Nome do leitor: José Carlos

Mensagem
========

Boa Tarde,

Com respeito e admiração pelos estudos dispostos no VERITATIS, do qual  fica um questionamento:

Podemos crer que esta narrativa exposta no Livro de II Macabeus 15, fora inspirada pelo Espírito Santo?

37. Assim se desenrolaram os acontecimentos relativos a Nicanor, e já que a partir dessa época Jerusalém permaneceu em poder dos hebreus, finalizarei aqui minha narração.
38. Se ela está felizmente concebida e ordenada, era este o meu desejo; se ela está imperfeita e medíocre, é que não pude fazer melhor.


Prezado José Carlos, a Santa Paz!

Agradeço muito seus elogios ao nosso sítio. Tenho certeza que o que lhe causou admiração foi o Esplendor da Verdade que neles há e não nossa capacidade de expor a matéria (que muitas vezes seguem com vários erros de português…).

S. Paulo escreveu ao seu discípulo Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça” (2 Tm 3,16).

Inspiração divina não é um ditado mecânico pelo Espírito Santo, mas a iluminação da mente do escritor sagrado para que, sob a luz do Espírito Santo possa transmitir por escrito, com as noções religiosas e humanas que possui, informações autênticas da mensagem embora revestida de linguagem humana. A finalidade da inspiração bíblica é religiosa, e não da ordem das ciências naturais.

É muito comum se pensar que inspiração divina seja uma revelação direta de Deus, seja por ditado ou visão; ou que esta mesma inspiração possua infabilidade de ordem científica.  Isto não exclui  o fato de que  em alguns casos os escritores sagrados tenham recebido  uma  revelação direta de Deus, ou que a mensagem evangélica possua precisão científica.

Dito isto, você me pergunta se devemos considerar 2 Mac 15,37-38. Claro que sim! Quem definiu o cânon bíblico para os cristãos, não foram os fariseus do final séc. I e nem Cristo e Seus santos Apóstolos. Foi a Igreja Católica. E a Igreja reconheceu o livro dos Macabeus (I e II) como inspirados pelo Espírito Santo.

O fato do autor sagrado reconhecer suas misérias na capacidade de transmitir as verdades queridas por Deus não o torna não inspirado, se levarmos em conta a real definição de inspiração e que outros livros cuja inspiração não é discutida apresentem lá também suas particularidades.

Veja por exemplo, estas palavras no Livro do Eclesiastes: “Mas, quando me pus a considerar todas as obras de minhas mãos e o trabalho ao qual me tinha dado para fazê-las, eis: tudo é vaidade e vento que passa; não há nada de proveitoso debaixo do sol” (Ecl 2,11).

No trecho acima há uma constatação meramente humana, não divina. Será que o texto acima não é inspirado?

No Evangelho de Mateus lemos: “Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel” (Mt 27,9). O Evangelista se enganou. A profecia não é de Jeremias, mas de Zacarias (cf. Zc 11,12-13). Será que esta passagem também não é inspirada por Deus?

Há ainda várias informações contraditórias no AT e no NT, que se deve ao fato de que a Escritura é mensagem de Deus transmitida pelo homem, que é falho.

Espero tê-lo ajudado.

Leitura complementar

Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Apostolado Veritatis Splendor: A Interpretação da Bíblia. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/286. Desde 6/11/2001.

Carlos Martins Nabeto. Apostolado Veritatis Splendor: A BÍBLIA É INFALÍVEL?. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/1390. Desde 5/9/1999.

Facebook Comments

Livros recomendados

Recordações sobre Mons. EscriváO Fundador do Opus Dei – 3 Vols.Poesia Reunida: 1985-1999