Nome do leitor: Leandro
Cidade/UF: Curitiba
Religião: Católico

Mensagem
========

Caro “Prof” Alessandro Lima

Li vários artigos seus no site Veritatis, alguns achei ótimos na defesa da fé e os uso inclusive para ajudar na defesa que costumo fazer da Igreja Católica, outros eu achei lastimáveis pelo truncamento de informações e a falsa noção interpretativa dos mesmos, e faço referência aos dois últimos “Pode um católico negar obediência ao Concílio Ecumênico do Vaticano II?” e “A Parábola do Semeador e o Concílio do Vaticano II”.

Primeiramente devem-se botar os pingos nos “is”, negar um Concílio é diferente de criticar um Concílio, mas os seus textos dão a falsa impressão de que este Concílio é infalível, coisa que nem os próprios textos do CVII dizem ou garantem. Outra coisa a se colocar em ordem é sobre estar submetido a ele, o IBP como você deve saber NÃO É SUBORDINADO AO CVII, ele está liberado para usar as rubricas de antes do concílio, ou seja, todo o fiel que participar de Missas celebradas pelo IBP estará indiretamente não subordinado ao CVII, então suas afirmações de desobediência estão totalmente equivocadas.

Antes de continuar neste assunto vamos falar sobre desobediência.

Vou utilizar o mesmo Código Canônico, já que o senhor o utilizou aparentando ter “esquecido” ou “desconhecido” alguns trechos:

Código de Direito Canônico

TÍTULO I

DAS OBRIGAÇÕES E DIREITOS DE TODOS OS FIÉIS

Cân. 212 § 1. Os fiéis, conscientes da própria responsabilidade, estão obrigados a aceitar com obediência cristã o que os sagrados Pastores, como representantes de Cristo, declaram como mestres da fé ou determinam como guias da Igreja.

§ 2. Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da Igreja as próprias necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios.

§ 3. De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, tem o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, dêem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.

Cân. 341 § 1. Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados.

§ 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice.

Como pode ver pelos parágrafos acima, não só pode como deve ser criticado tudo e qualquer erro que possamos detectar em relação a Igreja, obviamente com responsabilidade e como não é apenas uma pequena minoria que critica o CVII, mas também pessoas do clero, penso que o senhor e os senhores que criticam aqueles que criticam o Concílio, apesar de estar no mesmo direito que nós não nos podem negar o direito. (Enrolei a língua mas é isto mesmo)

O senhor confunde obediência com descaso, como o senhor bem disse, devemos TOTAL OBEDIÊNCIA A IGREJA DE CRISTO, os Papas são os seus legítimos representantes e através deles todos os concílios até o CVI foram bem sucedidos trazendo a verdade e oficializando a fé sempre aceita, ao contrário do concílio PASTORAL CVII que trás muitas dúvidas ao que sempre se acreditou, por isto mesmo necessitando urgentemente de uma interpretação oficial da Igreja.

Ao invés do senhor e seus outros companheiros de apostolado tecer críticas contínuas aos “tradicionalistas” deveriam colocar textos ensinando o que é certo ou errado dentro da doutrina Católica, utilizando o Catecismo e o Código de Direito Canônico sem esquecer-se de trechos importantes!

O senhor usou também um trecho do então Cardeal Ratzinger fora do contexto assim como os islâmicos fizeram com o discurso dele!

Por acaso o senhor já leu o que o Papa disse a respeito da ambigüidade?

“Mas algo que necessita de interpretação para continuar existindo, na verdade, já deixou de subsistir. Com toda razão, o espírito humano volta-se para a verdade mesma, e não para aquilo que, pelo método da interpretação e lançando mão de desvios, ainda pode ser declarado compatível com a verdade” (Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristianismo: preleções sobre o Símbolo Apostólico, trad. Alfred J. Keller, São Paulo: Loyola, 2005, p. 106).

Poderíamos ficar dias usando trechos de discursos de forma fora do contexto e do que se propunha ao entendimento, mas não tenho interesse neste tipo de debate que mais parece protestantisado (trechos isolados).

No final o senhor ainda tem o disparate de repudiar a FSSPX, o Instituto Montfort e a Permanência por serem eles contrários a ambigüidade, mas ao mesmo tempo não critica a Canção Nova, a Renovação Carismática e nem a Toca de Assis, mesmo eles sendo relativistas!

O senhor sabia que existe um protestante na Canção Nova que costuma cantar por lá? O senhor sabia que ele continua sendo protestante e não pretende se converter?
O senhor já leu as homilias do Padre Jonas Abib? Já leu em especial uma delas que apostáta da fé Católica preferindo a doutrina Luterana de salvação automática quase um sola fide?
http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php?id=8842

O senhor já viu o vídeo em que o padre Jonas Abib “ENSINA” o dom do “falar em línguas”?
http://www.youtube.com/watch?v=IJtF8-Hj_zE

Mas como se pode ensinar a falar em línguas se é um dom do Espírito Santo?

Estas coisas o senhor não vê, prefere atacar aqueles que defendem as tradições apostólicas!

Peço para que o senhor leia e preste atenção ao “Mortalium Animos” entre outras encíclicas que exortam os fiéis a contrariarem o relativismo e o modernismo, assim como qualquer doutrina contrária a doutrina Católica.

Tentei encontrar o porquê de o seu nome vir antecedido de Professor, e pelo que li o senhor é professor de computação e não de teologia, pergunto, é costume os senhores da Veritatis usarem tratamento como Professor e Doutor mesmo sendo formados em outras áreas que não condizem com a proposta do site? Não deveriam usar esses títulos no site somente se fossem formados em teologia?

São leigos como qualquer outro e ostentam títulos que não condizem com a realidade do site.

Espero que os senhores parem de atacar aqueles que defendem as tradições e comecem a atacar a mentira e a apostasia da fé, o que de fato é realmente perigoso!

Paz e Bem!


Prezado Leandro, a Santa Paz de Nosso Senhor.

Já sei porque você se referiu a mim como “Prof.”. Você julga que eu deveria ser professor de teologia para sustentar tal título num sítio católico. Você se engana. Para repetir o que a Igreja ensina, não é preciso ser teólogo, muito menos professor de teologia, é preciso apenas ser fiel à Igreja, repetir o que Ela ensina. E é isto que neste apostolado todos nós procuramos fazer: repetir o que a Igreja ensina.

Tenho o direito de ser chamado de Prof. porque eu realmente o sou. Assim como um médico tem o direito de ser chamado de médico e assim por diante. Aliás, o Prof. Orlando Fedeli também não tem formação em teologia, mas em História. Prof. Felipe Aquino é Engenheiro, Prof. Carlos Ramalhete é formado em Letras e assim vai. Se você não quiser me chamar de Prof., tudo bem, não me ofendo em ser chamado somente pelo nome que meu falecido pai (que Deus o tenha) me deu.

Fico realmente muito feliz que nosso apostolado lhe tenha sido útil, que você tenha utilizado nossos artigos para defender a Fé Verdadeira, que é a Fé Católica. Glória a Deus por isso. Porém é muito comum que as pessoas gostem muito de apontar os erros dos outros e se incomodarem quando os seus lhe são apontados. E tenho certeza que foi este o seu caso.

Enquanto meus artigos lhe agradavam, eles eram “ótimos na defesa da fé“. Quando passaram a não lhe agradar mais, tornaram-se “lastimáveis pelo truncamento de informações e a falsa noção interpretativa dos mesmos“. Ora, prezado Leandro, como você quer converter os hereges à Fé Verdadeira se você mesmo resiste em reconhecer os próprios erros? Para você vale as palavras de Cristo Nosso Senhor: “Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?” (Mt 7,3).

Para o bem da tua alma, permita-me mostrar a trave que está no seu olho. Vamos não só colocar os pingos nos “is” mas nos “jotas” também.

Infabilidade do CVII

Você escreveu que “negar um Concílio é diferente de criticar um Concílio, mas os seus textos dão a falsa impressão de que este Concílio é infalível, coisa que nem os próprios textos do CVII dizem ou garantem”.

Com efeito, você está certo quando diz que negar um Concílio é diferente de criticar um Concílio. Porém, pode-se negar um Concílio criticando-o. Um exemplo: logo após as críticas à Missa de Paulo VI, segue à rejeição à mesma, remetendo a uma desobediência àquilo que o Concílio determinou, logo a uma negação do Concílio. Negar um Concílio não é só deixar de reconhecer sua validade e legitimidade, mas negar-lhe a autoridade também. Assim como um infrator que embora reconheça a autoridade do legislador, acaba por negar a mesma infringindo a lei.

O CVII foi um Concílio Pastoral, isto é, tratou somente de questões pastorais, de diretrizes para a Evangelização do Mundo Moderno. Para isto o Concílio também expôs a Doutrina Tradicional de uma outra forma. Não pretendo entrar no mérito se o que foi pretendido pela Igreja foi bom ou ruim. Claro que esta análise podemos fazer, mas não podemos com base em pretenso direito de criticar o Concílio, lhe negarmos a obediência, pois é negar obediência à Santa Igreja. Este é o ponto. Cabe à Igreja, Mãe e Mestra de nós, reformar o que precisa ser reformado, rever o que foi falho (claro, diretrizes pastorais não são infalíveis). É certo de devemos criticar o que é passível de crítica (as diretrizes pastorais do Concílio) tanto quanto devemos obedecer ao que a Igreja determina.

Você disse que é falsa a infabilidade do Concílio. Concordo que diretrizes pastorais não são infalíveis, porém não significam que falharam. Porém nem tudo no CVII foi norma pastoral. Nele a Igreja também expôs sua Doutrina, de outra forma é claro, mas fez isto. E a Igreja quando ensina em Matéria de Fé (não somente quando determina) é infalível.

O Papa Paulo VI no encerramento deste disse que o CVII gozava do caráter do Magistério Ordinário. Ora, Magistério Ordinário também é infalível, pois repete o que a Igreja sempre ensinou. O problema é que os tradicionalistas dizem que o Concílio não ensinou o que a Igreja sempre ensinou. Mas quem tem autoridade para dizer isto são eles ou a própria Igreja? Me responda, prezado Leonardo, quem tem autoridade para dizer o que a Igreja ensinou ou deixou de ensinar: é Ela própria ou os tradicionalistas, modernistas, ortodoxos e protestantes?

Os Papas NUNCA disseram que o Concílio rompeu com o ensinamento tradicional da Igreja. Mas me parece que para você vale mais a opinião alheia do que o ensinamento dos Papas. E isso é ser católico? Você toma como doutrina não o que ensina a Igreja, mas o que ensinam os gurus tradicionalistas.

IBP e CVII

Ainda você: “Outra coisa a se colocar em ordem é sobre estar submetido a ele [ao CVII], o IBP como você deve saber NÃO É SUBORDINADO AO CVII, ele está liberado para usar as rubricas de antes do concílio, ou seja, todo o fiel que participar de Missas celebradas pelo IBP estará indiretamente não subordinado ao CVII, então suas afirmações de desobediência estão totalmente equivocadas”.

Você engana-se ao pensar que estar livre para celebrar unicamente a Missa de S. Pio V seja o mesmo que rejeitar o Concílio. Desde que o Papa João Paulo II emitiu indulto para a celebração da forma tradicional da Missa, a única condição requerida por ele foi reconhecer a validade e a licitude da Missa de Paulo VI. Não era necessária a utilização do Novo Missal. Assim foi com a Fraternidade S. Pedro e a Administração Apostólica Pessoal São José Maria Vianney.

Note, prezado Leonardo, a ÚNICA EXIGÊNCIA do S. Padre foi o reconhecimento pelos tradicionalistas da ORTODOXIA, LICITUDE E VALIDADE do Novo Missal. O Papa não pediu submissão às diretrizes pastorais do Concílio, que, aliás, como eu já disse não são infalíveis.

Um Bispo amigo nosso, na oportunidade da visita do Santo Padre o Papa Bento XVI, perguntou pessoalmente ao Card. Hoyos se havia diferença entre o acordo feito com o IPB e os demais sacerdotes da Tradição. Card. Hoyos lhe respondeu que não havia diferença.

Aliás, você não encontrará no sítio do IBP qualquer menção a uma suposta missão deste instituto de destruir, ou acabar com o Concílio. Ao contrário, encontrará informações afirmando que sua missão é mostrar a continuidade do Concílio com a Tradição.

Portanto, não houve equívoco nenhum de minha parte. A outra trave que está no teu olho é tomar as especulações alheias como verdade.

Tenha um pouco de paciência e espere para ver o que fará o IBP. Ser cristão também é suportar as demoras de Deus (cf. Eclo 2,3).

Próximo dia 12 de Julho, eles farão uma conferência em São Paulo. Quem sabe lá não teremos mais informações sobre o assunto?

Obediência à Igreja

Obrigado por transcrever os cânones 212 e 341 do CDC. Felizmente eu já os conhecia.

Leandro há um abismo tremendo entre manifestar opiniões aos nossos Pastores tendo como objeto o bem de toda Igreja e desobedecer aos ensinamentos do Magistério da Igreja. Ora, no próprio cânon 341 que você transcreveu a Igreja MANDA obedecer aos decretos do Concílio Ecumênico que foram aprovados e promulgados pelo Papa. Ora meu caro, o CDC é um corpo único e assim como a Sagrada Escritura, um cânone não pode ser tomado fora de seu contexto.

Uma coisa é a autoridade de um Pastor da Igreja (Bispo ou padre, por exemplo) e outra coisa é a Autoridade do Magistério Universal da Igreja. Poderíamos até ajuntar a estes dois um terceiro que é a Autoridade do Romano Pontífice. O objeto tratado no cânon 212, não é o Magistério da Igreja, mas o governo dos Pastores.

O cân 752 manda os fiéis evitarem todo ensinamento contrário mesmo aos Magistério Autêntico, isto é o não infalível. Ora, como você pode se julgar católico desobedecendo este cânon da Santa Igreja?

As palavras do Card. Ratzinger

Você disse que eu usei as palavras do Card. Ratzinger fora de contexto. Então eu te proponho a me mostrar em que contexto da entrevista por ele em 1985 ele não disse o que disse:

É impossível para um Católico tomar posição pró ou contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, como ele claramente se expressou e se entendeu a si mesmo, ao mesmo tempo aceita a inteira tradição da Igreja Católica, particularmente, os dois concílios anteriores […] Da mesma forma é impossível decidir a favor de Trento e do Vaticano I mas contra o Vaticano II. Quem quer que negue o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros concílios e os separa dos seus fundamentos. Isto se aplica ao assim chamado ‘tradicionalismo’ (1) (grifos meus).

Ora, o que você deveria ter feito era então mostrar o suposto contexto verdadeiro. Em vez disso você me veio com um outro trecho destacado do Card. Ratzinger.

Como eu não vivo de conjecturas e nem suposições, eu vou comprar este referido livro e vou ver se nele o contexto em que você colocou as palavras do Card. é o que você propõe (embora eu saiba que a proposição não é exatamente sua…).

Especialmente para você que não gostou do meu artigo comparando a parábola semeador com o CVII, veja este interessante texto do mesmo homem que antes era Card. Ratzinger e agora é Papa. O texto além de ser um dos mais atuais, carrega a autoridade de um Papa:

Quarenta anos depois do Concílio podemos realçar que o positivo é muito maior e mais vivo do que não podia parecer na agitação por volta do ano de 1968. Hoje vemos que a boa semente, mesmo desenvolvendo-se lentamente, cresce todavia, e cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio” (3) (grifos meus).

É o Papa que disse que no CVII há uma boa semente, que encontra dificuldade para crescer. Não tem tudo haver com o meu artigo que não lhe agradou?

A questão da ambigüidade

O que S. Pio X condenou é a ambigüidade de doutrina. Uma doutrina não se avalia em uma frase, ou parágrafo, mas no conjunto total de sua exposição. Claro que existe nos documentos da Igreja (não só do CVII) termos que possuem sentido mais amplo, porém tomados no conjunto onde estão sendo usados, de forma alguma expressam doutrinas anti-católicas. A Igreja mesmo, na Declaração Dominus Iesus, dirimiu as dúvidas quanto ao termo “subsist in” utilizado na Lument Gentum do CVII.

Tais dificuldades, não são novas. A história da Igreja mostra exatamente isso. Se o mero emprego de palavras ambíguas fosse caso de Modernismo, cairíamos na heresia de dizer que o Espírito Santo é Modernista, pois inspirou os escritores sagrados com palavras dúbias e obscuras.

Santo Agostinho, Doutor da Igreja disse que as Escrituras são ambíguas e obscuras:

“7. Os que lêem a Escritura inconsideradamente enganam-se com as múltiplas obscuridades e ambigüidades, tomando um sentido pelo outro. Nem chegam a encontrar, em algumas passagens, alguma interpretação. E assim, projetam sobre os textos obscuros as mais espessas trevas” (2) (grifos meus).

S. Paulo ainda ensina que “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça”. (2 Tm 3,16).

Responda-me como algo ambíguo e obscuro (Santo Agostinho) pode ser útil para ensinar, repreender, corrigir e formar na justiça (S. Paulo)?

Seria o Espírito Santo Modernista? Claro que não! A Sagrada Escritura embora se sirva de termos obscuros e ambíguos (cf. Santo Agostinho), não ensina doutrinas dúbias e ambíguas. O Espírito que inspirou os Escritores Sagrados é o mesmo que ensina através do Magistério da Igreja.

Sobre acusar o erro dos outros

Prezado Leonardo, eu fiquei sabendo destas infelicidades que você relatou e que são promovidas pela Canção Nova (CN). Não pense você que não estamos tratando deste assunto. Nosso apostolado não é um sítio de polêmicas, mas de promoção da Verdade, como se pretende e se espera de todo apostolado católico. Para chamarmos a atenção de um irmão que erra, não é preciso divulgar aos quatro cantos do mundo o seu erro. A Caridade nos manda exortá-lo pessoalmente e sem escândalos. É assim que procedemos, pois queremos que as pessoas venham ao nosso sítio por causa da Verdade e não por amor às polêmicas e ataques de comadres.

Nós somos amigos do Prof. Felipe e não aliados da Canção Nova.

Agora, quando a Caridade não dá frutos, principalmente por causa da vaidade e do orgulho, então é preciso lutar para que o erro dos errantes pertinazes não contamine quem possui saúde.

Nem sempre uma proposição totalmente oposta a um erro é o certo, normalmente não é, mas somente um erro oposto. Por exemplo, o ateísmo é tão errado quanto o politeísmo. Os dois são erros, erros opostos. Nem o ateísmo é certo por ser o oposto do politeísmo e vice-versa.

Da mesma forma como é preciso combater os erros das seitas e dos modernistas, também é preciso combater o erro oposto, dos tradicionalistas.

A Igreja é Santa, não é pecadora. A tese de que a Igreja é Santa e Pecadora é modernista. Porém, afirmar que a Igreja é Santa e dizer ao mesmo tempo que Ela promulgou o Modernismo no CVII, é confessar que a Igreja Santa pecou. E lembre-se prezado amigo, o erro, nunca é coerente e esta proposição tradicionalista também não é, logo é errada.

Rogo à Virgem Maria que ela retire a trave que está no seu olho e que você possa crer em plenitude que a Igreja é Santa e JAMAIS pecadora.

Em Cristo Jesus,

Prof. Alessandro Lima.

Notas

(1) The Ratzinger Report: An Exclusive Interview on the State of the Church by Joseph Cardinal Ratzinger; Ignatius Press, San Francisco, 1985, pgs.28-9).

(2) AGOSTINHO, Santo. A Doutrina Cristã. São Paulo: Paulus, 2002. (Patrística; 17). Pgs 89-90.

(3) XVI, Papa Bento. Apostolado Veritatis Splendor: Discurso do Papa Bento XVI à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4014. Desde 30/10/2006.

Facebook Comments

Livros recomendados

A psicologia da féAs crônicas de NárniaA presa de Sharpe (Vol. 5)