Está na memória do nosso povo o fato de que, por volta de 1840, no povoado chamado Barro Preto, vivia um piedoso casal de lavradores: Constantino Xavier e Ana Rosa. Um dia, trabalhando em suas terras, encontraram um medalhão de barro, de aproximadamente 8 cm. Nesse medalhão de barro estava gravada a imagem da Santíssima Trindade coroando a Virgem Maria. Respeitosamente beijaram aquela medalha e a levaram para casa. Nos finais de semana os vizinhos se reunião na casa do Sr. Constantino Xavier para a reza do terço diante da medalha. E, o Pai Eterno compassivo e misericordioso que é, ouvia as orações.

Começaram a suceder numerosos prodígios, graças, milagres e a fama espalhou-se por toda a redondeza. Embora a imagem represente a Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora, desde o início as pessoas falavam da imagem do Divino Pai Eterno. Carinhosamente, concentravam a atenção na figura do Pai, e até hoje o Santuário é conhecido com o Santuário de Divino Pai Eterno.

A devoção ao divino Pai Eterno já tem mais de 150 anos de presença no meio de nosso povo. É uma graça especial do Pai do Céu, primeiramente dada ao povo goiano e hoje estendida aos mais longínquos pontos de nosso pais. Em 1912, foi inaugurado o “Santuário Velho”, hoje a Matriz de Trindade. Quem o construiu foi o Padre Antão Jorge, missionário Redentorista, que era o vigário naquela época. Mas aquela construção tornou-se pequena para o grande número de romeiros.

Em 1943, D. Emanuel Gomes, arcebispo de Goiânia, juntamente com os missionários Redentoristas, lançaram a pedra fundamental deste “Santuário Novo”, de proporções gigantescas, que estamos terminando, mas que já se torna pequeno diante da quantidade de devotos.

Falando sobre este lugar o nosso arcebispo, D. Antônio Ribeiro, assim se expressou:

“Deus escolheu Trindade para fazer aqui
um centro de evangelização e um lugar
privilegiado para manifestação de sua
Misericórdia.”

Então o Santuário é um lugar especial, privilegiado, onde Deus manifesta de modo muito sensível a sua misericórdia. O povo de Deus é sempre atraído aos Santuários. Alguns por curiosidade turística. Mais a grande maioria é pela busca do mistério, do sobrenatural, do alívio para seu sofrimento, do milagre, e outras vezes simplesmente movido pelo desejo misterioso de chegar mais perto de Deus. É a busca. Mas o que as pessoas encontram nesses lugares ? Fazem uma experiência mística de encontro com Deus. Encontram a alegria da participação, sentem o alívio de suas penas, o conforto da palavra de Deus que é proclamada, partilham da eucaristia e saem “comovidas pela atmosfera de alegria e esperançaque emana de seus irmãos.”

Esta é a função primeira dos Santuários: despertar a fé, celebrar a reconciliação e reanimar a esperança. Quem tem fé e esperança, mergulha-se no mistério,encontra o sobrenatural, sente o milagre da proximidade de Deus e a transformação do coração. Quem antes, talvez, sentia-se só, carregando o peso de seus sofrimentos,passa a ter consciência de que tem um Deus que nos ama muito, que olha para cada um de nos com um carinho especial. Um Deus que ouve nossas orações e atende solícito os nossos pedidos. Toda pessoa que vai a um Santuário, por curiosidade turística, ou já movida pela fé, acaba sendo envolvida pela graça de Deus. E quando isso acontece, uma vida nova começa a surgir.

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