Existe maior dignidade para uma criatura que ser mãe de Deus? Certamente não, por isto exaltamos Nossa Senhora sobre todos os santos. Depois deste excelso privilégio, um outro não igual, mas semelhante; não tão sublime, mas verdadeiramente excelso; destaca-se. Que privilégio seria este? O de nutrir, educar, defender, e amar como filho, o Filho de Deus. Por isto, São José é posto em evidência pela Igreja, tendo por tão grande privilégio, um culto reservado a Ele, que está acima de todos os santos, unicamente menor do que se presta a Maria Santíssima.

Santo Antônio é simbolizado tendo o Menino Jesus aos braços, por tê-lO na vida segurado durante alguns minutos. E São José, quantas vezes não O tomou em seus braços? Quantas vezes não segurou aquelas delicadas mãozinhas? Quantas vezes não o ninou, não vigiou seu soninho?

Santa Maria Madalena por sua verdadeira conversão teve a honra de beijar uma vez os pés de Jesus. E São José quantas vezes não beijou aqueles pezinhos, não os vestiu para protegê-los  do frio.

São João, o apóstolo amado, por sua grande pureza, teve a dita de repousar a cabeça sobre o peito de Jesus. Mas, São José, por certo, teve a felicidade de assim morrer; reclinando a fronte sobre o Filho amado.

São Pedro teve a primazia entre os apóstolos, e chamava Jesus de Mestre; tantos santos chamaram-nO de Senhor, de Rei, de Pai, de Irmão, de Redentor, de Deus; de Messias; no entanto, só São José teve a fortuna de chamá-lo de Filho.

Foi a São José a quem coube dar o nome a Jesus, e assim Jesus foi inscrito  na história da humanidade como seu filho; porque esta foi a vontade de Deus. E que confiança teve o Pai Celeste a ponto de outorgar à uma criatura o Seu Unigênito. Que confiança, permitir que um simples homem tivesse a honra de ser passar por Pai de Deus. Qual o tamanho da virtude deste homem? Creio que nossa inteligência manchada pelo pecado não poderá neste mundo entender qual dimensão do valor de São José; mas se por ventura conhecêssemos, penso que morreríamos de amor e admiração; ou de arrependimento, por não termos desde a muito recorrido a sua valorosa intercessão.

Com uma pequena palavra de Jesus o universo inteiro prostra-se; com um pequeno aceno de sua cabeça vem servi-lO fileiras de anjos e santos. Mas este mesmo Jesus, onipotente e soberano, corria a atender ao primeiro chamado de São José. Fico imaginando a delicadeza com que São José chamava Jesus: “Filho, venha aqui, papai precisa de ajuda”. E parece que posso ouvir a prontidão de Jesus que se achegava junto dele dizendo. “ Diga meu pai o que queres, e eu farei”.

São José é o pregador silencioso, não ouvimos uma só palavra sua na Bíblia; ele não falou as multidões, não fez milagres em nome de Deus, mas como nenhum outro orador fala aos corações, e tem o poder de tocá-los.

Olhando para são José na Escritura, vemos apenas um adjetivo, que encerra em si um oceano de virtudes: justo; e isto nos ajuda a desenhá-lo na mente: não conhecemos a cor de seu olhos, mas é fácil observar seu olhar manso e profundo; não conhecemos a forma de seu rosto, mas vemos seu semblante terno e afável, com um sorriso singelo e acolhedor.

José, o manso José; que tribulação, a angústia, a perseguição; o abalaram ou deprimiram, porque nada foi capaz de separá-lo do amor de Cristo. Nem quando anjo lhe diz em sonho no meio da noite que tome o Menino e sua Mãe e fuja para o Egito porque Herodes queria matá-lo.  Ele desperta e não contesta, ele se quer questiona, ele não pede prodígios, ele simplesmente levanta-se e cumpre a vontade de Deus. Que angústia para aquele coração paterno ver o pequeno Jesus, por aproximadamente quarenta dias, sob o calor e o frio do deserto, mas ele jamais indaga a Deus; porque São José é simples, tem a simplicidade própria das almas humildes, que vivem como um instrumento nas mãos de Deus; e uma ferramenta não questiona o artista.

Ainda antes de Jesus nascer, São José vendo que era chegada a hora de vir ao mundo o Salvador, não tem onde hospedar Nossa Senhora, e vê o Filho de Deus recém-nascido ser reclinado em um cochinho de palha; ele olha aquelas palhinhas frias e ásperas, e vislumbra aquele bercinho tão bonito que Ele mesmo fez para aconchegar o Menino; mas em nenhum instante questiona a Deus. Em seu coração repetia-se aquele mesmo “fiat” de Maria. Em cada tribulação, em cada nova prova, vemo-lo repetir-se em silêncio, – “Eis aqui o servo do Senhor, faça-se segundo a Tua vontade”.

São José é um escravo, vendido pelo amor, que Deus comprou tendo-o feito distribuidor de todos os seus bens no Céu. São José foi um escravo de Deus, que habitou neste mundo como se não fosse dele, que teve carne mas viveu como um anjo; que via as pessoas, mas só enxergava a Deus.

O coração do justo José viveu da fé; e que fé precisou ele para acreditar que aquele Menino, que em nada se distinguia das outras crianças, aquele menino que ele tomava no colo para fazer dormir e aquecê-lo com a calor de braços; que aquele Menino era Deus? E ele não precisou tocar as mãos nas chagas de Jesus ressuscitado para acreditar na sua divindade. Certamente Ele não entendia tão bem todos os mistérios que se revelavam diante dos seus olhos, como Nossa Senhora entendia; e ele não viu  um anjo para explicar-lhe o que se passava, mas acreditou no que o anjo lhe disse em sonho; porque mais nítida do que a voz do anjo falando-lhe no sono, era a voz de Deus dizendo-lhe na alma.

São José, um descendente da família real de Davi, que já não mais reinava; o sangue real que corria em suas veias, mais exigia uma heróica humildade: um príncipe que tem que ofertar no Templo, por ocasião da apresentação de Jesus, um par de rolas, a oferta própria dos pobres. Um príncipe, que vendo que Jesus nasceria, pede abrigo, e nenhum de seus “súditos” lhe quer abrigar. Um príncipe, que tem as mãos machucadas pelas ferramentas pesadas do trabalho. Um príncipe, conhecido apenas por “o carpinteiro”, porque o povo nem se preocupava em saber o seu nome. Mas nada disto inquietava São José, pelo contrário, ele deliciava-se com aquele desprezo, e não gastava seu tempo para aparecer diante dos homens. Para o mundo era apenas mais um pobre trabalhador, mas não sabiam eles vendo-o empenhar-se em talhar a madeira, que esculpia no Céu seu grande tesouro; porque tudo o que fazia transformava-se em oração, pois o fazia por amor a Jesus e Maria.

Quantas vezes exausto naquela oficina, o sono fechando seus olhos cansados, pronto a render-se por alguns momentos de descanso; mas neste instante lembrava de Jesus sorrindo-lhe, lembrava de Maria; então ele esquecia o cansaço, e feliz como um menino brincando, trabalhava com ainda mais vontade.

Se Jesus aparecesse na oficina para conversar com Ele, para vê-lo trabalhar, para aprender dele a profissão, como era costume entre os judeus; ele com todo o carinho e paciência cuidava de ensinar a Jesus. Duas “humildades” se encontravam ali: Jesus onisciente pedindo para aprender; e São José meditando em seu coração: “ Senhor, Vós não precisais do vosso servo para nada, mas se quereis minha pobre ajuda, faço segundo a tua vontade”.

Alguns poderiam pensar, mas como pode-se falar tanto de São José, se a Sagrada Escritura pouco fala dele? Ora, se não bastasse ter sido chamado de justo na Bíblia; como deveria ser digno o pai do Filho de Deus? Por isto, sem exagero podemos concluir que se existisse um homem melhor que São José, o Pai Eterno o teria escolhido para que fosse o tutor de Seu Filho. Se houvesse um homem mais puro do que São José, o Divino Espírito Santo teria o escolhido para ser o guarda da sua Virginal Esposa. Se houvesse um homem mais digno do que São José, o Verbo teria escolhido para chamá-lo de pai.

Nesta época em que a Igreja está tão ofendida, tão agredida; recorrer a intercessão de São José faz-se tão necessário. Um dia Deus valeu-se dele para salvar Jesus, por isto, seria muito coerente, se hoje, valer-se dele para salvar ao Corpo Místico de Cristo. São José é o patrono da Igreja Universal e não haverá de negar a Ela um pedido assim.

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