitas vezes nos custam muito tempo. Esperamos ter sido úteis em Cristo Jesus.

 

[1] Joseph Tissot, A arte de aproveitar as próprias faltas, Quadrante, São Paulo, 1995, p. 75.
[2] E. Rojas, Enciclopedia de la sexualidad…, pág. 88.
[3] André Léonard, Cristo e nosso corpo, Quadrante, São Paulo, 1995, págs.34-35.
Rafael Llano Cifuentes, 270 perguntas e repostas sobre sexo e amor, Quadrante, São Paulo, 1995.


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