Um professor filosofo britânico que tem sido um campeão em liderar o ateísmo por mais de meio século, mudou de idéia. Ele agora acredita em Deus, mais ou menos baseado em evidências científicas, e diz isso em uma entrevista em vídeo liberada quinta-feira 2 de dezembro de 2004. Aos 81 anos, depois de afirmar por décadas que a crença é um erro, Anthony Flew concluiu que alguma forma de inteligência ou primeira causa tem que ter criado o universo. “Uma super-inteligência é a única e boa explicação para a origem da vida e a complexidade da natureza”.

 

              Flew afirmou em uma entrevista por telefone na Inglaterra. Flew disse que ele pode ser comparado como um deísta igual  a Thomas Jefferson que acreditava que Deus não se envolvia ativamente na vida das pessoas. “Estou pensando em um Deus bem diferente do Deus do cristianismo e bem distante do Deus do islamismo. Porque ambos são retratados como onipotentes déspotas orientais; um cósmico Saddam Hussein”. Ele diz: “Isto poderia ser  uma pessoa com o senso de existência e com  inteligência e propósito, eu imagino.” Flew fez sua primeira aparição em 1950 com o artigo: “Teologia e Falsificação” baseado em um jornal do Clube Socrático, um semanário religioso da Oxford liderado pelo escritor e pensador cristão C.S. Lewis. Por todos esse anos Flew proclamou a falta de evidência de Deus enquanto ensinava em algumas universidades britânicas como: Oxford, Aberdeen, Keele e Reading. Em visitas a campus universitários nos EUA e Canadá, em livros, artigos, discursos e debates.


                  Não foi uma mudança de momento, mas uma gradual conclusão ocorrida nos últimos meses em um iluminado Flew que continua não acreditando na vida após a morte. “As pesquisas dos biólogos no DNA têm mostrado uma quase inacreditável complexidade de arranjos para que a vida possa ser criada. Isto leva a crer que tem que haver uma inteligência envolvida  nisso.” Flew disse isto no novo vídeo chamado: “Será que  a ciência descobriu Deus?” O vídeo procede de uma discussão feita  em maio de 2004  em Nova York, organizada pelo autor do Instituto de Pesquisas Metacientífico em Garland, Texas, Roy Abrahan Varghese. Os participantes foram: Flew, Varghese, um judeu ortodoxo, Gerald Schroeder e o filósofo católico romano da universidade de St. Andrews, John Haldane.


                 A primeira alusão de mudança de pensamento de Flew veio em uma carta escrita para a revista britânica Philosophy Now de agosto-setembro. “Tem se tornado desordenadamente difícil mesmo começar a pensar acerca da construção de uma teoria naturalística sobre o evolução do primeiro organismo reprodutivo”. Escreve ele: A carta utiliza argumentos dos escritos  de Schroeder em: “A face oculta de Deus”. “A maravilha do mundo” de Varghese e Ritos católicos ocidentais leigos.


               Esta semana Flew terminou de escrever sua primeira declaração formal sobre sua nova maneira de pensar, como introdução de  uma nova edição do seu God and Philosophy com lançamento marcado para o próximo ano pela Prometheus Press. A Prometheus é especializada em pensamentos céticos,  mas se sua crença incomoda as pessoas, bem “isto não e nada bom” ele disse: “Minha vida inteira tem sido guiada pelo principio socrático de Platão: siga as evidências, não importa aonde elas o levem”.


              Na última semana, Richard Carrier, um estudante e escritor da universidade de Columbia, colocou no site ateístico www.infidel.org um novo material baseado em correspondências com Flew. Carrier  garante aos ateus  que Flew só aceita um Deus mínimo e que não acredita na vida após a morte. “O nome e a pessoa de Flew são importantes. Qualquer ocasião que você ouve alguém falar de ateus o nome de Flew é mencionado”. Disse Carrier. Mas pelo lado de Flew é o reverso, ele diz: “Exceto pela curiosidade, não penso que isso seja algo muito importante”.


               Flew disse ao  The Associated Press, que há muita semelhança entre suas atuais idéias com a dos teóricos americanos moldadores da inteligência, que vêem a evidência de uma força controladora na construção do universo. Ele aceita a evolução darwiniana, mas duvida que esta possa explicar de forma cabal a origem da vida.


               Filho de um pastor metodista, ele tornou-se ateu aos 15 anos. No início de sua carreira, argumentava não haver eventos concebíveis que pudessem construir provas contra  Deus para os crentes. Assim os céticos estavam certos em ponderar que o conceito sobre Deus nunca significou nada mesmo. Outro marco foi em 1984 em O Pressuposto do Ateísmo. Desempenhando o papel de uma presumida inocência nas leis criminais. Flew disse que um debate sobre Deus deve começar com um ateísmo presumido, pondo dessa forma todo o peso de provar algo sobre aqueles que argumentam que Deus existe.

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