Sou católico ´mas fico a me indagar se é correto as afirmações ditas na oração de consagração a Nossa Senhora: "Toma-me como coisa e propriedade sua", "consagro-lhe meus olhos, minha bôca, meus ouvidos e todo o meu ser".  Isto é teológica e espiritualmente correto?  As Escrituras não afirma que somos proriedade de Deus e que só a Ele devemos servir?  Sendo assim não seria incorreto esta prece?  Gostaria de uma orientação.  Um abraço a todos.

 

Caríssimo sr. José,

 

A Revelação não se encontra somente nas Sagradas Escrituras. Não são elas a nossa única regra de fé e prática. Tal é a doutrina protestante, e a verdade é aquela ensinada pela Santa Igreja de Cristo: além da Escritura, temos a Tradição Apostólica.

 

O senhor poderá ver mais sobre isso no seguinte artigo:

 

https://www.veritatis.com.br/article/3522

 

Para aprofundamento, sugiro a leitura de outros, sobre o tema:

 

https://www.veritatis.com.br/article/1545

https://www.veritatis.com.br/article/581

https://www.veritatis.com.br/article/1526

https://www.veritatis.com.br/article/338

https://www.veritatis.com.br/article/3076

https://www.veritatis.com.br/article/2732

https://www.veritatis.com.br/article/74

https://www.veritatis.com.br/article/1532

https://www.veritatis.com.br/article/3880

https://www.veritatis.com.br/article/274

https://www.veritatis.com.br/article/1135

https://www.veritatis.com.br/article/1544

 

Assim, a Bíblia deve ser interpretada pela Igreja. Não se lê a Bíblia fora da Igreja, e sem a ajuda da Tradição Apostólica.

 

De outra sorte, está certo: somos propriedades de Deus e a Ele devemos servir. Mas o serviço à Virgem Santíssima e a afirmação de que dela somos propriedade não contradiz tamanha verdade. Só servimos Maria para servir a Cristo. Só somos propriedade de Maria porque o somos de Jesus. Servimos Nossa Senhora, servindo a Deus. Ou melhor, servimos a Deus servindo a Deus. Não é a caridade a demonstração do amor para com Deus e o próximo? Ora, quem nos é mais próximo do que a Mãe de Deus?

 

Maria é aquela que escolheu nada ter, exceto a Deus. Se somos propriedade dela, é porque o somos de Deus. Somos d'Ele, absolutamente. A propriedade de Maria está em um sentido figurado, metafórico: fazemo-nos dela para sermos d'Ele. Consagramo-nos a ela, para que nos leve a Ele. Deus tem domínio sobre nós através de Maria.

 

Tanto é assim que a mais perfeita devoção mariana é a prática da "escravidão de amor a Jesus Cristo por meio de Maria", ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, em seu "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", livro de cabeceira de João Paulo II. O lema "Totus tuus", de seu pontificado, fazia referência a esse livro e à Virgem: "Todo teu, Maria". E "todo" de Maria para ser todo de Deus, de vez que não há contrariedade entre a vontade de Maria e a de Deus. Foi a Virgem mesmo quem disse: ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum! Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra!

 

O famoso teólogo tomista Fr. Garrigou-Lagrange, OP, dizia que esse livro de Montfort "é um tesouro incomparável para a Igreja." (Vita spirituale, Roma: Città Nuova, 1965, p. 254) A escravidão à Maria, ou, melhor dizendo, a Cristo por meio de Maria é um modo de consagração, tal qual essa oração que o senhor descreve.

 

Todas as devoções devem tender para Cristo, que é nosso centro, critério e modelo. Também as devoções marianas. A oração citada pelo senhor, pois, tende, sim, a Cristo. Consagrando-nos à Virgem Santíssima, consagramo-nos a Cristo, seu Filho. Ela é quem nos ensina a sermos melhores cristãos, pois é a discípula perfeita.

 

A consagração à Nossa Senhora é um modo de crescermos sempre mais em direção a Deus. Que ela, tomando-nos como coisa e propriedade sua, nos leve a Cristo, seu Filho divino, como foi ponte entre Ele e os servos das bodas de Caná.

 

Em Cristo,

 

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