Espaço do Leitor

Leitor pergunta como os santos podem saber o que queremos

Nome do leitor: Wiliam Gonçalves
Cidade/UF: Belo Horizonte-MG
Religião: Catolica romana

Mensagem
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Prezados senhores,

Graça e Paz!

Tenho freqüentemente  conversas com protestantes sobre os pontos em que eles divergenm de nós nas questões da fé. É claro que bem pouco  consigo com isto, já que entre eles é raro encontrarmos quem tenha um mínimo conhecimento teológico (mesmo da teologia deles mesmos) e da História da Igreja (mesmo da História das suas próprias comunidades eclesiais). Aceitam conversar apenas por terem a esperança de nos converterem às suas seitas. Limitam-se a em citar enxurradas de versículos bíblicos, quase sempre sem nenhuma relação direta com o assunto tratado, e a nos lançar em rosto as mais absurdas acusações contra a Igreja Católica, que desconhecem quase que inteiramente. A maioria deles nada cogita aprender com os católicos e nem nos considera cristãos.

Porém, recentemente a Providência me fez encontrar um protestante bem inteligente com quem tem sido possível conversar. Outro dia falávamos da intercessão dos santos. Concordou o nosso irmão separado que os santos aqui da terra podem orar por nós, mas não aceita que os bem-aventurados que já estão no céu possam sequer saber do que se passa conosco que ainda limitamos cá na terra. Eu tenho argumentado com a clássica explicação de que Deus faz os santos conhecerem nossas petições a eles por uma direta revelação ou por ministério dos anjos. Mas o meu argumento tem sido reputado insuficiente e eu não consigo melhor desenvolvê-lo.

Poderiam os senhores tecer alguns comentários sobre o assunto?  Considerando que os santos não são onipresentes nem oniscientes, como lhes é possível rogarem a Deus por nossas necessidades? Como ficam sabendo que nós os estamos invocando? Ao tomarem conhecimento das agruras por que passamos neste mundo não terão uma diminuição de sua bem-aventurança?

Muito obrigado. Deus os recompense pelo trabalho que prestam à Igreja.

Em tudo seja louvado nosso Senhor Jesus Cristo!

Cordialmente, Wiliam.


Muito prezado Wilian, a Santa Paz!

O Credo Niceno-Constantinopolitano é o mais antigo que existe. Note ainda que tem origem num tempo em que todos os cristãos tinham um só Pastor, uma Só Fé e um só Batismo (cf. Ef 4,5). Um dos artigos de Fé deste credo é a Comunhão dos Santos: “creio na Comunhão dos Santos”.

S. Paulo ensinou que “assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro” (Rm 12,5). Ora, quer dizer que os membros do corpo de Cristo estão ligados uns aos outros. Desta forma, os Santos (que fazem parte da Igreja Triunfante) também estão ligados aos outros fiéis: do purgatório (Igreja Padecente) e da terra (Igreja Militante).

A Revelação não explica tudo, se explicasse ficaria sem valor o nosso ato de Fé. A Fé que é assentimento da vontade e da inteligência à matéria que é Revelada, se dá pela autoridade de quem Revela e não por se evidente a verdade naquilo que está sendo revelado.

O que sabemos é que de alguma forma Deus dá a conhecer aos Santos o que ocorre conosco. Um exemplo está na parábola de Cristo sobre o homem rico e Lázaro (cf. Lc 16,19-31). Nesta parábola Abraão que se encontrava no mundo espiritual de alguma forma sabia o que havia ocorrido com o homem rico e com Lázaro.

Com efeito, visto que o ato da oração de uns pelos outros é tão recomendada e tão salutar para todos os fiéis, não deixaria Deus de prover meios para que os Santos pudessem conhecer nossas necessidades e orar por nós junto a Ele.

Há um artigo que escrevi sobre a intercessão dos santos (1), espero que ajude você e seu amigo.

Em Cristo Jesus,

Prof. Alessandro Lima.

Notas

(1) LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: A Intercessão dos Santos. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/3934. Desde 31/7/2006.





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Veritatis Splendor