Espaço do Leitor

Leitor contesta o artigo contra o pt – ii

Dr. Rafaell:

 

Lamentável seu artigo, mais lamentável ainda sua resposta ao leitor Sidnei. Quanta rudeza, quanta falta de caridade.

 

Pio IX na encíclica “Quanta Cura” condenou tudo (Capitalismo, Socialismo, Liberalismo, Comunismo, Iluminismo etc… Se formos levar tudo ao pé da letra fundamentalismo) faremos o que? Ficar alienado?

Vou votar em quem? PFL (liberal)? PSDB (Partido da Social Democracia)?

 

Fico com o PT mesmo que sempre esteve e esta (ainda) ao lado do povo excluído.

 

Paz e bem!

 

Mário José Rodrigues

 

Resposta

Carissimo Mário José, salve Maria.

Pedimos a sua compreensão pela demora na resposta: estamos assoberbados com diversas tarefas particulares e públicas que as respostas as cartas custam um pouco a sair, mas com diligente labor estamos conseguindo responder a todas.

Então, vamos lá: primeiramente chamo a atenção para um detalhe na sua afirmação – a de que só podemos ser participantes do processo democrático (grifo meu) se formos inclusos dentro de uma filiação partidária e/ou participarmos ativamente e estritamente com as peças disponíveis no jogo político. Pelo menos foi isso que pude perceber nas suas últimas considerações e afirmações de sua carta.

Ora, esse “mito” é mais uma falácia que as esquerdas instilam nas nossas idéias conformando as nossas estruturas mentais para que, somente sendo “cidadãos” é que estamos realmente pertencendo ao mundo dos vivos, isto é, somente participando de um jogo de cartas partidárias estaremos sendo ativamente partícipes inseridos no contexto geral de uma sociedade.

Esse modo de “pertencimento” ao Estado, essa politização das vidas das pessoas é bem típico de avansado grau de “esquerdização”. Vejamos: na sua classificação dos partidos, nominando as suas [aparentes] ideologias que lhe conformam atribui valor real a uma palavra que apenas indica um partido e não a ideologia que realmente professa. Quando afirma que o PFL é “liberal” você demostra que não conhece a ideologia liberal e atribui critério de verdade apenas o que a esquerda aponta como sendo o “bode espiatória”, o espantalho da vez.

No caso do PSDB é um pouco diferente: o “compromisso tucano” que professa uma “esquerda light”, a tal “terceira via” e que posa de “intelectual” é mais de “acarpetar” o caminho para um avanço gradual, mas consistente (posto que “manso, cerebral e definitivo”) do que uma coisa mais “emocional e atabalhoada” que as “esquerdas radicais”. Esse “estilo de condução” obedece aos métodos gramsccianos de tomada do poder que visa os meios indiretos de pacesso, “cozinhando” a preparação para “amolecer resistências” e “azeitar consciências”.

Um outro ponto interessante de sua carta é essa perfeita identificação do PT com tudo aquilo que é bom, belo e verdadeiro. Palavras como essa – exclusão – são imantadas de poder que comove as pessoas que as escutam e declamam: ficam cheias de brios cívicos, se enchem de caridade e descarregam todas as suas esperanças unicamente naquele partido que personifica tudo aquilo que se aspira, tudo aquilo que se sonha possível de ser realizado. Parece que somente o PT, com todo o seu passado de lutas pode fazer o que é necessário para se mudar o país.

Discursos assim, inflamados, cheios de indignação e fé são perfeitos para caracterizar o quão viciado está nossa percepção da realidade. Parece que só pensamos com o lado esquerdo do cérebro; parece que só sentimos com a metade esquerda do coração (sendo este orgão, por força da fisiologia, alojado mais a esquerda); parece que só temos a mão esquerda; parece até que Deus tem duas mãos esquerdas…

Essa projeção, esse verdadeiro fascínio pela ideologia esquerdista e esse discurso marcado unicamente pela oposição, pelo maniqueísmo viciado e viciante, essa “tomada de consciência” onde a polarização esquerdista é a única válida é a troca dos critérios católicos pela luta de classes é onde o homem se confunde e se perde.

Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII foram os Papas mais ativos em doutrinas sociais; temos até um Santo!!!!!! O que faz um católico trocar o Magistério da Igreja pela ideologia?

Nós católicos devemos militar sempre pelo Império de Cristo na Terra tomando por base aquele maior dos mandamentos – que, na verdade, são dois; um complementar ao outro: amar a Deus sobre todas as coisas (de toda a tua alma, de todo o nosso entendimento e toda a nossa força) e ao próximo como a nós mesmos. Parece, caríssimo e digníssimo Mário José, que a maioria dos católicos estão se esquecendo do primeiro mandamento.
Recomendo para estudos sobre o tema a leitura do livro O Século Do Nada, de Gustavo Corção que foi um professor paciente e minucioso e mostrou as raízes daninhas e os frutos podres dessa árvore que se chama ideologia.

Agradeço antecipadamente a sua atenção de ter me acompanhado até aqui e conto com a sua boa-fé e boa-vontade no trato desse assunto tão controverso.

Nos corações de Jesus, Maria e José;

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