[Leitor NÃO autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: G.
Cidade/UF: Vila Velha ES
Religião: Católica

Mensagem
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Caro professor, tenho navegado constantemente tanto no site Montfort como no site Veritatis. e confesso que tenho aprendido muitas coisas sobre a Igreja catolica.

Estudo os dois sites há mais ou menos um ano e confesso que estou mais católico do que nunca graças a vocês (Montfort e Veritatis).

Sei que tenho muito a aprender sobre todos estes assuntos mas vejo uma diferença entre vocês no que diz respeito ao valor ou não do Concílio Vaticano II.

Realmente nós meros leigos ficamos  com muitas dúvidas sobre quem esta certo, mas uma coisa posso te dizer pelo que vejo  o SAGRADO desapareceu das missas e vejo  heresias e blasfemias , vejo coisa que não consigo aceitar, acho que esta tudo muito humano, basta observarmos o mundo atual todo relativista, racional, perdido. O que o senhor pode me falar a respeito?

Aguardo sua resposta primeiramente para o meu e-mail

Parabéns pelo site e rezo por vocês.

Um abraço

Caríssimo Sr. G., a Paz de Nosso Senhor!

Agradeço-lhe imensamente pelo seu contato tão sincero e principalmente pelas vossas orações pelo nosso apostolado. Com efeito, o que seria de nós sem o carinho e as orações de nossos leitores?

Nos dá muita alegria, também, saber que nosso apostolado tem ajudado muitas almas a cumprir com o seu dever de buscar e abraçar a Verdade. Queira Deus continuar se servindo de instrumentos tão falhos como nós.

O Senhor notou bem que a principal diferença (existem muitas) entre a Montfort e o Veritatis diz respeito ao Concílio Ecumênico do Vaticano II. Isso se deve porque aqui no Veritatis ninguém se submete à doutrina do Alessandro, ou do Vitola, ou do Carlos Nabeto. Estamos todos submetidos à doutrina da Igreja enquanto que na Montfort estão todos submetidos à doutrina do Prof. Orlando Fedeli. Infelizmente a Montfort não serve à Igreja, serve somente às idéias e concepções do Prof. Orlando Fedeli que as apresenta como se fossem a mais pura e cristalina doutrina católica. E para constatar isso não precisa ser nenhum gênio, basta comparar o que a Igreja ensina sobre o Vaticano II e a Missa Nova e o que o Veritatis e a Montfort ensinam.

É certo que há uma crise na Igreja, que muitos católicos (inclusive clérigos) perderam a noção do sagrado, da reverência e o amor que se deve ter aos sacramentos, da importância do estudo da Doutrina Tradicional etc. Eu seria louco e até mesmo mentiroso se dissesse que está tudo bem. Não, não está. Porém, esta não é a primeira crise na Igreja e talvez não seja a última. Uma crise tão grave quanto a atual aconteceu logo após o Concílio de Nicéia (3) e então vamos culpar o Nicéia I pela crise ariana? Vamos culpar o Concílio de Jerusalém pela crise ebionita? Vamos culpar o Concílio da Calcedônia pela crise monofisista? É possível ser católico e afirmar que o Magistério da Igreja traz a divisão entre os batizados?

Não caia no canto da sereia que afirma que o Vaticano II por não ter sido dogmático ou não ter definido doutrinas como definitivas pode conter erros. Sobre isso ensinou a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (CDF):

“Além disso, a assistência divina é dada aos sucessores dos Apóstolos, que ensinam em comunhão com o sucessor de Pedro e, de modo especial, é dada ao Romano Pontífice, Pastor de toda a Igreja, quando — embora não declarem uma definição infalível, nem proclamem de modo definitivo [definitive] uma proposição [sententiam] no exercício do seu Magistério ordinário — propõem um ensinamento que leva a um melhor conhecimento da Revelação, em matéria de Fé e de Moral, e normas morais que derivam deste ensinamento.

Por isso, deve-se ter em mente a natureza própria de cada uma das intervenções do Magistério e o modo pelo qual é empenhada sua autoridade, mas também o fato de que todas procedem da mesma Fonte, isto é, de Cristo, que quer que Seu povo caminhe na verdade plena. Pelo mesmo motivo, as decisões do Magistério em matéria de disciplina, embora não sejam garantidas pelo carisma da infalibilidade, não deixam de gozar também da assistência divina e exigem a adesão dos fiéis cristãos.” (4, n. 17) (grifos meus).

Por isso caríssimo na Professio Dei confessamos: “Adiro ainda, com religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico, ainda que não entendam proclamá-los com um ato definitivo” (5). E tendo isso como fundamento o Código de Direito Canônico da Igreja (CDC) assim regulamenta:

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela” (grifos meus).

Portanto, como podemos ver acima, a Igreja não só ensina que os seus ensinamentos não infalíveis também gozam de assistência divina, e que por isso devem ser recebidos e tudo o que for contrário a eles deve ser evitado. Sobre isso ainda assim ensinou a CDF:

“A terceira proposição da Professio fidei afirma: « Adiro ainda, com religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio episcopal propõem, quando exercem o Magistério autêntico, ainda que não entendam proclamá-los com um acto definitivo ».

Neste parágrafo incluem-se todos aqueles ensinamentos — em matéria de fé ou moral — apresentados como verdadeiros ou, ao menos, como seguros, embora não tenham sido definidos com um juízo solene nem propostos como definitivos pelo Magistério ordinário e universal. Tais ensinamentos são, todavia, expressão autêntica do Magistério ordinário do Romano Pontífice ou do Colégio Episcopal, exigindo, portanto, o religioso obséquio da vontade e do intelecto. São propostos para se obter uma compreensão mais profunda da Revelação ou para lembrar a conformidade de um ensinamento com as verdades da fé ou também, ainda, para prevenir concepções incompatíveis com as mesmas verdades ou opiniões perigosas que possam induzir ao erro.

A proposição contrária a tais doutrinas pode qualificar-se, respectivamente, de errônea ou, tratando-se de ensinamentos de carácter prudencial, de temerária ou perigosa e, por conseguinte, « tuto doceri non potest »” (5, n. 10) (negritos são meus).

Veja que a CDF não só confirmou tudo que foi ensinado antes, mas ainda completa dizendo que quem professa tese contrária, aderiu a uma doutrina errônea, temerária e perigosa! Por isso, quando dizemos que os ensinamentos da Montfort são perigosos às almas, temos como base TÃO SOMENTE no que ensina a Igreja.

Os Papas desde Paulo VI insistem na ortodoxia do Vaticano II. Bento XVI condenou várias vezes com atos e palavras a hermenêutica da ruptura. Quer o Papa que todos na Igreja se empenhem a receber o Concílio não como ruptura, mas como continuidade perfeita com a Tradição. Citei em outra carta a um leitor um exemplo disto (1) e vou lhe dar um outro bem recente. O Papa Bento XVI reformou a oração da sexta-feira santa na Liturgia de São Pio V colocando-a em plena continuidade com o Vaticano II. Esta decisão do Papa foi criticada por muita gente, e a Santa Sé no início de abril esclareceu o caso defendendo o diálogo inter-religioso e os ensinamentos de vários documentos do Vaticano II como Nostra Aetate, Dei Verbum, Lumen Gentium:

“Depois da publicação do novo Oremus et pro Iudaeis para a edição do Missal Romano de 1962, alguns setores do mundo judaico manifestaram sua insatisfação, por considerar que esse texto não estaria em harmonia com as declarações e as afirmações oficiais da Santa Sé relativas ao povo judeu e à sua fé, que caracterizaram o progresso nas relações de amizade entre os judeus e a Igreja Católica nestes quarenta anos.

A Santa Sé assegura que a nova formulação do Oremus, com a qual se modificaram algumas expressões do Missal de 1962, não pretendeu de nenhum modo manifestar uma mudança na atitude da Igreja Católica para com os judeus, sobretudo a partir da doutrina do Concílio Vaticano II, em particular na declaração Nostra Aetate, que, segundo as palavras pronunciadas por Bento XVI na audiência aos grão-rabinos de Israel, em 15 de setembro de 2005, supôs «um rito no caminho para a reconciliação dos cristãos com o povo judeu». A continuidade na atitude da declaração Nostra Aetate se demonstra, por outra parte, com o fato de que o Oremus pelos judeus contido no Missal Romano de 1970 segue em pleno vigor e é a forma ordinária da oração dos católicos.

O documento conciliar, no contexto de outras afirmações sobre as Sagradas Escrituras (Dei Verbum 14) e sobre a Igreja (Lumen Gentium 16), expõe os princípios fundamentais que sustentaram e sustentam também hoje as relações fraternas de estima, de diálogo, de amor, de solidariedade e de colaboração entre católicos e judeus. Observando o mistério da Igreja, Nostra Aetate recorda precisamente o vínculo totalmente particular com o qual o Povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado com a estirpe de Abraão e rejeita qualquer atitude de desprezo e de discriminação para com os judeus, repudiando com firmeza toda forma de anti-semitismo.

A Santa Sé deseja que as precisões contidas neste comunicado contribuam a esclarecer os mal-entendidos e reafirma seu firme desejo de que avancem ainda mais os progressos alcançados na compreensão e estima recíproca entre judeus e cristãos durante estes anos.” (2) (grifos meus).

Quem diz que é fiel ao Papa e não lhe obedece no que ele ensina e pede não lhe é fiel coisa nenhuma, mas demagogo e hipócrita. Isso me lembra muito aquela parábola do Evangelho em que Nosso Senhor disse: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: – Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha. Respondeu ele: – Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: – Sim, pai! Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe.” (cf. Mt 21,28-31). Então? O que lhe parece? A obediência ao Papa se dá por atos ou meras palavras?

Quem professa X porque o Alessandro disse X, não é católico e sim alessandrino. Quem professa Y porque Orlando Fedeli disse Y, não é católico mas, fedeliano. Desta forma seja católico porque a Igreja DISSE e não porque fulano e beltrano disseram.

Recomendo a leitura da magnífica instrução pastoral de D. Fernando Rifan (6) intitulada “Magistério Vivo da Igreja”.

Espero tê-lo ajudado.

Em Cristo,

Notas

(1) LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: LEITOR PERGUNTA O QUE PENSAMOS SOBRE O SITE DA MONTFORT. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4920. Desde 28/3/2008.

(2) COLINA, Jesús. Zenit webiste: Santa Sé não retrocede no diálogo com povo judeu. Disponível em http://www.zenit.org/article-18038?l=portuguese. Último acesso em 06/04/2008.

SANTA SÉ. Zenit website: Declaração vaticana sobre oração pelos judeus de Sexta-Feira Santa. Disponível em http://www.zenit.org/article-18034?l=portuguese. Último acesso em 06/04/2008.

(3) LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: O VATICANO II É O RESPONSÁVEL PELA CRISE ATUAL? Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4647. Desde 5/11/2007.

(4) CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Apostolado Veritatis Splendor: DONUM VERITATIS. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4932. Desde 24/3/2008.

(5) CONGR. PARA A DOUTRINA DA FÉ. Apostolado Veritatis Splendor: DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO SOBRE A PROFESSIO DEI. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4116. Desde 23/4/2007.

(6) RIFAN, D Fernando Arêas. Apostolado Veritatis Splendor: ORIENTAÇÃO PASTORAL – O MAGISTÉRIO VIVO DA IGREJA. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4215. Desde 4/4/2007.

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