Caros irmãos do Veritatis Splendor,

A Paz de N. Sr. Jesus Cristo,

Novamente confio neste apostolado para esclarecer minhas dúvidas com relação a Sta. Igreja (neste caso a sua história). Estive lendo o site cleófas e a wikkipédia em relação a Ordem Templária e os dois são contraditórios no que diz respeito a participação da Igreja no julgamento dos Templários. Gostaria, se for possível, de obter maiores esclarecimentos sobre a ordem e sobre como teria acontecido seu fim.

Att.,

Seu irmão em Cristo,

Edilson Meireles

Caríssimo Sr. Edilson Meireles,

A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e as bênçãos de Maria!

Somos infinitamente gratos pela vossa confiança em nosso Apostolado. Reze por nós, para que o Veritatis Splendor continue corajosamente sua missão de defesa da Santa Igreja Católica e de Cristo, Nosso Senhor.

Sua questão é deveras importante, devido ao fato de que os Cavaleiros Templários têm estado muito em voga ultimamente. Infelizmente, uma literatura de cunho esotérico ou maçônico tem passado informações absurdas sobre os Cavevleiros Templários, as quais não possuem respaldo histórico; junta-se a isto o fato de que, no Brasil, não encontramos bons livros de história sobre os Templários. Temos que nos deparars sempre com aquelas “histórias da carunchinha” sobre o Santo Graal ou a ameaça do poder dos Templários ao Papado, que teria gerado sua condenação; histórias estereotipadas e absurdamente errôneas. É preciso separar muito bem o joio do trigo no que se refere aos templários hoje em dia. Sua pergunta nos dá a oportunidade de esclarecermos um pouco sobre esta Ordem.

Obviamente não podemos abordar todas as faces da problemática dos Templários; isto daria um livro. Faremos, portanto, de uma forma bem resumida.

Origem da Ordem dos Cavaleiros Templários

É sabido que durante a Idade Média, era próprio da nobreza manejar armas. O contato com a espada e o cavalo se dava logo cedo, durante a adolescência e mesmo durante a infância.

Plínio Corrêa de Oliveira, no seu trabalho intitulado “Nobreza e Elites Tradicionais Análogas”, dirá a respeito desta classe:

“Na Idade Média a nobreza constituía uma classe social com funções específicas dentro do Estado, às quais estavam ligadas determinadas honrarias, bem como encargos correspondentes”.

Poderíamos nos perguntar quais eram estas “funções específicas dentro do Estado” que cabiam à nobreza. Entre estas funções, estava a da defesa do feudo ou do próprio Estado em si; de um ponto de vista mais amplo, estava a defesa da Civilização e do Cristianismo perante os seus inimigos.

Efetivamente, é na nobreza que surge a cavalaria e a figura do cavaleiro.

No “Dicionário da Idade Média”, organizado por H.R.Loyn, encontramos no verbete cavalaria:

 “A evolução da sociedade feudal na Idade Média Central, tanto na Europa ocidental quanto nas Cruzadas, gerou condições especialmente favoráveis ao desenvolvimento dos ideais de cavalaria, com seus elementos gêmeos, mas nem sempre inseparáveis, de Cristianismo e de belicosidade. Associado etimologicamente (chevalier, ‘cavaleiro’) à elite montada da sociedade feudal, a cavalaria desenvolveu suas instituições, regras e convenções características no decorrer dos séculos XII e XIII, por iniciativa tanto de poetas quanto de legisladores. As cerimônias de armar cavaleiro, de concessão de armas, de adoção de insígnias e brasões como distintivos de nobreza, enfatizaram os atributos seculares da aristocracia militar dominante. A formação de Ordens Militares para as Cruzadas também voltou a introduzir um forte elemento religioso”.

Sem querer entrar em detalhes, salientamos a presença da nobreza no surgimento da cavalaria e do personagem cavaleiro, como também o caráter religioso que marcou profundamente a cavalaria, como marcaria tudo quanto surgisse na Idade Média, esta época tão iluminada pela Fé Católica.

As Cruzadas desempenham um papel fundamental em imprimir o caráter religioso nas cavalarias. Com efeito, neste momento a nobreza, nos seus cavaleiros, foram levados a defender a Civilização Cristã e a Igreja Católica de Cristo diante da ofensiva islâmica. Buscando preservar os locais sagrados da Terra Santa e as vidas dos inúmeros peregrinos cristãos que nunca deixavam de acorrer a estes lugares (ambos, tanto lugares como peregrinos, ameaçados pelos maometanos da região, os quais, em nome da jihad, promoviam intensa perseguição religiosa), a nobreza cristã empunhou espadas e saiu à luta. As Cruzadas são, desta forma, um episódio deveras importante na impressão do caráter religioso do cavaleiro medieval.

Na mesma obra por nós mencionada anteriormente, no verbete cavaleiro, se verá:

“A imagem do cavaleiro foi muito favorecida e exaltada, nos planos cultural e moral, durante as Cruzadas, quando a própria Igreja se preocupou com a ética da cavalaria, incutindo-lhe uma natureza quase religiosa como o braço secular da Igreja, responsável pela proteção e defesa dos fracos e da própria instituição. Isso foi realçado pela instituição das Ordens Religiosas de Cavalaria no começo do século XII”.

Enfatizamos a última frase porque é neste momento que começaremos a falar dos Cavaleiros Templários propriamente ditos. Até então falávamos da nobreza e da cavalaria em geral. Agora abordaremos as origens dos Templários.

Como salienta o texto de Loyn, o caráter religioso da cavalaria medieval foi realçado sobretudo durante a “instituição das Ordens Religiosas de Cavalaria no começo do século XII”. Esta é uma clara referência aos Cavaleiros Templários, que foram fundados em 1119 por Hugues de Payns e Geoffroy de Saint-Omer juntos a outros sete cavaleiros, de identidade deconhecida. Os Templários surgem com estes nove indivíduos.

A Terra Santa, conquistada pelos cristãos em 1099, durante a Primeira Cruzada, ainda estava cercada por reinos maometanos. Ainda era perigoso para os peregrinos percorrer seus caminhos, e estes eram alvo constante de assaltos e assassinatos. Os peregrinos cristãos eram vítimas dos sarracenos e também da seita secreta dos Assassinos, uma sociedade secreta maometana, de cunho xiita, fundada em 1090 por Hassan ibn Sabbah, também ditos hassassin ou hashishin (de onde veio a palavra “assassino”), por utilizarem o haxixe em seus rituais, um alucinógeno que lhes proporcionava “visões”; o quinto grau dos hashishin, os fedayin (= devotos), eram os responsáveis por cometerem os assassinatos seguindo os preceitos da seita.

Uma das causas desta enorme insegurança era a falta de cavaleiros no exército do Reino latino de Jerusalém. Pouco mais de 300 cavaleiros não conseguiriam garantir a segurança e o policiamento de um reino tão vasto.

Os Templários surgem com este objetivo inicial: proteger os peregrinos em seu caminho à Terra Santa (principalmente no trecho entre Jaffa e Jerusalém), e ajudar na defesa do Reino.

O Rei da época, Balduíno II, não recusou esta grande ajuda, e cedeu a área do Templo do Rei Salomão para a instalação da nova Ordem de Cavaleiros. De sua vocação monacal, expressa na adoção dos votos de pobreza, obediência e castidade, surgiu o título de “Pobres Cavaleiros de Cristo”; mas como também estavam instalados na área do Templo, eram também ditos “Cavaleiros do Templo do Rei Salomão”. Surgiu, então, a denominação completa do nome da ordem: “Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo do Rei Salomão”, ou Cavaleiros Templários.

A Ordem cresceu rapidamente. Os interessados em ingressar na Ordem deviam procurar os postos de comando, numerosos na Europa, chamados commanderies, e eram submetidos a muitas provas, que deveriam mostrar sua sólida espiritualidade, seu amor a Cristo, sua força e habilidade com armas, além de grande coragem. Somente após passar por estas provas, e após renunciar a todo prazer material e carnal, jurando obediência à Igreja, o jovem era admitido como novo Cavaleiro da Ordem.

Entre aqueles que foram atraídos para a Ordem estava André de Montbard, Conde de Champagne, o qual era primo de São Bernardo de Claraval. Por seu intermédio, a Ordem chegou aos olhos de São Bernardo. O intrépido Abade de Clairvaux logo percebeu quão grandiosa era a missão daquela nova Ordem de Cavalaria, que unia os princípios do monasticismo ao ideal do cavaleiro, e não lhe poupou apoios. No seu panfleto De Laude Novae Militiae elogiou-os profundamente. Foi São Bernardo que redigiu a Regra dos Cavaleiros Templários, baseando-se da Regra de São Bento; esta Regra dos Templários foi aprovada pelo Concílio de Troyes em 1128. Isto torna insuspeita esta Regra, e faz decair por completo a idéia absurda de que haveriam preceitos esotéricos e místicos na Regra Templária, que teriam sido preservados pela Maçonaria: como este grande Santo escreveria uma Regra herética? Mais: como uma Regra inspirada na Regra de São Bento e aprovada por um Concílio da Santa Igreja conteria heresias? Isto mostra quão ignorantes são aqueles que tentam forçar esoterismo e misticismo na Regra dos Cavaleiros Templários.

A Ordem dos Cavaleiros Templários era uma nobre e valorosa Ordem de Cavalaria, que muito ajudou na defesa da vida dos peregrinos cristãos que iam à Terra Santa, como também na defesa da própria Terra Santa.

Mas isto só durou até o momento em que os Templários não se deixaram conspurcar pelos erros…

A decadência dos Cavaleiros Templários: heresias se infiltram na Ordem

Os Cavaleiros Templários começam a decair quando se deixam levar pelas heresias da época, sendo influenciado especialmente pelo Gnosticismo.

E esta influência se deu por duas vias: através do contato com a Seita dos Hassassin e também através da infiltração de hereges cátaros na Ordem.

Como dissemos anteriormente, a Seita dos Hassassin era uma sociedade secreta islâmica que praticava assassínios inclusive (e principalmente) contra cristãos. Os Templários surgiram também para proteger os peregrinos cristãos das maldades desta sita. Mas o contato constante com os hassassin acabou fazendo com que os Templários absorvessem alguns de seus erros gnósticos. Assim, a Ordem que surgira tão valorosa e cristã a ponto de ganhar o apoio de São Bernardo e de toda a Igreja, deixava-se corromper pelos erros contra a Fé.

Juntou-se a isso o fato de que muitos hereges criminosos cátaros (da heresia do Catarismo, heresia perigosíssima que surgiu no século XII e pregava a Salvação por meio de suicídios e assassinatos), para escapar da condenação, fingiam-se convertidos e se alistavam nas commanderies, para fazerem parte da Ordem dos Cavaleiros Templários. A infiltração de hereges cátaros (principalmente vindos do Sul da França, do Languedoc) fez com que também os erros gnósticos desta heresia se infiltrassem na Ordem dos Templários.

Ademais, em agradecimento pela proteção recebida, muitos nobres doavam terras aos Templários. Estas terras foram sendo acumuladas, e junto com elas muitas riquezas. Os Templários se tornaram tão ricos (e ambiciosos) que chegaram até mesmo a montar uma rede bancária, talvez a primeira que se tem notícia! Mas os Pobres Cavaleiros do Templo quebravam assim um de seus votos: o voto de pobreza.

Desta forma, a Ordem que surgira tão brilhante em Fé e coragem, agora decaía nas trevas do erro e do materialismo.

Isto lhes gerou grandes problemas.

O fim dos Cavaleiros Templários

Esta infiltração de erros e heresias na Ordem dos Templários é praticamente o seu fim.

Era precisa uma grande reforma na Ordem para que tudo voltasse à disciplina de outrora.

Tanto poder e riquezas acumuladas pelos Templários deu-lhes inimigos poderosos. Entre estes inimigos estava Felipe IV, o Belo, Rei da França.

Felipe estava enfrentando dificuldades financeiras. Apossar-se dos tesouros da Ordem seria, portanto, uma boa saída. Conta-se ainda que o Rei teria inveja da Ordem, ciúmes de seu poder e influência na Europa, e mesmo um ressentimento por não ter sido nela admitido. Provavelmente o Rei Felipe sentia-se impotente diante da poderosa Ordem (que agora já estava deveras arrogante).

A condenação dos Templários à morte deve-se inteiramente ao Rei Felipe IV.

O Rei instaurou um processo injusto, cujo único objetivo era condenar os Templários, de um jeito ou de outro. Felipe, o Belo, ordenou a prisão dos Cavaleiros Templários em todo o território francês na noite de 13 de Outubro de 1307 (o mito do azar na Sexta-Feira 13 tem origem neste episódio). Por meio de um iníquo processo jurídico, o Rei condenou os Templários à morte. Acusou-os de idolatria, infidelidade, práticas homossexuais (utilizou até mesmo o símbolo dos Templários, um cavalo com dois cavaleiros, para justificar esta sua acusação, o que é um absurdo, pois o símbolo somente representava o ideal de companheirismo!) e diversos outros crimes para legitimar seu veredicto. As “provas” para estas suas acusações foram todas obtidas pelo uso da tortura. Isto era absolutamente nulo, pois tudo se confessava por meio de tortura! A Inquisição sempre considerou nula, sem nenhum valor, uma confissão obtida por meio de tortura, a despeito do que comumente dizem os pseudo-historiadores. A Inquisição impunha normas altamente rígidas para o uso da tortura, que limitavam ao extremo seu uso e tornavam a permissão para a tortura praticamente uma permissão teórica, de aplicação prática quase inexistente; além disso, a tortura só poderia ser utilizada em último caso, após observada meia comprovação do delito, ou o que se chamavam “dois indíces veementes”: de um lado, o depoimento de testemunhas confiáveis, e de outro, a má fama, os maus costumes e alguma tentativa de fuga do acusado, o que descredibilitaria o réu. Somente neste caso a tortura poderia ser utilizada, e seguindo normas mais que rígidas: somente na presença de um médico, por apenas trinta minutos, somente uma vez em uma pessoa, sem mutilação de membros ou perigo para a vida. Isto tudo se unia a outras normas que tornavam a permissão para a tortura tão somente téorica, de aplicação prática raríssima, poderíamos dizer que praticamente inexistente: se contam a dedo os casos em que foi usada tortura por um inquisidor. Ademais, a tortura só era utilizada para obter informações para a investigação, nunca provas; estas informações ainda deviam ser mais tarde comprovadas por acurada investigação. A Inquisição rejeitava qualquer confissão sob tortura como prova. Aliás, a Inquisição foi o primeiro Tribunal do mundo a rejeitar como prova algo dito sob tortura. Tribunais do Império Romano e ainda em nossos tempos, na URSS, se aceitava o que era dito sob tortura. A Inquisição foi o primeiro Tribunal do mundo a rejeitar como numo e sem valor factual as informações retiradas sob tortura.

Estas regras não seguiu Felipe, o Belo, de forma que tudo que os Templários foram forçados a confessar sob a ação da tortura foi incorporado ao seu injusto e iníquo processo como prova irrefutável.

Felipe condenou a Ordem à morte pela fogueira (não foi a Inquisição que condenou os Templários, mas o Rei da França; a morte pela fogueira era a pena de morte prevista pelo Direito Romano, e não pela Inquisição; aliás, nem era a Inquisição que aplicava penas de morte, mas o Estado, e estas eram raríssimas).

O Papa Clemente V (1305-1314) extinguiu definitivamente a Ordem dos Cavaleiros Templários no Concílio de Viena, em 1312. Clemente V não era dono de uma personalidade tão forte quanto seu Predecessor, o Papa Bonifácio VIII (1294-1303), que foi preso e assassinado por Felipe, o Belo, por ir de encontra às suas ambições. Sabe-se que Clemente V não concordava com a condenação injusta dos Templários pelo Rei Felipe, muito embora se diga que esta condenção se deu de comum acordo entre o Rei e o Papa. Um reforma talvez resolvesse o problema, servindo para limpar a Ordem dos erros e heresias que nela se haviam infiltrado. Contudo, diante das pressões e violentas ameaças de Felipe IV, Clemente V cedeu e extinguiu a Ordem.

Sobre a atuação deste Papa no caso dos Templários, cito-lhe uma passagem do meu livro, intitulado “A Última Conspiração de Judas”, onde trato sucintamente do assunto:

“É incompreensível o modo como a imagem dos Cavaleiros Templários é utilizada inescrupulosamente por teorias completamente sem sentido como estas; a Ordem dos Templários era uma ordem monástico-militar medieval cuja finalidade era proteger de ataques inimigos os peregrinos cristãos que iam a Terra Santa. Os Templários foram vítimas da ambição de Felipe, o Belo, Rei da França. Nada além disso. Embora se diga que o Papa Clemente V foi cúmplice de Felipe, o Belo, na condenação aos Templários, é preciso levar em conta que até o referido Sumo Pontífice criticou as prisões sem justificativa dos Cavaleiros, instaurando um processo para investigar o assunto, além de ter frustrado os planos de Felipe de se apossar das propriedades templárias, legando as mesmas a outra Ordem Militar: os Cavaleiros Hospitalários.  Os Cavaleiros Templários não podem ser usados para sustentar qualquer teoria esotérica de quinta categoria que surja por aí, pois têm uma história que precisa ser levada a sério na hora de falar sobre eles. Entretanto, como diz um personagem de Umberto Eco em O Pêndulo de Foucault, ‘todo louco mais cedo ou mais tarde acaba vindo com essa dos templários. Há também loucos sem templários, mas os de templários são mais traiçoeiros’” (p.39).

O fato de Clemente V ter frustrado os planos de Felipe de se apossar das propriedades e riquezas templárias, legando-as aos Cavaleiros Hospitalários, parece provar contundentemente que este Pontífice não concordava com a condenação do Rei à Ordem, embora tenha cedido a ela diante das ameaças deste mesmo Rei. Como você sabe, aos Papas foi concedida a Infalibilidade em termos de Fé e Moral, mas não a Impecabilidade. O Papa pode errar em questões disciplinares, e consideramos que, ao ceder às pressões de Felipe IV, Clemente V errou. Muito embora isto, sua decisão foi acatada com obediência, inclusive pelos frades templários sobreviventes à perseguição de Felipe IV, que se mantiveram em comunhão com o Papa e a Igreja.

Em suma, no entanto, se alguém deve ser culpado pelo fim injusto dos Templários, esta pessoa é o Rei Felipe IV, o Belo, autor e promotor do processo injusto que levou os Cavaleiros Templários à morte.

Remanescentes dos Templários

A Maçonaria gosta de se dizer descendente dos Cavaleiros Templários, embora isto seja uma mentira flagrante. Esta seita possui até uma “sub-seita”, favorecida pelos maçons, que toma o nome do último grão-mestre Templário, a Ordem DeMolay, e que se diz guardiã dos preceitos de Jacques DeMolay e dos Cavaleiros Templários, e até mesmo (pasmem!) sua vingadora. A origem templária da Maçonaria é só mais uma “história da carunchinha” em torno da Ordem dos Cavaleiros Templários, como o é também a lendária busca do Santo Graal pelos Templários. Estas histórias não merecem nenhum crédito.

Se houveram remanescentes dos Cavaleiros Templários, estes foram os Cavaleiros da Ordem de Cristo, que se estabaleceram em 1318 em Portugal, sob a proteção do Rei D. Dinis. Sem nos apegarmos a detalhes, ficaremos aqui com a definição de H.R.Loyn na obra por nós mencionada anteriormente, encontrada no verbete Cavaleiros do Templo:

“O restabelecimento da Ordem do Templo como Ordem de Cristo em Portugal ocorreu em 1318, no reinado de D. Dinis. O espólio templário era imenso, acumulado desde: sua instalação em Portugal com a fundação do reino para auxiliar D. Afonso Henriques na tarefa de Reconquista. Seu primeiro Mestre, Gualdim Pais, foi cruzado, edificou o castelo e convento de Tomar, sede da Ordem, os castelos de Almourol e Idanha, e consolidou o avanço das fronteiras portuguesas até o sul do Alentejo. Grande parte dos territórios do Ribatejo e Alentejo era propriedade templária quando a Ordem foi suprimida e substituída pela Ordem de Cristo. Seu poderio financeiro contribuiria substancialmente, um século depois, para a empresa de descobrimentos marítimos, iniciada pelo Infante D. Henrique, grão-mestre da Ordem. A arquitetura templária em Portugal está patente no convento de Cristo em Tomar, onde subsiste sua famosa rotunda, e no panteão de Santa Maria do Olival”.

Existem fatos curiosos sobre a Ordem de Cristo. Um deles são as grandes navegações. Os Templários dominavam há muito os segredos de navegação no Mediterrâneo. Quando a ordem de cristo estabeleceu-se em Portugal, um dos benefícios que trouxe ao pequeno reino luso foi o domínio das técnicas de navegação, o que tornaria Portugal, mais tarde, uma potência marítima e traria como conseqüência o descobrimento do Brasil. A história do Brasil também está ligada, portanto, aos Cavaleiros Templários. Além disso, um outro fato curioso é a pertença do navegador e descobridor do Brasil (pelo menos oficialmente, já que a expedição de Duarte Pacheco, que já descobrira o Brasil antes de 1500, foi mantida em segredo) Pedro Alváres Cabral à Ordem de Cristo. Por outro lado, meu caro Edilson, você já reparou na grande semelhança entre a Cruz pintada nas velas das navegações lusas e as cruzes vermelhas nos mantos templários? Sim! A Cruz das caravelas é a Cruz dos Templários! Estes são apenas alguns dos fatos curiosíssimos da História dos Templários…

Conclusão e Saudações Finais

A Ordem dos Cavaleiros Templários foi uma Ordem de Cavalaria valorosa e verdadeiramente cristã, e teria permanecido assim, se não se tivesse deixado seduzir pelas heresias e pelas posse materiais. Isto lhe gerou inimigos, dos quais o maior foi o Rei Felipe IV, que lhes condenou à morte. O Papa Clemente V, embora não concordasse e mesmo criticasse as prisões injustificadas dos Templários, extinguiu a Ordem diante das violentas ameaças do Rei Felipe IV. Em suma, esta é a real história dos Cavaleiros Templários.

Esperamos lhe ter ajudado e sanado vossas dúvidas a respeito, caríssimo. Volte a nos contatar sempre que possível! Deus o abençoe infinitamente!

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