Livros Bíblicos

Introdução ao novo testamento i

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO I


O Novo Testamento começa com quatro livros que têm o mesmo título “Evangelho”: são os mais excelentes de todos os livros da Sagrada Escritura ” enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo Encarnado, nosso Salvador (DV 18).

O Termo Evangelho

 

O termo Evangelho vem do latim “evangelium” e do grego “evangelion” e significa boa nova, boa notícia. No grego clássico e helênico designava uma notícia alegre, especialmente uma vitória. Também podia indicar a recompensa que se dava ao portador dessa boa notícia. Os romanos chamavam de evangelho ao conjunto de benefícios que o imperador Augusto tinha trazido à humanidade e, também, usavam a palavra para anunciar o nascimento de um herdeiro de César ou da ascenção de um César ao trono.


A tradução da Septuaginta (LXX) já usava este termo no sentido de anunciar os tempos messiânicos (Is 52,7 “como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação”) e também no sentido da chegada do Reino de Deus (Is 61,1 “o Espírito do Senhor Javé está sobre mim, porque Javé me ungiu; enviou-me a anunciar a boa nova” cf Lc 4,18s).

Na igreja primitiva, Evangelho significava os livros que tratavam da boa nova da salvação messiânica. Esta “boa notícia” não é simplesmente mais uma mensagem de bem para a humanidade: ela é decisiva e definitiva, pois é a proclamação de que Jesus, com sua morte e ressurreição, nos libertou, nos redimiu dos nossos pecados, dando pleno cumprimento às promessas salvadoras que Deus tinha feito através dos profetas no Antigo Testamento.


Só existe um Evangelho que leva à salvação: o pregado pelos apóstolos que, por sua vez, o receberam de Cristo, que lhes disse: “ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).


O termo Evangelho é encontrado doze vezes, sendo quatro em Mateus (4,23; 9,35; 24,14; 26,13) e oito vezes em Marcos (1,14.15; 8,35; 10,29; 13,10; 14,9; 16,15). A palavra vem sempre da boca de Jesus ou, então, se refere à sua pregação. Há uma exceção: Mc 1,1. Em Lucas prevalece o verbo “evangelizar”, presente dez vezes (1,19; 2,10; 3,18; 4,18.43; 7,22; 8,1; 9,6; 16,16; 20,1) e reencontrado nos sinóticos apenas em Mt 11,5.


Há uma identificação entre o que Jesus diz, faz e é: “quem perde a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”, Mc 8,35. Nesse paralelismo é evidente a identificação entre o Evangelho e Jesus. E mais claramente: “quem tiver deixado irmãos, irmãs ou mãe… por causa de mim e por causa do evangelho…”, Mc 10,29. Portanto, “Evangelho”, mais do que uma nova doutrina designa a novidade da pessoa de Jesus. Ele se tornou portador de toda a novidade, sendo portador de si mesmo.

Autores


A tradição eclesiástica atribui os Evangelhos a Mateus, Marcos, Lucas e João. Mateus, o publicano, foi um dos doze apóstolos, escreveu na Palestina para cristãos convertidos do judaísmo. Sua obra, composta em hebraico (aramaico) foi, depois, traduzida para o grego. Marcos (João Marcos) foi um discípulo de Jerusalém que auxiliou Paulo, Barnabé e Pedro, do qual foi seu intérprete, redigindo em Roma sua catequese oral. Lucas, médico de origem pagã, nascido em Antioquia, foi companheiro de Paulo nas 2a. e 3a. viagens e, também, em Roma. Apoiou-se na autoridade de Paulo assim como Marcos apoiou-se na de Pedro. Escreveu, também os Atos dos Apóstolos. João , o discípulo que Jesus amava, conviveu com Ele e em especial nos momentos da cruz e ressurreição. Escreveu bem mais tarde que os outros três e apresenta traços que lhe são próprios. Ele quer dar a entender o sentido da vida, dos gestos e das palavras de Jesus. Os acontecimentos da vida de Jesus são “sinais” . É um Evangelho mais profundo e teológico.


Existem também Evangelhos apócrifos de Tomé, Tiago, Nicodemos, que a consciência cristã não reconheceu como Palavra de Deus: contem traços de história e verdade, ao lado de seções fantasiosas e heréticas.


Os Evangelhos são simbolizados pelos animais descritos em Ez 1,10 e Ap 4,6-8: o leão Marcos, o touro Lucas, o homem Mateus e a águia João. A tradição cristã adaptou esses símbolos aos autores sagrados levando em conta o início de cada Evangelho: como Mateus começa apresentando a genealogia de Jesus, é simbolizado pelo homem; Marcos tem início com João Batista no deserto, que é tido como morada do leão; Lucas se abre com Zacarias a sacrificar no templo, por isto é simbolizado pelo touro, vítima do sacrifício; João começa apresentando o Verbo preexistente que se fez carne, à semelhança de uma águia que voa muito alto para, depois, dar o bote na terra. Esta atribuição de símbolos aos evangelistas não se deve aos autores de Ez e do Ap, mas é obra de escritores cristãos dos séculos II/IV.


Conteúdo


O conteúdo dos quatro Evangelhos é, em linhas gerais, o mesmo. Embora cada um comece de maneira diferente, todos coincidem no essencial: a apresentação de Jesus e da sua mensagem. Cristo não é somente o objeto do Evangelho mas também o sujeito, pois Ele é o seu autor.


Mateus e Lucas tem dois capítulos para a infância de Jesus e acontecimentos anteriores ao nascimento dele: anunciação do anjo a José em Mateus e a Maria em Lucas que também fala da anunciação a Zacarias pai de João Batista. Marcos e João colocam Jesus diretamente e cena como adulto.


Ainda que a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo constituam o essencial da narrativa evangélica, os outros atos e gestos de Jesus e sobretudo seus ensinamentos não são negligenciáveis, tanto mais quanto a Ressurreição lhe dá um sentido novo.

Os Evangelhos não se propõem a fazer uma biografia de Jesus, mas a dar os ensinamentos necessários à salvação da humanidade. Jo 20,30s “estes sinais foram escritos para que, crendo tenham a vida em seu nome”. Não se trata de uma fé meramente intelectual mas de uma fé que deve fazer-se vida.


As Escrituras são citadas com freqüência pelo próprio Jesus e mostram que o que tinha sido anunciado está se cumprindo em Sua pessoa. Ele é o Messias anunciado pelo Antigo Testamento.




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