Knock-out: fim da história. O resultado do debate entre Garry Matatics contra James White e Eric Svendsen sobre a virgindade perpétua de Maria.

 

Introdução

É bastante comum nos Estados Unidos, o maior país protestante do mundo, debates apologéticos entre católicos e protestantes, católicos e ateus, protestantes e ateus, protestantes e testemunhas de Jeová e Mórmons. Uma forma de tais debates ocorrerem é via rádio, onde o apresentador de determinado programa de rádio cristã convida dois representantes de determinada denominação para debaterem acerca de um assunto específico.

O ex-ministro protestante Garry Matatics, atualmente um dos apologistas católicos mais atuantes na mídia dos Estados Unidos e diretor do Biblical Foundations Internacional, aceitou recentemente um convite do doutor James White, um dos maiores nomes da apologética protestante dos Estados Unidos, escritor de livros que visam refutar em sua maioria as doutrinas católicas, para um debate ao vivo pela Divinig line, promovido pelo ministério do doutor James White, o Alpha and Omega Ministries, contra um outro grande nome da apologética protestante norte-americana, Eric Svendsen, diretor do New Testament Research Ministries, autor de vários textos anti-católicos e do livro Who is my mother? que se propunha a refutar a mariologia católica, especialmente a virgindade perpétua de Maria.

O debate foi marcado para o dia 18 de novembro de 2003, terça-feira passada. No site de James White meses antes haviam chamadas para tal debate. O assunto do debate girou em torno de um único assunto: A Virgindade Perpétua de Maria. Eric era um especialista em refutar esta doutrina, e estava auxiliado por ninguém menos que James White. Apenas Garry foi convidado, pelo lado católico.

Porém Garry Matatics contou com o auxílio de outros amigos apologistas em sua preparação para o debate. John Pacheco, diretor do apostolado apologético canadense Catholic-Legate possui vários textos sobre o assunto, inclusive refutando o próprio Eric várias vezes. Este enviou seus textos sobre o tema heos hou, o centro das atenções dos debatedores. Por causa disso, após o debate, James White chamou John de um “Jack Chick católico” (em tempo, Jack Chick é um dos mais famosos protestantes fundamentalistas dos Estados Unidos. Grande parte do fundamentalistas se apóiam nos seus famosos panfletos anti-católicos). Outro auxílio que Garry pôde contar foi com Robert (Bob) Sungenis, autor de livros como Not by Faith Alone e Not by Scripture Alone, duas refutações massivas contra estes dois pilares do protestantismo.

Um dia antes do debate, James White colocou em seu site um link para o site de Eric Svendsen. Diz ele: “Para aqueles que queiram ler alguma coisa antes do debate White/Svendsen vc Matatics DL na terça à noite, aqui está um excelente texto de Eric Esvendsen em resposta a Matatics sobre um debate entre ele e eu em outubro, em Salt Lake City“.

SOBRE O DEBATE…

Bob Sungenis publicou em seu site, o Catholic Apologetics International, um texto parabenizando Garry pelo debate travado contra Eric e James White. Segue abaixo o texto escrito por este grande apologista:

“Primeiramente gostaria de dizer que além de seus excelentes argumentos, Garry Matatics se comportou como um verdadeiro cristão. Enquanto que James White e Eric Svendsen geralmente gritavam com Garry e acusavam-no de coisas falsas, sem fundamento.

Seja como for, se os ouvintes não perceberam, o debate terminou perto das 7:55 da noite, horário oficial oeste. Os outros 35 minutos foram apenas de conversas. Talvez muitos não tenham percebido isto porque James White fez o que pode para que o final do debate passasse despercebido.

Perto de 7:55 da noite Garry apresentou um exemplo da frase heos hou usada entre os anos de 100 A.C e 100 D.C. que provavam que tal frase significava a continuidade da ação anterior principal, e não o seu fim. Na realidade, esta era única coisa que Garry precisava fazer neste debate, e fez muito bem.

Antes de continuar, deixem-me explicar porque isto foi tão importante. Eric Svendsen afirma que o uso de heos hou na passagem de Mt 1,25 (que foi traduzida pela palavra até na frase “não a conheceu até quando ela deu à luz um filho”) é uma frase grega que termina a ação da sentença principal “não a conheceu”. Em outras palavras, Svendsen concluiu que o estado de “não conhecer Maria” de José terminou quando Jesus nasceu. Ele conclui isto porque, da mesma forma como ele vem fazendo em seus textos durante todos esses anos, todas as referências a heos hou entre os anos de 100 A.C a 100 D.C. terminam a ação da sentença principal, e não a continuam. Se heos hou continua a ação, isto implicaria em dizer que José continuaria a “não conhecer Maria” mesmo depois da concepção de Jesus, o que leva a entender que José e Maria nunca tiveram relações sexuais.

Em uma observação a parte, Svendsen admite que a frase grega heos (“até”) isoladamente pode terminar ou continuar a ação da sentença principal. Mas ele argumenta que quando heos vem acompanhada de hou formando a frase heos hou no período em discussão, ela NUNCA dá continuidade à ação principal. Ele admite também que antes de depois do período em discussão, 100 A.C a 100 D.C., heos hou podia ser usada para dar continuidade à ação anterior, mas por alguma razão (que ele nunca soube dizer qual) o significado de heos hou continuando a ação anterior subitamente deixou de existir. A prova era que o Evangelho de Mateus fora escrito exatamente nesta época.

Agora voltando ao debate de 18 de novembro. Como disse acima, Garry Matatics apresentou um exemplo, escrito entre os anos de 100 A.C. a 100 D.C., onde a frase heos hou dá continuidade à ação da sentença principal. O exemplo é este:

E Aseneth foi deixada com as sete virgens, e continuou a ser oprimida e a chorar até o sol se pôr. E não comeu pão nem bebeu água. E a noite veio, e todos da casa dormiram, e somente ela estava acordada, continuando a se desesperar e a chorar; e sempre apertava seu peito com as mãos enquanto ficava preenchida de grande medo e incontrolável tremor.

Em primeiro lugar, a referência é o trabalho de C. Burchard, na história entitulada “Joseph e Aneseth”, que pode ser encontrada em Old Testament Pseudepigrapha. Vol. 2, Expansions of the Old Testament and Legends, Wisdom and Philosophical Literature, Prayers, Psalms, and Odes, Fragments of Lost Judeo-Hellenistic Works, ed. James H.Charlesworth, p. 215. New York: Doubleday, 1985.

Em segundo lugar, a palavra “até” na frase “chorar até o sol se pôr” é a palavra grega heos hou. Você pode notar pelo contexto que Aneseth chorou até o pôr do sol, mas que ela continuou a chorar pela noite quando todos da casa estavam dormindo. Está aqui um caso clássico onde heos hou dá a continuidade da ação da sentença principal, pois o próprio contexto não dá margem para qualquer outra possibilidade. Diante disso somente há duas possibilidades: ou heos hou termina o ato, ou o continua. Neste exemplo ele certamente não terminou o ato, senão é fato que Aneseth deveria ter parado de chorar, e não continuado, depois que o sol se pôs.

Com isso o senhor Matatics, em um golpe sutil, desacreditou toda a tese de Eric Svendsen (que foi o centro de todo o debate, se vocês prestaram bem a atenção). Evendsen afirmou que não havia nenhuma referência a heos hou dando continuidade à ação da frase principal. Ele sabia que se seu oponente mostrasse ao menos uma situação que contradissesse a sua tese, todo o argumento desmoronaria como um castelo de cartas. Os oponentes não precisam de dezenas de referências. Só precisam de uma, a bala de prata. Foi essa bala de prata que desacreditou totalmente toda a dissertação profissional de Eric Svendsen, pois toda ela se sustentava no significado de heos hou no período em discussão. Se você escutou bem o debate, foi nesse exato momento em que Eric começou a ficar mais quieto no diálogo, e não aumentou sua voz novamente até próximo do final, quando tentou capitalizar um momento em que James White entrou na conversa.

Sentindo o impacto da bala de prata no coração de Eric, James White, próximo das 7:55 da noite, iniciou a sua já famosa e conhecida tática de desviar o tema. Quando White percebeu que Garry mostrou exatamente a fonte necessária para derrubar toda a tese de Esvendsen, e que Eric não tinha mais respostas para dar a seu oponente, ele então perguntou o seguinte: “Garry, o Novo Testamento tem exemplos semelhantes?”.

Agora deixem-me dizer o que significa esta intervenção de James White. Significa que White ou não conhece a essência da tese de Svendsen, ou ele realmente não a conhece, mas mesmo assim tentou defendê-lo. A tese de Eric Svendsen, como já disse acima, é que EM NENHUM ESCRITO NÃO NEOTESTAMENTÁRIO, entre os anos de 100 A.C. e 100 D.C., há uso da frase heos hou que dê continuidade à sentença verbal grega principal. Como White não podia reagir frente à fonte NÃO NEOTESTAMENTÁRIA dada por Garry utilizando heos hou como continuidade à ação verbal principal, ele pulou rapidamente aos escritos do Novo Testamento e afirmou que se Garry não pudesse dar um exemplo neotestamentário do uso de heos hou então o argumento de Matatics falharia.

Eric Esvendsen deveria se envergonhar e James White deveria pedir desculpas a Eric, pois toda a tese deste era baseada em que fontes fora do Novo Testamento jamais continham o uso de heos hou como dando continuidade à ação verbal principal. Neste desafio em que Eric vem se lançando a anos, e que Garry Matatics resolveu, e White sabia disso, mesmo assim White tentou desviar a atenção do público para estes pensarem que Garry havia falhado em sua missão, a menos que mostrasse uma fonte do Novo Testamento que provasse o uso de heos hou dando continuidade à sentença anterior. Mas Garry não falhou. Ele obeteve sucesso em derrubar a toda a tese de Eric Svendsen. Toda a fonte que Garry mostrasse, dali em diante, de um uso do Novo Testamento seria apenas a cereja do bolo.

Esta tática de James White é extremamente desonesta e hipócrita, especialmente porque ele, cinco minutos depois, começou a atacar e pressionar Garry em outros assuntos, dizendo “Garry, isto é grosseiramente absurdo!”. O próprio White, cinco minutos antes, deu à todos os ouvintes uma das piores “grosserias absurdas” que eu já ouvi em debates em toda a minha vida.

Tudo o que eu posso dizer é OBRIGADO Garry Matatics, meu amigo e parceiro. Se me permite um jargão, você foi um verdadeiro “cavalheiro e um intelectual” esta noite. Deus te abençõe e te ilumine.

Seu irmão em Cristo

Robert Sungenis”

CONCLUSÃO

Esta foi sem dúvida uma grande oportunidade para católicos e protestantes conhecerem mais sobre a verdade acerca deste conflituoso tema que é a Virgindade Perpétua de Maria. Esta nós católicos reconhecemos pela fonte da Palavra de Deus e principalmente pela autoridade da própria Igreja em ensinar somente o que for certo em questões de fé. Felizmente Garry Matatics demonstrou a estes dois grandes mestres apologistas protestantes norte-americanos, de forma relativamente simples, que de agora em diante estarão conscientes de seu erro, e que permanecerão rejeitando as doutrinas cristãs genuínas conscientemente. E da mesma forma todos os protestantes que negam em observar a verdade ainda que de modo tão claro, e simples. Esperamos que muitos se convençam da verdade e deixem as heresias, e tornem seus olhos, seus ouvidos e corações para a verdadeira adoração ao Cristo pleno.

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