Um protestante me escreveu, acerca de imagens sacras:

O problema em si não é a imagem, é a sua finalidade. Nós temos retratos, estátuas, histórias retratadas, pessoas homenageadas, etc…mas o problema está em substituir Deus por elas, por estas imagens. Em vez de conversar com Deus, conversar com a imagem; em vez de pedir diretamente para Deus, pedir para a imagem, fazer sacrifício ou homenagens ou votos para a imagem e não para Deus, numa experiência ruim de sofrimento, lembrar da imagem e não de Deus. O problema está em substituir Deus pela imagem.

Mas é justamente isso que a Igreja NÃO faz.

Nós acreditamos, como o acreditaram os apóstolos e todos os santos, que aqueles que estão no Céu junto a Deus podem ainda rezar por nós. o que fazemos é ter uma lembrança daquelas pessoas, para melhor nos lembrarmos delas ao pedirmos que elas rezem por nós.

Exatamente como eu posso pedir a um amigo que reze por mim (ou “ore” por mim, é exatamente a mesma coisa), eu posso e devo pedir àqueles que, na palavra de S. Paulo, “venceram a corrida”, que o façam.

Ninguém oferece sacrifícios a imagens, nem as considera vivas, e é católico. O Sacrifício feito na Igreja é o Sacrifício de Cristo na Cruz tornado novamente presente. Com Cristo, Por Cristo e em Cristo o sacrifício é oferecido.

Mas são justamente as imagens que impedem que os santos substituam a Deus. É olhando para S. Vicente e notando que é um homem como eu, quase tão feio quanto eu, que conseguiu vencer a corrida, que eu vou com ainda mais alegria pedir a ele que interceda por mim em suas orações. Veja a Ladainha de todos os Santos: Sto. X, rogai por nós, Sto. Y, rogai por nós. O que pedimos é que eles roguem (peçam) por nós.

Não conversamos com imagens, tampouco, pois isso seria dizer que a imagem estaria viva. A imagem não está viva, ela é um sacramental, um instrumento da Igreja para nos lembrarmos daqueles que nos precederam na fé e hoje ainda estão no Céu rogando por nós. Frequentemente rezamos diante de uma imagem de santo, mas exatamente para nos lembrarmos de que aquele santo, como dizia S. Marcos Barbosa, que Deus o tenha, não é um “ser à parte que se recusava a mamar nas sextas feiras”. É alguém que passou pelos mesmos problemas que eu e, com a Graça de Deus, pela Graça de Deus e pelos méritos de Cristo, está hoje no Céu. Dizer que estamos falando com a imagem é como dizer que alguém está falando “com” o telefone, não no telefone. 🙂

Os santos ouvem as nossas orações porque Deus o permite, não por “morarem nas imagens” ou superstições semelhantes. Devemos tratar com respeito uma imagem porque ela é um sacramental, um objeto separado pela Igreja para o culto a Deus e lembrança de Seus Santos, que sem Ele nada são, não por ser a imagem dotada de supostos poderes mágicos.

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