Espaço do Leitor

Leitor pede ajuda para compreender melhor o sacramento do batismo

Gostaria que vocês falassem sobre o Sacramento do Batismo, uma vez que lendo sozinho não consigo entender algumas coisas que estão escritas sobre este Sacramento no Catecismo da Igreja Católica.

Nome do leitor: Márcio G. dos Santos


Caríssimo Sr. Márcio, primeiramente obrigado pela confiança em nosso apostolado. Contamos com vossas orações.

Vamos começar pelo começo. Existe uma verdade filosófica que nos afirma que toda vida provém de uma vida pré-existente. Do nada, nada provém. Chamamos a fonte de toda a vida, de Deus. E a Criação é prova singular da existência de um Criador. Nesse sentido o papa Bento XVI afirma que tudo o que existe, é pensamento que tomou forma. Eisntein dizia que após estudar muito percebeu que existia um pensamento por de trás do universo. Assim também Pascal afirmou que se pouca ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos devolve a Ele.

Pois bem, se sabemos algo sobre Deus, sabemos que é Amor e sempre foi o mesmo Amor, e antes da criação estava ardendo de Amor. Estava como que grávido de todos nós. E Ele fez o mundo para o Homem. Criou o homem em sua imagem semelhança, numa sintêse incrível entre o mundo material e o espiritual. Dotou o homem material de uma alma espiritual imortal, com razão e livre-arbítrio.

Temos em mente que os dois primeiros seres humanos criados, Adão e Eva, tinham dons preternaturais e sobrenaturais, que eram presentes dados por Deus ao homem, dons completamente imerecidos e não próprios da real natureza humana. Com eles, o homem não sofria, não morria, tinha uma perfeita harmonia entre o corpo e a alma, tinha uma ciência infusa e uma sabedoria plena, e no fim de sua vida viveria com seu Deus face-a-face sem conhecer o trauma da separação entre corpo e alma; assim era o plano original de Deus para o homem. Deus deu ao homem mais do que merecia. Apenas pediu um ato livre de amor. Como sabemos o homem rejeitou:

Aceitando a sugestão da serpente: “Sereis como Deuses”, Adão e Eva, cometeram o primeiro pecado da humanidade, o pecado original. Rechaçando Deus, rechaçou sua união com Ele. Extinguiu na alma a vida sobrenatural com que Deus o havia dotado porquê assim o desejou negando-o. Como Adão era o gênero humano quando o pecado foi cometido, todos os homens estavam presentes nele. E a graça santificante, que lhê dá a oportunidade de se unir vísivelmente a Deus, é algo que o homem, por sua natureza não tem direito. Era um dom absolutamente imerecido, um presente que este desprezou, dando um safanão à mão que Deus estendia.” (A fé explicada, 1983, p.269)

Desde então o homem perdeu tudo: seus dons preternaturais e o mais grave, seus dons sobrenaturais. Tome nota: nos dons sobrenaturais estava incluso a graça santificante, a graça da comunhão com Deus que nos habilitava à vida eterna com a visão beatífica de Deus face-a-face. Pois bem, este é o pecado original, a origem de todo o pecado na humanidade. Como toda a humanidade estava presente e representado em Adão e Eva, todos nós perdemos. É como um pai que rejeita um bilhete de loteria premiado, onde suas futuras gerações, sem que tenham culpa alguma, sofrerão com a ausência daquele dinheiro todo.

Assim ficamos, com um vazio na alma, com a ausência da vida sobrenatural, da vida interior e da ação da graça de Deus em nossas vidas. Nos sobrou apenas o que nos era de direito e próprio da natureza. Agora conhecemos o sofrimento, a dor, a revolta entre o corpo e a alma, e a morte. O fato é que caimos num fundo poço. A ponte entre Deus e o homem foi quebrada e o trânsito era impossível.

Sabemos que quanto maior a dignidade de uma pessoa, maior é a ofensa. A gravidade entre uma ofensa para um presidente de um país e entre um vizinho de um apartamento é notóriamente diverso. Pois desde que o homem cometeu uma ofensa a um Deus de infinita dignidade e de infinita caridade, nosso pecado careceu para ser extirpado, de uma reparação de grau infinito. Como nenhum homem, por mais perfeito que fosse, seria capaz de oferecer uma reperação desse grau, o próprio Deus preparou uma corda e desceu para nos puxar. Foi como um Pai que vendo seu filho com uma dívida impagável no banco, transfere dinheiro para cobrir a conta negativa de seu filho. O dinheiro e mérito são todos seu, mas o filho consegue se redimir perante o sistema bancário.

Pois bem, por meio de Cristo Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, semelhante em tudo em nós com excessão do pecado, toda a humanidade retificou-se totalmente ao seu Criador, numa dignidade infinita e plena pelo oferecimento da cruz, sacríficio de valor infinito e perfeito. Foi então na cruz restaurada a ponte que ligava originalmente o homem e seu Criador, nos preenchendo de vida interior novamente e quitando a nossa dívida merecida pelos nossos pecados. Pelos méritos da paixão de Jesus Cristo, temos a vida sobrenatural novamente e a possibilidade de mantermos sempre a graça santificante, que nos habilita mais uma vez a nos unirmos a Deus numa união face-a-face após a nossa morte terrestre. E descendo a mansão dos mortos não se contentou em apenas redimir a nossa humanidade atual, mas levou a salvação a todos aqueles que já tinham falecido na esperança da vinda do messias salvador, dando vida eterna aos nossos antigos pais.

Pois bem, é justamente pelo recebimento do sacramento do Batismo, sinal sensível e eficaz a graça de Deus insituido por Jesus Cristo e fielmente administrado pela sua Santa Igreja, que temos certeza na adesão da fé, que recebemos concretamente em nossa alma toda as graças conquistadas na santa cruz. Na participação do santo batismo recebemos uma graça espetacular e incrível: a graça de nos tornarmos participantes da vida celeste e espiritual, antes enterrada pelo pecado. Pelo Batismo podemos como que ouvir novamente a frase que ressoou pelas nuvens no momento do batismo de Jesus Cristo: “Tú és meu filho muito amado, eu hoje te gerei”. Vale também contextualizar que originalmente o ser humano era apenas uma criatura de Deus, ainda que muito amada, mas ainda assim criatura; agora pelo recebimento do sacramento do Batismo, Deus nos envia junto o próprio Espírito Santo, Espírito que habitou em Jesus Cristo. Por isso temos razão ao afirmar que pelo batismo nos tornamos “filhos e filhas” de Deus, já que recebendo o Espírito de Jesus Cristo, seu Filho muito amado; tornamo-nos irmãos de Cristo e filhos verdadeiro do Deus Criador.

O filho de Deus torna-se assim também membro do corpo de Cristo na Igreja. E é somente depois do batismo que o fiél está apto para receber os outros seis sacramentos, e sem esse não pode, segundo a fé cristã, entrar na união com Deus após a morte. Na realidade este é um dos ensinamentos dados à Igreja pelo próprio Cristo, quando diz nas seguintes passagens evangélicas: “Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5); “Aquele que crer e for batizado será salvo. Aquele, porém, que não crer [e, por indiferença, não se batizar] será condenado” (Mc 16, 15-16).

E é por isso que a Igreja Católica insiste no batismo imediato após o nascimento das crianças, como sinal de prudência por uma não revelação de Deus quanto a morte de recém-nascidos. Ela insiste no Catecismo da Igreja Católica: “Quanto às crianças mortas sem batismo, a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito do respectivo funeral. A doçura de Jesus com as crianças nos faz esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo”. E é por este caráter emergencial que a Igreja Católica permite a todo batizado, também o poder de batizar.

Esperamos ter ajudado o Sr. a compreender melhor os mistérios de nossa redenção:
Silvio L. Medeiros
Equipe Veritatis Splendor.

 


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