“Eu não tenho medo do grito dos violentos, mas do silêncio dos bons.” Martin Luther King

Ao tocar o assunto do aborto, mais interrogações nos surgem do que certezas no que se refere as intenções dos abortistas. Se antigamente existia dúvida sobre a humanidade do feto, hoje em dia já não existe quem discuta que o feto é desde o momento da fecundação um ser humano, com dignidade e valor tal qual o meu e o seu. Contudo, ao mesmo tempo que cresce a preocupação com a diminuição da mortalidade infantil pede-se a legalização do aborto, estamos diante de uma incoerência ou de uma hipocrisia?

Neste momento é preciso parar e entender que o valor básico e absoluto de qualquer sociedade que se considere civilizada, é sem dúvida, o direito à vida. É do direito à vida que se deriva todos os demais direitos que normalizam nossas sociedades chamadas democráticas. Não precisamos pensar muito para nos recordar as obras daqueles Estados que durante algum tempo colocaram esse direito fundamental abaixo de alguns outros interesses pessoais: nazismo, fascismo, comunismo, para começar.

É por isso que ter em um Estado como o Brasil, que defende o direito inalienável da vida pela sua constituição, teses defendendo a legalização da morte de um ser humano em gestação por alguns políticos é simplesmente deplorável. Segundo nossa constituição tudo aquilo que se coloca contra à vida é ilícito. Nada mais correto, é a lei se colocando a serviço do homem e não o contrário. Ora, se o direito à vida é o maior valor proclamado desta nação, nenhum direito que se oponha a esse valor pode atropelar a constituição. Não há brechas. Aqueles que se empenham em racionalizar esta realidade percebem rapidamente que legalizar o aborto sob a fachada da descriminalização é o mesmo que legalizar um crime, isso porque a vida do feto não é propriedade dos seus pais, mas de quem está vivendo.

Quando se analisa mais a fundo a questão do aborto, se percebe que esta é sem dúvida a maior tragédia da humanidade. De acordo com os cálculos dos peritos, durante o ano de 1970 foi provocado mais de cinquenta milhões de abortos no mundo. Se pensarmos que esse número tenha se mantido constante até os dias de hoje, para sermos otimistas, nos últimos 34 anos a humanidade provocou mais de 1 bilhão e 700 milhões de abortos, em grande parte, graças aos países que tornam legítima essa prática.

Quer dizer, nos últimos 30 anos a humanidade eliminou de maneira silenciosa e mascarada mais seres humanos, únicos e irrepetíveis, do que toda a história da humanidade inteira, e se compararmos esses números com a cifra de 7 milhões de judeus mortos durante o holocausto, fato que marcou os livros de história para sempre, veremos o quanto nossa humanidade está completamente cega. E desde o momento em que você começou a ler este texto mais 80 seres humanos foram destruídos pelo aborto, e serão mais 2 a cada segundo, incluindo quem sabe, um possível descobridor da cura do câncer.

A tragédia do aborto que insiste em se implantar no Brasil, tem origem nos discursos feministas que reivindicavam a plena igualdade da mulher com o homem. Ao exigir essa equiparação é de se esperar que suas militantes fossem exigir também o uso de um sexo sem consequências. É a partir daí que veremos o advento dos anticoncepcionais e do aborto ?legal?. Triste é ver como a relação sexual entre um homem e uma mulher pode ser vista de maneira tão leviana e irresponsável, egoísta e animal, querendo-se eliminar a abertura completa à vida e a própria natureza de amor que deveria nortear tais condutas. Ao buscar desesperadamente a igualação da mulher com o homem, muitas mulheres acabaram perdendo sua própria identidade feminina, que estará sempre e inevitávelmente associada a beleza da maternidade.

A expressão “interrupção voluntária da gravidez” pode até soar humanitária, mas é apenas até se chegar ao momento fatídico do abortamento, que não descreverei aqui para poupar o estomâgo do leitor. Não é possível querer o ato sexual e simplesmente recusar o seu fruto. Quando se recusa a maternidade responsável, que independe do desejo de se ter o bebê, da condição econômica, das falácias da explosão demográfica entre outras, se condena este ser humano a uma morte covarde e cruel, e a isso ninguém pode reclamar direito algum.

É hora de cairmos na realidade de que a dignidade humana está nivelada tão em baixo que talvez seja a hora de começarmos a subir. E não se trata de religião, se trata de cidadania, de colocar a vida humana sobre o patamar que lhe é devido. Assistiremos passivamente uma sociedade que invoca sobre alguns seres que se consideram privilegiados e melhores do que outros que ainda não nasceram, o direito de matar?

É hora da sociedade brasileira se mobilizar contra essas falácias que pretendem assassinar os filhos desta nação. Não é possível desertar diante da bandeira abortista, pois ela afeta a todos sem excessão, e a partir do momento em que o valor supremo da vida humana estiver submissa ao direito de matar, ninguém estará a salvo, nem eu ou você.

Facebook Comments

Livros recomendados

Antônio Torres – Uma AntologiaJosé, o silenciosoEspiritismo e fé