Quem nestes dias, com senso crítico, percorre a imprensa nacional e internacional fica estarrecido com os equívocos que são disseminados no que tange ao tsunami que, dizem, vem arrasando (sic) a Igreja Católica. De um lado, o desconhecimento das mais elementares normas da Lógica, ciência tão glorificada pelo inigualável filósofo grego Aristóteles que já ensinava que a conclusão não pode ir além das premissas.

De fato, frases de efeito são projetadas como esta: “A Igreja na Irlanda está desmoralizada”. Ainda que se dissesse que o Clero católico da Irlanda está comprometido haveria um erro, pois o certo seria dizer que uma parte do clero da Irlanda está maculada diante dos casos de pedofilia divulgados por Seca e Meca. De duas uma, ou seja, ou se ignoram as regras do bom raciocínio ou a intenção é mesmo satânica de denegrir uma Instituição que pelos séculos afora tem ostentado um número luminoso de sacerdotes e leigos impolutos que fazem a glória do gênero humano, epígonos de Cristo: luz para o mundo e sal para a terra..

Padres “construtores da justiça, da solidariedade e da paz, merecedores de credibilidade”, como bem se expressou D. Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte. Outra imprecisão é querer ligar a questão da pedofilia com o celibato, dado que, neste caso, se vende gato por lebre. É desconhecer o sentido mesmo das palavras e afirmar que entre todos os que se casam não há casos de pederastia e outros desvios sexuais. O problema do celibato é de foro interno da Igreja que nunca deixou de exigir que seus Seminários preparem do melhor modo possível os candidatos ao sacerdócio, excluído de plano qualquer seminarista que não ostente virtudes compatíveis ao ministério que aspira.

O sacerdote deve estar inteiramente dedicado à seara do Senhor e se torna o pai de uma família muito mais numerosa que são os fiéis a ele confiados. O número de pessoas casadas que, infelizmente, se divorciam e não cumprem com as promessas matrimoniais mostra às claras que a questão do celibato é sempre muito mal posta na mídia em geral. Anormalidades éticas sempre as haverá devido a inclinação do ser humano para o mal, fruto do pecado original, mas o que se esquece é que o equilíbrio moral, a santidade de vida, o ideal de  uma vida impoluta é uma realidade na maioria absoluta dos cristãos, mas os atos fulgurantes dos virtuosos nem sempre são objeto de reportagens, pois os sensacionalistas  estão a serviço dos escândalos.

Errar é humano, perseverar no erro é que se torna diabólico. Cumpre se lembrem as palavras de São Paulo a Timóteo: “Sabemos que a lei é boa, contanto que se faça dela uso legítimo e se tenha em conta que a lei não foi feita para o justo, mas para os transgressores e os rebeldes, para os ímpios e os pecadores, para os irreligiosos e os profanadores, para os que ultrajam pai e mãe, os homicidas, os impudicos, os infames, os traficantes de homens, os mentirosos, os perjuros e tudo o que se opõe à são doutrina e ao Evangelho glorioso de Deus bendito, que me foi confiado” (1 Tm 1, 8-11). Aqueles mesmos que, deturpando a Inquisição, chamam a Igreja de intransigente, desejariam que ela tomasse medidas radicais em qualquer caso de algum erro de algum eclesiástico.

Muitos olvidam que os dados austeros da estatística comprovam que 98% dos elementos do Clero cumprem fielmente os seus deveres numa operosidade admirável para o bem das almas e o progresso social. São sustentados pelas preces dos fiéis e por movimentos que trabalham pela santificação dos sacerdotes como, por exemplo, o Instituto Mater Christi que tem núcleos espalhados por inúmeras Paróquias regidas por párocos dedicados, edificadores de uma sociedade humana e justa. Mais do que nunca ressoam as palavras de Cristo o qual prometeu que jamais as portas do inferno prevalecerão contra sua Igreja (Mt 16,18)

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