– Esta verdade surpreenderá muitos católicos e perturbará todos os protestantes. No entanto, esta é a verdade: Cristo fundou sua Igreja em Roma!

Nosso Senhor Jesus Cristo fundou sua Igreja sobre o Apóstolo São Pedro. Isto, até os protestantes mais sérios e melhor preparados o reconhecem; não, porém, as seitas mais fundamentalistas. Com efeito, onde está Pedro, o Papa, aí está a Igreja:

  • “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16,18).

Porém, se perguntarmos acerca do lugar geográfico, onde isto se deu? Onde Cristo fundou sua Igreja?

“Jesus Cristo não fundou a Igreja em Roma, mas em Jerusalém”, repetem constantemente os irmãos protestantes, sem investigar, analisar ou confirmar o que os seus pastores ou outros irmãos de fé lhes ensinaram. O objetivo é desacreditar e negar que a verdadeira e única Igreja fundada por Jesus seja a Igreja Católica Apostólica Romana, uma vez que inexiste qualquer texto bíblico que os amantes da “Sola Scriptura” possam sacar para afirmar que a Igreja foi fundada em Jerusalém.

A afirmação de que Nosso Senhor fundou a Igreja na cidade de Jerusalém é algo que não debatemos com os demais cristãos católicos porque, na verdade, não foi [fundada] em Jerusalém, mas em Cesareia de Felipe (que foi uma cidade construída por Felipe em honra a César), ou seja, uma cidade romana, de modo que Jesus Cristo fundou a Igreja em Roma e é aí que falta honestidade [intelectual] ou sobra ignorância nos protestantes.

Passemos então, com a Bíblia, a explicar e fundamentar a nossa afirmação:

É fato inquestionável que o Apóstolo São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, era cidadão romano, como ele mesmo nos assegura:

  • “Mas Paulo replicou: ‘Açoitaram-nos publicamente e, sem sermos condenados, sendo homens romanos, nos lançaram na prisão, e agora encobertamente nos lançam fora? Não será assim; mas venham eles mesmos e tirem-nos para fora'” (Atos 16,37).
  • “E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: ‘É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?’ E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: ‘Vê o que vais fazer, porque este homem é romano’. E, vindo o tribuno, disse-lhe: ‘Dize-me: és tu romano?’ E ele disse: ‘Sim’. E respondeu o tribuno: ‘Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão’. Paulo disse: ‘Mas eu o sou de nascimento'” (Atos 22,25-28).

São Paulo afirma que ele é cidadão romano por nascimento, isto porque ele mesmo nos informa, em outro versículo, que nasceu na cidade de Tarso:

  • “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois” (Atos 22,3).

Será que um Apóstolo de Jesus Cristo mentiria para salvar a sua vida? De forma nenhuma! As duas afirmações de Paulo são verdadeiras: a cidade de Tarso se encontrava onde hoje é a Turquia e esta região, do mesmo modo que Jerusalém, assim como tudo o que se aprecia no mapa abaixo, era Roma, pois pertencia ao Império Romano:

ENTÃO JESUS, OS APÓSTOLOS E TODOS OS JUDEUS ERAM ROMANOS?

A república se reservava o direito de conceder ou não a cidadania romana. Um escravo nascido na cidade de Roma não era cidadão, mas podia comprar sua liberdade e converter-se em cidadão. Para ser cidadão, exigia-se ter nascido em alguma província romana, mas não apenas isto; podia também ter nascido em alguma família distinta, ou servido nas legiões, ou comprado a cidadania, ou hereditária etc. A política foi evoluindo… Em resumo: ter nascido em um aprovíncia romana dava a possibilidade de se tornar cidadão, ainda que tendo nascido na cidade de Roma não garantisse a cidadania. Havia ainda diversas espécies de cidadania: de primeira, de segunda classe etc. A cidadania também podia ser perdida, como no caso de “alta traição”.

A partir de 28 a.C., o direito de cidadania foi outorgado seja para indivíduos, seja para famílias específicas, principalmente das altas camadas dos povos conquistados ou a comunidades locais inteiras. Após 212 d.C., todos os habitantes livres que viviam no Império foram reconhecidos como cidadãos pelo edito imperial de Caracala, chamado “Constitutio Antoniniana”.

Ainda que nem Jesus, nem os Apóstolos possuíssem cidadania romana, o Império não fazia a mesma distinção com os territórios conquistados; alguns eram mais importantes do que outros mas, ao final, todos eles eram territórios de Roma. Com efeito, a Igreja Católica nasceu em território romano, ou seja, Jesus Cristo fundou sua Igreja em Roma; do mesmo modo que, ainda que o Apóstolo São Paulo não tivesse nascido na cidade de Roma, mas sim na cidade Tarso, por encontrar-se esta em território romana, com toda propriedade e legalidade Paulo podia afirmar, segundo as leis romanas, que tinha nascido em Roma, porque todo o território do Império era Roma!

Israel era território pertencente ao Império Romano e só a mais crassa ignorância ou má-fe poderia negar isto.

Com efeito, ainda que Jesus Cristo não tenha fundado a sua Igreja na cidade de Roma, mas em Cesareia de Felipe, sendo esta uma cidade do Império Romano construída em honra a César, com toda propriedade e legalidade podemos afirmas que Jesus Cristo fundou a sua Igreja em Roma!

Por outro lado, Jesus Cristo jamais se pronunciou contra a ocupação romana da sua pátria. Pelo contrário, justamente àqueles que pretendiam que o fizesse, para ter do quê acusá-Lo, Ele lhes disse:

  • “Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22,21).

E um governo ou império só pode cobrar tributos nos territórios de sua propriedade ou domínio. Jesus Cristo aceitava, de direito e de fato, que a sua pátria fosse uma província romana.

O fato de Jesus ter fundado sua Igreja em Roma não é um evento meramente circunstancial. A Igreja nasce numa cidade que simboliza o Império opressor, que um dia permitirá a morte do Senhor e perseguirá a Igreja Católica.

JERUSALÉM: A PRIMEIRA SEDE DA IGREJA

Por outro lado, ainda que a Igreja tenha sido fundada em Cesareia de Felipe, sua primeira sede foi estabelecida em Jerusalém. Antes de enviar os Apóstolos a pregarem o Evangelho na Judeia, Samaria e até os confins da terra, Jesus aponta que não deixem Jerusalém porque ali serão batizados [com o Espírito Santo]:

  • “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que – disse ele -, ‘de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias'” (Atos 1,4-5).

Como bem sabemos, isto se cumpriu no dia de Pentecostes, dia este em que a Igreja de Jesus Cristo iniciará sua atividade, com o Apóstolo Pedro à frente da Igreja:

  • “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (Atos 2,1-4).

Esta primeira sede da Igreja não durou muito: logo teve que se mudar, primeiro para a Antioquia e, depois, para Roma, já que a cidade de Jerusalém, com o seu Templo, serão destruídos pela V, X, XII e XV legiões romanas, por ordem do general Tito Flávio Vespasiano, no ano 70 d.C.

Contudo, devemos recordar que, embora o lugar inicialmente escolhido pelo Senhor seja bastante significativo, a Igreja é fundada sobre Pedro e, portanto, como já havíamos dito: “Onde está Pedro, aí está a Igreja”. De fato, em certo momento da História, a Sede Papal mudou-se para Avignon, na França. Mesmo hoje, em caso de emergência, a Sede poderia voltar a se mudar, mas pela Tradição Apostólica sabemos que Pedro escolheu Roma com sua Sede e que foi em Roma onde Cristo a fundou.

CONCLUSÃO

Ainda que disto muitos possam lamentar, a Igreja fundada por Jesus Cristo é Católica, Apostólica e Romana.

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