Espaço do Leitor

Imagem na cruz?

Olá irmãos, a paz do senhor!!!
Uma pessoa me perguntou porque a Igreja Católica tem uma Imagem de Jesus na Cruz . Quando surgiu esta Arte Sacra, qual o seu sentido?

Vinícios

 

Caríssimo Vinícios, salve Maria SS!!!

 

Sua pergunta comporta dois temas distintos, mas entrelaçados pela fiel devoção a Deus.

 

Sobre A Função da Beleza na Religião, recomendamos o texto homônimo de Dietrich Von Hildebrand que disponibilizamos no site. Nele encontrará as necessárias simetrias entre Verdade e Beleza como no verso de Olavo Bilac: Beleza, irmã gêmea da Verdade!!!?

 

Cristo Crucificado expressa de modo mais perfeito a nossa fé: do Deus que pede sacrifícios (AT), ao Deus que se sacrifica (NT). É a imagem do Supremo Sofrimento que traz a concórdia entre o homem e Deus: Deus se dá em dor por divino amor e resgata o homem em reconhecimento, fidelidade e penitência.

 

A nossa fé católica, isto é, universal (kátolos), comporta vários modos de expressão dentro da Ortodoxia, mas exclui vários outros por serem desprovidos de conteúdo, por não beberem da saudável fonte da Realidade.

 

Há uma diferença crucial entre o crucifixo e a cruz quando queremos veicular e vincular a nossa fé aos fatos que a forjaram. Muitos dizem que é uma distinção irracional e sem sentido, mas lhe digo que é perfeitamente racional porque é crível, porque é verdadeiro, porque é da fé ter o seu fundamento na realidade e não na sensibilidade.

 

Para aqueles que procuram o Cristo Vivo deve ser bastante difícil conciliar isso com um Cristo Moribundo; diria, até mesmo, mantêm eles uma “saudável indiferença”, uma “higiênica distância”: consideram essa “afeição ao sofrimento” uma “irracionalidade”. Nós, católicos, por outro lado, preferimos um Cristo Morto a uma cruz morta.

Veja também  Se as imagens não são proibidas por que os cristãos de éfeso não encomendavam imagens dos artífices?

 

Saudar uma cruz neste sentido (no anti-natural) significa apenas que uma pessoa se inclina diante de madeira ou de pedra, já que se trata de um objeto de madeira ou de pedra. É seguramente menos “idolátrico” saudar o Deus Encarnado ou a sua Imagem; e a questão complica-se mais com a relação da Imagem com o objeto. Ora, permitir a figura do instrumento de execução, mas proibir a Imagem da vítima é estranho, é sinistro, é irracional – possui pitadas de idolatria cega, posta que irracional.

 

O Crucifixo é um Brasão que deve ser ostentado com orgulho porque é por Ele que nós somos; somente através do Sacrifício Redentor que se tornou possível o homem aspirar ao Paraíso: Ele é a nossa insígnia distintiva e deve ser proclamada com entusiasmo cheio de amor.

 

A Igreja, mesmo nos seus primórdios, sempre usou o Crucifixo para fixar a imagem do martírio de Cristo como via salvítica, lembrando da Divina Dor que redime o homem: a misericórdia põe-se lado a lado com a justiça ? é o Coração da humanidade que sangra e jorra bênçãos onde quer que haja um outro coração aflito que se faz um com o Cristo.

O que mais impressiona no amor de Jesus, quer por seu Pai, quer por nossas almas, é a união maravilhosa e muito íntima da mais profunda ternura e da força a mais heróica no sofrimento e na morte: Fortiter et suaviter.

 

Estas duas qualidades do amor estão, muitas vezes, separadas em nós e no entanto só podem viver verdadeiramente se intimamente unidas. A ternura sem a força torna-se langorosa e piegas, a força sem nenhuma suavidade, transforma-se em rudeza e amargura.

 

“Quando vossa alma dobrar-se sob o peso, apoiai-vos sobre vosso crucifixo”.

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Concluamos com São Luiz Maria Grignion de Montfort (L’ Amour de la Divine Sagesse, 2a. P., cap. V):

 

“A Sabedoria Eterna fez da Cruz seu tesouro e em sua Encarnação esposou-a com amor inefável; durante toda sua vida, que não foi mais do que uma cruz contínua, carregou-a, pediu-a com indizível alegria… Pregada finalmente e como que colada à cruz, com alegria morreu abraçada à sua querida Cruz como num leito de honra e triunfo… E não pensem que depois de sua morte, para melhor triunfar, a Sabedoria Encarnada tenha se arrancado, tenha rejeitado a Cruz… Não querendo que honra de adoração, mesmo relativa, seja prestada a criaturas, por mais altas que sejam, como sua santíssima Mãe, reservou esta honra para sua querida Cruz e somente a ela é devida. A Sabedoria Encarnada, no grande dia do Juízo Final, acabará como o culto das relíquias dos santos, mesmo as dos mais respeitáveis; mas quanto às relíquias da Cruz, enviará os primeiros serafins e querubins pelo mundo para ajuntar os pedaços da verdadeira cruz que, por sua amorosa onipotência, serão tão bem reunidos que não farão mais que uma só e a mesma Cruz em que morreu, transportada assim pelos anjos… Precedida pela Cruz, colocada sobre uma nuvem de brilho inigualável, a Sabedoria eterna julgará o mundo com a Cruz e pela Cruz. Qual será então a alegria dos amigos da Cruz… Esperando esse dia… a divina Sabedoria quer que a Cruz seja o sinal, o caráter, a arma de todos os seus eleitos… Tendo encerrado tantos tesouros, tantas graças de vida na Cruz só dá a conhecer esses tesouros aos mais escolhidos… Como é preciso ser humilde, pequeno, mortificado, interior e menosprezado pelo mundo para conhecer o mistério da cruz! A quem carrega e suporta essa cruz, a Sabedoria Eterna dará um peso eterno de glória no céu”.

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(De “L’ Amour de Dieu et la Croix de Jesus”, Ed. du Cerf. 1o. vol., cap. VI, pág. 255. Tradução de Anna Luiza Fleichman)

 

Espero ter-lhe respondido à contento a sua dúvida.

 

Nos corações de Jesus, Maria e José;

 

MMLP


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